Sábado, 07 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1066
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JORNAL DE DEBATES >

Meio ambiente e ideologia

Por Luciano Martins Costa em 22/04/2011 na edição 638

Talvez por falta de talento deste observador, alguns ouvintes e leitores que tiveram acesso ao comentário postado na quinta-feira (21/4), sobre o projeto de mudanças no Código Florestal, indicam a possibilidade de mal-entendidos na interpretação da opinião ali manifestada (ver ‘Um debate ideológico‘).


Ali está dito, essencialmente, que a associação entre um parlamentar esquerdista, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) e representantes da conservadora bancada ruralista no Congresso coloca em xeque velhas noções sobre ideologia.


Também se afirma que, se a imprensa costumasse contextualizar informações esparsas sobre a questão da sustentabilidade, estaria ajudando a sociedade a tangibilizar uma idéia de país ou alguns conceitos de desenvolvimento sustentável juntando expressões difusas do que seria o interesse nacional.


Entre as frases que parecem ter irritado alguns comentaristas destaca-se a afirmação de que ‘o interesse nacional vai muito além do que consideram certas mentalidades conservadoras’.


Prática indevida


O observador poderia ter dito ‘tacanhas’ ou ‘retrógradas’. Estaria apenas se referindo ao fato de que o processo de desenvolvimento de um país, como o que perseguimos, sempre se refere, como objetivo, à conquista de um lugar na contemporeaneidade.


Trata-se de um conjunto de conquistas que se referem a bem-estar geral, igualdade de oportunidades, resolução de carências sociais, segurança e crescimento da economia, entre outros desejos coletivos. Alguns chamam isso de Felicidade Interna Bruta.


Aqueles que desdenham a contemporaneidade são ditos conservadores, tacanhos ou retrógrados.


Também é fato que, quando trata de assuntos relacionados a tais interesses difusos da sociedade, a imprensa costuma dar maior valor aos protagonistas mais próximos, geograficamente ou por sua especialidade ou interesse, em relação ao tema tratado em cada caso.


Acontece que, nas sociedades complexas em que vivemos, estar próximo de um problema não quer dizer, necessariamente, ser capaz de analisá-lo de maneira mais abrangente. Portanto, não é a melhor prática dar aos representantes do agronegócio a precedência na análise do aparente conflito entre a agricultura e o patrimônio ambiental.


O morador das grandes cidades talvez tenha mais a falar sobre esse tema do que os novos parceiros do deputado Rebelo.

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