Domingo, 18 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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JORNAL DE DEBATES >

Notícia e produção de verdade

Por Alcy Belizário de Souza em 09/10/2007 na edição 454

Para os estudiosos, políticos, idealistas e a mídia que forjaram a história mundial, meus parabéns. Em especial ao jornalismo que, ao longo dos séculos, produz o conceito de verdade, anuncia os pontos de vista dos mais fortes economicamente e constrói valores e símbolos da sociedade.

A história do Brasil mostra que desde a colonização até os dias atuais é a elite quem comanda. Direta ou indiretamente, é ela que determina e impõe as regras a serem cumpridas e que monitora até a produção jornalística. A dependência econômica das empresas de comunicação nos leva a uma reflexão sobre a democracia. Será que existe a liberdade de imprensa quando os veículos de comunicação dependem, em sua grande parte, da venda de espaço publicitário para o governo e as grandes empresas?

Observa-se que os meios de comunicação contam com suporte financeiro do governo e também de grandes empresas. Com isso, a mídia acaba divulgando e defendendo, na maioria das vezes, os pontos de vista e os interesses da elite nacional.

Apuração precisa e divulgação correta

É visível o poder do meio de comunicação de massa na construção da verdade. Muitas vezes, pode-se conhecer a ideologia política e os interesses de um diário só por observar quais fontes foram ouvidas e a forma pela qual os fatos são descritos. A mídia exibe, em alguns casos, uma realidade fragmentada e maquiada. Um dos exemplos é a rotulação dos jovens da periferia. Expondo-os em situações constrangedoras nos bancos e corredores dos DPJs. Por que não mostrar o rosto e nome dos jovens da classe média na mesma situação?

É importante destacar também o fator tempo. Este fator pode ser considerado um dos motivos principais pelo qual se encontram tantas matérias mal apuradas e, pior, releases substituindo as reportagens jornalísticas com suas devidas apurações nos jornais diários. Tudo bem. É mais fácil construir uma notícia utilizando o recurso de ‘copiar e colar’ do computador do que ter que sair da redação atrás das fontes, perder horas no telefone procurando checar a veracidade das informações. Mas, onde fica o Código de Ética da profissão jornalística? É importante destacar a importância do jornalista como informador dos fatos importantes para a sociedade. O artigo 1° do Código de Ética destaca a informação como um direito. ‘O acesso á informação pública é um direito inerente á condição de vida em sociedade, que não pode ser impedido por nenhum tipo de interesse.’ E o artigo 7° complementa: ‘O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade dos fatos e seu trabalho se pauta pela precisa apuração dos acontecimentos e sua correta divulgação.’

Jornalismo marrom presente

A imprensa brasileira, algumas vezes, parece desconhecer o Código de Ética. Ela divulga, denuncia e informa de maneira mascarada os interesses dos empresários e do poder público. Isso pode fazer com que os media percam a credibilidade e a sociedade confie cada vez menos nos profissionais e nas empresas de comunicação.

Por isso, as notícias devem ser absorvidas com sabedoria e sempre se deve questionar até que ponto o que está escrito em uma folha de jornal é verdadeiro. É lamentável, mas não se pode negar que existe corrupção na mídia, o jornalismo marrom ainda está presente. Por outro lado, os meios de comunicação social também produzem as notícias como verdadeiros espetáculos, como por exemplo, o caos: educação, saúde e segurança pública, que há anos está sendo veiculado sem as devidas soluções.

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Bacharel em Comunicação Social, radialista e sargento da Polícia Militar do Espírito Santo; Cariacica, ES

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