Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

JORNAL DE DEBATES > RUAS EM TRANSE

O direito ao livre exercício do jornalismo sob ameaça

Por Jorge Antonio Barros em 11/02/2014 na edição 785

Reproduzido do blog Ancelmo.com, 10/2/2014; intertítulo do OI

Ninguém deve supor que jornalistas estejam acima do bem e do mal. São pessoas como quaisquer outras, exceto pelo fato de que em algumas circunstâncias necessitam de uma espécie de salvo-conduto para informar à sociedade. Por exemplo: na cobertura de conflitos e de guerras, os repórteres são considerados neutros, embora alguns deles sejam observadores muito próximos de um dos lados da contenda. Não foi o caso do cinegrafista Santiago Andrade, da TV Bandeirantes, que teve a morte cerebral anunciada hoje [segunda, 10/2], depois de ter sido internado no Hospital Souza Aguiar, em estado gravíssimo, na quinta-feira passada [6/2]. Santiago foi atingido na cabeça por um rojão disparado por um dos manifestantes, num protesto.

Destacado para a cobertura de mais uma manifestação de protesto contra o aumento das passagens de ônibus, no Centro do Rio, Santiago, que completaria 50 anos em 5 de setembro próximo, foi vítima de uma tragédia anunciada desde que se acirrou a violência entre manifestantes supostamente ligados ao grupo Black-bloc e policiais do Batalhão de Choque, a partir dos protestos de junho do ano passado. Foi o segundo cinegrafista da Band morto em confronto, no Rio. O outro foi Gelson Domingos, baleado por traficantes numa operação da PM, em novembro de 2011. Infelizmente o Rio torna-se um lugar cada vez mais perigoso para jornalistas no exercício de sua profissão – o que pode guardar alguma semelhança com outros lugares da América Latina.

Direito inegociável

Segundo a Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), nada menos que 102 jornalistas foram vítimas nos protestos de junho, tanto por parte de manifestantes como de policiais. Ambos os lados do confronto têm agido com violência. E era certo de que, mais cedo ou mais tarde, alguém seria morto. A primeira vítima foi um jornalista, nosso colega de trabalho, e isso nos deixa muito tristes e até revoltados. Mas o importante é que toda a sociedade se dê conta de que ninguém deve ser vítima – sejam inocentes, manifestantes, policiais ou mesmo aqueles que estão lá para cobrir as manifestações.

O direito ao livre exercício da profissão de jornalista deve ser tão sagrado quanto o direito de manifestação de toda a sociedade. O direito à vida é inegociável, em qualquer situação. Os responsáveis pelo assassinato de Santiago devem ser presos, condenados e punidos na forma da lei. Com a maior brevidade possível.

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Jorge Antonio Barros é jornalista

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