Terça-feira, 15 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1059
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ENTRE ASPAS >

Lei de mídia argentina vai do Congresso aos tribunais

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 13/10/2009 na edição 559


Leia abaixo a seleção de segunda-feira para a seção Entre Aspas.


 


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Folha de S. Paulo


Segunda-feira, 12 de outubro de 2009


 


ARGENTINA


Silvana Arantes


Batalha sobre lei de mídia argentina vai agora à Justiça


‘O debate sobre a nova Lei de Serviços Audiovisuais da Argentina pode ter acabado no Congresso, que aprovou o projeto da presidente Cristina Kirchner anteontem, mas vai agora aos tribunais.


A Província de San Luís, governada pelo oposicionista Alberto Rodríguez Saá, pedirá à Suprema Corte que declare a nova lei inconstitucional, segundo o diário ‘La Nación’.


Estima-se que também apelem à Justiça grupos privados de mídia que terão que se desfazer de parte de seus negócios, de acordo com as novas regras.


A lei limita a dez as concessões de rádio e TV por empresa, veta a propriedade simultânea de canais de TV aberta e a cabo e cria teto de 35% dos assinantes por operador de TV a cabo.


O Clarín, maior conglomerado de mídia argentino, em choque com o governo desde 2008 e suposto alvo do casal Kirchner com a nova lei, é o grupo que terá de se desprender de mais negócios para se adequar.


‘Aqui na Argentina parece que o direito à propriedade privada é um palavrão. Mas o artigo 17 da Constituição defende claramente esse direito’, disse ao jornal ‘Perfil’ Gregorio Badeni, apontado como o especialista em direito constitucional que representará o Clarín nas ações contra a nova lei.


A ordem para ‘desinvestir’, contudo, não será imediata. Depende da regulamentação da lei e da formação da ‘autoridade de aplicação’ -comitê que decidirá sobre as concessões e o enquadramento das empresas existentes ao marco legal.


Embora o governo tenha demonstrado pressa na tramitação e na promulgação da lei -em edição extraordinária do Diário Oficial, horas após a votação-, a conformação da ‘autoridade de aplicação’ pode não ocorrer antes de 2010, já que três dos membros devem ser indicados pelo Legislativo.


O governo está ciente da batalha judicial que se avizinha. O chefe de gabinete presidencial, Aníbal Fernández, disse que ‘todos que quiserem’ poderão ir à Justiça, mas que suas ações ‘não terão sustentação’.


Na avaliação do governo, os empresários de mídia não poderão invocar direitos adquiridos, uma vez que não são proprietários do espectro radioelétrico, mas sim têm concessão do Estado para explorá-lo, por tempo determinado.


O aspecto que San Luís questionará na Suprema Corte é outro. ‘A lei viola o artigo 32 da Constituição, porque afeta o direito da Província de legislar sobre os meios de comunicação que operam dentro dela’, disse Rodolfo Barra, que impulsionará a causa, ao ‘La Nación’.


Além dos questionamentos à nova lei, as atenções se voltam à causa que o Clarín move contra o governo, por ‘intimidação’. Em setembro, a Receita Federal fez operação-surpresa na sede do diário ‘Clarín’ e em casas de diretores do grupo. Na semana passada, o Clarín denunciou que o governo ameaçou expropriar a fábrica de papel-jornal Papel Prensa, da qual detém 49% das ações.’


 


 


BERLUSCONI


Folha de S. Paulo


Italianos apoiam veto à imunidade de premiê


‘A maioria dos italianos apoia a decisão desta semana do Tribunal Constitucional de considerar inconstitucional lei que guarnecia com imunidade judicial o premiê Silvio Berlusconi, segundo duas pesquisas divulgadas pela imprensa do país.


A anulação da lei pela corte, na quarta, foi considerada o pior revés do atual mandato de Berlusconi, que chefia o governo da Itália pela terceira vez. Sua criação fora uma das primeiras medidas do premiê após assumir, em maio de 2008.


De acordo com a sondagem do IPR, publicada pela agência de notícias Ansa, 59% dos italianos concordam com a decisão. Dois terços consideram a corte imparcial, maneira como também veem 72% dos ouvidos o presidente Giorgio Napolitano, e 60% acham que o premiê exagerou nas críticas a ambos.


Depois do anúncio da decisão que considerou a lei de imunidade inconstitucional por ferir o princípio da igualdade perante a lei, Berlusconi acusou Napolitano, magistrados do Tribunal Constitucional e ‘72% da imprensa’ de esquerdistas.


Já pesquisa do Ispo, divulgada pelo jornal italiano ‘Corriere della Sera’, apontou 72% de discordância com a imunidade.


A decisão da corte pode levar à reabertura de casos contra o premiê engavetados justamente pela lei, que previa imunidade ainda ao presidente da República e aos presidentes do Senado e Câmara dos Deputados.


Pesam contra o premiê italiano acusações de suborno a senadores para que se integrassem à sua campanha na eleição do ano passado e a um advogado inglês para sumir com documentos financeiros suspeitos.


Berlusconi é suspeito ainda de envolvimento em fraude e corrupção envolvendo o seu conglomerado empresarial. Há uma semana, o líder direitista foi considerado corresponsável em um caso de suborno a um juiz em disputa envolvendo uma das empresas em 1991.


A despeito da oposição popular à imunidade, parlamentares governistas articulam nova lei prevendo a salvaguarda jurídica, mas agora estendida a todos os membros do Parlamento.


A pesquisa do instituto IPR indica, porém, que apenas um quarto dos italianos é a favor da renúncia de Berlusconi e, consequentemente, da convocação de novas eleições legislativas. O mandato do premiê tem fim previsto para 2013.


Na última sexta, o conservador voltou a descartar a possibilidade de encurtar o seu mandato devido a um possível enfraquecimento político em decorrência do desengavetamento dos processos contra ele. Na ocasião, Berlusconi afirmou ser ‘o melhor premiê’ para a Itália.


A possibilidade da renúncia é também descartada pela maioria dos aliados do líder e mesmo por grande parte da oposição, atualmente fragmentada e com poucas chances de retomar o controle do país em uma eventual eleição neste momento.


Apesar do revés, a popularidade do premiê continua em pouco menos de 50%, um índice que, embora baixo para o histórico do político no cargo, já havia sido alcançado depois dos escândalos sexuais recentes envolvendo o seu nome.


‘Espírito anti-italiano’


Ontem, Berlusconi voltou a disparar contra a imprensa estrangeira, com a qual intensificara os atritos desde a cobertura dos escândalos sexuais.


‘Existe um espírito anti-italiano. Alguns diários estrangeiros, adestrados pela imprensa italiana, fazem acusações ridículas, jogando na lama não só o presidente do Conselho de Ministros [premiê] como nossa democracia e nosso país’, disse Berlusconi, reclamando ainda de consequências econômicas.’


 


 


TELEVISÃO


Rodrigo Russo


Filho de Dalva de Oliveira quer diálogo com a Globo


‘A minissérie ‘Dalva’, que a Globo estreia em janeiro de 2010, é motivo de ‘preocupação’ para um dos filhos da cantora do rádio, personagem-título da série. O cantor Pery Ribeiro, 70, diz que foi consultado nas pesquisas do texto, de Maria Adelaide Amaral, mas, desde o início da produção, não consegue mais participar do processo. ‘Eu peço [informações sobre a gravação] sempre. Volta e meia, eu telefono, digo: ‘Deixa eu saber como está a história, como estão os personagens’.


Mas não consigo. A Globo é meio complicada’,diz. Ribeiro está receoso também por ele mesmo ser um dos personagens da trama-de criança a adulto, quando será interpretado por Thiago Fragoso. ‘Eu gostaria de estar um pouco mais a par do que está acontecendo. Como é que o Pery vai se comportar [na série]?


Há sempre um risco de ficar estereotipado’, avalia. O ator Fábio Assunção, que será o compositor Herivelto Martins (1912-1992), pai de Ribeiro, afirmou que é ‘muito difícil’ mostrar o distanciamento dele com os filhos. ‘Ele não era um cara afetuoso. Eu durmo com meu filho. Já ele, nem abraçava’, disse o ator. Para Ribeiro, o distanciamento do pai era ‘apenas uma nuance’. ‘Meu pai era áspero, distante, mas era muito atuante dentro de casa. Tinha essa ambivalência.


São nessas coisas que eu gostaria de contribuir’, argumenta o músico. A Globo informou que todos os filhos do casal foram consultados previamente e que, em fase de gravação, o acesso ao diretor e à autora é mais difícil.


DESCULPAS NO AR


William Bonner repetirá no ‘Jornal Nacional’ de hoje, por decisão da Justiça, que fotografias exibidas em duas reportagens sobre carteiros, em 1995, eram de autoria de Mario Rui Feliciani. A Globo foi condenada por violação de direitos autorais, disse Bonner nos jornais de sexta e sábado.


RIO 2016


No dia em que Rio foi confirmado como sede da Olimpíada, o SporTV foi líder de audiência na TV paga. Segundo o Ibope, mais de 2,5 milhões assistiram.


NOVO PROGRAMA


A atração interativa da Cultura, ‘Programa Novo’, foi vista pela web em 32 países, com 65 mil acessos em setembro.


BBB NO LIMITE


Por seu perfil no Twitter, o diretor Boninho -que comanda tanto o ‘BBB’ quanto o ‘No Limite’- sugeriu que o vencedor da próxima edição de ‘No Limite’, confirmada apesar da baixa audiência nesta temporada, ganhe além do dinheiro a participação no reality show ‘BBB 11’.


MUDANÇA DE RUMO


Será gravada nesta semana a cena da novela ‘Viver a Vida’ em que Luciana (Alinne Moraes) sofre um acidente de ônibus durante a viagem à Jordânia. Como consequência, ela ficará paraplégica -e será uma forma de o autor Manoel Carlos abordar o tema da superação. As gravações, noturnas, devem durar dois ou três dias.’


 


 


Clarice Cardoso


Keanu Reeves estreia em série na internet


‘Nos anos 1970, foi por muito pouco que um trio não tirou a hegemonia do Abba como o maior nome do pop sueco. A história dessa quase maior banda da Suécia é contada na comédia ‘Spärhusen’, série do canal on-line My Damn Channel (www.mydamnchannel.com/sparhusen; em inglês), que estreou no último dia 8.


Com episódios inéditos de cerca de 5 minutos publicados às quintas, o programa é uma paródia dos documentários que contam os bastidores da história de grandes bandas. O diferencial é que, no elenco, está um quase irreconhecível Keanu Reeves usando peruca loiríssima e óculos de sol (dois ao mesmo tempo, na verdade), na pele de um produtor musical que ficou famoso por incorporar sons de baleias às canções (e por imitá-los).


O programa, cocriado por Illeana Douglas, Rob Mailhouse e Todd Spahr, que dão vida ao grupo fictício, nasceu de uma outra série do canal virtual. Em ‘Easy to Assemble’, que retrata a vida de uma atriz falida que trabalha em uma loja de móveis, a trilha sonora é de ninguém mais, ninguém menos, do que a Spärhusen.


‘A banda surgiu quando fazíamos as músicas para ‘Easy’ e ríamos, bebíamos vinho e falávamos com sotaque ‘sueco’, conta Mailhouse à Folha.


A entrada de Reeves no elenco do programa, que levou ‘umas cinco horas para ser gravado’ e custou ‘37 centavos e um pouco de cabelo’, veio de um convite amigável. ‘Keanu e Wally Langham são velhos amigos nossos e ficaram animados quando demos a ideia. A atmosfera familiar é importante para nós e para eles.’


Diferentemente de outros sites que disponibilizam programas na internet, o My Damn Channel só publica conteúdo profissional original. ‘Cobrimos os custos de produção, marketing, relações públicas, web design, tecnologia etc., e, depois, dividimos os lucros. Somos conhecidos por dar aos nossos artistas mais liberdade criativa do que eles jamais receberam’, explica Rob Barnett, ex-rádio CBS, MTV e VH1 e fundador do canal virtual. Agora, ele negocia disponibilizar em celulares e DVDs o conteúdo visto por mais de 1,5 milhão de usuários por mês.


Nas próximas semanas, será lançado o álbum ‘Best of Spärhusen’ para download no iTunes e na Amazon. Lá devem estar as simpáticas ‘Apples and Fish’ e ‘Candy (The Revenge Song)’, que podem ser ouvidas em www.lastfm.com.br/music/sparhusen.


‘Por favor, comprem! Precisamos alimentar o bebê Bjorn e ele está sempre com fome’, brinca Mailhouse, que adianta os próximos planos da banda. ‘Queremos fazer bebês e tocar ao vivo no Brasil. Será que podemos ficar na sua casa?’’


 


 


INTERNET


Ronaldo Lemos


O fim dos blogs?


‘Estou triste. Na semana passada, meu blogueiro favorito anunciou que vai fechar seu blog. Dentro de quatro meses, o escocês chamado Nick Currie, mas conhecido como Momus, vai abotoar o paletó virtual do seu diário Click Opera.


Para quem não o conhece, Momus é uma sumidade em várias áreas diferentes: música, moda, arte, performance e crítica. Desde 1986, lançou mais de 20 discos, o último no ano passado. Para ter um gostinho, vale conferir a música Rhetoric, do álbum ‘Timelord’, de 1993 (bit.ly/PMIrf). Momus parece um pirata moderno, mestre em capturar o espírito do nosso tempo. E olha que ele está sempre de tapa-olho. Achei que fosse por moda, mas a realidade é outra. Ele perdeu um olho por conta de uma amebíase ao lavar sua lente de contato com água de torneira. Argh!


O fim do Click Opera sinaliza (para mim, pelo menos) o fim da década. E, junto com ela, o dos blogs como os conhecemos. Nascidos como uma ferramenta poderosa para expressão pessoal, eles passaram por uma transformação contínua durante a década. Surgiram os blogs corporativos, que ocuparam boa parte da blogosfera.


Começou a aparecer publicidade e, com ela, a polêmica dos blogueiros que aceitam dinheiro para fazer propaganda dentro dos posts, sem deixar isso claro. E, para completar, os blogs ‘puros’ hoje competem com Orkut, Twitter e inúmeros outros sites.


Não acho que os blogs morrerão. Ao contrário, são vítimas do próprio sucesso. Hoje tudo é blog. O formato faz parte de qualquer nova aplicação da internet, do YouTube ao Yelp, passando pelo Facebook. E, nesse sentido, Momus já disse que seu blog acaba, mas que ele vai se materializar em outras formas na internet e fora dela. Vale ficar de olho. Seja lá o que ele fizer, vai dizer muito sobre como será a próxima década.’


 


 


NA PIAUÍ


Fernando de Barros e Silva


Serra de mãos limpas


‘SÃO PAULO – Consta que José Serra não gostou do perfil que lhe dedica o mais recente número da revista ‘Piauí’. Até aí não há nenhuma novidade. O tucano não costuma gostar de quase nada que sai na imprensa a seu respeito. ‘É um dos políticos que mais reclamam da mídia, dos erros e injustiças dos quais é, ou imagina ser, vítima’, diz a repórter Daniela Pinheiro, já perto do final de um texto longo, que se lê com muito proveito e prazer.


Alguns verão um excesso de crueldades próprias do jornalismo. Mas há quem ache o contrário: feitas as contas, a figura do governador sai humanizada da leitura, nada mal para alguém tão refratário a efusões e sentimentalismos.


Serra é estressado, controlador, muitas vezes intratável e especialmente ‘implicante’, registra a repórter, ecoando o que diz ter ouvido de quase todos os entrevistados. Nada disso, ele é ‘engraçado, espirituoso, fofoqueiro’, mas sobretudo ‘não é fingido’, rebatem os amigos.


A aversão à dissimulação e sua intransigência seriam uma virtude do político Serra, tantas vezes confundida com um defeito público. ‘O marketing dele é o da absoluta sinceridade. Ele não é um entertainer, é um ser público puro’, defende a filha Verônica, como quem sugere um contraponto com Lula.


Apesar de tantos prós e contras, o perfil corre o risco de ficar celebrizado menos pelas opiniões dos outros do que por uma mania do próprio Serra. Em três momentos, a repórter o vê lavando as mãos com gel de álcool, que carrega no carro, e diz que esse é um hábito anterior à gripe suína, que ele tem há muitos anos, sobretudo depois de cumprimentar estranhos na rua.


Zelo de homem público, sempre preocupado com a saúde coletiva? Sintoma pouco simpático de um neurótico obsessivo? O leitor saberá o que pensar e concluir.


Fernando Henrique Cardoso diz no texto que ‘Serra é um ótimo gestor, e ponto final’. Acrescentemos: como muitas pessoas, Serra revela ser um péssimo gestor de si mesmo.’


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Segunda-feira, 12 de outubro de 2009


 


LIBERDADE DE IMPRENSA


Moacir Assunção


‘Censura é medida fascista’, diz escritor


‘O escritor e jornalista Fernando Jorge, autor do livro Cale a Boca, Jornalista, que relata a trajetória dos desmandos e agressões contra jornalistas e jornais na história do Brasil, não consegue conter a indignação ao comentar a censura imposta ao Estado pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF).


‘É uma medida fascista ou nazista, que remete às ditaduras de Benito Mussolini e de Adolf Hitler, inimigas ferozes da democracia e da liberdade’, alerta. ‘Basta ver que uma das medidas de Hitler para controlar a imprensa era censurá-la, sem oferecer chance à defesa.’


Desde 31 de julho, o Estado está proibido de publicar qualquer informação referente à Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que investigou negócios sob responsabilidade do empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).


A atual censura, na avaliação de Fernando Jorge, remete a outros dois momentos, que ele descreve em seu livro, da imprensa sob o jugo de ditaduras. ‘A primeira foi em 1937, quando se instalou o Estado Novo de Getúlio Vargas, em que o Estado foi, injustamente, acusado de conspirar contra o regime, por força de seus ideais democráticos.’


A segunda foi durante a ditadura militar, quando o então ministro da Justiça, Alfredo Buzaid, divulgou uma cartilha ‘de moldes fascistas’ que pregava a censura à imprensa.


‘O então diretor do Jornal da Tarde, Ruy Mesquita, hoje diretor de Opinião do Estado, escreveu uma carta que é um verdadeiro primor de coragem, lamentando que o Brasil tivesse se rebaixado à condição de uma republiqueta de bananas por causa da censura’, relembrou.


A Academia Paulista de Letras (APL), no entanto, aceitou o ministro como um dos seus acadêmicos no mesmo ano em que ele determinou as restrições à imprensa.


SARNEY IMORTAL


Se demonstra indignação ao falar da mordaça, que considera uma volta ao passado, o escritor é irônico ao se referir ao presidente do Senado, imortal da Academia Brasileira de Letras. ‘Sarney é um assassino da poesia. Compara estrelas a vacas, que pastam na imensidão do infinito, o que nos faz acreditar que os astronautas deveriam levar capim ao espaço’, diz.’


 


 


ARGENTINA


Ariel Palacios


Oposição quer mudar ‘lei da mídia’ de Cristina


‘Líderes da oposição argentina anunciaram neste fim de semana que pretendem mudar a lei de radiodifusão aprovada pelos aliados do governo da presidente Cristina Kirchner na madrugada de sábado no Senado. O plano é alterar vários pontos polêmicos do pacote conhecido como ‘lei da mídia’, a partir do dia 10 de dezembro, quando novos senadores e deputados assumem seus cargos, revertendo a maioria que o governo detém atualmente na Câmara e no Senado.


‘Toda a lei estará sujeita a revisões e ao voto da maioria, que assumirá em dezembro’, disse o senador Eduardo Sanz, chefe do bloco da União Cívica Radical (UCR). Os representantes do Partido Socialista, que votaram a favor da lei do governo de forma geral, também consideram que as normas precisam de várias modificações.


No entanto, representantes do governo afirmaram que pretendem resistir a eventuais mudanças. Para isso, Cristina poderia recorrer ao uso intensivo de vetos presidenciais.


A lei é vista como um golpe direto no principal conglomerado de comunicações da Argentina, o Grupo Clarín, com o qual a presidente Cristina e seu marido e ex-presidente, Néstor Kirchner, estão em pé de guerra desde o ano passado. O jornal Clarín tornou-se um dos principais denunciantes de casos de corrupção do governo.


A lei impede que um grupo de mídia possa ter ao mesmo tempo um canal de TV aberta e um canal de TV a cabo. Além disso, restringe a atuação de um canal de TV a apenas 35% da população do país.


Além dos novos deputados e senadores, os empresários da comunicação também prometem impedir a aplicação da lei, que obrigará, no prazo máximo de um ano, que cada grupo de mídia que possua um canal de TV aberta e um de TV a cabo de forma simultânea venda um dos dois canais.


O Grupo Clarín, por intermédio de seu diretor de Relações Externas, Jorge Rendo, anunciou que ‘recorrerá à Justiça para fazer valer seus direitos’. Segundo Rendo, ‘existem artigos que são inconstitucionais’. Ele também diz que a lei de mídia dos Kirchners possui pontos ‘insólitos’ que ‘não existem em nenhum lugar do mundo’.


O Grupo Uno também expressou sua intenção de ir aos tribunais para tentar impedir a aplicação da lei, que prejudicará a empresa. Segundo seu presidente, Daniel Vila, a lei, ‘além de estar mal redigida, fere a Constituição em vários artigos’.


‘O que poderia acontecer se daqui a um ano não vendo minha empresa?’, perguntou. Segundo ele, será necessário ‘fechar as portas, pagar as indenizações e despedir’ seus 16 mil empregados diretos.’


 


 


INTERNET


Tim Arango


Estados Unidos vão exigir transparência de blogs


‘Durante quase trinta anos, as normas da Comissão Federal do Comércio (FTC, na sigla em inglês) para as relações entre anunciantes e avaliadores de produtos foram consideradas adequadas. Até que chegou a era dos blogs e das redes sociais. Na semana passada, a Comissão informou que deverá rever as normas sobre as avaliações e sobre os fornecedores de referências em publicidade que vigoravam desde 1980.


As novas regulações aplicam-se à rápida transformação observada no mundo da nova mídia e aos anunciantes que utilizam blogs e sites de relacionamento, como o Facebook e o Twitter, para promover seus produtos. A FTC anunciou que, a partir de 1º de dezembro, os blogs que avaliam produtos deverão revelar eventuais vinculações com os anunciantes, e, na maioria dos casos, o recebimento gratuito de produtos e de qualquer forma de pagamento pelos anunciantes, como acontece frequentemente.


As novas normas visam também as celebridades, que agora precisarão revelar se mantêm vínculos com as companhias quando promovem produtos em um programa de TV ou num Twitter.


A segunda mudança mais importante, que não visa especificamente os blogs ou sites de relacionamento, foi eliminar a possibilidade de os anunciantes se manifestarem com excessivo entusiasmo a respeito de resultados que diferem do que é típico – por exemplo, de um suplemento para a perda de peso.


Para os blogs que analisam produtos, isso significa que os dias de uma enxurrada de presentes podem ter acabado. Em termos mais amplos, a medida sugere que o governo pretende aplicar à internet as mesmas normas que regem os outros veículos de comunicação, como a televisão e a imprensa escrita.


‘Ela acaba com a ideia de que a internet não tem a ver com as preocupações que afetavam anteriormente a imprensa’, disse Clay Shirky, professor da Universidade de Nova York.


Richard Cleland, diretor assistente da divisão de práticas de publicidade da FTC, acrescentou: ‘Analisamos a importância do marketing das redes sociais no século XXI e achamos que chegou a hora de explicar os princípios de transparência e veracidade na publicidade, e de sua aplicação ao marketing das redes sociais. O que não significa que tenhamos detectado um grave problema que seja imperativo solucionar.’


No entanto, sites como Twitter e Facebook, além dos blogs, ofereceram às empresas novas oportunidades de promover seus produtos com avaliações que trazem uma aparência de autenticidade, porque parecem saídos da boca ou do teclado de determinado consumidor. Em alguns casos, as companhias criaram blogs de avaliação de produtos que parecem independentes. Como é o caso, por exemplo, da Urban Nutrition, que vende suplementos alimentares, e tem sites como WeKnowDiets.com. O Conselho Nacional de Regulamentação da Publicidade, que supervisiona os programas autorreguladores da indústria, disse que os sites são ‘formatados como blogs independentes de avaliação de produtos’.


FUTURO


Jonathan Zittrain, professor da Faculdade de Direito de Harvard, um dos fundadores do Centro Berkman para a Internet e a Sociedade, afirma: ‘As normas olham para frente, para um futuro bastante possível, em que haverá um mercado para comprar avaliações públicas ‘autênticas’.’


Alguns grupos de marketing opõem-se às mudanças. ‘Se um produto é oferecido aos blogs, a FTC determinará que, na maioria dos casos, constitui uma vinculação concreta, mesmo que o anunciante não tenha controle sobre o conteúdo dos blogs’, disse Linda Goldstein, sócia do escritório de advocacia Manatt Phelps & Phillips, que representa três grupos de marketing: Electronic Retailing Association, Promotion Marketing Association e Word of Mouth Marketing Association. ‘No que se refere à atual comunidade de blogs, esta mudança equivale a um terremoto.’ Ela acrescentou: ‘Teríamos preferido que a FTC trabalhasse mais estreitamente com a indústria para aprender como funciona o marketing viral.’


As novas diretrizes já eram esperadas – em novembro do ano passado, a comissão informou que trataria de solucionar a questão. Elas afetarão dezenas de blogs que começaram como hobby e acabaram descobrindo que as companhias os procuravam em massa em busca de uma nova maneira de influenciar os consumidores.’


 


 


TELEVISÃO


Keila Jimenez


Decisões ‘calientes’


‘Um Você Decide com sex appeal ou a dramatização de temas da Silvia Poppovic das antigas. Há quem veja semelhança com o famigerado Eu Vi na TV, de João Kléber. Trata-se do novo formato que a Band acaba de comprar da Telemundo (rede hispânica nos EUA) e deve estrear no fim de novembro.


Decisiones, que aqui poderá se chamar O Que Você Faria? ou Se Fosse com Você?, é uma série que dramatiza casos reais envolvendo relacionamentos e situações polêmicas (quase sempre sexo) que obrigam as pessoas a tomarem decisões. São tramas como: O que você faria se sua esposa virasse amante de sua amante (mulher)? Ou: Dá para virar amante do seu ex?


É aí que entra o telespectador. À medida que a história se desenvolve, o público poderá opinar, mas sem mudar o desfecho da história. A graça é mostrar se a opinião da maioria coincidiu com o final da trama.


A Band faz mistério com relação à apresentação. Sabe-se que é mulher, bonita e não muito conhecida.


Com versões em vários países, Decisiones ganhou na Espanha o apelido de Sexiciones, devido à quantidade de cenas de erotismo.’


 


 


BLOGUEIRA


O Estado de S. Paulo


Editora aguarda o aval de Cuba para trazer Yoani


‘A Editora Contexto publicou este mês o livro De Cuba, Com Carinho, da escritora cubana Yoani Sánchez. A vinda da autora ao Brasil para as cerimônias de lançamento, porém, tornou-se uma epopeia política. Além do protocolo de um convite oficial feito pela editora ao consulado cubano, estabeleceram-se contatos entre autoridades de Cuba e o Itamaraty, o senador Eduardo Suplicy e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ainda sem ter recebido confirmação da vinda de Yoani, a editora informa que fará o lançamento, no dia 29/10, no Rio, e no dia 06/11, em São Paulo, com ou sem a participação da escritora cubana.’


 


 


 


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