Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

JORNAL DE DEBATES > EM CIMA DO MURO

Marina silencia, Marina perde

Por Luciano Martins Costa em 22/10/2010 na edição 612

A persistência de uma caricatura na primeira página do Globo, nesta semana, na qual a senadora Marina Silva aparece em cima de um muro, sendo assediada por Dilma Rousseff e José Serra, levanta a questão curiosa: Marina acertou ou errou ao se manter isolada do debate eleitoral no segundo turno?


Porque a imparcialidade alegada por ela só existe, se existir, em seu foro íntimo, pois seus assessores, companheiros de chapa e demais dirigentes e militantes do Partido Verde voltaram aos seus recantos anteriores ao início da disputa eleitoral.


Dentro dessa questão, está na hora de analisar se o movimento pela sustentabilidade ganhou ou perdeu com a atitude da senadora, e se ela, pessoalmente, guarda algum cacife para a eleição de 2014, como supostamente é sua intenção.


Neutralidade nada neutra


Num cenário de total conflagração, no qual o partido no poder luta para dar continuidade ao projeto do atual governo e o candidato da oposição dá a vida para não perder sua melhor oportunidade para chegar à Presidência da República, alguns analistas questionam se foi acertado assumir uma neutralidade que, todos sabem, nada tem de neutra.


No nível de exacerbação ao qual chegou a campanha, com os candidatos trocando a apresentação de programas de governo por encenações patéticas e discursos destinados a agradar a meia dúzia de fanáticos religiosos, manter-se em cima do muro mais confunde do que esclarece o eleitor, como pontua Eugênio Bucci em seu artigo no Estadão desta quinta-feira [21/10].


Mas, muito para lá da vida pessoal e da carreira política de Marina, é preciso refletir o que ganha – ou perde – o movimento pela sustentabilidade com sua representante no embate eleitoral em atitude de Pôncio Pilatos.


Não se sabe quantos, entre os vinte milhões de votos que ela obteve no primeiro turno, têm origem na consciência da defesa do patrimônio ambiental, e quantos foram votos de protesto contra a baixaria da campanha.


Nem o meio ambiente entrou na pauta política, nem a baixaria saiu de cena.


Ao se omitir, Marina certamente esvazia um pouco seu carisma.


E a agenda da sustentabilidade fica de fora no segundo turno.

Todos os comentários

  1. Comentou em 22/10/2010 Junior Freitas

    A neutralidade é a fuga dos ‘sem opinião’, dos covardes e dos aproveitadores. Em qualquer das hipóteses, ela veste bem Marina. As duas primeiras vestes de nada lhe aproveita. Já aproveitar-se da situação e sair bem na foto com o próximo presidente, seja quem quer que ganhe… Por isso vaticino: Marina vai se enterrar antes que HH em Alagoas.

  2. Comentou em 22/10/2010 Otaciel de Oliveira Melo

    De quem vocês estão falando mesmo? Marina sumiu do noticiário. Talvez ela volte a aparecer em 2014 para servir de suporte ao candidato do PSDB (será que eles vão resistir com este nome) ou à extrema direita , o que é a mesma coisa.

  3. Comentou em 22/10/2010 galeno pupo

    Sem se decidir
    Marina continua coerente com sua função neste embate político de 2010. Presta importante serviço às forças mais retrogadas, conservadoras e reacionárias deste país. Associada à direita, macomunada com a candidatura Serra, ( veja Gabeira do PV), numa promiscuidade asqueirosa com o PSDB, ela segue em seu caminho para o esquecimento político a que merece.

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