Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº974

ENTRE ASPAS > MÍDIA & MUDANÇAS CLIMÁTICAS

Notícias sem contexto

Por Alberto Dines em 27/11/2009 na edição 565

A mídia badalou na quinta-feira (26/11), o dia inteiro, a disposição do governo chinês de reduzir em 40% suas emissões de CO2 até 2020. Nos dias anteriores, aconteceu a mesma coisa com a promessa de Barack Obama de cortar 17% das emissões nos EUA.


Também foi intenso, na quinta, o noticiário sobre as inundações no Rio Grande do Sul, com 66 municípios em situação de emergência. Nesta dramática primavera, o estado já sofreu 12 violentos temporais cujos efeitos sobre a nossa economia fatalmente aparecerão na próxima safra.


Mas a nossa mídia não consegue colocar no mesmo contexto o noticiário sobre a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a COP 15, que se realizará em Copenhague e os desastrosos efeitos do aquecimento global visíveis em nosso cotidiano. Como se fossem assuntos distintos, divergentes.


Na mesma quinta-feira, também nos jornalões paulistanos os maiores anúncios vendiam carrões importados (nenhum deles bicombustível) e apartamentos de alto luxo em bairros já saturados.


Luta pessoal


A mídia já não consegue conectar os temas afins e, pior do que isso, não tem a coragem de denunciar hábitos e estilos de vida que apressam a catástrofe ambiental.


O efeito estufa não depende apenas da boa-vontade e do idealismo dos chefes de Estado; é preciso lembrar que o veloz degelo na Groelândia é um indício tão grave quanto o atual dilúvio no Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina.


Se não mudamos o nosso modo de vida e hábitos de consumo, de nada adiantarão as pomposas conferências internacionais. A mídia nacional e internacional precisa se convencer de que o aquecimento global produzirá uma catástrofe maior ainda do que a de uma 3ª Guerra Mundial.


Delegar aos governantes todas as responsabilidades pelo destino do planeta é uma irresponsabilidade tão grande como foi há 70 anos minimizar os perigos do nazi-fascismo.


A luta pela sustentabilidade deve ser pessoal; não é uma questão de foro íntimo, é um chamamento que a mídia até agora não conseguiu tornar premente e universal.

Todos os comentários

  1. Comentou em 27/11/2009 gabriela guerreiro

    Há tempos venho percebendo, principalmente nos telejornais, por conta do alto número de pessoas que atingem, a absurda e, no mínimo, preguiçosa, cobertura recortada e factual de um assunto tão global e complexo como o aquecimento global, além , claro, das inaceitáveis matérias otimistas sobre diminuição do IPI sobre carros e móveis ou qualquer outro incentivo ao consumo em geral.
    A grande imprensa continua aliada ao capital e o capital continua alheio ao homem.

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