Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

JORNAL DE DEBATES > ECOS DO REFERENDO

O que dizem os jornais italianos

Por Giulio Sanmartini, de Belluno (Itália) em 31/10/2005 na edição 353

Depois de três anos da eleição de Luiz Inácio Lula da Silva como presidente da República Federativa do Brasil, este Observatório publicou seis artigos provenientes da mídia italiana [ver remissões abaixo]. Quatro foram do Correire della Sera, certamente o mais importante jornal do país com seus 130 anos de circulação ininterrupta. É um típico jornal de centro, portanto não tinham nem simpatias nem antipatias pelo presidente ex-operário, mas o título de seu primeiro artigo passados os fatais 100 dias de governo diz tudo: ‘Já terminou a ‘Lula’ de mel’ – em que faz críticas às promessas que Lula não está cumprindo nem conseguirá cumprir.

Os outros dois artigos originam-se de la Repubblica, um jornal que em apenas 30 anos de vida conseguiu torna-se o segundo em importância, e recusaram a proposta de tornar ilegal a aquisição de armas votando ‘não’ ao referendo. Uma derrota clara e em parte também inesperada, porque há dois anos, quando o Parlamento brasileiro aprovou a primeira lei que regula a compra de armas, os favoráveis a um embargo total eram, segundo as pesquisas de opinião, uma clara maioria.

‘A tendência favorável à proibição, num país onde há 32 mil homicídios por ano com armas de fogo (20% do total mundial), foi modificada nas últimas semanas, às vésperas do referendo, e não obstante o governo negar qualquer influência política no resultado final, não se pode excluir que o escândalo dos financiamentos ilegais ao partido do presidente tenha tido grande importância na escolha dos brasileiros.’

Danos à popularidade

O artigo continua mostrando que o ‘sim’ foi derrotado mesmo tendo apoio da igreja, de várias organizações não-governamentais e da Organização das Nações Unidas. E que foi também uma derrota de toda a esquerda brasileira, pois foram formadas duas frentes perfeitamente delineadas: a direita contra o embargo e a esquerda, favorável. E finaliza o texto:

‘Enfim um dado sociológico: votando numa enorme maioria contra o embargo, com pontas de 80%, foram as regiões mais ricas do Brasil, ao sul do Rio de Janeiro. Aquelas onde a esquerda está historicamente no governo e onde os argumentos a favor do embargo deveriam ter mais simpatizantes.’

O artigo vem ilustrado com uma fotografia de Lula e, abaixo, um gráfico: ‘Popularidade em declínio’. Outubro de 2002: com 61%, Lula é eleito presidente do Brasil. Março de 2005: 55%, o presidente desilude no campo econômico e ambientalista, começa a queda nas sondagens. Agosto de 2005: 39%, os escândalos de corrupção no partido de Lula, ferem a imagem do presidente.

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