Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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ENTRE ASPAS >

O Estado de S. Paulo

29/11/2006 na edição 409

INTERNET
Wilson Tosta

Internet triplica no País, mas livrarias encolhem

‘Em sete anos, a internet triplicou, mas as livrarias recuaram no Brasil, mostra a Munic 2005, pesquisa sobre municípios divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De 16,4% dos municípios com provedores em 1999, o País chegou a 2005 com 46% (2.560) de suas cidades hospedando servidores de conexão à rede mundial de computadores. O aumento foi de 206,7%, o que coloca a web como o equipamento cultural/meio de comunicação que mais se expandiu no período. Na outra ponta do ranking, ficaram as livrarias: presentes em 35,5% dos municípios em 1999, caíram para 30,93% (1.721) em 2005, diminuição de 11,4%, último lugar entre 13 itens.

Para os pesquisadores do IBGE, o recuo das livrarias não significa que os brasileiros consumam menos livros. ‘O decréscimo (…) pode ser justificado pelo redirecionamento da distribuição de livros por diferentes formas, como lojas multimídia, supermercados, bancas de jornais, distribuição pelo governo, ou seja, o ritmo da produção de livros no País não acompanha necessariamente a evolução da presença de livrarias nos municípios brasileiros’, diz o estudo.

Houve recuo na proporção de municípios com livrarias entre 1999 e 2005 em 18 Estados, entre eles São Paulo (menos 17,5%), Minas Gerais (menos 19,2%) e Rio Grande do Sul (menos 16,6%). Em outros oito Estados, mais o Distrito Federal, houve aumento. Um deles foi o Rio: crescimento de 8,6%.

A pesquisa também apurou que 69,07% das cidades, em 2005, eram desprovidas de livrarias, e 68,95% não tinham unidades de ensino superior.

A Munic 2005 também encontrou alguns dados que surpreendem positivamente na área cultural. Por exemplo, a existência, no ano passado, de bibliotecas públicas em 85% dos municípios, o que as torna o equipamento cultural mais presente no País. ‘Consideramos pública toda biblioteca aberta ao público, não necessariamente municipal’, explicou Vania Maria Pacheco, gerente do projeto Pesquisas de Informações Básicas Municipais. Somente 840 municípios (15%) não têm bibliotecas; 3.984 têm uma (71,6%), 674 (12,11%), de duas a cinco; e 64 (1,15%), seis ou mais.

Outros dados, porém, sugerem que o País passa por uma espécie de apagão cultural. O estudo diz que, em 2005, 90,94% das cidades (5.060) não contavam com cinema; 362 (6,5%) tinham uma sala de projeção; 102 (1,83%) de duas a cinco; e 39 (0,7%), seis ou mais. O quadro é semelhante nos museus. No ano passado, eram 4.425 cidades (79,52%) sem sequer uma dessas instituições; 882 (15,85%) tinham um; 221 (3,97%), de dois a cinco; e 34 (0,61%), seis ou mais.’



EUA / MIAMI HERALD
O Estado de S. Paulo

Cartunista armado invade o ‘Miami Herald’

‘Um homem armado invadiu ontem a sede do jornal Miami Herald. Funcionários foram retirados do prédio, mas ele se rendeu após três horas de negociação – sem fazer reféns ou atirar, segundo policiais. Ele foi identificado como José Varela, um cartunista que tinha trabalhado na edição em espanhol do jornal, o El Nuevo Herald.’



HQ
Jotabê Medeiros

Lloyd, do gibi V de Vingança, esmiúça SP

‘A história em quadrinhos V de Vingança começou a ser publicada em 1981 e terminou em 1989. Tornou-se um clássico do gênero. Aos 54 anos, o quadrinhista britânico David Lloyd, co-autor daquela série que criticava o totalitarismo (levada ao cinema pelos irmãos Wachowski), é o convidado da série Cidades Ilustradas, da Casa 21, para traduzir o significado de São Paulo em quadrinhos. A série começou em 2000, quando o cartunista francês Jano foi convidado pra ilustrar o Rio de Janeiro. Depois, o espanhol Miguelanxo Prado fez Belo Horizonte e Jean-Claude Dennis a cidade de Belém. Lloyd, que está desde sexta-feira documentando São Paulo com três câmeras fotográficas, falou ao Estado.

Quais suas primeiras impressões sobre São Paulo?

No dia que cheguei, estava ensolarado e quente. No dia seguinte não estava mais. No dia seguinte, chovia. O tempo muda muito rápido em São Paulo. É uma cidade que é uma mistura de verde e cinza, e contém muitos elementos de outras grandes metrópoles. Tem um desenvolvimento fascinante. Dizem que é fria, mas acompanhei uma grande experiência de pessoas ajudando umas às outras. Estou fazendo uma lista das coisas que estão me impressionando, mas é muito pouco tempo ainda. Fui ao Museu da Imigração Japonesa, que é muito interessante, e vi as velhas mansões da Avenida Paulista. Acho que sou muito privilegiado por ter sido convidado para fazer esse álbum. É uma honra e um desafio. Duro, como todo desafio.

O sr. chegou a ver os trabalhos anteriores da série?

Tentei não ver, para não me sentir desestimulado. Não estou certo do que esperar em São Paulo, sei que é essa cidade gigante da América Latina, muito industrializada, caótica. Mas essas são as informações básicas. Não quis começar com preconceitos, quis ouvir e ver por mim mesmo. Informação demais pode ser tão ruim quanto pouca informação. Quero ver aquilo que eu posso e aquilo que eu devo ver.

As reações ao seu trabalho V de Vingança são radicais. Aqui no Brasil, parte da imprensa detestou o filme.

É comum que a opinião conservadora seja assim. O filme lida com muitos elementos do fascismo. Quando saiu nos Estados Unidos, muitos não gostavam da idéia dizendo que era um filme sobre um terrorista. É uma ridícula simplificação. V era um revolucionário, não um terrorista. E o filme trata mais sobre a liberdade do indivíduo do que de uma situação política. No livro original, depreende-se da história que a única liberdade real é uma posição anarquista. Não é a defesa de um sistema político ou filosófico. Acho que o filme é muito valente em sua posição, já que foi feito por uma major do cinema. Como foi a repercussão de público aqui no Brasil?

Foi boa, mas acho que a maior parte do público, muito jovem, viu o filme como um filme de ação comum.

Isso é ótimo. Hoje em dia, a maior parte dos filmes de ação não têm uma mensagem, e não gosto das histórias que não dizem nada. Meu trabalho mais recente, Kickback, é um thriller policial, mas no fundo traz uma mensagem. Não se trata apenas de contar uma história, mas de ter algo a dizer. Minha atitude, como quadrinhista, é a mesma de um dramaturgo, que procura encenar a sua história. Não se trata da obrigação de ser um artista polêmico, mas de ter a obrigação de dizer algo. O filme, por ser um sucesso em todo o mundo, também possibilitou que muita gente conhecesse um personagem histórico, Guy Fawkes, que ninguém sabia quem era.

Então, certamente, o sr. deve gostar dos filmes de Ken Loach.

Acho Ken Loach fantástico. Extraordinário seu filme Terra e Liberdade. É um artista com grandes princípios e, se você me compara com ele, é uma altíssima companhia. Mas Loach tem uma perspectiva muito realista, um tanto sério demais. Eu já penso que é importante entreter as pessoas enquanto lhes conta algo. Mas é fundamental contar a história que você quer contar, não a que querem que você conte. O equilíbrio entre entreter e alertar é muito importante.

Muita gente achou que o filme não faz jus aos quadrinhos.

Um monte de gente achou que ficou muito hollywoodiano.

Mesmo o autor, Alan Moore, detestou.

Sim. Mas eu gosto de pensar em outras circunstâncias artísticas. Pessoalmente, reagi diferente de Alan. Acho que é realmente hollywoodiano, mas é uma boa visão do original. Eu vi o script antes de permitir as filmagens, e aquela mensagem que o filme traz é verdadeira. É preciso ter em mente que um filme não é o original, apenas parte do original. Fiquei grato de ser representado pela produção, tanto que até ajudei na promoção do filme.

(SERVIÇO)

David Lloyd. Fnac Pinheiros/ Fórum de Eventos. Av. Pedroso de Moraes, 858, 3.º andar, 4501-3000. Hoje, 16 h. Grátis’



TELEVISÃO
Etienne Jacintho

Canais trazem novidades interessantes

‘Três semanas após a entrada de novas séries em dois canais do gênero, Sony e Warner, já dá para saber o que vale a pena acompanhar. Uma das boas estréias é ‘Til Death (Sony), sitcom de Brad Garret. Há tempos as emissoras tentam adquirir comédias que substituam Friends e Seinfeld . Existem pouquíssimas no ar. The Class (Warner) tem seus bons momentos. Esqueça 30 Rock (Sony).

Os dois canais lançaram séries de tribunal com nomes parecidos e boa qualidade. In Justice (Sony) e Justice (Warner) ainda têm em comum o fato de terem sido canceladas após a primeira temporada, mas Justice ainda tem chance de voltar. Vale muito a pena acompanhar ambas as séries.

The Nine (Warner) traz um formato de contar história parecido com o de Lost. Mostra a vida de nove reféns que recordam, por meio de flashback, o horror que viveram durante 52 horas presos em um banco. Interessante.

No formato meio soap opera,What About Brian (Sony) é ótima opção. Já Falcon Beach (Sony), deixe para os adolescentes. Smith e Blade (Warner) não compensam porque não têm continuidade. Foram canceladas antes do fim da primeira temporada.

MTV estréia seu ‘verão’ em janeiro

A MTV já prepara sua famosa programação de verão. A emissora irá atracar com sua programação este ano nas praias de Ubatuba e Maresias, litoral Norte de São Paulo e em algumas praias do Rio de Janeiro. A novidade é que a programação de verão, conhecida por ser uma espécie de férias da grade oficial de atrações da MTV, marcará a estréia de novos programas na emissora, que terão espaço fixo no canal, mesmo quando o sol se for. O Verão MTV deve estrear no dia 7 de janeiro e ficar no ar até o final de fevereiro.

entre- linhas

Minha Nada Mole Vida deve ganhar uma nova temporada na Globo em 2007. Parte do elenco, entre eles o ator mirim David Lucas, já renovou contrato com a emissora.

A RedeTV! estréia na segunda dois novos desenhos: Go Diego Go e Viewtiful Joe.

Com o fim de Cidadão Brasileiro, Lauro César Muniz cuida agora de dois projetos seus para o cinema, o musical Chiquinha Gonzaga, com Jorge Bodanzky, e Os Possessos, com João Batista de Andrade, e uma peça teatral, O Santo Parto, que estréia em abril.’



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Folha de S. Paulo – 1

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