Terça-feira, 20 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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ENTRE ASPAS >

O Estado de S. Paulo

05/08/2008 na edição 497

IMPRENSA & POLÍTICA
Clarissa Thomé

Mídia ignora avanços, critica Lula

‘O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamou ontem, em encontro com intelectuais, que a imprensa dá mais atenção aos escândalos do que aos feitos do governo, segundo relatou um dos presentes. E prometeu usar o recurso do pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão para dar visibilidade aos programas do governo federal.

Lula citou especificamente o lançamento do programa Mais Alimentos, em 3 de julho. Para o presidente, o anúncio dos incentivos à agricultura familiar ficou escondido entre as notícias de ‘mais um escândalo’, de acordo com um dos participantes do encontro. Sempre que isso acontecer, acrescentou um dos presentes, Lula disse que vai mandar um ministro em cadeia nacional para divulgar os programas.

O presidente reuniu-se com 47 intelectuais na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Estavam presentes Oscar Niemeyer, o escritor Adauto Novaes, o psicanalista Joel Birman, o sociólogo Emir Sader, a economista Maria da Conceição Tavares, reitores de quatro universidades, entre outros.

Ao contrário do que houve em São Paulo, onde também se reuniu com intelectuais em junho, Lula não iniciou a reunião com uma preleção – abriu espaço para que os intelectuais fizessem perguntas.

Durante a sabatina, que durou três horas, o presidente foi questionado sobre educação, Rodada Doha, relações com a Colômbia, Previdência – que Lula disse que fecharia o ano com superávit, arrancando aplausos -, entre outros assuntos.

Sobre o fracasso das negociações sobre a liberalização do comércio na Rodada Doha, na Suíça, Lula voltou a atribuir o impasse aos atuais processos eleitorais nos EUA e Índia. O presidente provocou risos ao dizer que telefonaria para os chefes de governo dos dois países para reclamar. ‘Para acertar acordos nucleares vocês se entendem. Mas não avançam nas negociações agrícolas’, brincou.

Para Emir Sader, o encontro do Rio foi mais produtivo que o de São Paulo porque o presidente passou mais tempo respondendo às questões (foram 18 perguntas). ‘Foi bom para o intelectual que apóia ou que critica o governo ter idéia do que está acontecendo no País.’

O sociólogo disse que os encontros tiveram outra diferença: ‘Em São Paulo, a ministra Dilma Rousseff foi apresentada mais explicitamente como a sucessora. Aqui no Rio, ele disse que o nome à sucessão era segredo de Estado’, comentou. A ministra da Casa Civil também teve de responder a algumas perguntas e disse que a questão energética está resolvida.’

 

 

POLÍTICA CULTURAL
Roberta Pennafort

‘Está chegando a hora de mudar a Lei Rouanet’

‘Sucessor de Gilberto Gil no Ministério da Cultura, Juca Ferreira está acostumado a ser chamado de ministro. Já representou Gil muitas vezes, no Brasil e no exterior. Desde a posse do amigo, em 2003, Juca sempre foi considerado o ‘xerife’ da pasta, na condição de seu secretário-executivo. Prestes a ser confirmado no cargo, o que deve ocorrer, segundo ele próprio, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltar de Pequim (para onde viaja, na semana que vem, por conta da abertura das Olimpíadas), Juca disse ontem ao Estado que Gil foi o melhor ministro da Cultura da história, e que a transição já vinha sendo feita lentamente, ‘de baiano para baiano’.

Quais serão as prioridades de sua gestão?

Primeiro, manter o movimento em direção à estruturação e à execução de políticas públicas de cultura em todas as áreas, no espectro que o ministro abriu. Segundo, a área das artes. A Funarte (Fundação Nacional de Artes) foi a que mais sofreu com a intervenção que o (ex-presidente Fernando) Collor de Mello fez na área cultural. Foi um escândalo. Demoramos muito a compreender a profundidade (do problema). Outra área é a decantada reforma da Lei Rouanet. Está chegando a hora. E a modernização das leis de direitos autorais no Brasil. Na área do patrimônio, estamos às vésperas de criar o Instituto Brasileiro de Museus.

E o Plano Nacional de Cultura?

Estamos discutindo publicamente o plano, que é importantíssimo e vai dar institucionalidade ao ministério. Toda política pública respeitável no Brasil tem um plano nacional. Estamos fazendo audiências públicas em todo o Brasil. Lá para meados do primeiro semestre (de 2009) vamos ter um Plano Nacional de Cultura, como primeira pactuação da estratégia geral de cultura.

Em sua opinião, quais foram os maiores acertos e erros da gestão de Gil?

O ministério, em todos os aspectos que você considerar, é muito melhor do que o que a gente encontrou. Em alguns aspectos a gente avançou mais e em outros, menos. A compreensão de que cultura é uma necessidade tão básica quanto comida, saúde e educação e, portanto, precisa de política pública, foi uma grandeza, uma lucidez. Na área de patrimônio e memória, a gente avançou, na área de museus, de cinema – conseguimos fazer em torno de 400 filmes de longa-metragem nesse período. Agora, erros se cometem; cometemos alguns.

Que avaliação faz sobre a Lei Rouanet como está?

A gente não pode ter a renúncia fiscal como critério principal para financiar a cultura brasileira. É um mecanismo que serve para algumas ações. Tem de ter o Orçamento, os mecanismos de mercado. Queremos introduzir o vale-cultura, semelhante ao vale-refeição, e reestruturar os mecanismos de uso da renúncia. O ministério está preparado para botar na rua a discussão.

Como reage aos críticos da lei?

Não dá para desestruturar um mecanismo que, com todas as distorções que a gente possa considerar, disponibilizou, no ano passado, R$ 1 bilhão. Eu não sou maluco. A substituição seria por mais Orçamento, então dependemos da sensibilidade do governo para mudar o modelo. As Nações Unidas recomendam no mínimo 1% do Orçamento. O que a gente precisa para aplicar o planejamento da política cultural já estabelecida é de R$ 3,7 bilhões, o que dá perto de 3%. A visibilidade que o Gil deu ao ministério ajuda muito. Em todas as áreas você percebe a presença do ministério de forma positiva.

O tempo todo o senhor enfatiza o papel de Gil e o coloca como o melhor ministro da Cultura que já existiu. Por quê?

Não só eu, mas todo mundo. O (Sérgio Paulo) Rouanet, que foi um dos ministros da Cultura, disse, na comemoração do aniversário do ministério, que Gil tinha fundado o ministério. Ele reconhecia que tinha sido dado um salto monstruoso nesta gestão. É inquestionável. Gil foi um gigante.

Como o senhor analisa as críticas que o ministério e o ex-ministro sofreram nestes anos (dirigismo na área cultural, viagens como artista, lentidão na liberação de pareceres para obtenção de patrocínios)?

A questão do dirigismo foi uma bobagem. Acho que a gente deve usar as palavras com precisão. O que nós queríamos era regular a economia da cultura, e não as opiniões. A questão das viagens de Gil… O ministério é ultrabem-sucedido. Ele montou um sistema de gestão moderno, um colegiado de dirigentes. Eu fui designado para representá-lo em sua ausência. Os celulares existem para isso. Funcionamos muito bem, melhor do que os ficaram o tempo inteiro sentados na cadeira. Quanto aos pareceres, o ministério cresceu muito e o número de pareceres passou de 3 mil para quase 30 mil. É difícil manter a eficiência com a mesma estrutura que existia antes.’

 

***

Quem é: Juca Ferreira

‘Durante o regime militar, passou 9 anos exilado no Chile, na Suécia e na França, onde se formou em sociologia. Filiado ao Partido Verde, foi duas vezes eleito vereador em Salvador, em 1992 e 2000’

 

INTERNET
O Estado de S. Paulo

Acionistas apóiam Yang no comando do Yahoo

‘O Conselho de Administração do Yahoo emergiu praticamente ileso da reunião anual da companhia ontem, uma vez que a multidão de acionistas presentes pouco questionou a decisão dos diretores de rejeitar a oferta de compra feita pela Microsoft, por US$ 47,5 bilhões.

Alguns acionistas expressaram seu desconforto ao se manifestarem contra a reeleição da diretoria do Yahoo, mas a resistência não foi tão grande quanto no ano passado, quando três diretores foram rejeitados por mais de 30% dos votantes.

Na votação deste ano, só dois diretores – o presidente do Conselho, Roy Bostock, e Arthur Kern – sofreram oposição nas urnas, representando pelo menos 20% das ações do Yahoo. O presidente do Yahoo, Jerry Yang, que conduziu as negociações com a Microsoft junto com Bostock, foi reeleito com 85% dos votos.

Muitos investidores já haviam se manifestado de maneira enfática sobre a queda no valor de suas ações. O valor das ações caíram 31% desde que a Microsoft retirou sua oferta de US$ 33 por ação, no início de maio.

Muito do drama foi esvaziado na reunião do mês passado, quando o Yahoo negociou uma trégua com o investidor ativista Carl Icahn, que estava em campanha para destituir todo o Conselho de Administração do Yahoo, por ter rejeitado a oferta da Microsoft.’

 

 

TELEVISÃO
Gustavo Miller

Do PC para a TV

‘Sabe aquela história de trazer para a TV o que faz sucesso na web? Então, a MTV estréia na madrugada desta segunda-feira o MTV.com.br, faixa diária que irá exibir uma seleção de produções exclusivas de seu portal de vídeos, o Overdrive.

Com apenas 15 minutos de duração (esse formato pegou mesmo!), também entrará conteúdo feito por internautas e pequenas produções do Fiz TV, do mesmo Grupo Abril.

O cardápio que vai ao ar de segunda a sexta, à 0h15, varia bastante. A animação O Vingador é interessante e tem como destaque o seu criador: o jovem Gabriel Alves, que chamou a atenção da emissora ao ganhar um prêmio no último VMB após fazer um clipe amador da cantora Pitty.

Já o programa Gay Show, para o público GLS, começou bem, mas se mostrou fraquinho depois. Há também o sem graça TV Kaos, que brinca com trailers e propagandas absurdas.

A nova faixa derruba tese sustentada pelo ex-diretor de programação do canal, Zico Goes, que dizia que o público da internet gosta de assistir na web aquilo que é exclusivo dela, e que o espectador televisivo quer ver na TV o que é feito só para ela.

Fantástico, 35

No dia 5 de agosto, terça-feira, o Fantástico há de se gabar de estar no ar há 35 anos. O tributo ao show merecerá novos esquetes com Otávio Müller e Heloísa Perissé, vivendo vários personagens. E Renata Ceribelli engata série de reportagens sobre comportamento.’

 

 

Etienne Jacintho

‘Quem matou’ não encerra suspense

‘O autor João Emanuel Carneiro diz que, mesmo com a revelação do ‘quem matou’ no meio da trama de A Favorita, há elementos para manter o interesse do público. ‘A mudança estava prevista na sinopse, ou seja, é um absurdo insinuarem que eu mudei a novela pra conquistar audiência. Tenho vontade de subir nas tamancas!’ Carneiro não confirma que Flora (Patrícia Pillar) seja a assassina, mas diz que se a revelação for essa, ele teria ‘toda uma nova novela pela frente, onde Flora seria a favorita e Donatela teria de provar a sua inocência.’

Entre-linhas

Fernando Rancoletta, diretor de elenco da TV de Silvio Santos, acertou sua troca de canal: foi seduzido pela Record.

O primeiro debate entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo, exibido pela Band, anteontem, atingiu 3 pontos no Ibope.

Sylvio Luiz, Marcelo Parada e Luísa Parente estão na turma que a Band envia amanhã para Pequim, com escala em Madri.

O Jornal da Record, anteontem, perdeu em audiência para A Praça É Nossa. O confronto, entre 20h12 e 20h55, rendeu 8 pontos à Record e 11 ao SBT.’

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Clique nos links abaixo para acessar os textos do final de semana selecionados para a seção Entre Aspas.

Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

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