Sexta-feira, 06 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1066
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JORNAL DE DEBATES >

O adversário que todos querem calar

Por Alberto Dines em 14/12/2005 na edição 359

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.


Você comemora aniversários todos os anos, mas por que certas efemérides são lembradas apenas em datas redondas? O aniversário de hoje, embora funesto, é muito importante mesmo que o fato esteja enterrado num passado bem distante.


Na noite de 13 de dezembro de 1968, há exatos 37 anos, era assinado e proclamado o mais tenebroso documento da nossa história: o Ato Institucional número 5, o famigerado AI-5. Naquela noite eram suspensas as garantias individuais, o Congresso era fechado e começava a censura prévia, a mais rigorosa desde a Independência. O terror continuou nos 17 anos seguintes e marcou decisivamente o nosso jornalismo.


A imprensa, que é a encarregada do registro da história, esqueceu desta data. Justamente num ano marcado pelos sistemáticos e insidiosos ataques contra ela e desfechados de todos os lados. Esquerda, direita, Executivo e Judiciário têm um adversário comum, a imprensa. Lembrar isso hoje faz sentido.


A censura prévia imposta à Folha de S. Paulo e à Folha Online, assim como o grampo instalado pela polícia do Espírito Santo na Rede Gazeta, não se distinguem muito do AI-5 porque foram determinadas pelo Poder Judiciário. O AI-5 foi lido na noite de 13 de dezembro em rede nacional pelo então ministro da Justiça, Gama e Silva.


Estas são remissões obrigatórias, não deveriam ser esquecidas.


A palavra relação tem muito a ver com o jornalismo porque há 400 anos, em Estrasburgo então Alemanha, era autorizada a circulação do primeiro jornal impresso do mundo. ‘Relação de todas as histórias importantes dignas de serem lembradas’ era o enorme nome deste primeiro jornal lançado no verão europeu de 1605.


Esta efeméridade também passou em brancas nuvens. Não apenas aqui, no mundo inteiro, exceto na Alemanha, evidentemente. Se você fosse avisado deste quadrigentésimo aniversário do jornal, você certamente o comemoraria com alegria. Afinal, você é o maior beneficiário desta invenção que mudou a história do mundo.


Já imaginou o que seria de você sem jornais e sem jornalismo?

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