Terça-feira, 19 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

ENTRE ASPAS > POLÍTICAS DE REGULAÇÃO

O pior pesadelo da imprensa

Por Luciano Martins Costa em 25/10/2010 na edição 612

Instalada no centro dos debates da disputa eleitoral deste ano, acusada de se misturar aos núcleos de campanha, a chamada grande imprensa brasileira vê concretizar-se nos últimos dias o pior de seus pesadelos. Segundo a Folha de S.Paulo, em manchete na edição de segunda-feira (25/10), pelo menos quatro estados levam adiante projetos de controle social da mídia.


O primeiro a anunciar medidas nesse sentido foi o governador reeleito do Ceará. Agora, noticia a Folha, também os estados de Alagoas, Bahia e Piauí se preparam para criar conselhos de monitoração da mídia.


A reportagem do jornal paulista lembra que a criação dos conselhos de comunicação foi recomendada pela Conferência Nacional de Comunicação, realizada no ano passado por iniciativa do presidente da República.


No último dia 19, a Assembléia Legislativa do Ceará havia aprovado o projeto de um organismo com a função de orientar, fiscalizar, monitorar e produzir relatórios sobre a atividade dos meios de comunicação. A moda pegou e iniciativas semelhantes começam a se reproduzir.


Interesse menores


Onde já existem conselhos consultivos, como no caso de Alagoas, a legislação está transformando em conselhos deliberativos, com poderes semelhantes aos que foram aprovados no Ceará. A diferença é que os conselhos consultivos podem apenas recomendar às empresas de comunicação mudanças em seus conteúdos, quando for considerado que eles agridem os direitos dos cidadãos. Já os conselhos deliberativos têm poder para tomar medidas efetivas, com base na lei das concessões.


O grande temor das entidades representativas da mídia se refere à ampliação das atribuições desses conselhos e a eventuais interferências nos processos editoriais. Algumas dessas entidades da imprensa têm reagido de forma agressiva a qualquer iniciativa que considerem controle externo.


Até mesmo os Indicadores Ethos de Responsabilidade Social para Empresas de Comunicação, criados em conjunto por integrantes do Instituto Ethos e representantes das empresas jornalísticas, foram esvaziados por iniciativa de dirigentes de jornais há dois anos.


Neste ano, a intenção anunciada de criar o órgão de auto-regulação também foi abortada pelos grandes jornais.


Ao radicalizar sua postura contra qualquer tipo de regulação, a imprensa acaba por justificar a pior espécie de controle: aquele que se faz através de entidades regionais, que são muito mais sujeitas a interesses políticos menores e mais vulneráveis à ação de governantes interessados em manipular a imprensa.


 

Todos os comentários

  1. Comentou em 26/10/2010 Leonel Paulo do Amaral

    (continuando)
    A imprensa provou varias vezes cometer serios equivocos quando se envolve na politica (vide collor, FHC, Yeda Crusius, ACMs, Sarneys e tantos outros).
    A midia nao informa, manipula informacao. Por isso, nao tenho duvida que precisa de regulamentacao e controle etico, principalmente.

  2. Comentou em 25/10/2010 Washington Ferreira

    Caro Ibsen, gostaria muito de ler o seu comentário. Poderíamos, juntamente com os outros internautas, desenvolver um bom debate sobre a questão levantada pelo Luciano. Quanto aos trolls, esqueça-os. São ruins da cabeça e doentes do pé.

  3. Comentou em 25/10/2010 Wendel Anastacio

    Este blá, blá, blá, somente reforça minhas certezas, qual seja: jamais confundir liberdade de expressão com liberdade de patrão! O que temos visto ultimamente nesta mídia nativa, escrota, é a liberdade de assassinar reputações, mentir, difamar, caluniar, manipular enfim denegrir/desconstruir os poderes constituídos, como se fosse a única espécie acima do bem e do mal!
    Quisera estar aquí escrevendo elogios, ao invés de críticas ácidas, mas ela só nos dá motivos para assim proceder, tendo em vista seu comportamento! Todo movimento que se fez, em qualquer época para disciplinar esta arrogância, sempre encontrou obstáculos, pois além do lobby ser forte no Congresso, e muitos congresistas serem donos de canais de rádio e televisão, sempre tiveram o ‘rabo preso a estes veículos e sempre barganharam seus discursos!

  4. Comentou em 25/10/2010 Max Suel

    Atenção consultor Marcio: obscurantista Max presente !! A Imprensa não precisa de controle e controladores. Os rádios e as TV s não precisam de controle e controladores. Basta a Lei. Esse papo furado de ‘controle social da midia’ é CENSURA mesmo. Quem é que vai fazer o tal ‘controle’ : os grupelhos petistas e satélites de sempre ? as ONG s companheiras que vivem do ‘governamental’ apesar de se dizerem ‘não governamentais’ ? os Sindicatos companheiros ? as ditas ‘organizações sociais’ organizadas sempre nos moldes petistas ? Esse papo é manjado. Custa crer que artigo neste OI defenda esta Censura … na verdade … é até esperado, dado o aparelhamento esquerdo-petista neste OI, onde este articulista abusa do direito de ser parcial. CENSURA , CENSURA, CENSURA SIM. Já tentaram diversas vezes e não desistem; os modelos desta turma são Himmler / Goebels ; Lenin / Stalin ; Castro / Castro . Cabe aos verdadeiros jornalistas deste país levantar um brado de BASTA para esta turma.

  5. Comentou em 25/10/2010 Marcio Augusto

    Luciano, bom dia. Vale lembrar que dois Estados entre os citados, visando a um acompanhamento da midia, são governados pelo PSDB. É bom que se esclareça isso, antes que tenhamos que ler as baboseiras de sempre sobre Cuba, Venezuela etc. Outra coisa: o que se propõe na Ceará que causa urticária à mídia são duas coisas: A) No caso de canalhice explícita dos meios de comunicação -casos de Proconsult e Escola Base-, os mesmos poderão ser processados; e B) Estimular uma visão crítica dos leitores ou espectadores. Para os poderosos de sempre, o direito à distorção deve ser permanente. Podemos ler O Estado de SP, em sua campanha vergonhosa anti-Dilma, e devemos aceitar, sem qualquer reparo. Isso é liberdade de imprensa, claro.

    A mídia deve, assim como a Publicidade, ter seu CONAR. Mentiu deve ser processado, por calúnia e difamação. Ponto.

    Curioso que não li um só comentário de alguém que tivesse lido a proposta aprovada por unanimidade (incluindo gente do PSDB), no Ceará. Como sempre, os papagaios tentam dar o tom ao tema.

    Em tempo: esse será um dos factóides da semana, com certeza, o perigo de nos tornarmos uma Venezuela. Ridículo e óbvio.

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