Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

JORNAL DE DEBATES > MÍDIA & ACADEMIA

O que é notícia e o que é pesquisa

Por Alberto Dines em 02/03/2007 na edição 422

Na entrevista do cientista político Fábio Wanderley Reis ao site do Observatório da Imprensa, ele acusa a mídia e a academia de se entrosarem num coro que tem muita indignação, mas pouco estudo sério (ver aqui).


O emérito professor comete uma injustiça e dois equívocos. A função da imprensa é justamente esta, de vocalizar a indignação – isso vale para a imprensa brasileira ou qualquer outra num Estado democrático. Pretender que a imprensa produza ‘estudos sérios’ todos os dias é ignorar a sua função de noticiar o que aconteceu.


A imprensa faz as primeiras avaliações. Quem tem obrigação de produzir estudos sérios é a academia. E se a academia hoje está mais empenhada em produzir brigas do que debates sérios – como mostrou o professor Renato Janine Ribeiro, na terça-feira (27/2), em nosso programa de TV – a culpa não é da mídia, mas da academia (ver aqui).


Mistério a desvendar


É verdade que certos setores da nossa imprensa, como os semanários de informação, perderam qualidade. Os analistas de política ou economia, obrigados a produzir três ou quatro comentários por dia, às vezes escorregam na ligeireza. Mas as edições de domingo dos grandes jornais brasileiros oferecem excelente material para reflexões, como lembrou recentemente o jornalista Luiz Weis, em nosso site (ver aqui).


A mídia produziu o milagre de manter a sociedade mobilizada ao longo de um mês inteiro em torno da questão da violência e obrigou a classe política a encarar esta questão com um senso de urgência incomum. Quem ainda não conseguiu fazer coisa alguma é o governo. Mas esse é um mistério que o professor Fabio Wanderley Reis poderia nos ajudar a esclarecer.

Todos os comentários

  1. Comentou em 02/03/2007 alfredo sternheim

    Não foi a mídia que manteve a sociedade mobilizada em torno da violência: foi a própria violência que se repete de formas diferentes (atentados, assaltos à bancos, humilhação à passageiros de ônibus assaltado, etc). E qual governo que não fez coisa alguma? É fácil generalizar, mas é grave. E Dines generaliza, talvez porque o colunista, como outros, obrigado a escrever muito por dia ‘escorrega na ligeireza’ como Dines afirma. O ideal seria trocar os colunistas cansados, ou fazê-los escrever menos. Mas, por vaidade ou por outras razões, os colunistas diários não arredam pé de seus espaços, de seus ‘achismos’. E muitos se repetem com suas ironias e com suas obsessões. A mídia faz muito proselitismo em cima da violência, as vezes resvala no sensacionalismo, ao mesmo tempo deixa de destacar fatos graves como, por exemplo, o concurso que abre vagas para jornalistas (mais de 100) no Congresso Federal a 9 mil por mês. Acima do salário médio. A categoria colabora para o inchaço da máquina pública e vejo pouca indignação entre os jornalistas que sempre se mostram indignados. Por que essa ausência de indignação? Coorporativismo? Rabo preso? Em tempo: para não dizerem que sou petista, lamentável saber que o senador Suplicy paga 9 mil por mês para a assessoria de um economista que fica em SP, trabalho que não é mensal Esse pagamento com dinheiro públicoé legal mas é um deboche. Foi mal.

  2. Comentou em 02/03/2007 Marcelo del Questor

    Numa extraploação do que foi exposto pelo cientista político, penso que, o sentido em que foram postos seus argumentos, o mesmo se refere a essa ‘primeira avaliação’, essa ‘ligeireza’, essas ‘escorregadelas’ que a mídia sofre. Essa rapidez em ‘noticiar’ que a imprensa possui não é tão rápida assim. Tudo que é publicado em qualquer jornal, seja impresso ou televisado, passa por uma cuidadosa avaliação. Nada vai a esmo para esses veículos. Certo é que tal avaliação se detém no lucro. Fato também que a imprensa faz ‘estudos sérios’, quando lhe convém. Haja vista a matéria que falou sobre o poder farejador dos cães, quando do evento da tragédia do metro de São Paulo, ou sobre as abalizadas informações desferidas pela imprensa sobre o PAC, mesmo antes do mesmo ser publicado, ou as contestações emitidas mui tecnicamente por Dines sobre a tragédia com o avião da Gol. E como é costumaz para essa nossa seletiva imprensa, na entrevista com o professor Renato Janine Ribeiro, em nenhum momento o mesmo isentou a imprensa, como fez hilariamente parecer Dines. Que alias, transforma-se no alvo de chacota no meio jornalístco, por sua pouca ‘finesse’ e falta de dissimulação ao tentar erguer essa sua ‘cruzada’ contra o governo, que lhe dedica um solene silêncio, acomapnhado de uma total e gélida indiferença. O mesmo, seja a comando ou seja por se achar um novo Lacerda é motivo de riso.

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