Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

JORNAL DE DEBATES > PRESIDÊNCIA DA CÂMARA E A MÍDIA

O fim de uma legislatura desastrada

Por Alberto Dines em 01/02/2007 na edição 418

Jornais e telejornais, portais e rádios, todos estavam na quarta (31/1) ocupados com a disputa pela presidência da Câmara. É natural: nesta quinta-feira saberemos qual o deputado que ocupará o terceiro posto na hierarquia da República, o sucessor do sucessor do presidente.


Neste ano, a disputa oferece ingredientes inéditos porque de certa forma decide-se o futuro do PT, confrontado ironicamente pelo grupo ideológico da base aliada. Mas até a véspera a mídia não prestou muita atenção a um dado histórico de grande relevância.


A legislatura que se encerra pode ser considerada como a mais vergonhosa da história republicana. O mensalão ou valerioduto, o besteirol e a renúncia de Severino Cavalcanti, os sanguessugas, as manobras da Mesa Diretora para livrar parlamentares dos castigos inevitáveis, a avalanche de concessões de rádio e TV para parlamentares, a indecente tentativa de aumento de 92% nos vencimentos foram os episódios mais chocantes. E, graças a eles, a Casa do Povo, vitrine da sociedade brasileira, transformou-se num show de horrores e indecência. Bandidos chegaram a declarar que se os deputados podiam fazer aquelas bandalheiras, eles não ficariam atrás.


Vigilância requerida


O desafio da nova Câmara dos Deputados é gigantesco. Além das reformas que tornarão viáveis os programas e os sonhos de crescimento, a Câmara precisará converter-se numa fábrica de estímulos positivos – estímulos, sobretudo, de ordem moral.


Ao contrário do que afirmou o ministro Tarso Genro, a mídia não promoveu a ‘destruição cruel’ do Legislativo. O Legislativo suicidou-se e a mídia flagrou este suicídio com grande fidelidade.


Agora, devidamente treinada, nesta nova legislatura tem a obrigação de manter a mesma vigilância.

Todos os comentários

  1. Comentou em 03/02/2007 Kleber Carvalho

    Como o OI é um espaço teoricamente bastante democrático, ele abre espaço para que pseudo-observadores que se intitulam os donos do saber eterno, possam atacar de maneira sistêmica quem discorda de alguns artigos ou articulistas, atitude típica de quem tem como objetivo reduzir a discussão apenas a comentários jocosos sobre os leitores que não contemplam suas aspirações políticas, e para piorar , seus comentários são repletos de chavões e retóricas semiacabadas retiradas da recém aberta cratera, no quintal da casa do trio tucano , a saber: O Farol de Alexandria(FHC), picolé de chuchu, e o maior economista do hemisfério sul José Terra, aquele que chefiava os sanguessugas, premio nobel de vampirismo.

  2. Comentou em 02/02/2007 Francisco Bezerra

    Quer outro ‘dado histórico de grande relevância’ a que ‘a mídia não prestou muita atenção ‘? O PT sempre teve nas pesquisas de preferência partidária do eleitorado algo em torno de 23% (o PMBD vem sempre em segundo e sempre sobram uns míseros 7% para o PSDB). Apesar disso a mídia e seus defensores , por motivos fúteis na maioria das vezes, sempre vislumbram o seu fim. Podem esperar sentados. A depender do resultado de ontem na Câmara ( e do Senado ), ‘o futuro do PT’ vai ser muito bom, obrigado! Mas aposto que o DInes e outros tantos ‘especialistas’ de ‘o fim está próximo’ para O PT, farão análises paradoxais sobre o que de negativo essas vitórias trarão ao PT. Estou esperando.

  3. Comentou em 01/02/2007 Roaldo Luís Valiati

    Deu Arlindo na cabeça. Mais uma derrota pra torcida organizada do contra.

  4. Comentou em 01/02/2007 José da Silva

    Vocês desconhecem a capacidade dos políticas se superarem. Que Deus tenha piedade de nós.

  5. Comentou em 01/02/2007 Kleber Carvalho

    Dines, você afirma que a mídia agora está devidamente treinada, talvez fosse melhor você usar o termo ‘domesticada’ ficaria bem mais fácil para o leitor.

  6. Comentou em 01/02/2007 Paulo Mora

    Fiz um comentário anterior cujo conteúdo não foi publicado, possivelmente porque feri os termos de boa conduta/escrita. Tentarei novamente.
    Acredito que o articulista (mais uma vez) toma acusações panfletárias como vereditos transitados em julgado, perpetuando o maniqueísmo onde ‘todo deputado é desonesto’ ou ‘todo petista é aloprado’ ou (mais famoso) ‘todo crítico da mídia é petista ou desprovido de inteligência’. Discordo, acho que a avaliação é tendenciosa, como a maioria da mídia atual. Mas não toda, é bom ressaltar.

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