Domingo, 22 de Julho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº996
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JORNAL DE DEBATES > CONSELHO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

Não existe “buraco negro”, está tudo muito claro

Por Alberto Dines em 01/04/2008 na edição 479

Depois da última edição televisiva do Observatório da Imprensa (25/3) [ver ‘A quem interessa o Conselho de Comunicação Social‘], o imortal Arnaldo Niskier tornou-se candidato a concorrer ao título de cara-de-pau do ano.


Niskier foi indicado pelo senador José Sarney para presidir o Conselho de Comunicação Social no mandato 2005-2006. O senador José Sarney é proprietário de um grupo de comunicação no Maranhão e obedece, estrita e devotadamente, aos interesses do empresariado da mídia eletrônica.


A incrível desculpa apresentada por Niskier para o esvaziamento do CCS (que não se reúne há mais de 16 meses e até agora não foi reconstituído) é que se tratou de manobra dos grandes grupos de mídia eletrônica para evitar uma discussão pública sobre a questão da convergência tecnológica. ‘É um buraco negro’ explicou o acadêmico didaticamente.


Niskier era o representante dos grandes grupos de mídia eletrônica e aceitou a incumbência de presidir o Conselho para esvaziá-lo no mandato seguinte – essa é a verdade. Não existe buraco negro, está tudo muito claro.


Acerto prévio


O ex-presidente do CCS, o jurista José Paulo Cavalcanti Filho, participou ao vivo do programa e não deixou nenhuma dúvida quando afirmou que ‘faltou um pouco de fibra ao Conselho’. Quando se encerra o mandato dos conselheiros, ele é prorrogado automaticamente até a posse os próximos. O mandato de 2002 terminou em junho de 2004, e a posse dos novos titulares só ocorreu em fevereiro do ano seguinte. ‘Do ponto de vista técnico, o conselho não está funcionando porque não quer. Porque, tecnicamente, enquanto não houver a indicação dos novos membros, continua sem nenhum problema, como é a regra no Brasil para os conselhos’, completou Cavalcanti.


Arnaldo Niskier dissolveu o CCS antes de empossar os novos conselheiros seguindo um script previamente acertado. O ex-presidente do Senado, Renan Calheiros, não indicou os substitutos porque obedecia inicialmente ao mesmo script e depois, quando estourou o escândalo que o obrigou a renunciar, sentiu-se de desobrigado de fazer as indicações.


Inatividade encomendada


O atual presidente da Câmara Alta, senador Garibaldi Alves, prometeu um depoimento gravado para ser apresentado no programa – mas fugiu da raia e nem deu satisfações.


Com os inevitáveis desdobramentos da crise dos cartões corporativos e, em seguida, o início da campanha eleitoral, o Conselho de Comunicação Social corre o risco de ficar mais um ano no estaleiro. O tal buraco negro que Niskier mencionou no seu depoimento foi feito sob medida e ele o executou com maestria.


 


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Todos os comentários

  1. Comentou em 01/04/2008 Miro Junior

    A Veja seguida pela Fola e pelo Estadão aprontam mais uma das suas presepadas. O Nassif publica mais um capítulo de sua autópsia da Veja, o Ombusdman da Folha publica uma critica corajosa e o Dines? Bem, o Dines cada dia se parece mais com o edital do Grama Cubano (afunda a cabeça e faz de conta que não é com eles). Observa o que este obsercatório?

  2. Comentou em 01/11/2004 Márcio de Matos Souza

    Veleidades do bico da imprensa

    Não tenho procuração para defender o PT. Acho até que o partido comete muitos equívocos na sua gestão do país (aparelhamento do Estado, políticas sociais mal formuladas, etc.). Contudo, é impossível não reconhecer o seguinte fato: a imprensa do sul maravilha foi matreira no diagnóstico da situação do partido no pós-eleitoral de 2004. “O PT está sendo empurrado para os grotões”, “sofreu derrotas terríveis”, “o quadro é de desastre”, “um revés incalculável”. Cobertura mais enviesada, impossível.
    Primeiro: derrota terrível sofreu o carlismo na Bahia, onde o candidato da oposição, João Henrique Carneiro, venceu com 74,69% dos votos válidos, quase o triplo dos números alcançados pelo aliado de ACM, o senador César Borges (PFL). Para clarificar essa constatação, tracemos um paralelo entre a eleição de João Henrique (PDT) na capital baiana e a de José Fogaça (PPS), em Porto Alegre. Lá, como em Salvador, as oposições uniram-se para derrotar o grupo político que detinha o poder. Porém, a margem da vitória de Fogaça foi bastante inferior se comparada a de João Henrique. Ou seja, o PT vendeu cara a derrota, apesar de ter todos contra si no pleito porto-alegrense. Esse e outros exemplos desmistificam a idéia de “derrota terrível” (os petistas foram competitivos na grande maioria das cidades onde disputaram o segundo turno). O partido também perdeu São Paulo, o maior colégio eleitoral do Brasil, mas, em compensação, ganhou o terceiro, Belo Horizonte. Equilíbrio de forças entre a situação (o próprio PT) e a oposição (encabeçada pelo PSDB) talvez fosse a expressão mais apropriada para definir a nova conjuntura.
    Segundo: a tal história do grotão. A Folha foi “brilhante” na defesa desse sofisma. “Olhando o mapa a partir do sul, o cenário de terra arrasada só começa a melhorar em Minas”, disse a jornalista Renata Lo Prete. Quer dizer que pelo fato de não estarem situadas no eixo sudeste-sul, nem na lista dos municípios com mais de 200 mil eleitores, cidades importantes como Camaçari e Vitória da Conquista, ambas na Bahia, ambas com prefeitos petistas, podem ser taxadas de grotões? E o computo geral dos 70 maiores municípios do país? 24 para o PT e 19 para o PSDB (aí incluídas as nove capitais petistas e as cinco tucanas). Por esse prisma, fica claro que o partido do presidente Lula ainda sustenta forte acento urbano.
    Terceiro: a sugestão de um desastre eleitoral. Aqui soa estranho o fato de ninguém ressaltar que o PSDB diminuiu o seu contingente de prefeituras (foi de 996 para 871). É como se o êxito em Sampa tivesse obliterado qualquer revés significativo para os tucanos. Mas, e a derrota em Vitória (ES), cidade administrada pelo partido há oito anos?
    A turma da imprensa mostrou-se bastante obtusa tanto no julgamento de números absolutos quanto “relativos”. Um partido (o PT) que, em valores finais, dobra a sua quantidade de prefeituras e consegue o maior percentual de votação do país nos dois turnos da eleição não pode ser considerado perdedor.
    E quando se pensa em termos relativos (tão utilizados para questionar a vitória petista no primeiro turno), é válido lembrar que os derrotados Marta Suplicy e Raul Pont tiveram respeitáveis índices de votação, aumentando ainda mais o capital político do partido para a disputa de 2006. Infelizmente, a grande imprensa subestimou esses dados. Mal contendo o seu entusiasmo, o Estado de São Paulo saiu-se com essa pérola: “na região sudeste, o PT venceu em ‘apenas’ duas capitais”. Que se dissesse que o partido perdeu a principal cidade da região, São Paulo, tudo bem. Agora, daí a sentenciar que, do total de 4 capitais do sudeste, 2 (BH e Vitória) representam a menor parte (“apenas”) é de um partidarismo indisfarçável. Além, é claro, de ser uma grande veleidade.

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