Sexta-feira, 22 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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ENTRE ASPAS > TODA MÍDIA

Nelson de Sá

27/04/2004 na edição 274

‘Já estavam lá, na entrevista de José Dirceu a ‘O Globo’, há um mês. Ataques a PSDB, FHC, Alckmin. E a justificativa:

– Eles vão disputar as capitais conosco.

As críticas foram descritas, já então, como o discurso do ‘PT para as eleições contra o PSDB’. E assim se provou, nos novos comerciais de Duda Mendonça, ontem. Da locução:

– Comparando o governo passado com o governo atual, o Brasil está melhor ou pior?

E tome paralelos do último ano de FHC com o primeiro de Lula, em juros, distribuição de renda, agricultura familiar. Com a mesma conclusão:

– Isso é fato, é verdade. Em apenas um ano e meio, muita coisa já mudou para melhor.

José Dirceu voltou ao ataque.

No site do PT e Folha On Line, os ataques foram ao FHC que quer CPI, mas foi ‘campeão do esvaziamento’ dos inquéritos nas telecomunicações, no Proer, na compra de votos.

São Paulo já acordou ontem com as avenidas tomadas pelos cartazes do 1º de maio da CUT. Em todos, o alvo era o governo estadual tucano.

Será um conflito mais eleitoral que trabalhista. A Força Sindical do candidato Paulinho promete, para o seu 1º de maio, ‘um pau’ no governo federal petista.

A rádio Bandeirantes noticiou há dias que as ‘festas’ de CUT e Força disputam até as atrações. Para a avenida Paulista, da CUT, estão previstos Gilberto Gil e Sandy & Júnior. Para o Campo de Bagatelle, da Força, Wanessa Camargo e KLB.

Lula talvez compareça, diz a CUT. Ao que parece, depende do valor do salário mínimo.

FHC está na capa de ‘Época’, mas em inflexão nada simpática ao ex-presidente. O título:

– A doce vida de FHC.

Ainda na capa, que traz foto do tucano ‘em Wall Street’:

– Ele já faturou R$ 3 milhões em palestras para empresários.

DAMA DE FERRO

O espanhol ‘El País’ faz um perfil da americana Anne Krueger, diretora interina do FMI, a partir de palestra que ela deu no Enterprise Institute, dos neoconservadores de George W. Bush.

Krueger reclama da imprensa, que ‘explora diferenças de opinião de modo imaginativo’, comparando-se a Mark Twain, o escritor que escreveu, quando noticiaram que ele morreu: ‘As notícias sobre minha morte são um pouco exageradas’. Mas o ‘El País’ não esconde que a ‘dama de ferro do FMI’ vem aplicando ‘mão dura’, às vésperas de ceder o posto para o espanhol Rodrigo Rato.

Herói

A Fox News adotou ontem Pat Tillman, ex-jogador de futebol americano tornado soldado, morto no Afeganistão.

As expressões ‘um verdadeiro patriota’ e ‘o herói americano’ se revezavam na tela do canal pró-guerra, em meio a cenas do tempo de jogador, entrevistas com ex-colegas etc.

Convocação

A morte de Tillman ajudou a Fox News a sumir com as fotos de caixões de mortos no Iraque. E talvez ajude mais.

Fala-se no país se o governo vai ou não convocar civis para a guerra no Iraque. O secretário Donald Rumsfeld, segundo o ‘Washington Post’, descartou a convocação, ‘no momento’.

Bush e a direita

A direita anda impaciente com Bush. Uma reportagem e um editorial do conservador ‘Wall Street Journal’ questionaram, respectivamente, medidas que atrapalham ‘os esforços de guerra’ e o abandono de seus velhos aliados iraquianos.

E a revista neoconservadora ‘Weekly Standard’ diz, sobre Rumsfeld, que ‘se o secretário não pode fazer os ajustes que são necessários, o presidente deve achar um que faça’.

A vez do Japão

Depois da China, o Japão. O diário ‘Yomiuri Shimbun’ falou dos esforços por ‘relações mais próximas’ com o Brasil.

Abrindo evento do jornal e do governo japonês, o embaixador brasileiro chegou a sugerir uma cadeira permanente ao Japão no Conselho de Segurança da ONU -a exemplo do Brasil.

Algodão

O ‘Wall Street Journal’ noticia que a disputa EUA/Brasil tem novo capítulo amanhã, com um julgamento pela Organização Mundial do Comércio.

O subsídio ao algodão estaria perto da condenação, solicitada pelo Brasil. Foi o que levou ao impasse na OMC.

Camarão

Enquanto isso, durante toda a semana o jornal ‘The Miami Herald’ noticiava as pressões dos empresários da Flórida para ampliar as restrições americanas à importação do camarão e da laranja do Brasil.

Nota social

Também durante a semana, Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, foi destaque na home da Bloomberg, com o sucesso de seu novo fundo.

VETO

Editorial do ‘New York Times’ ironizou os jornais que, no interior dos EUA, censuraram ou questionaram a tira Doonesbury que vem brincando, esta semana, com um soldado que teria perdido a perna no Iraque. O veto foi para a tira de anteontem (acima), que traz um médico dizendo que o paciente resiste a perder a perna -e acaba com o soldado gritando, atrás da cortina, ‘filho da puta’. Mas as críticas começaram já na segunda-feira, pelas ‘descrições visualmente violentas do campo de batalha’, segundo ‘um jornal de Ohio’. Garry Trudeau, autor da tira, declarou à agência Associated Press:

– Estamos em guerra e não podemos perder de vista os problemas que a guerra inflige aos indivíduos.’

***

‘Mais FMI’, copyright Folha de S. Paulo, 23/04/04

‘O site do ‘Valor’ destacou a declaração do ministro Antonio Palocci de que o Brasil apóia o espanhol Rodrigo Rato para dirigir o FMI.

Foi em seguida à reportagem, publicada pelo ‘Valor’ em sua versão impressa, que trazia as declarações de Rato à agência Europa Press.

Na entrevista, relatou o jornal, ele ‘já fala como novo diretor’, afirma que espera ‘aumentar a cooperação do FMI em projetos de desenvolvimento’ e enfatiza que tem o apoio de:

– Quase todos os países da América Latina, de vários árabes e a simpatia de alguns asiáticos.

Se eleito, promete:

– Continuar o importante trabalho de ajudar os países em dificuldades financeiras, dentro de programas para impedir que ocorram novamente.

Não é surpresa que o Brasil, em seguida, tenha reafirmado em voz alta seu apoio.

A França, que retirou o seu candidato e apoiou Rato, tem demandas também.

O ‘Le Monde’ buscou expor ontem o conflito no FMI entre ‘exasperados pequenos países membros’ e as ‘potências’. E assinalou a ‘diversificação das contratações’ como ‘uma das condições impostas pela França a Rato para apoiar seu nome’. Em outras palavras:

– Combater a uniformidade de uma formação anglo-saxã que domina grande parte dos funcionários do Fundo. O novo diretor terá uma equipe que não é dele. Notadamente a número 2, a americana Anne Krueger, nomeada pela administração Bush para fazer a ‘marcação’ do diretor anterior.

Não se pode imaginar que seja a única posição americana quanto ao Fundo, mas o artigo de um integrante do Council on Foreign Relations, ontem no ‘Wall Street Journal’, indica o que os EUA gostariam do FMI e de seu novo chefe.

– O desafio para o FMI na reunião do fim de semana é achar um modo de dizer o que os membros já sabem: que os imperadores que adornam os dinheiros do mundo estão nus. Só eliminando o germe letal da soberania monetária vai acabar a doença das crises.

Ele defendeu um Mecanismo Redutor do Débito Soberano, que vem sendo desenvolvido por Krueger, e encerrou:

– A única pergunta é se o FMI terá a coragem política de declarar que os bancos centrais nacionais são o fracasso que eles tão obviamente são.

ACABOU

Nos últimos dias, primeiro falou José Serra, depois FHC, depois Míriam Leitão. Agora a revista ‘The Economist’ dá a sua capa para anunciar ‘o fim do dinheiro barato’ (ao lado), com reportagem em que não falta referência ao Brasil. É efeito ainda da previsível elevação dos juros americanos, confirmada há pouco pelo presidente do banco central americano, mas a ‘Economist’ vai além e sugere que se aumente a taxa o quanto antes.

A mesma edição afirma, sob o título ‘Duvidando de Lula’, que os mercados ‘perderam um pouco de sua confiança’ no presidente. Lula ‘foi uma das melhores surpresas de 2003’, mas agora enfrenta ‘doença comum: o medo de o banco central americano elevar seus juros, tirando capital dos emergentes’. Pergunta a revista:

– As políticas ortodoxas do Brasil agüentam o tranco?

Ontem, sim. A ‘Forbes’ noticiou mercados em alta no Brasil, ‘menos preocupado com a taxa americana’.

Outro lado

De vez em quando surgem no Jornal da Globo reportagens do outro mundo. Agora foi sobre Caxias do Sul, onde os salários são elevados, os empresários são corajosos etc. Ana Paula Padrão, no site da Globo:

– Queremos mostrar o outro lado, aquelas regiões em que se encontra emprego.

Pães e florestas

O ‘New York Times’ publicou artigo em defesa da ocupação ‘realista’ da Amazônia:

– A região tem potencial de ser a cesta de pães do mundo e se manter como a maior floresta tropical da Terra.

Mas para tanto ‘as pessoas têm que revisar as suas idéias’. Como se viu, horas depois Lula revisou as suas.

Bob Woodward

O impacto do novo livro do jornalista Bob Woodward veio seguido de uma desconstrução de seu personagem.

Para o ‘New York Times’, é o ‘cronista de detalhes saborosos do oficialismo’. A Slate.com o descreve como ‘estúpido como uma raposa’ -e reafirma que, como no filme sobre Watergate, ele escreve muito mal.

Recorde de Bush

O ‘USA Today’ destacou que a campanha de George W. Bush gastou em fevereiro e março US$ 98 milhões, quase os US$ 101 milhões gastos por ele na eleição de 2000.

A maior parte teria ido para os comerciais que fixaram uma imagem de fraco no adversário John Kerry -e permitiram a Bush retomar a dianteira.

OS CORPOS

Começou num jornal de Seattle, segundo ‘O Globo’, e se espalha pela internet. O site Drudge Report jogou no ar imagens (acima) de caixões de soldados chegando à base de Dover, nos EUA, e relatou que ‘centenas’ delas correm pela web. O ‘Washington Post’, sem dar as fotos, reproduziu a ordem do Pentágono às bases, em março:

– Não haverá cobertura de mídia de militares mortos.

‘Mas na era da internet as imagens fluem sem respeito a decretos de governo’, responde Matt Drudge, do site.’

***

‘Primavera no FMI ‘, copyright Folha de S. Paulo, 22/04/04

‘Bem que o Jornal Nacional se esforçou, em manchete:

– O FMI se declara otimista com o Brasil.

Mas não era bem assim. Em contraste, no UOL:

– Previsão do FMI: Brasil cresce menos entre emergentes.

No título ainda mais negativo da agência Reuters, reproduzido por todo lado:

– FMI vê ‘vulnerabilidade significativa’ no Brasil.

Há semanas que o país ouve opiniões assim dos analistas atuais do Fundo. O ‘Financial Times’ de ontem talvez ajude a entender, com uma reportagem em que anunciou a Primavera de Washington:

– Quando ministros e bancos centrais do mundo se juntarem no fim de semana para a reunião do FMI, a conversa será sobre mudança na liderança.

O Fundo está há seis semanas sem seu diretor. Deve eleger o espanhol Rodrigo Rato, apoiado de início por Brasil e uns outros -depois por EUA e agora pela União Européia.

Seria uma mudança e tanto, mas não o bastante para reagir à torrente de críticas. O Fundo, diz o ‘Financial Times’, ‘está sendo puxado em direções opostas’ por países emergentes e desenvolvidos.

O jornal destaca a opinião do economista Joseph Stiglitz, que foi do Banco Mundial. Ele não quer nem o espanhol Rato e diz que é hora de um diretor com ‘experiência de ministro ou de presidente de banco central de um país emergente’.

Michael Hardt, professor da universidade Duke e co-autor de ‘Império’, tem interpretação própria sobre o enfrentamento de Brasil e FMI, em entrevista ao Dissentvoice.org, da esquerda americana:

– Não faria sentido abrir guerra ao FMI. Na configuração global de hoje, o chefe de Estado não tem alternativa a não ser se acomodar às exigências do FMI. O que Lula pode buscar é fazê-lo de forma que leve suas políticas para a frente.

Hardt criticou o ‘irrealismo’ da esquerda do PT. E completou sua opinião:

– As possibilidades (globais) oferecidas por um governo Lula e um governo Néstor Kirchner são enormes. É um caminho em que as configurações regionais podem influenciar o andamento de muitas das decisões em nível global.

ELEFANTE

‘New York Times’ e outros mostraram como vivem hoje os alunos e pais da Columbine, a escola em que, há cinco anos, dois estudantes realizaram um massacre.

A revista on-line Slate.com traz o perfil psicológico que o FBI fez dos dois. Um era depressivo, o outro psicopata. A Slate derruba alguns dos mitos criados então: eles não eram ‘perdedores’, pelo contrário, tinham festa com amigos todo fim de semana; e não gostavam de Marilyn Manson, pelo contrário, eles o ‘odiavam’ e apreciavam, segundo o diário deles, ‘techno, tipo Prodigy, Orbital’. Um mito que se confirmou no diário: os dois pensaram, de fato, em tomar um avião e jogar sobre Nova York.

PS – Se você não suportou aqueles estudantes andando sem parar em ‘Elefante’, o filme que retrata Columbine, entre no site do jogo Counter-strike. O filme é um game.

LIBERAÇÃO

O ministro Gilberto Gil foi ao Museu de Arte Moderna, em São Paulo, e tornou pública uma possível solução -de que poucos falam, mas muitos concordam- para a violência que tomou o Rio de Janeiro.

A rádio Jovem Pan destacou. De uma repórter, depois de ouvir Gil lamentar os confrontos:

– Onde está a solução?

E o ministro:

– Não sei. Não sei, não. Eu posso ter… Como cidadão, eu posso ter algumas idéias. E uma delas, com que muita gente concorda, mas que é uma questão difícil, que é o desaparecimento do tráfico com a liberação.

No Rio

A situação aparentemente sem saída da violência no Rio leva a opiniões extremas.

O jornalista Zuenir Ventura, no site Nominimo.com, joga a ‘culpa’ naqueles que votaram na família Garotinho:

– O Rio de Janeiro é metido a crítico, esperto, perspicaz, mas não sabe votar.

Quem manda

Alguns jornais pela América Latina, como o mexicano ‘La Crónica de Hoy’, destacaram uma das conclusões paralelas do estudo das Nações Unidas sobre democracia.

Para 231 ‘líderes de opinião’ ouvidos em 18 países da região, não são os governantes eleitos que detêm o poder.

Para 79,7%, quem manda são ‘grupos econômicos, financeiros e empresariais’. Para 65,2%, são ‘meios de comunicação’. Para distantes 36,4%, finalmente, é o Poder Executivo.

Voto eletrônico

Se a democracia por aqui não é bem cotada, o voto eletrônico brasileiro vai bem, pelo mundo. Jornais como o ‘Wall Street Journal’ noticiam as eleições na Índia destacando que é feita por computador, ‘a exemplo do que ocorre no Brasil’.

E a agência espanhola EFE, em vários jornais latino-americanos, noticiou ontem que especialistas do Tribunal Superior Eleitoral do Brasil estão no Equador, para mostrar como se faz.

Efeito Lula

Segundo o ‘Financial Times’, o favorito para o lugar de Vicente Fox no México, o esquerdista Andrés Obrador, vem dividindo o empresariado local.

Uns sonham com um ‘efeito Lula’, imaginando que é ‘um novo Lula’ que faria reformas apoiadas por eles. Outros temem que não passe de um novo Hugo Chávez, ‘que jogou a Venezuela na crise’.

VERDE Sites do Greenpeace no Brasil e pelo mundo destacam o esforço da organização no combate aos transgênicos no Brasil, com direito a cenas de navios abordados por seu barco brasileiro (acima)’

***

‘Ciro, o discreto’, copyright Folha de S. Paulo, 21/04/04

‘- O senhor tem sido muito discreto.

Era a Globo, durante longa e inusitada entrevista com Ciro Gomes, ministro da Integração Nacional, duas vezes candidato a presidente -e eleito pela revista ‘Time’, há exatos dez anos, um dos cem ‘líderes emergentes’ do mundo.

Ele falou longamente sobre o que a emissora descreveu como ‘um projeto tão grandioso quanto o tamanho do rio: a transposição das águas do São Francisco’.

Ciro disse que não se trata de transposição, que a expressão ‘é um equívoco’, e sim:

– O que pode ser feito é a manipulação de 0,5% da água que sobra, que vai para o mar.

É nisso que está trabalhando agora, parte de um projeto para décadas, de desenvolvimento do semi-árido. Mas ele avisa que, sem a ‘manipulação de 0,5% da água’ do rio:

– Vai faltar água em curto prazo para abastecimento humano. O colapso do abastecimento já está no universo de cinco a sete anos.

Mas Ciro não deixou sua ‘discrição’ para falar somente do São Francisco.

Em resposta à pergunta sobre se apóia ou não a proposta de Aloizio Mercadante, de ‘rever a inflação de 2004 para 5,5% e não 4,5%’, ele antes defendeu com veemência a política econômica de Antonio Palocci:

– Quando o presidente Lula tomou posse, a inflação extrapolava 30%; nós vamos agora a 6% ao ano. O câmbio estava em R$ 4 por dólar e está estabilizado há oito, dez meses em R$ 2,90. Você tem juro ainda alto, há uma queixa justa e procedente, mas é o juro real mais baixo dos últimos nove anos. O país consolidou US$ 200 bilhões de rombo em transações correntes nos oito anos do governo passado; e agora tivemos, pela primeira vez em 11 anos, um superávit em transações correntes.

Mas não é o bastante, diz ele, o governo quer ‘que o país produza empregos e gere renda’. E enfim Ciro respondeu:

– Eu tenho absoluta concordância com a idéia do senador Aloizio Mercadante.

AUTO DOS 99%

Voz de uma jovem sedutora:

– Conte a história do Brasil…

E um homem:

– Mas é muito triste.

E a jovem:

– Ah, eu sou masoquista.

É o início do ‘Auto dos 99%’, musical de Vianinha, Marco Aurélio Garcia (assessor de Lula) e vários outros que fez história no Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes. Em 1º de abril de 64, a sede da UNE foi queimada e a gravação do musical sumiu.

Sobraram poucas cópias. Uma delas ficou com o então presidente da UNE, José Serra, que repassou a gravação a Franklin Martins, que jogou no ar em sua página na Globo.com.

Tem cerca de 32 minutos, com inteligência e ironia -até cinismo- difíceis de imaginar nos protagonistas daqueles anos de engajamento.

Coincidência ou não, a fita apareceu no site quase ao mesmo tempo em que Serra se autodescrevia como ‘à esquerda’ do PT -apesar do PFL e dos oito anos de Fernando Henrique e Pedro Malan.

Voz

Eleito uma das cem pessoas mais influentes pela revista ‘Time’, Lula fez ontem um pronunciamento, reproduzido nos canais de notícia e sites, pedindo ‘diálogo’ nas relações internacionais, até para não causar ciúmes. Mas pede mais:

– Queremos nossa voz ainda mais ouvida e respeitada.

Parceria

A voz de Lula está sendo ouvida na China. Ele declarou anteontem que seu governo ‘está dando grande atenção ao desenvolvimento da parceria estratégica com a China’ -e o ‘Diário do Povo’ e a agência Xinhua destacaram de pronto.

Destacaram também o agradecimento do governo chinês pela ‘firme oposição do Brasil à independência de Taiwan’.

Passo a passo

Na última semana, fontes diversas como a revista ‘Forbes’, a agência Dow Jones e outras vêm seguindo passo a passo a aproximação Brasil/China.

No G-20, no petróleo, na soja, na indústria aeronáutica, na infra-estrutura etc.

África

O sul-africano ‘Business Day’ segue outra aproximação. Noticiou para ‘logo’ um acordo entre Mercosul e os países da Sacu -a união aduaneira dos países do sul da África.

Café

O ‘Valor’ noticiou e prontamente o colombiano ‘El Tiempo’ reproduziu a notícia de que o Brasil identificou o mapa genético do café tipo arábico.

Para um empresário brasileiro, citado na Colômbia, com isso o Brasil assume a liderança na investigação científica no setor.

Bush x Kerry

O ‘Washington Post’ fez as contas e acusou: os canais de notícia americanos (CNN, Fox News e MSNBC, este uma união de Microsoft e NBC) estão dando mais espaço para o presidente George W. Bush do que para o democrata John Kerry.

Em pouco mais de duas semanas, foram 12 horas e 11 minutos de transmissão ao vivo para Bush, contra 3 horas e 47 minutos para Kerry. Sem contar comerciais, para os quais Bush tem muito mais dinheiro.

GREENSPAN DERRUBA O presidente do banco central americano surgiu na Fox News (acima, no centro da imagem) e em outros canais para afirmar que a banca americana ‘está preparada para juros mais altos’. E o UOL noticiou em seguida: ‘Greenspan derruba mercados’. Subiu o dólar, caiu a Bolsa, aumentou o risco Brasil.’



FSP CONTESTADA
Painel do Leitor, Folha de S. Paulo

‘Cartas ao Painel do Leitor’, copyright Folha de S. Paulo

’22/04/04

Terra

‘A reportagem ‘Devolutas são as terras recuperadas pelo poder público’ (Brasil, 15/4) contém informações equivocadas. Com efeito, a lei 601, de 1850, foi baixada para regularizar ocupações destituídas de títulos e ocorridas a partir da extinção do regime de sesmarias, proibindo, desde então, a concessão gratuita de terras. Todavia isso não significa que essas ocupações tenham ficado ao desabrigo da lei. A usucapião das terras devolutas relativa às ocupações anteriores ao Código Civil (1917) é direito pacífico perante o STF. Esse é o caso do Pontal do Paranapanema, cuja ocupação se deu a partir de 1850. De mais a mais, quando os Estados da Federação receberam o saldo das terras devolutas do governo central (1891), trataram de baixar legislação para regularizar essas ocupações, bem como para expedir títulos de propriedade ao longo dos anos. Outra afirmação incorreta é aquela que inverte o princípio de direito processual (art. 333, I, do CPC) para atribuir ao proprietário o ônus de provar a origem legítima de seu título imobiliário. O STF em diversas oportunidades decidiu que compete ao poder público demonstrar se determinada gleba é ou não devoluta, e não ao particular. Também não é correta a afirmação genérica de que as terras do Pontal do Paranapanema são devolutas. Lá, cada caso deve ser tratado isoladamente. Há, naquela região, títulos expedidos pelo Império e outros outorgados pelo próprio Estado. Há ocupações julgadas legítimas pela Justiça, bem como existem casos pendentes de definição pelo Judiciário. Daí por que não há como concordar com a nota em apreço. Quanto à afirmação do Itesp, de que todas as áreas invadidas no Pontal do Paranapanema são devolutas, com exceção da fazenda Santa Fé, não passa de uma afirmação falsa e leviana, pois essas áreas apenas são objetos de ação discriminatória, pendente de decisão judicial definitiva. Tais afirmações não contribuem para nada e só incendeiam os ânimos.’ Luiz Antonio Nabhan Garcia, presidente da UDR-Nacional (Presidente Prudente, SP)

Nota da Redação – A lei 601, de 1850, proíbe, já em seu artigo 1º, ‘as aquisições de terras devolutas por outro título que não seja o de compra’. A lei só propõe revalidar as sesmarias e posses ‘que se acharem cultivadas’, mas não as ocupações feitas a partir de 1850, as quais ficariam sujeitas ao ‘despejo, com perda de benfeitorias’, acrescido de pena de ‘dois a seis meses de prisão’ e multa.



21/04/04

Jato

‘Fui surpreendido por uma menção na coluna da jornalista Mônica Bergamo no domingo 18/4. Como o colunismo se permite não checar a veracidade dos ‘fatos’ que publica, informa-se ao leitor que eu teria participado, no ano passado, de um evento -Fórum Empresarial- cuja edição 2004 aconteceu no último fim de semana na ilha de Comandatuba, na Bahia. Na ocasião, eu teria supostamente fechado negócio com a Embraer para a compra de um avião Legacy por R$ 20 milhões. Informo, para registro, que nunca participei do evento Fórum Empresarial e que o avião a que a nota se refere foi adquirido há mais de três anos. Na época, aliás, o Legacy era apenas um projeto da Embraer. Tivemos a coragem de apostar na competência da engenharia brasileira, fato do qual muito me orgulho. No meu entender, uma decisão que é o oposto do capricho sugerido pela jornalista Mônica Bergamo na coluna.’ Pedro Moreira Salles, presidente do Conselho de Administração do Unibanco (São Paulo, SP)

Resposta da jornalista Mônica Bergamo – A notícia da compra do avião só foi publicada, em junho de 2003, depois de confirmada por executivos do Unibanco. Sobre a data e o preço da negociação, ver a seção ‘Erramos’, abaixo.’

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