Segunda-feira, 22 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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JORNAL DE DEBATES >

O ‘melhor’ entre os piores

Por Fernando Schweitzer, de Buenos Aires em 09/06/2009 na edição 541

Não foi uma Casa dos Artistas, mas pode passar a ser. Ao revés desta, o reality A Fazenda estreou com alarde, sirenes e o que mais queiram enumerar os meios para o seu lançamento. Recordemos que a casa de seu Silvio estreou sem anúncios expressos de qual programa seria colocado ao ar. Fato que pegou a poderosa de surpresa.


O programa consolidou a média de 44 pontos no geral. No período em que o programa foi exibido, o Fantástico da Rede Globo, principal concorrente do horário, viu sua audiência cair para 28 pontos. Sua grande final obteve 52 pontos no Ibope, uma grata surpresa para o SBT. A vencedora da 1ª edição foi a atriz Bárbara Paz, que ao sair tornou-se a principal estrela da novela Marisol, da emissora. Atualmente, Bárbara Paz tem contrato com a Globo, fez participação especial no seriado policial Força Tarefa e ainda terá um papel na próxima novela do horário nobre, Viver a Vida, do autor Manuel Carlos.


No casa atual, e graças aos mil boatos plantados na mídia pela própria Record quanto aos participantes possíveis desta ‘grande novidade’ midiática, a emissora carioca, com medo, buscou blindar-se. Durante a noite de domingo, a Globo manteve uma distância de cinco a oito pontos da Record, que conseguiu o segundo lugar na audiência com a estréia do reality show. Mudando de horários alguns programas, cortou comerciais, emendou programas, mostrou apresentadores interagindo e, por fim, conseguiu desbancar a Record na audiência. Ainda segundo a ‘Ooops!’, a estratégia começou com a junção de Faustão com o Fantástico, sem intervalos comerciais. Para atrair os espectadores, o programa começou com uma matéria sobre a Índia, seguida por uma reportagem exclusiva com o casal Alexandre Pato e Stephany Brito. Depois, exibiu uma reportagem sobre a caloura Susan Boyle.


Um objetivo inóspito


Os Marinhos desta vez não dormiram na toca, como diria minha bisavó. Agora ao pensar estrategicamente uma média de 16 pontos em São Paulo para este formato de programa, onde se perde o boom da estréia apresentando enfadonhamente os participantes entre conhecidos e semi-conhecidos pelo povo, está até que muito bom. Ao se considerar também que houve, segundo dados preliminares, momentos em que o reality conquistou a liderança por aproximadamente 15 minutos. No horário das 20h59 às 23h24, a Record marcou uma média de 16 com pico de 21; Globo liderou com 23; SBT 11 e, RedeTV!, 7.


Neste cenário acirrado, incluso com momentos onde o Pânico na TV chegou ao 2° posto, ora em empate com a Globo, ora com a Record, e SBT com o Domingo Legal encostava. E ao estilo BBB, o Recordino também tem suas versões pela semana, onde o reality aparece com pico de 18 pontos de audiência. No horário entre 20h54 e 21h36, obteve média de audiência de 13 pontos, com pico de 18 e share de 19%. Informação da assessoria de imprensa da Record.


Já muito se falou, bem e mal, da audaz intenção da rede da Barra Funda de um dia tornar-se líder e de isto ser uma façanha lerrana, agora que alçando este objetivo inóspito tem se garantido como segunda emissora do país há um bom tempo, fato inédito desde a fundação do Sistema Brasileiro de Televisão também deve ser valorado.


A função dos bucéfalos


Antes que me questionem quanto ao tema ‘qualidade na TV’ ou o que for, digo que já desisti de abordar este mesmo. Estamos fadados a um mundo de substração e incoerência. E é dentro deste mundo atual que eu profiro esta que pode ao mesmo tempo ser a frase do século ou a gafe do milênio. ‘Se bem produzido, um programa com um conteúdo de estrume pode se tornar um caviar midiático.’


Filosofei isso hoje: se é supérfluo ver Big Brother, é menos supérfluo ver A Fazenda. Pois não creio que devamos comparar artistas com criaturas que sem a menor formação pretendem sê-lo. Me chame de louco quem puder, ou melhor, quem tiver argumentos. Ou será possível que pessoas que deveriam ser ao menos hipotéticamente representantes de alguma forma de arte ou expressão tenham menos a dizer que bucéfalos – que talvez nem Deus saiba que função têm ou quiçá um dia terão no mundo.

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Ator, diretor teatral, cantor, escritor e jornalista

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