Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

ENTRE ASPAS > RENAN ABSOLVIDO

O apagão republicano

Por Alberto Dines em 16/09/2007 na edição 450

Ao salvar Renan da cassação, o governo apenas cuidou de salvar a própria pele. Ou, como dizem analistas chegados à lógica palaciana, o governo pretendia ‘garantir a governabilidade’. Por governabilidade entenda-se o que se quiser, o mais provável é que o governo precisava dar um basta à pressão da sociedade manifestada através da mídia.


O raciocínio é simples: de nada adianta cooptar uma sólida maioria parlamentar se ela é incapaz de resistir à pressão da imprensa. Renan, para o governo, é um acidente de percurso, o esforço para evitar a sua cassação não decorreu de um sentimento de solidariedade – essa palavra não existe no universo vocabular da real-politik.


O rigoroso esquema posto em funcionamento imediatamente antes e durante o julgamento serviu para salvar Renan, mas serviu, sobretudo, como exercício de prevenção, ensaio de salvamento para casos mais graves. Renan inocente ou culpado era questão marginal, o importante era evitar a repetição do ocorrido com o mensalão, quando a visibilidade das sessões no STF converteu-se em fator decisivo para levar os denunciados ao banco dos réus.


Distância da mídia


Para impedir que a mesma transparência contaminasse o Senado não bastariam os recursos discutíveis da sessão fechada e do voto secreto. Era preciso ir adiante: blindar a Câmara Alta, convertê-la num bunker inviolável onde seria possível produzir um black-out institucional capaz de acobertar o vale-tudo.


A varredura eletrônica na véspera da votação, a interdição ao uso de computadores (hoje equipados com câmeras e gravadores), a rigorosa recomendação para que os senadores desligassem seus celulares, o corte no sistema de som do plenário e até a supressão do registro taquigráfico para servir à ata não foram procedimentos casuais ou rotineiros. Seguiram uma linha precisa, altamente profissionalizada.


Quando José Sarney era um dos braços civis do regime militar descartaria a exibição deste arsenal obscurantista. Agora, descuida-se com as aparências. A degola de seu protegido, Renan Calheiros, o deixará isolado (junto com a filha, Roseana) na condição de remanescente do coronelismo senatorial.


O lapso institucional que envolveu a absolvição do presidente do Senado – inédito apagão na vida republicana – destinou-se a envolver os senadores num clima furtivo, extremamente conveniente para seus parceiros envergonhados, mas ostensivamente na contramão da limpidez do sistema democrático. A dissimulação de uma dezena de parlamentares ao antecipar um voto nas enquetes jornalísticas e acionar o painel eletrônico em direção contrária, desvenda a atração do arbítrio pela mentira.


Para agir com desenvoltura em favor de seus interesses, tanto o governo como a base governista concluíram que é imperioso manter a mídia à distância. Como é impossível controlar a divulgação dos fatos, instalaram um sistema para impedir que os fatos sejam conhecidos.


Informação rarefeita


O resultado do primeiro julgamento de Renan Calheiros, neste momento, tornou-se secundário. Ao contrário do sugerido pelo presidente Lula, este placar não deve ser acatado, deve ser corrigido pelos outros processos em curso no âmbito da Comissão de Ética, na Procuradoria Geral da República e no Supremo Tribunal Federal.


O que preocupa é a consagração e a universalização do manual intimidador adotado pela Mesa do Senado nas terça e quarta-feiras (11 e 12/9). Flagrado pela imprensa, Renan Calheiros está persuadido de que a sua sobrevivência só será possível em ambientes controlados, rarefeitos de informação. Se for bem-sucedido, criará um estilo. Oportunidades não faltarão.

Todos os comentários

  1. Comentou em 08/12/2008 cesar BUCALLON

    OBSERVATORIO DA IMPRENSA—EU NUNCAVI O OBSERVATORIO DA IMPRENSA FALAR SOBRE F1. EU QUERO SABER SOBRE FIA DETER AS IMAGENSDA F1 QUE FICAM ACOPLADAS (CAMERAS ON BOARD) PORQUE AS IMAGENS DO CARRO DO SENNA-94 ESTAO GUARDADAS COMO SEGREDO DE ESTADO , E AS EMISSORAS TAMBEM QUE TEM IMAGEM NÃO MOSTRA SERA PORQUE, SERIA QUEBRA DE CONTRATO, AS IMAGENS JÁ SÃO DOMINIO PUBLICO.
    FIA-DITADURA NAO PODE TER LIBERDADE PARA FALAR , PORQUE A FIA CONTROLA TUDO,IMAGENS(VIDEOS,FOTOS) FALA, PENSAMENTOS.
    A FIA-É O VATICANO DA F1-NÃO PODE SAIR DA LINHA, AUDIO,VIDEO,TEXTO,PENSAMENTOS,FALA, A FIA TEM UMA COMISSAO –QUE ÉO PAPADO DO AUTOMOBILISMO.
    OBSERVATORIO DA IMPRENSA—SRS SABEM COMO É ESCOLHIDO O PRESINDENTE DA FIA, E O QUE PRECISA PARA ESCOLHER O PRESIDENTE, QUAIS SÃO O CRITERIO PARA A ESCOLHA DO PRESIDENTE DA FIA, QUAL O PESO DE CADA PAIS, EOS PAISES COM OS PILOTOS CAMPEOES DE F1 TEM PESO MAIOR NA ELEIÇAO, OU NÃO INFLUI EM NADA.
    OBSERVATORIO DA IMPRENSA—PORQUE OS PILOTOS NÃO SÃO UNIDOS.

    O NARRADOR QUE DIZ QUE É TAO AMIGO DO PILOTO , NESSA HORA FICOU DO LADO EMPRESA DA FIA , PORQUE SÃO MAOIRES QUE ELE , TEVE UMA NOTICIA QUE VEICULADA NA INTERNET OU MATERIA FEITA PELO REPORTE ROBERTO CABRINI

  2. Comentou em 18/09/2007 Rogério Ferraz Alencar

    Marcelo Ramos, também já deixei de ler muita coisa na imprensa e de ver muita coisa na TV. Como na TV não existe mais um bom programa humorístico, fiz a opção de continuar lendo Alberto Dines. Onde se poderia ter humor desta qualidade? Vamos ver: Alberto Dines diz que o governo (Lula) empenhou-se a fundo e salvou Renan Calheiros e, com isso, salvou-se também. Mas que Lula (o governo) não se importava em saber se Renan era inocente ou não. O que importava era a obstinação de Renan em ajudar o governo (Lula) a ‘fechar’ o Congresso, impedindo a entrada da imprensa, para que o pior futuramente não viesse à tona, não fosse visto pela mídia, resultando, então, em algo diferente do que ocorreu com os ‘mensaleiros’. Assim , o governo (Lula) salvou Renan para que Renan, futuramente, com sua obstinação, salve Lula (o governo). E como se chega à essa conclusão? Alberto Dines, magnanimamente, nos ensina: ‘O raciocínio é simples: de nada adianta cooptar uma sólida maioria parlamentar se ela é incapaz de resistir à pressão da imprensa.’ É para rir ou não?

  3. Comentou em 16/09/2007 Afoso Zurita

    Novamente Sr. Dines, sempre a mesma otica!!!, não é um observatorio!! é apenas um ecoador do que a mesma midia repete para ver se acabamos engolindo apenas o que interesa noticiar. Para começar, essa crisse toda no Senado, em momento nenhum é decorrente de algúm desejo moralizador, como a midia quer que acreditemos, apenas são capitulos da mais rasteira briga de comadres e assim criar dificultades para o funcionamento da casa e com isso causando dificultades ao goberno.

  4. Comentou em 16/09/2007 Pedro Piva

    Estou procurando um site… alguém conhece? Costumava se chamar ‘Observatório da Imprensa’… Se alguém souber, me fala…

  5. Comentou em 16/09/2007 Samuel Lima

    Caro Marcelo Ramos, estou aderindo à sua proposta integralmente. Hoje no OI tem prevalecido esse tom, misto de ‘Veja com Datena’, uma observação ‘latrinária’ de um ‘jornalismo’ menor, pusilânime.
    Senão, como entender o texto: ‘Ao salvar Renan da cassação, o governo apenas cuidou de salvar a própria pele’. É nítido que o goveno federal nada ganha com um cadáver insepulto, feito Renan. Se até Ricardo Noblat, crítico contumaz (com e sem razão) do governo Lula admite outros elementos fundamentais (inclusive seis votos de senadores do DEM, acrescido da falta de provas do crime suposto – pagamento de despesas pessoais com recursos da Mendes Júnior), o ex-observador da imprensa ultrapassou todos os limites possíveis da lucidez e do bom senso.
    Acato sua proposta e me retiro, com tranquilidade no coração e sem mágoas, deste OI. Só vou sentir falta do nível de alguns comentaristas e dos textos lúcidos de Venício Lima. Somos, Marcelo, por enquanto dois. Logo, poderemos ser algumas centenas, quem sabe milhares. Deixemos Dines falando sozinho, com suas análises torpes e simplistas, escrevendo para si, a elite ‘branca’ da Av. Paulista e do Leblon. Era uma vez um ‘observador’ da imprensa…

  6. Comentou em 16/09/2007 Marcelo Ramos

    Pessoal, venho aqui para lançar um proposta. Sabe o que faço quando creio que uma revista já se afastou da realidade? Deixo de comprá-la. Proponho fazer o mesmo aqui no OI. Não vou mais comentar o que Dines escreve. Está igual ao resto da mídia. E há blogs muito melhores. Não vou mais gastar tempo precioso respondendo coisas sem sentido. Sugiro que façamos com o Dines o mesmo que faríamos com a Veja. Não comprem.

  7. Comentou em 16/09/2007 webbert Caldeira

    Sr. Dines:
    E o senador Azeredo?

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