Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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JORNAL DE DEBATES >

Na raiz do preconceito

Por Thiago Munhoz e Vívian Lima em 20/04/2004 na edição 273

Lendo o texto da colunista Danuza Leão publicado no dia 11 de abril, domingo, na Folha de S. Paulo, ficamos indignados com a maneira com que ela apresentou sua posição sobre as cotas para negros nas universidades. Danuza pode até não ser favorável a essa política, mas daí a defender sua tese exprimindo comentários preconceituosos já é demais.

Logo no primeiro parágrafo, Danuza afirma que ninguém tem certeza sobre sua cor. Cabe aqui alertar: boa parte dos policiais sabe com certeza a cor dos que abordam constantemente, muitas vezes, sem motivo real. A polícia sabe direitinho quem é negro e quem não é.

Ou então como explicar a morte daquele jovem dentista negro em São Paulo? Será que o mataram porque ele ficou em dúvida na hora de falar qual era a sua cor?

No terceiro parágrafo, quando faz menção a um relacionamento inter-racial, Danuza também expressa preconceito. Quer dizer que uma mulher branca só pode se relacionar com um negro se ele for bonito e ela estiver cansada de sua vida monótona? Tal idéia está atrelada ao imaginário do racismo, de que relação com um negro só se dá em nível sexual, de um parque de diversão do sexo. No fim desse parágrafo, a colunista faz alusão a comentário de Fernando Henrique, que disse ter ‘um pé na cozinha’.

Ascensão impedida

Realmente, a cozinha é o lugar em que está a maioria dos negros, devido a uma série de fatores. E talvez lá continue se ações urgentes não forem tomadas, entre elas, a política de cotas.

Danuza ainda cita Pelé, e questiona o direito de os filhos dele terem acesso às cotas. A colunista parte de um exemplo excepcional para refutar a regra. Os filhos de Pelé não precisam dos benefícios provenientes da política de cotas. Eles têm chance de estudar em bons colégios e competir de igual para igual com qualquer pessoa. Se quiserem, podem até estudar fora do Brasil, ou, se preferirem, nem estudar.

O último trecho encerra a coluna com chave de ouro. Nunca parar para pensar a que raça pertencemos, ao contrário de ‘resposta ao preconceito’ (como defende a colunista), é a raiz do preconceito. Essa idéia de democracia racial é culpada pelo preconceito (velado?) que se perpetua a cada dia no país e impede a ascensão do negro brasileiro.

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Estudantes de Jornalismo da Unesp

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