Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

JORNAL DE DEBATES > IURD vs. IMPRENSA

O segundo chute na santa

Por Nelson Hoineff em 26/02/2008 na edição 474

A decisão da Igreja Universal do Reino de Deus de intimidar a imprensa por meio do conjunto orquestrado de ações contra a jornalista Elvira Lobato e diversos jornais – entre eles O Globo, Extra e Folha de S.Paulo – é em si um dos mais graves atentados contra a liberdade de expressão já cometidos no Brasil. Pior talvez tenha sido a iniciativa de usar o jornalismo da TV Record (Domingo Espetacular, 17/2) para desfechar um inédito ataque de 15 minutos contra a repórter da Folha.


Pior, porque a Record admitiu aí o que vinha tentando negar há anos: a ligação direta entre a emissora e a Igreja Universal. Pior, porque utilizou jornalistas – que deveriam estar ali para praticar jornalismo – com o propósito de participar de uma campanha contra o próprio direito de praticar o jornalismo. Pior, finalmente, porque utilizou a força da televisão aberta no país para disseminar um cardápio de cunho fundamentalista entre camadas particularmente pouco educadas da população.


A utilização do jornalismo da Rede Record para este fim ergue uma enorme barreira para que a emissora conquiste a credibilidade necessária para demonstrar que seus recentes saltos de audiência não são efêmeros. Essa é uma questão particularmente delicada para o futuro da TV aberta no país – e para a participação dos anunciantes no que vinha sendo uma alternativa à hegemonia da Globo no setor. Desde que apostou na clonagem da Globo como meio para ganhar fatias expressivas de sua audiência, a Record se expandiu por todos os lados. Aumentou em quase 50% sua participação no mercado, construiu núcleos de dramaturgia fora de São Paulo e aumentou consideravelmente o seu índice de profissionalização.


Um ‘milagre’ registrado


A estratégia de se tornar mais parecida com a Globo do que a própria Globo deu certo. Uma das ferramentas mais importantes para isso foi justamente o jornalismo. A emissora ampliou fortemente sua participação nessa atividade e criou a primeira rede aberta de notícias do país. Teve a seu favor uma histórica desconfiança popular em relação ao jornalismo de sua maior concorrente – além do folclórico desinteresse de Silvio Santos em caminhar neste sentido.


Escancarar o tipo de ‘jornalismo’ que a Record produziu na edição do Domingo Espetacular de 17/2 é de longe o maior erro estratégico cometido pela emissora desde que foi adquirida por Edir Macedo. O preço para consolidar a Record como porta-voz da Igreja Universal, particularmente em meio a um grande movimento de repressão à liberdade de expressão, provavelmente se revelará alto demais para a própria igreja. Seus efeitos tendem a ser mais devastadores que os do chute na santa.


O episódio, como muitos se recordam, ocorreu em 12 de outubro de 1995, dia de Nossa Senhora da Aparecida, a padroeira do Brasil. O bispo da Igreja Universal Sergio von Helde atacou uma imagem de Nossa Senhora a pontapés, dizendo que aquilo nada mais era do que um monte de barro, ‘um bicho tão feio, tão horrível, tão desgraçado’. Os efeitos foram devastadores.


Apesar de o programa ter ido ao ar durante a madrugada, a imprensa o repercutiu e a reação popular foi enorme. A Igreja Universal não se manifestou oficialmente, mas o bispo Macedo teve que vir à cena pedir desculpas aos católicos. O bispo von Helde foi transferido para a África do Sul. Mais tarde, correu o boato – nunca confirmado – de que ele havia se convertido ao catolicismo, fato que, de qualquer maneira, a dupla Felipe e Falcão cantou em O Milagre da Santa, gravado em 2000.


Investida contra a sociedade


O chute na santa foi também o estopim que a Globo esperava para desfechar uma grande campanha contra a Igreja Universal, que incluía a divulgação de imagens de bispos tramando os métodos para tomar dinheiro dos fiéis, além de denúncias sobre enriquecimento ilícito de membros da igreja. As reações incluíram ainda, ironicamente, o ajuizamento de dezenas de ações por todo o país contra a Universal.


Os resultados foram menos devastadores do que a Globo esperava. Sobreviver foi quase um milagre, mas ainda assim a igreja levou anos para se recuperar do golpe. Na Record, ninguém mais chutou publicamente santa alguma. Contudo, a influência da igreja junto à programação se tornou cada vez mais explícita. Foi justamente o jornalismo que serviu de aval para manter a aparência de independência da emissora em relação à igreja (com a qual, em tese, a Record não mantinha vínculo algum, exceto o comercial, representado pela compra de espaços durante as madrugadas).


O fim da era Boris Casoy veio junto com uma campanha agressiva e bem-sucedida para tomar a vice-liderança de um SBT engessado e envelhecido. A Record se fortaleceu e passou a criar atritos politicamente convenientes com a líder, encostando nela freqüentemente e empurrando o mercado nessa direção. A credibilidade de um jornalista como Casoy jamais foi substituída, mas a imagem de independência perdurou em grande medida até o domingo (17/2).


A execração primária de uma jornalista como Elvira Lobato vai além de picuinhas comerciais com empresas do porte da Globo, da Folha, do SBT. Aponta para a manipulação grosseira de profissionais do jornalismo que atuam dentro da emissora e para a intimidação de jornalistas que atuam fora dela. Isso nada tem a ver com fé, mas tem tudo a ver com ética e com a observância de preceitos constitucionais. Ao atacar a jornalista da Folha com a leviandade com que o fez, a emissora investiu contra a sociedade brasileira e contra a liberdade de expressão que ela conquistou – um bicho tão feio, tão horrível, tão desgraçado.

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Jornalista

Todos os comentários

  1. Comentou em 09/04/2011 Jose Alencar

    A imprensa está abusando da explorar o tema para ganhar audiência (e dinheiro).

    Perguntas absurdas feitas a menores (apenas para arrancar-lhes lágrimas), beira a estupidez.

    Exemplos:

    — Sente saudades de seu amiguinho?

    — Como vai ser voltar para a escola?

  2. Comentou em 24/02/2009 Rodrigo Diniz

    Gostaria do contato do jornalista Jonas Paulo Negreiros, é a respeito de uma materia dele de 03/04/06 ele parece que entrevisto um pessoa chamada Reynaldo Losso e eu gostaria do contato dessa pessoa.
    o link da materia é esse :
    http://74.125.47.132/search?q=cache:-R-DLtnjzXsJ:observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=375IPB007 reinaldo losso ampex

  3. Comentou em 07/03/2008 J batista

    Os descréditos dos meios de comunicação decorre da própria falta de zelo ou observância da ética, moral e bons costumes, valores estes, vigentes na grande maioria da sociedade, base dos sustentáculos dessa sociedade. A divulgação e manipulação de matérias controvertidas, leva ao induzimento daqueles de pouco conhecimento do assunto e a conclusões equivocadas.Outrossim, ironias quando da CPI do mensalão, após o depoimento de Costa Neto, o repórter da Record, no final disse”Costa Neto disse que Lula sabia….(sic)???, encerrando a reportagem, com ironia; na inauguração da RecordNews,Edir Macedo não perdeu a oportunidade de mais um ato de discórdia, dizendo que era a vitória de Davi contra Golias, referindo-se a Globo.A propagação da intolerância religiosa pela “Record” culminando na divulgação do chute do pastor na imagem de Nossa Senhora Aparecida, bem como induzindo a outros “fieis”não esclarecidos de que os católicos adoram imagem, sendo que aqueles que tem fé, sabe que a demonstração da fé transcende a mera imagem de barro, assim como a foto de um ente querido.

  4. Comentou em 07/03/2008 J batista

    Os descréditos dos meios de comunicação decorre da própria falta de zelo ou observância da ética, moral e bons costumes, valores estes, vigentes na grande maioria da sociedade, base dos sustentáculos dessa sociedade. A divulgação e manipulação de matérias controvertidas, leva ao induzimento daqueles de pouco conhecimento do assunto e a conclusões equivocadas.Outrossim, ironias quando da CPI do mensalão, após o depoimento de Costa Neto, o repórter da Record, no final disse”Costa Neto disse que Lula sabia….(sic)???, encerrando a reportagem, com ironia; na inauguração da RecordNews,Edir Macedo não perdeu a oportunidade de mais um ato de discórdia, dizendo que era a vitória de Davi contra Golias, referindo-se a Globo.A propagação da intolerância religiosa pela “Record” culminando na divulgação do chute do pastor na imagem de Nossa Senhora Aparecida, bem como induzindo a outros “fieis”não esclarecidos de que os católicos adoram imagem, sendo que aqueles que tem fé, sabe que a demonstração da fé transcende a mera imagem de barro, assim como a foto de um ente querido.

  5. Comentou em 03/03/2008 PAULO CESAR ALBUQUERQUE

    AS AÇÕES DA IURD CONTRA A MATÉRIA DA JORNALISTA EM QUESTÃO ESTÃO PERMEADAS DE ELEMENTOS DO TOTALITARISMO, DO TERROR E DA INQUISIÇÃO. LONGE DE SER UMA IGREJA CRISTÃ, A IURD SE ASSEMELHA MAIS A UMA ORGANIZAÇÃO MAFIOSA IMPIEDOSA QUE LANÇA MÃO DE TODOS OS MEIOS POSSÍVEIS E IMAGINÁVEIS ATÉ OS MAIS EXECRÁVEIS PRA SE ALCANÇAR SEUS OBJETIVOS INSANOS E DIABÓLICOS. O DIABO TEM MUITO QUE APRENDER COM O LOBO EM PELE DE OVELHA EDIR MACEDO.

  6. Comentou em 02/03/2008 nina aires

    Toda religião é proselitista por tentar convencer pessoas para que ela prossiga como instituição. Cristãos lutam para emplacar a máxima “Ide pelo mundo e pregai o Evangelho a toda criatura”. Muçulmanos têm o mesmo objetivo com seu Corão. Os mórmons têm o mesmo empenho com seus missionários. Por isso a humanidade sempre teve suas guerras e intolerâncias religiosas. Se Jesus fosse a última palavra em salvação, por que há tantas religiões que propõem outros messias? E cada adepto prossegue tentando convencer o outro a abraçar sua “verdade”. Em suma, os humanos estão sempre querendo convencer o próximo da sua visão de mundo elaborada, principalmente, pela religião herdada da família ou adquirida pela conversão tardia. No final, o Oscar vai para o relativismo. O problema é que religiões como a IURD (que não quer ser seita) buscam adeptos como quem propõe um negócio da China em nome de Deus: “Você dá sua casa própria, que Deus lhe dá duas mansões”. E muitos acreditam no conto do pastor. Mas o proselitismo da IURD já preocupa por ter proteção da nossa Constituição, que garante liberdade religiosa, livre iniciativa (para montar um negócio) e o direito à propriedade privada (acumular bens). Pena que nossa Carta Maior, leis complementares, leis ordinárias, resoluções, não contemplem simonia como crime. E não se encontra nexo legal entre práticas da Universal e estelionato. Que pena!

  7. Comentou em 02/03/2008 nina aires

    Toda religião é proselitista por tentar convencer pessoas para que ela prossiga como instituição. Cristãos lutam para emplacar a máxima “Ide pelo mundo e pregai o Evangelho a toda criatura”. Muçulmanos têm o mesmo objetivo com seu Corão. Os mórmons têm o mesmo empenho com seus missionários. Por isso a humanidade sempre teve suas guerras e intolerâncias religiosas. Se Jesus fosse a última palavra em salvação, por que há tantas religiões que propõem outros messias? E cada adepto prossegue tentando convencer o outro a abraçar sua “verdade”. Em suma, os humanos estão sempre querendo convencer o próximo da sua visão de mundo elaborada, principalmente, pela religião herdada da família ou adquirida pela conversão tardia. No final, o Oscar vai para o relativismo. O problema é que religiões como a IURD (que não quer ser seita) buscam adeptos como quem propõe um negócio da China em nome de Deus: “Você dá sua casa própria, que Deus lhe dá duas mansões”. E muitos acreditam no conto do pastor. Mas o proselitismo da IURD já preocupa por ter proteção da nossa Constituição, que garante liberdade religiosa, livre iniciativa (para montar um negócio) e o direito à propriedade privada (acumular bens). Pena que nossa Carta Maior, leis complementares, leis ordinárias, resoluções, não contemplem simonia como crime. E não se encontra nexo legal entre práticas da Universal e estelionato. Que pena!

  8. Comentou em 01/03/2008 Arno Esquivel

    Sinal vermelho para a censura do OI: fácil falar em liberdade de imprensa, esta santa do pau oco e deletar comentários dos que transgridem ideologias rasteiras. Aqui tá virando o barraco do RA ou do Nassif, que publicam só o que lhes apetecem. A menos que os censores de plantão do OI comunguem da idéia que idiotizar idioletices ‘idiológicas’ incitem intolerâcia ou crime. Não incitam: expor a idiotia dos miquinhos amestrados de qualquer (QUALQUER!)patrulha ideológica faz um bem danado à verdade (embora, reconheça, nem sempre constituem um bem aos ‘cumpanheros fideldignos ou guevarianos ou aos retábulos do FHCismo).

  9. Comentou em 28/02/2008 Ivan Moraes

    ‘É muito tempo para que essas investigações não tenham resultado’: principalmente quando dois BILIOES de reais, dinheiro de sabotagem e espionagem e corrupcao, muitissimo obviamente dinheiro tucano, apareceu na conta de um desempregado mineiro ha 3 anos, e hoje ninguem sabe nem de quem era o dinheiro nem sequer aonde o dinheiro esta nesse exato minuto. Ze fini no assunto tambem! Dois bilhoes a gente acha em toda esquina no Brasil…

  10. Comentou em 28/02/2008 Bruno Chagas

    Fábio Carvalho, você tem o link da matéria da Istoé?

  11. Comentou em 27/02/2008 Rogério Ferraz Alencar

    Prezado Fábio Carvalho: também não li o teor das investigações da PF nem do MPF. Não se pode usar dinheiro do dízimo para compra de TV ou Rádio, e não há certeza de que isso foi feito. Segundo Elvira Lobato, essa investigação já dura dez anos, e não há conclusão quanto ao uso do dízimo. Se há suspeita de uso do dízimo, pode-se suspeitar de esquentamento de dinheiro, etc e tal. Mas para se aventar isso é preciso ter indícios muito fortes. Elvira Lobato pode ser craque, mas todo craque tem seu dia de perna-de- pau. Pode ter sido o caso dela. Pode ser legítimo ela fazer suposições, e também é legítimo que se recorra à Justiça contra a suposição. O caso está em julgamento. Você se orgulharia de assinar essa matéria, e Elvira Lobato também pode estar orgulhosa, embora sofrendo um contratempo grande. Eu continuo achando que ela precipitou-se na hipótese. Agora, o principal sobre o texto de Hoineff: acho que recorrer à Justiça, neste caso, não é intimidar a imprensa nem atentar contra a liberdade de expressão. A imprensa está se fazendo de vítima e querendo a solidariedade irrestrita até do presidente da República. Guilherme Scalzilli escreveu um texto que me pareceu muito bom e sensato. Não sei porque ele não o reproduz aqui. Mas aí está o link, fornecido por ele mesmo: http://www.guilhermescalzilli.blogspot.com. Acho que vale a pena ser lido. Um abraço.

  12. Comentou em 27/02/2008 Afonso Celso

    Sr. Rogério, mais uma vez enganado: Leia o link:http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u372957.shtml. Não foi a decisão de apenas um juiz, mas sim da justiça, pois não existem duas justiças no Brasil. Já se criou jurisprudência. Em resumo: o que a IURD fez FOI SIM litigância de má fé. Aprenda o Sr. a ler mais atentamente um texto e interpretá-lo antes de escrever bobagens (como sempre).

  13. Comentou em 27/02/2008 luiz sergio carneiro

    O que me impressiona mais é a defesa destas instituições chamadas ‘não me toquem’, pois dizem o que querem, manipulam as noticias de acordo com seus proprios interesses e usam o poder que tem atraves de um verdadeiro canhão ( TV,Radio AM, Radio FM, Jornais , Revistas, TV a cabo, Tv via satelite, internet e outros meios nemos conhecidos por nós), para fazer valer o que os interessa. Não acho que a imprensa está amordaçada e que não corre risco de ser, mas todos devem saber que toda história tem dois lados e que o outro pode não concordar. Acho justo que, aquele que se sente prejudicado tem e deve procurar os meios legais para defender seu ponto de vista. Parem de se julgar absolutos e donos da verdade.

  14. Comentou em 27/02/2008 Stanley Burburinho

    …Continuação…

    Não concordo com o tal bispo e seus métodos que não são muito diferentes dos métodos das demais igrejas.

    As Organizações Globo e seus aliados vêm atacando o enriquecimento da IURD, mas conheço uma outra igreja que é muito mais rica e que até possui um país, na Europa o Vaticano, do tamanho de 44 campos de futebol, e que já matou milhares no passado e que sempre fez e ainda faz a mesma coisa que a IURD faz e ninguém diz nada.

    A escolas de samba do Rio de Janeiro (acredito que o mesmo ocorra em outros estados) têm encontrado dificuldades para compor suas alas das baianas porque quase todas as senhoras das comunidades que as escolas representam se converteram e têm se convertido ou para a IURD, ou para a Batista, ou para a Assembléia de Deus, etc, todas igrejas que têm, no mínimo, uma sede em cada favela do Rio.

    Das 764 favelas do Rio, somente uma, a favela da Rocinha, tem uma igreja católica que, mesmo assim, é anterior ao surgimento da Rocinha.

    Quantas igrejas católicas vocês já viram em favelas no Brasil?

  15. Comentou em 27/02/2008 Pedro Meira

    Muitos dos comentaristas parecem não atentar para o fato óbvio de que os fiéis da Igreja Universal não têm procuração para agir em nome dela junto à Justiça. É isso que torna ilegítimas todas essas ações contra jornais que foram ajuizadas por eles.

  16. Comentou em 27/02/2008 Pedro Meira

    Muitos dos comentaristas parecem não atentar para o fato óbvio de que os fiéis da Igreja Universal não têm procuração para agir em nome dela junto à Justiça. É isso que torna ilegítimas todas essas ações contra jornais que foram ajuizadas por eles.

  17. Comentou em 27/02/2008 João Motta

    Nelson Hoineff equivoca-se ao colocar uma questão que é da alçada da justiça como atentado a liberdade de imprensa. Orquestrações para ganhar causas na justiça são comuns (não é invenção da IURD). Walter Ceneviva, advogado e colunista da Folha escreve: ‘As ações que o empresário Edir Macedo – direta ou indiretamente – inspirou contra a Folha e contra Elvira Lobato não constituem tentativa de atentado contra a liberdade de imprensa’ Hoje mais 2 processos contra a Folha foram extintos. O articulista mistura alhos com bugalhos.

  18. Comentou em 27/02/2008 Edgard Cortes Gama junior

    No meu ponto de vista, a liberdade de imprensa deve ser sim, sempre respeitada. A jornalista Elvira Lobato tem todo o direito de exercer seu direito de liberdade de expressão em qualquer que seja o meio de comunicação. Entretanto, da mesma foram que as pessoas têm o direito de se expressar, outras pessoas também têm o direito de procurar a justiça se se sentirem ofendidas por algo que foi dito ou veiculado.
    Eu também acho que todos os que se demonstram tão indignados com os fiéis que exercem seu direito de irem à justiça por se sentirem ofendidos e acusam tanto a IURD ou qualquer outra denominação Evangélica, deveria protestar com a mesma força quando se é noticiado algum caso de pedofilia envolvendo a Igreja Católica , que não são poucos, por sinal.
    Não pertenço a nenhuma religião, nem estou do lado de ninguém e peço desculpas se ofendi alguém, mas esse é meu ponto de vista

  19. Comentou em 27/02/2008 Ary Nunes

    Nelson,
    Há vários pontos em que eu não concordo com vc, vamos a eles:
    1) Voce diz que a IURD está dando um ‘segundo chute na santa’. Ora, todos sabemos que no Brasil a imprensa não é nenhuma ‘santa’, conforme foi demonstrado na reportagem claramente tendenciosa da reporter Elvira Lobato;
    2) Liberdade de expressão presume responsabilidade. Publicar uma notícia num jornal de grande circulação, como é a Folha,com base em mera hipótese não me parece nada responsável, e já tivemos antecedentes com o caso da Febre amarela, portanto esse jornal está longe de ser ‘santo’
    3) E se o seu argumento pressume em defender a liberdade de imprensa, então não se pode criticar a repercussão que a Tv Record deu do caso,no Domingo Espetacular.
    4) A Folha é um veículo que atinge o Brasil inteiro,como tambem o é a IURD. Logo seria natural que os processos se espalhem pelo Brasil inteiro, com diferentes fiéis, sem que a ação seja, necessariamente, algo orquestrado. Pois a base de todas elas é sobre a mesma reportagem.
    E por último é bom lembrar que os fiéis estão procurando a justiça, um dos pilares da democracia, e isso é absolutamente legal. O que queria a Folha? Que os fiéis saíssem às ruas colocando fogo em banca de jornais, como forma de protesto?
    É bom deixar claro que imprensa nenhuma está acima das leis.

  20. Comentou em 27/02/2008 gilberto salvio

    estamos no início do terceiro milenio e já esta na hora de ser humano assumi8r suia responsabilidade perante o planeta e ao universo no qual fazemos parte.
    precisamos exorcisar esse deus tao explorado pelos espertalhões de todas as religiões.
    não estou contra e nem favor de qualquer religião, só estou contra a exploração da fé alheia ou melhor exploração da fraqueza do ser humano que precisa de um deus? para continuar a destruir o universo. vaidade ,tudo é vaidade.
    não precisamos de um deus(?) ilusorio, precisamos sim, é encarar o mundo real sem nenhum deus(?).
    vamos acabar com esse deus(?).
    pois somos uma particula do universo,portanto somos o universo.

  21. Comentou em 27/02/2008 João Paulo Nogueira

    Engraçado q qdo a mídia conservadora católica se manifesta no país é somente para duvidar e levantar ‘escandalos’ das igrejas evangelicas por enrriquecimento ilicito. Mas em nenhum editorial de Elvira Lobato da vida se questiona a venda de santinhos de barros e madeira promovida pela igreja católica desde a descoberta do Brasil enrriquecendo o vaticano e o papa, detalhe imagens q estão totalmente fora do contexto bíblico, hj mesmo disse q foram ‘abertos’ documentos sobre a inquisição na idade média q não revelam nada pq a igreja esconde os documentos comprometedores, não se vê na folha um linha sobre esses acontecimentos e a podridão q é a igreja q se considera ‘única’ aí querer ser chamados de imparciais????

    A mídia brasileira é católica podre e conservadora igual a igreja católica!!!

  22. Comentou em 27/02/2008 Ivan Moraes

    ‘a liberdade de imprensa parece ser uma estultice maior que as crenças em pseudo-seitas…’: sim, os nordicos teem experiencia enorme com liberdade de imprensa. De fato, adotar las no Brasil seria o maximo. Porque voce nao explica mais um pouquinho pra nos, Arnevedo? E se a IURD eh pseudo seita, voce acha que espiritismo ecssiste?

  23. Comentou em 27/02/2008 Luiz Lage

    Concordo que a Iurd agiu com algum excesso, mas pode a Folha, Globo, Estadão, Veja e outras atacarem a imagem e dignidade de pessoas e instituições e tudo ficar por isso mesmo? Não dão o devido direito de resposta, é só lembrar que a Veja sequer publica cartas com críticas.

  24. Comentou em 27/02/2008 nina aires

    A opinião do Sander é a melhor que li, em todos os posts sobre IURD-Imprensa. Diz tudo em poucas linhas.

  25. Comentou em 27/02/2008 Alexandre Cassiano

    Em primeiro lugar, quero deixar claro que não faço parte da IURD, mas quero considerar algo que o excesso de liberdade de expressão trouxe: A falta de humildade de olhar para o próprio umbigo. Infelizmente, hoje a impressa quer falar/escrever o que quiser e não ser contestada por isso. Talvez isso seja por conta de que nunca tenha existido uma repugnação por conta de uma posição sem base, apenas preconceituosa e populista gerada dentro da própria imprensa, onde afirma-se aos 4 cantos que Todo Pastor é um ladrão , ou que todos os fiéis sofreram lavagem cerebral . Hoje felizmente existe no meio evangélico pessoas esclarecidas e posição na sociedade, será que eles também foram manipulados? Enganados? Ficaram loucos? Foram hipnotizados? Entendo tudo isso como a famosa lei da física de que toda ação gera uma reação , felizmente exercida, pois isso não vai de encontro apenas como a reação de um grupo isolado, mas abre o precedente para que todo aquele que se sinta injustiçado ou recriminado erroneamente possa exercer o mesmo direito de ir a justiça e buscar a sua retratação, pois a impressa tem que entender que na maioria das vezes ela mexe com a honra de pessoas e instituições. Para isso existe a justiça, para apurar as devidas culpas e responsabilidades. Tudo isso é muito bom, pois é democrático como a imprensa pediu na época das diretas agora é hora de ser a vidraça.

  26. Comentou em 27/02/2008 Pedro Meira

    Hoineff acertou em cheio. A IURD, com esse episódio, deixou claro seu desprezo pelas liberdades de pensamento e de expressão, que para ela, só são válidas quando servem a seus interesses e preconceitos.

  27. Comentou em 27/02/2008 Izaias Silva

    Vejo que existem alguns equívocos na matéria acima :
    1) Defende-se as empresas atingidas pela réportagem praticaram ‘jornalismo’, mas chamar uma Igreja Evangélica de Seita e atacar seus membros , não é errado?
    2) Qual o verdadeiro interesse dos jornais que chamaram os mebros da Igreja IURD de ‘financiadores’ de um esquema ilícito ?
    3) Por que a matéria apenas não levantou ‘suspeitas’ sobre os líderes da IURD ao invés de colocar todos no mesmo caldeirão?
    4) Por que estes jornais não possuem a mesma veemência quando deixam de atacar padres pedófilos, assassinos de outras confissões religiosas, falsos religiosos que aplicam golpe na praça, a ‘pedição’ de dinheiro generalizada das tvs católicas e outras coisas que eles não teriam coragem de se ‘aprofundar’ ?
    5) Por que não investigam porque o atual ‘papa’ antes de atingir o cargo sonegou 25 anos de informação sobre pedófilos de sua igreja e só recentemente começou-se a punir estes religiosos que optaram pela deliquência ?
    6) Por que qualuqre assunto ligado à comunidade evangélica dever ser tratado com interesses escusos pela imprensa secular dirigida por ‘certos interesses’ e a TV Record não pode se manifestar quando a IURD é atacada ?
    Se alguém tiver capacidade e coragem para responder de maneira convicente quaisquer uma das colocações acima, que tentem !
    Espero que tenham a coragem

  28. Comentou em 27/02/2008 Arno Esquivel

    Hoineff, seu texto é perfeito, se entendido unilateralmente pela ótica da imprensa, ou melhor, da imprensa que se autodefine e que se vê como sua própria imagem e semelhança; neste escopo, caberia até uma divindade no epíteto da santa imprensa . Eu posso achar (e acho!) a IURD uma pseudo-seita mas, convenhamos, a utilização dos meios jornalísticos e legais de que a mesma dispõe para reação (sem entrar nem no mérito dessa disponibilidade) é, por princípio, legítimo. Senão, no primeiro caso, a liberdade de imprensa é uma esbórnia e, no segundo caso, um acinte contra a cidadania. É bem elucidativo o imbroglio, porque demonstra, pelas reações exacerbadas, algo bem óbvio: a liberdade de imprensa parece ser uma estultice maior que as crenças em pseudo-seitas…

  29. Comentou em 26/02/2008 Ronaldo Abreu

    Creio que a IURD seja uma empresa disfarçada de Igreja que explora a fé das pessoas. Ponto final. caso contrário não teriam a Record , QUE VISA LUCRO, teriam sim uma Tv, mas sem fins lucrativos. Oh, mas assim o Macedo não poderá retirar seus dividendos. Quanto à imprensa, é parcial mesmo, todos, mas quem não é? O que precisamos é que o povo tenha educação para saber separar as notícias tendenciosas. agora, não me venham dizer que a IURD é fraudulenta mas tem suas qualidades. Ao contrário dos Kardecistas e católicos, não possuem projetos sociais. Possuem na verdade é aliciamento para as suas igrejas, pois se você disser que é ateu, eles não ajudam, tem que ser membro da igreja. Aí é mole.
    daqui a pouco dirão que os traficantes mata, estupram,etc, mas no fim do ano dão cesta básica para o povo, e sendo assim tem seu lado útil.
    Menos, gente.

  30. Comentou em 26/02/2008 divone souza

    Vamos tocar fogo nas igrejas desse ladrão.

  31. Comentou em 26/02/2008 Jedeão Carneiro

    A Igreja Católica devia fazer o mesmo: ir à justiça pedir reparação do assassinato da reputação do Padre Julio pela mídia criminosa!

  32. Comentou em 26/02/2008 Alberto Santana

    Nunca vi tanta inversão de valores como nesse texto, vejamos:
    1 – A jornalista escreve um monte de asneiras, sobre uma instituição religiosa, e não espera retaliação?
    2 – O bumbo da imprensa mais uma vez colocou a faca no pescoço do STF, visando garantir o direito dos jornalistas continuarem acusando, distorcendo e inventando teses estapafúrdias? E conseguiu uma liminar.
    3 – Querer negar o acesso de quem quer que seja ao judiciário, sob a falsa alegação de atentado contra a liberdade de imprensa é, no mínimo, tentar dissolver o estado de direito. A dissolução de qualquer um dos poderes do estado: legislativo, executivo e judiciário extingue o estado.
    4 – Uma simples retratação da jornalista seria o suficiente.
    Transformar tal fato numa cruzada imprensa x IURD não me parece uma atitude sensata da imprensa, pois cria um clima de animosidade e ressentimento desnecessário que poderá se agravar no futuro.

  33. Comentou em 26/02/2008 Ivan Moraes

    ‘Senhores o mesmo cacete que bate em CHICO, também espanca FRANCISCO. Ou não??’: nao, no Brasil eh diferente: cacete que fala pela flor que nao se cheira a respeito de Nassif definitivamente nao fala pela flor que nao se cheira a respeito da anunciante Abril. Eu estou adorando a contradicao de ver a media tentando justificar a matematica da divulgacao dos processos (IURD x media) divididos pela nao-divulgacao de (Veja x Nassif), uma contradicao que leva a divisao por zero porque a conta esta errada PONTO. O cinismo é a arma dos incompetentes.

  34. Comentou em 26/02/2008 Nelson Efraim

    ‘O chute na santa foi também o estopim que a Globo esperava para desfechar uma grande campanha contra a Igreja Universal, que incluía a divulgação de imagens de bispos tramando os métodos para tomar dinheiro dos fiéis, além de denúncias sobre enriquecimento ilícito de membros da igreja.’
    É bom checar a informação. Naquele mesmo ano (1995), a Globo estreou a minissérie Decadência, na qual o ator Edson Celulari interpretava um líder evangélico corrupto e ambicioso – uma clara referência à Igreja Universal do Reino de Deus.
    E foi também no mesmo ano a Globo exibiu uma reportagem no Jornal Nacional na qual o bispo Edir Macedo ensinava os seus pastores como arrecadar dinheiro.
    Portanto, me parece que o ‘chute na santa’ foi uma reação – dirigida ao alvo errado – e não o ‘estopim’.

  35. Comentou em 26/02/2008 Renato Pinto de Almeida Júnior

    O interessante é que consideram essa transmutação social (ainda sem uma clara definição), como Igreja, como um organismo social religioso e cristã. No entanto, nessa aberração social, sequer os conceitos básicos do que vem a ser algo religioso (o conceito implica em uma base moral e ética, portanto, filosófica), e a cristã (uma visão de mundo alicerçado na tolerância e compreensão aos valores do próximo), poderiam ser considerados. Escândalos financeiros e fiscais, tráfico de influências, estelionato usando a fé o desespero das pessoas, além da ausência do Estado resultam nesse tipo de negócios e interesses. O que vemos então, são conseqüências de ações… de um grupo de pessoas, oriundas de uma estrutura social de base pífia. É cada vez mais difícil defender a idéia que isso é uma religião ou que é uma igreja. Mais fácil e eficiente será o entendimento dessa organização pelo código de direito penal. Nisso não existe mais dúvida…

  36. Comentou em 26/02/2008 Fabiana Tambellini

    Discordo do articulista. Não existe ameaça a liberdade de expressão nem a liberdade de imprensa. É um caso da alçada da justiça (aliás os fiéis da IURD que acionaram a Folha e a jornalista já estão perdendo onde as ações já foram julgadas). Conflitos de interesses econômicos envolvem orquestrações. A Veja e seus jornalistas, por exemplo, também estão caindo em cima do Nassif movendo várias ações. Concordo com os que apontam que o erro inicial é o Congresso Nacional ter aprovado a concessão de TV para um grupo religioso. Em minha opinião o artigo aponta questões importantes mas faz um diagnóstico equivocado ao afirmar que a liberdade está ameaçada.

  37. Comentou em 26/02/2008 jorge antonio Ferreira

    Quero parabenizar o jornalista NELSON HOINEFF pela excelente materia, pois dentro do IG povoado de certos jornalistas tendenciosos e blog de companheiro de ex prefeita, ainda encontra-se algo sadio e não tendencioso.
    Mais uma vez parabens pela coragem.

  38. Comentou em 26/02/2008 Evandro Reis

    Acredito da mesma forma que matérias tendenciosas não deveriam serem publicadas,sendo que da mesma forma acredito que esta é mais uma delas,pois,o ato praticado pelo bispo pode por muitos ser interpretado por ofença entre outras coisas mais,mas,trata-se de ter sido uma imagem católica,dai o interesse maior na matéria,pois,se ao contrário fosse algo que simbolisasse a religião evangélica,seria nada mais que uma matéria de um dia só e sem repercurssão.Pois como todos sabemos a igreja católica e a Globo andam juntas em tudo,vocês veem alguma matéria que preste ‘sobre evangélicos’ tipo enfatizando que é uma religião tão boa quanto as outras,passar na rede Globo?não ao contrário se prestarem bem a atenção esta luta é travada e não é de hoje:podem dar o nome a esta luta de Edir Macedo x Roberto Marinho(familia) ou Globo x Record,é uma ezecrando a outra,acredito que se todos tivessem mais dissernimento e tolerância coisas tão pequenas não seriam tão veementemente debatidas,temos coisas mais importantes a serem tratadas no nosso pais,muita miséria disfarçada com planos de governos corruptos.Vamos nos preocupar mais com coisas mais proveitosas,o problema está em dar muita atenção a estas coisas de credo religioso que afinal de contas é um pais livre e cada um acredita naquilo que quer.Um abraço.

  39. Comentou em 26/02/2008 Thomaz Magalhães

    Achei muito boa essa matéria do Nelson Hoineff, interpretações bem fundamentadas, em fatos interessantes.

  40. Comentou em 26/02/2008 Marcio Ferreira

    Nelson, a Globo faz isso a muito tempo… Utilizando os reporteres para promoverem novelas, atrações e interesses globais. A Record só está copiando o formato de jornalismo. O brasileiro merece empresas de comunica~ção e informação muito melhores do que as que estão aí…

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