Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

JORNAL DE DEBATES > THE NEW YORK TIMES

O que o jornalão não disse no escândalo McCain

26/02/2008 na edição 474

Na medida em que se aproxima a nomeação dos candidatos democrata e republicano à presidência americana, a cobertura jornalística – e a atenção do público – foca cada vez mais em questões políticas. Em sua coluna de domingo [24/2/08], o ombudsman do New York Times, Clark Hoyt, tratou do polêmico artigo sobre um suposto affair do pré-candidato republicano John McCain com a lobista Vicki Iseman há oito anos, na primeira vez em que ele concorreu à Casa Branca. Ambos negam a veracidade do boato, mas, ainda assim, os assessores do favorito republicano o teriam aconselhado a evitar ao máximo o contato com ela.

Bill Keller, editor-executivo do diário, declarou que o artigo publicado na semana passada era sobre ‘um homem que deu a volta por cima em um escândalo [em 1991], mas não liga para o que pode afetar sua reputação, e isto é algo importante para alguém que quer ser presidente dos EUA’. Esta opinião não é compartilhada por muitos leitores, que consideraram que a matéria tratava de sexo ilícito e ficaram furiosos com a postura do NYTimes. Marilyn Monaco, da Filadélfia, estava entre os 2.400 leitores que comentaram a polêmica no sítio do diário, acusando-o de ‘criar uma distração para uma campanha até então substancial’. Foram poucos os leitores que postaram comentários elogiando o artigo.

Sem provas

Ao publicar a controversa matéria sem evidências concretas do romance extraconjugal de McCain, o NYTimes envolveu-se em uma posição nada agradável. O trecho que causou polêmica no primeiro artigo afirmava que, durante a primeira campanha presidencial de McCain, há oito anos, alguns de seus assessores ‘estavam convencidos’ de que ele teria uma relação ‘romântica’ com a lobista e, por isso, teriam tentado afastá-la para proteger o candidato. Em um segundo artigo, o NYTimes tentou fazer pouco caso das alegações, afirmando que o primeiro texto tratava dos ‘vínculos’ de McCain com Vicki e sua ‘amizade’ com ela – o termo ‘romance’ só foi usado em uma citação de uma pergunta feita a McCain em uma coletiva de imprensa.

Para Hoyt, os dois artigos do jornalão deixaram de esclarecer diversos pontos: eles não revelam o que levou os assessores de McCain a acreditar que ele tinha um caso com a lobista; também não deixam claro o que o pré-candidato quis dizer quando afirmou ter tido um ‘comportamento inadequado’, se referia-se a um affair ou apenas a uma associação com uma lobista, o que seria ruim para sua imagem; além disso, não dizem se a única fonte identificada nos textos acreditava que havia de fato um romance.

Quatro repórteres investigativos da sucursal de Washington trabalharam na história por meses, mas, na opinião de Hoyt, não havia motivos para a publicação do artigo – já que não havia provas físicas das alegações. O ombudsman elogia o trabalho e o esforço dos jornalistas e acredita que, se não puxasse pelo tema ‘sexo’, o jornal teria nas mãos uma boa história, já que não seria a primeira vez que McCain se envolve em um caso de suspeita de favorecimento. Em 1991, ele foi reprimido pelo Comitê de Ética do Senado ao tentar influenciar reguladores do setor bancário em nome de Charles Keating, agente financeiro de empréstimos e investimentos posteriormente condenado por fraude. McCain, que era amigo de Keating, conseguiu dar a volta por cima e construir uma imagem de lutador contra a corrupção política.

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