Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

JORNAL DE DEBATES > COPA DO MUNDO

Novos padrões da cobertura

Por Alberto Dines em 02/07/2010 na edição 596

Já não há dúvidas de que as novas tecnologias deverão alterar regras, e o próprio espetáculo futebolístico, inclusive com relação à arbitragem. Tudo indica que estas novas tecnologias poderão influir na própria organização da cobertura jornalística.


Quem deu uma pista nesta direção foi o ex-jogador e agora comentarista da Globo Paulo Roberto Falcão, um dos astros da seleção de 1982, aquela que não trouxe a Copa mas encheu de orgulho o coração dos brasileiros.


Em entrevista à Folha de S.Paulo na quinta-feira (1/7) à tarde, a propósito das duras críticas do ex-jogador holandês Johan Cruyff às atuações da seleção do técnico Dunga, Falcão concordou basicamente mas acrescentou uma explicação que interessa muito ao jornalismo esportivo: ele não foi à África do Sul e preferiu acompanhar os jogos na central montada pela Globo no Brasil, porque através da TV poderia observar e avaliar muito melhor o desenrolar das partidas, sem o cansativo e desgastante atropelo de viagens.


Modelo obsoleto


Pode-se inferir, portanto, que, assim como os juízes erram grosseiramente a poucos metros dos jogadores, comentaristas situados a milhares de quilômetros dos gramados – mas dispondo de dezenas de câmeras de TV de várias emissoras mundiais, moderníssimos programas de computador e poderosas bases de dados – terão à sua disposição mais e melhores imagens para analisar as partidas.


Longe do pelotão dos jornalistas reunidos na tribuna da imprensa, poderão blindar-se das opiniões e emoções dos colegas sentados ao lado.


Nos estádios, os jornalistas são obrigados a falar do jogo mas também do frio, das vuvuzelas, dos torcedores e do clima das ruas, circunstâncias paralelas que poderiam ser cobertas por repórteres não-esportivos.


Sem querer, Falcão introduziu uma reflexão que poderá reanimar as coberturas desportivas e o obsoleto modelo de negócios do circo da Copa. Estar perto dos acontecimentos não significa necessariamente ter a melhor visão da realidade.

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem