Terça-feira, 17 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

JORNAL DE DEBATES > 11 DE SETEMBRO, 10 ANOS

O que o Observatório publicou

Por Luiz Egypto em 12/09/2011 na edição 659

A edição nº 138 do Observatório da Imprensa estava prestes a ir para a web na manhã de terça-feira, 11 de setembro de 2001. À época, embora disponíveis às terças, as edições do OI “circulavam” com data de capa de quarta-feira. Naquele dia, a rotina matinal de produção foi interrompida pelos sinais de que algo não ia muito bem na ilha de Manhattan, onde tudo indicava ter um avião se chocado com uma das torres do World Trade Center. Mas o trabalho prosseguiu.

A manchete daquela edição do OI era “Crise Econômica / Recessão mundial fecha jornais“. As outras chamadas escolhidas para a home eram “Moleza & Credibilidade / O mundo parou no feriadão”, “ABC pede desculpas / Notícias de uma guerra distante“, “Shopping do ensino / Professores ameaçados de demissão“ e “Turma da Mônica / Os brutos também lêem quadrinhos“. O índice estava bem fornido de artigos sobre assuntos variados. O olhar do editor dividia-se entre o monitor do computador e a tela da TV ligada ao desastre havido em Nova York, onde – agora se confirmava – às 9h46, horário de Brasília, um avião de grande porte havia se chocado com a torre norte do World Trade Center.

Tudo deixou de fazer sentido quando pipocaram as primeiras notícias sobre aviões sequestrados nos Estados Unidos e, 18 minutos depois do primeiro choque, no momento em que o voo 175 da United Airlines atingiu em cheio a torre sul do WTC, num feérico espetáculo de horror exibido ao vivo e em cores para um mundo atônito.

O terrorismo chegara à sua forma paroxística, com ampla cobertura da mídia – e também por isso. As chamadas e a ilustração daquela home page do Observatório foram "derrubadas" e substituídas por uma página all type. Ali, sob o título “O Apocalipse”, apareceu o seguinte:

“Nada a comentar, tudo irrelevante, irrisório e redundante neste negro setembro mundial.

“No passado, saíamos à rua para comprar jornais e saber o que se passava. Agora, somos empurrados para casa juntando farrapos de informações que chegam pelos monitores, rádios, telefones.

“E imaginando uma segurança definitivamente implodida.

“Neste aconchego às avessas fomos convertidos em observadores – não apenas da imprensa e da mídia, mas de um mundo de repente menor e virado de cabeça para baixo. A vida continua, mas amanhã será tudo diferente.”

Dito e feito.

***

A seguir, uma seleção de links para o material aqui publicado na sequência dos atentados do 11 de Setembro.

Edição 139 #19/9/2001

Anotações de um observador atônito – Alberto Dines

Informação inteligível em lugar dos tambores de guerra – Ulisses Capozoli

Sobre verdades e bobagens – Nelson Hoineff

A faca e o avião – Deonísio da Silva

E as vítimas? Ajudar ou reportar? – Arnaldo Dines

O chargista perplexo e a arte da guerra – Spacca

Boa e velha TV supera internet – Antônio Brasil

Sob os olhos das câmeras

Sobriedade, exageros e males da primeira dentição – Marinilda Carvalho

Não parecia cinema: era cinema – Paulo José Cunha

O que incomoda na revista Veja – Luiz Antonio Magalhães

Jornalismo online, a prova de fogo – Raphael Perret Leal

O sentido do ataque – Telma Domingues da Silva

Só vendo para crer – Beatriz Singer

Terror, título em uma palavra

Decisão sobre imagens chocantes

Edição 140 # 26/9/2001

A mídia como campo de batalha – Alberto Dines

Cobertura de guerra / White plates press – Luiz Weis

Fragilidades da cobertura online – Beatriz Singer

Precisamos ser ajudantes de xerife? – Paulo José Cunha

Edição 141 # 3/10/2001

A volta da “cascata” / Uma cobertura para não esquecer – Alberto Dines

Terror & Horror / De Schwarznegger ao Afeganistão – Muniz Sodré

A primeira estrela da guerra – Nelson Hoineff

Jornalista brasileira invade o Afeganistão – Antônio Brasil

Edição 142 # 10/10/2001

Patriotismo e patrulhas na mídia americana – Arnaldo Dines

Edição 143 # 17/10/2001

Antraz coloca mídia na linha de frente – Alberto Dines

Das trapalhadas da Casa Branca – Alberto Dines

O canal al-Jazira não é modelo de objetividade – Alberto Dines

Informação em defesa da vida – Nelson Hoineff

Nada de novo na frente – Luís Edgar de Andrade

TV árabe sofre pressões dos EUA – Claudinê Gonçalves

Conceitos do al-Jazira confrontados em debate – Alberto Dines

Imprensa em tempos de cólera – Luiz Weis

Edição 145 # 31/10/2001

Mídia esquece a mídia nos ataques de antraz – Alberto Dines

Bioterrorismo em empresas jornalísticas – Beatriz Singer

Liberdade de imprensa em tempo de guerra – Iluska Coutinho

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