Quarta-feira, 24 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1034
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JORNAL DE DEBATES >

Mídia alternativa e problemas do FSM

Por Luis Milman em 03/02/2009

Em meu artigo sobre o Fórum Social Mundial (FSM), publicado neste Observatório (‘O circo de opiniões‘), afirmei que nada sério foi produzido em nove anos de realização do evento, ou seja, nada que pudesse ser objeto de uma discussão mais aprofundada foi gestado ou gerado no contexto desta convenção foliã, que se repete ano após ano, desde 2000. Não fui refutado até agora e os leitores que se manifestaram contrariamente às minhas posições reforçaram o que afirmei. Recebi chutes, pontapés e coices adjetivos, substantivos não.

Estrilo não me assusta. Continuo de pé. Não fui desmentido no que afirmei, a saber: que a mídia mundial não dá a mínima para o FSM porque nada de sério ali se produziu, nem se produzirá. José Costa, de São Leopoldo (RS) acusou-me de inconseqüente: não lembrei que, em 2005, o FSM criou ‘nada menos que a União de Ciclistas do Brasil’. O diligente José aduziu à sua crítica: ‘Informe-se mais antes de fazer generalizações deste tipo, elas apenas queimam seu filme’. Reconheço, esse apodo não me deixa margem para discussão. Entre os forenses, a saber, castristas antiamericanos, lésbicas ativistas, feministas, defensores da exploração artesanal da Amazônia, bolivarianos chavistas da Alba, stedilistas do MST, anti-sionistas etc., está a União de Ciclistas do Brasil, esta uma entidade nascida no FSM, logo, uma contribuição distintiva do evento. José, no ponto, tem toda razão. Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa.

Daí para frente, tudo permanece como dantes. O soberbo filósofo aqui (mais um apodo lançado contra mim) permanece convicto de que o FSM reúne apenas esquerdopatas de tamanco e alpargatas liderados por um restrito grupo de marxistas leninistas-trotskistas, os pais do FSM. Entre estes, os poucos que se consideram conhecedores do dogma marxista como os chamei em meu texto anterior, situa-se o sociólogo português Boaventura de Souza Santos.

Boaventura esteve em Belém e, de lá, saiu verberando sua compreensão militante do mundo, estribada em alguns pontos-chave. Boaventura considera que a mídia convencional não é instrumento de transformação política e que o FSM deve investir na construção de uma rede de informação alternativa (rádios comunitárias, internet). Diz ele que no Equador e na Bolívia isto já tem sido feito, com sua assessoria. Certamente, é uma conquista.

O soberbo, o arrogante (como me chamam) aqui quer comentar a entrevista que Boaventura (BSS, para abreviar, daqui e diante) concedeu ao Observatório de Imprensa (ver ‘Boaventura: ‘FSM privilegiará a comunicação alternativa‘) [N. R.: conforme indicado no olho da matéria, o texto foi reproduzido da revista digital Envolverde, de 26/1/2009].

Palavra de ordem

Penso que essa avaliação sobre o papel da mídia alternativa, contraposta a grande imprensa e aos meios convencionais de comunicação, é pura balela. Como BSS e seu grupo não são capazes de produzir uma idéia consistente sobre a realidade política, sem expor seu atávico e inconseqüente marxismo – digo, com respeito a idéias – eles só podem ser ouvidos em rádios bolivarianas, de modo alternativo, por delirantes de calçam tamancos e alpargatas. Analiso, de minha perspectiva, obviamente, o que disse o sociólogo na entrevista sobre a crise econômica do capitalismo que, segundo ele, impõe ao FSM uma definição por uma posição política. O que é dispensável na apresentação do argumento de BSS, seguirá citado abaixo, entre colchetes, pelo termo ‘trololó’. O que é essencial, virá na íntegra, entre aspas, seguido de meu comentário.

‘[trololó] como você sabe, no FSM há um debate, desde seu início, sobre se ele deve ser aberto a todas as tendências progressistas que lutam contra a globalização neoliberal [trololó] ou se o contrário, quando deveria possuir um papel mais forte de intervenção, de apresentação de propostas e de organização de ações políticas globais, de intervenção para a mudança. [trololó] Minha ideia é que o FSM deve seguir como espaço aberto, mas devemos identificar temas onde exista consenso, para que o Fórum apresente posições políticas e, portanto, um programa’.

BSS cansou da pulverização. As tendências progressistas (o leque vai desde as lésbicas ativistas aos ciclistas brasileiros unidos) devem ser enquadrados num programa de ação política global, construído em torno de um consenso. É o centralismo democrático do leninismo, praticado até 1920, na fase inicial da Revolução Bolchevique. Dentro do partido, admitia-se tendências com direito ao dissenso, mas todo mundo era enquadrado mediante uma decisão sufragada. É claro que as diretrizes programáticas estavam prefixadas, pelos próprio marxismo-leninismo e estas não podiam ser submetidas à discussão. O dissenso se dava nas franjas do dogma, dentro do partido e, mediante discussões, era eliminado. Buscava-se o consenso e, a seguir um programa total de ação. BSS quer transformar a festança do FSM numa nova Internacional Socialista, à la Trotsky, a Quarta do B, com direito de tendência.

‘Sustento que quatro ou cinco questões internacionais deveriam ter um papel mais forte, porque de outra forma, meu receio é que o FSM seja cada vez mais irrelevante para as lutas sociais’. BSS reconhece que nas oito edições anteriores do FSM, nada de relevante para as lutas sociais globais, a não ser um pandemônio esquerdóide diluído entre o chavismo, a islamofilia e o ciclismo, teve importância alguma para as esquerdas trotskistas.

‘O FSM deve possuir uma proposta de reformulação das Nações Unidas. É um processo que vem sendo discutido há muito tempo, inclusive no Fórum, mas não existe uma posição comum para apresentar’. BSS quer acabar com a ONU, por causa do Conselho de Segurança e do poder de veto dos EUA. Mas há tantas seções da Quarta Internacional espalhadas pelo mundo (todas disputando entre si a legitimidade da herança de Trotsky), que se torna difícil chegar a um consenso trotskista sobre o que seria a nova ONU, dominada, evidentemente, pelo comunismo. Notem a observação de BSS, segundo a qual o assunto tem sido discutido há muito tempo, inclusive (ênfase aqui) no Fórum. Quem a discute? As inúmeras seções da Quarta Internacional. Reuni-las num só foro deliberativo mundializado é a aspiração de BSS, como era de Trotsky, antes de ser assassinado. A idéia se dilacerou em pedacinhos depois da morte do guia, mas BSS ainda luta por ela.

‘Em segundo lugar, a crise financeira, que nos últimos meses tem criado uma situação nova, porque no FSM havíamos sempre criticado a globalização neoliberal e toda a predominância do capital financeiro, que tem levado à ruína todos os países’.

BSS apresenta armas: há uma situação inédita – a crise financeira global – e há a antiga antecipação comunista (verbis, sempre havíamos criticado): o neoliberalismo globalizado vai explodir. O problema aqui é de palavra de ordem: globalização neoliberal é uma expressão-vilã que a esquerda marxista, da metade dos anos 1990 em diante, adotou para denunciar os males do capitalismo. Capital transnacional e financeiro (vejam o termo em BSS) também. Em si mesmas, não passam de lemas de guerra comunistas, expressões vazias.

Mercado oprimido

O problema é que a crise atual, complexa em suas causas, não pode ser reduzida a uma crise do capital financeiro, que os marxistas de hoje opõem ao capital produtivo. Ela teve início nos EUA, pela falta de lastro na concessão de crédito excessivo e alongado para o consumo a juros muito baixos, que dinamizaram artificialmente a maior economia do mundo nos últimos oito anos. Quando a conta foi apresentada aos tomadores de empréstimos, o nível de endividamento era muito alto e isto gerou uma inadimplência geral. O sistema bancário entrou em colapso, os investidores – entre eles empresas pequenas, médias e graúdas do mundo todo – em títulos bancários resgatáveis a médio prazo ficaram a ver navios e as bolsas de valores despencaram. Falência de bancos, de empresas e desemprego foram as conseqüências. Os países capitalizados injetaram e ainda estão injetando dinheiro público (impostos e reservas) para socorrer o mercado. A questão é combater o desemprego e evitar a depressão econômica, salvando as instituições de crédito e as grandes empresas.

Não existe isso de capital financeiro contra capital produtivo. A produção necessita de crédito e o crédito, por sua vez, depende da produção. Uma teoria do valor que faz uma distinção entre dois tipos de capital não existe no marxismo espesso. Trata-se de uma simplificação da própria dialética marxiana entre trabalho, transformado em mercadoria, e mercadoria, transformada em dinheiro. Capital é tudo isto.

Só que a economia de Marx não é descritiva, mas filosófico-política: ele construiu uma teoria sobre a produção da mais-valia (a apropriação do excedente do trabalho, de capital, pelos proprietários dos meios de produção) no sistema do capitalismo, da submissão institucional de uma classe por outra (a classe dos trabalhadores, de um lado, e a classe dos proprietários dos meios de produção, de outro). Marx divisou, de sua perspectiva metafísica e economicista, a possibilidade de instrumentalizar, pela revolução, a luta de classes e, ao fim e ao cabo, extinguir com a mais-valia e erradicar a propriedade privada, transformando todos em produtores desapegados de valores burgueses.

Resumi a ópera, porque BSS comete um erro que Marx não autoriza, a saber, distinguir conceitualmente dois tipos de capital. BSS e seus seguidores são precários naquilo que o marxismo tem de mais denso. Assim ele continua:

‘[trololó] na crise do sul global, ninguém pensou no que poderia ser mudado. A ortodoxia neoliberal dominava totalmente. Agora que a crise está nos Estados Unidos e na Europa, no coração do sistema capitalista mundial, estão adotando as medidas que estes mesmos países centrais rejeitaram predominantemente, por meio do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, aos países do sul e aí surgiram as crises da Ásia, Argentina, Brasil e Rússia. Então minha proposta é que o FSM assuma uma visível posição internacional sobre como solucionar a crise’.

No merecimento, BSS afirma: a ortodoxia neoliberal domina tudo. Bobagem. Nunca houve tal domínio, porque há assimetrias em termos de desenvolvimento das estruturas produtivas, da poupança nacional existente, da maior ou menor inserção do estado em cada economia. Há ainda as relações de poder político, que constrangem e sufocam economias que poderiam ser ricas. Por exemplo, consideremos a Arábia Saudita. Toda a economia petrolífera do país, uma das maiores rendas per capita do mundo, gira em torno dos privilégios da aristocracia e do clero wahhabi. Por isso, os sauditas nadam em dinheiro e administram um país subdesenvolvido, pré-industrial. Se o preço do petróleo cai, como caiu drasticamente nos últimos anos, a economia saudita entra em depressão. Não há liberalismo porque lá a política saudita oprime o mercado, do mesmo modo que oprime a sociedade. Vale o mesmo para os países comunistas, como Cuba, Coréia do Norte, Vietnã, só que estes não possuem matérias-primas de valor, logo vivem na opressão e miséria completas. O Irã é uma gerontoteocracia que submete a iniciativa privada à lei islâmica.

Premissas provadas

Os africanos ainda são extrativistas e alguns possuem petróleo. Os regimes políticos por lá, exceção da África do Sul, são ou ditatoriais ou sanguinários ou genocidas e não há como se falar em mercado no sentido ocidental da palavra. Na América Latina, há mercado em países como o Brasil, Argentina, México e Chile, mas as desigualdades de distribuição de renda são grandes, em alguns casos enormes. E pobreza não se erradica por decreto. No século 19, o século de Marx, e primeiras décadas do século 20, havia muitos pobres na Europa e Estados Unidos. Hoje há relativamente poucos nos EUA, que têm grande população. No Japão, Coréia do Sul, Europa Ocidental, Canadá, Nova Zelândia, Austrália e Israel não há.

Assim, se DSS está chamando de ortodoxia dominante a doutrina liberal de Milton Friedman, uma matriz conceitual econômica segundo qual a livre dinâmica produtiva, com pouca presença estatal, gera mais riqueza do que a dinâmica produtiva dependente do estado, ele está errado. Milton Friedman defendia essa doutrina, aplicada na Inglaterra da década de 1980, imobilizada por déficits orçamentários decorrentes do excesso de direitos previdenciários e trabalhistas, e no Chile. Funcionou para ingleses e chilenos. No Brasil, nos governos de Fernando Henrique Cardoso, a desregulamentação da economia, a imposição de limites demarcados para os gastos públicos (a lei de reponsabilidade fiscal), a venda de estatais e a estabilização monetária foram conquistas indiscutíveis. Houve aporte significativo de poupança nacional e estrangeira para investimento, numa economia mais estável e menos corrupta.

Lula, após vencer as eleições, foi fiel à receita de FHC. Depois do escândalo do mensalão, seu governo só se manteve devido ao socorro fisiológico do PMDB e PTB. A esquerda que nos governa não prega nada do que BSS vocifera. No Brasil, a esquerda é, para os padrões de BSS, neoliberal, com um temperinho de assistencialismo, como a bolsa-esmola. A economia brasileira, disseram peemedebistas e petebistas a Lula, não é nenhuma brastemp, mas também não é mais a casa da mãe joana. Retroceder ao estatismo seria simplesmente caótico. Quanto ao estatismo como padrão de comparação, ele é sinônimo de estagnação, atraso, clientelismo, corrupção, burocracia e coisinhas deste tipo. Mas segue BSS:

‘O FSM deveria exigir a extinção do FMI, do Banco Mundial, ou reformas radicais. Essas posições têm sido discutidas, mas ainda não há um consenso. Por que não transformamos isso em uma posição política?’ Ah, esse FSM! Muita discussão e pouca resolução. Abaixo a ONU, o FMI, o Banco Mundial (nem FMI nem Banco Mundial estão envolvidos na solução da atual crise econômica, mas devem ser derrubados assim mesmo). Reformas radicais? Quais reformas? BSS não diz. Mas, pela sua chamada à ordem – transformemos isso em posição política – infere-se que ele está invocando o marxismo-leninismo mais uma vez. Imaginem se a alternativa ao capitalismo, as tais reformas radicais, forem implementadas? Não falaremos mais de crise, mas sim de devastação. Ou melhor, sequer falaremos, porque os que ousam contrariar o tsunami revolucionário são chacinados. BSS não vê problemas aqui.

Supresa, surpresa. Depois da crise do capital financeiro e da crítica ao imobilismo do FSM – que só faz reunião e não tira um programa de ação – BSS volta-se para a Palestina.

‘Sim, em terceiro lugar. Essa agressão, que é gerada pela ocupação israelense, mais brutal que antes, e que no momento se desenvolve com crimes de guerra e contra a humanidade, que se perpetuam porque existe a incerteza da impunidade total’.

Note-se como ele toma por provadas suas próprias premissas: essa agressão [de Israel]. Não, BSS, a agressão foi do Hamas. A agressão [de Israel] é gerada pela ocupação israelense. Mas que ocupação? De Gaza não é. Nem da Cisjordânia. Lá existem governos da AP, no segundo caso, e do Hamas, no primeiro. Não há Estado palestino ainda, porque não houve determinação dos palestinos, liderados por Arafat, para implementá-lo em 2000. Mas é plausível que BSS esteja se referindo a uma ocupação de toda a antiga Palestina, em cuja parte, desde 1948, existe o Estado de israel. Nesse caso, BSS estaria defendendo a extinção de Israel. Bem a propósito de sua ideologia anti-semita.

Decretou, está decretado

Os crimes de guerra e contra a humanidade? Menos, BSS. Esses crimes não foram cometidos por Israel. O Estado judeu lançou uma ofensiva militar contra o Hamas. Houve baixas civis, porque o Hamas se utiliza de civis para dar proteção aos seus terroristas combatentes. Crimes contra a humanidade cometeu Raúl Castro, mas esses BSS não denuncia. Estão cometendo agora os governantes árabes islamo-racistas do Sudão, mas destes BSS se olvida. Há assassinatos em massa cometidos contra hutus no Congo, mas sobre isso o FSM silencia. Os massacres de cingaleses contra os secessionistas da etnia tâmil, no Sri Lanka, não causam indignação a BSS. Nem as retaliações sanguinárias dos guerrilheiros tâmil. Por isso, continuemos com suas análises.

‘Esta agressão foi uma provocação premeditada do Estado de Israel, que os veículos de comunicação nunca mencionam. A primeira violação do cessar-fogo foi no início de novembro, por um bombardeio israelense. Em resposta, o Hamas (organização governante em Gaza) solicitou uma renegociação da trégua, que Israel rejeitou. Então tudo começou.’

Então tudo começou uma banana. O Hamas não é só o grupo governante em Gaza. Não, é terrorista, governa pelo terror da sharia, assassinou centenas de integrantes do Fatah para governar, prega a extinção de Israel, segue o islamofanatismo iraniano e da Al-Qaeda, pratica atentados contra civis do Estado judeu, despacha mísseis, desde o início da segunda intifada, contra Israel, de 2000 até junho de 2008. Nada disso conta para BSS. Foram os israelenses, segundo ele, que violaram o cessar-fogo numa provocação premeditada, com um bombardeio em novembro. Mentira. Israel, em novembro, fez uma incursão em Gaza, por terra, para destruir um túnel de contrabando de armas do Irã para o Hamas. Seis terroristas foram mortos e toda mídia mundial noticiou o fato. Enquanto isso, mísseis hamasianos voltaram a cair em Israel. Houve repetidos avisos dos israelenses para que os ataques fossem interrompidos, antes do início da ofensiva. Os meios de comunicação também noticiaram os avisos. Mesmo assim, finda a trégua, os mísseis continuaram caindo e Israel fez o que não poderia deixar de fazer. Exerceu seu direito de defesa, contra assassinos insanos, que se escondem atrás de crianças e velhos.

‘Penso que o FSM deveria ter uma posição muito clara, internacionalmente visível, sobre a solução do caso da Palestina. Temos lutado pela paz [trololó]. A questão da Palestina envenenará todas as relações internacionais’.

BSS não faz economia de ódio. Ele sequer menciona Israel, cuja existência está no centro dos problemas globais. Tornar clara uma posição internacional sobre a Palestina significa, para ele, condenar Israel, de qualquer modo e em qualquer instância. Daí despencar para o delírio anti-semita é um passo: ‘A questão da Palestina envenenará todas as relações internacionais’. Delírio de fechada, pois aqui estamos diante de uma postura política ensaiada e financiada por iranianos e sauditas, aliados da esquerda militante mundial. BSS e seu grupo são profissionais do anti-semitismo.

‘[trololó]Existe um extermínio. Há meses o vice-primeiro ministro de Israel (Matan Vilnai) ameaçou a população de Gaza com a palavra Shoá, que em hebraico significa holocausto. Isto foi anunciado faz alguns meses. É horrível , porque não se dão conta de que o povo foi vítima de uma Shoá na Europa, e a história demonstra que as `soluções finais´ voltam sempre contra aqueles que a tentaram.’

Matan Vilnai usou mesmo a palavra shoá, do modo impróprio, quando se referiu aos palestinos de Gaza. Depois pediu desculpas, foi censurado gravemente por seus superiores e afirmou ter pretendido dizer que um desastre (shoá também significa desastre) se abateria sobre os palestinos de Gaza, caso o Hamas não interrompesse seus ataques a Israel. Israelenses, por que não, podem falar asneiras, e Vilnai o fez, mas não falou em nome do governo. Em minha opinião, deveria ter sido posto na rua. De qualquer modo, o que vale é a ação. Não foi premeditado nem praticado nenhum shoá em Gaza, mas sim uma ofensiva militar para terminar com a estrutura terrorista do Hamas financiada pelo Irã. E BSS distorce tudo, para lastrear seu anti-semitismo esquemático: judeus estão praticando aquilo que foi praticado contra eles na Europa. A mesma comparação é feita por Ahmadinejad, pelo Hezbollah e pela esquerda que os apóia no Velho Continente.

Continua o trololó mítico sobre Ben Gurion e Golda Meir, seguido da seguinte conclusão de BSS:

‘A solução para os dois estados foi uma hipocrisia já eliminada pelas ações, portanto a colônia judia da Cisjordânia se tornou impossível. Seria grave se o FSM, reunido no contexto da crise mundial não tomasse uma posição do Conselho Internacional ou a Assembléia do FSM. Meu receio é que as pessoas saiam com a impressão de que o Fórum não sirva para nada. Para isto temos proposto votações’.

Centralismo democrático mais uma vez. O FSM, se pretende servir para alguma coisa, deve assumir posição. Também acho. Deve anunciar que Israel é a nova Alemanha hitlerista e que o Exército Vermelho, comandado por Raúl Castro, Hugo Chávez e Evo Morales, ajudado pela Irmandade Muçulmana e pelos aiatolás de Teerã, irá salvar o povo palestino. BSS decretou, está decretado. Habemus tendências e habemus um Lênin. Português (serei chamado de soberbo, arrogante e xenófobo pela ironia).

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Doutor em filosofia e professor associado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul

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