Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

JORNAL DE DEBATES > DEBATE DOS PRESIDENCIÁVEIS

Oportunidade desperdiçada

Por Alberto Dines em 18/10/2010 na edição 611

Mais um debate desperdiçado. É o segundo do segundo turno. As mensagens de propaganda política nos intervalos dos blocos foram mais incisivas e contundentes, inclusive o comercial da Folha de S.Paulo, com forte conotação antitotalitária.


Os candidatos continuam engessados pelos marqueteiros e pelas respectivas fragilidades programáticas. A questão ambiental sequer foi aflorada. Os vinte milhões de eleitores de Marina Silva mereciam uma palavra sobre o assunto.


O único dado positivo do debate Folha-Rede-TV! foi a eliminação da histeria religiosa. Acabou o Auto da Fé, o surto inquisitorial foi dominado. O Todo Poderoso só foi invocado uma vez e erroneamente: no lugar de acreditar na vitória ‘com a ajuda de Deus’, saiu um ‘graças a Deus’. Não é pecado: nosso compromisso laico não chegou a ficar ameaçado.


Casa limpa


Faltam ainda três encontros televisados e duas semanas de cobertura jornalística com um padrão que dificilmente alcançará o mínimo razoável a julgar pelo que se conseguiu apresentar até agora.


Nossa imprensa ainda não se deu conta e não tem a coragem de lembrar aos atuais governantes que têm apenas dois meses, sessenta dias, para varrer quaisquer resquícios de heranças malditas. O Brasil deve começar o novo mandato presidencial sem qualquer sombra ou ameaça na esfera da moralidade administrativa e do Estado de Direito.


A transição – em todos os níveis e independente das coligações vitoriosas – deve inspirar-se nos paradigmas de 2002, sem ressentimentos ou rancores, de modo a estabelecer uma coesão para enfrentar os graves desafios que os candidatos preferiram manter fora do alcance do eleitoral: a crise financeira internacional e o aquecimento global.


A casa começa a ser varrida no dia 1º de novembro, o futuro está marcado para 1º de janeiro. Não há tempo a perder

Todos os comentários

  1. Comentou em 18/10/2010 Vitor Grilo

    Não, os partidos não farão parte da mudança estrutural da sociedade, muito menos criarão algo próximo do socialismo. Não, a mudança de gestão não trará a superação do modelo decadente. Não, o crescimento econômico promovido pelo governo do PT não é um caminho para a superação da pobreza pois o ‘bolo’ nunca vai ser dividido justamente enquanto houverem montes de pilantras encrostados no nosso Estado.

    Que se faça uma sociedade onde direito é fato.

    Indignadamente,

    Vitor Grilo.

  2. Comentou em 18/10/2010 Wanderley Diniz

    Prezado Dines: na mesma noite do debate da UOL, foi ao ar, pela TV Bandeirantes, o Tribuna Livre, com o ex-ministro da Saúde, Dr. Adib Jatene, criador da CPMF. Entre outras coisas, revelou que:
    1. Ele tinha a promessa do FHC de que os recursos da CPMF seriam destinados à Saúde, acrescentados às verbas orçamentárias. Promessa quebrada: cortaram as verbas orçamentárias e ele se demitiu.
    2. Jatene conta ser o verdadeiro criador do programa de combate a AIDS, além de outros, cuja paternidade, mentirosamente, Serra se atribui na presente campanha.
    Acho que a entrevista, pela importância do entrevistado, assim como pelas colocações e revelações de seu conteudo, deveria merecer o enfoque deste ‘Observatório’. Fica, portanto, a sugestão.

  3. Comentou em 03/04/2005 Rafael Costa

    Esta é uma nova tentativa, agora extemporânea, de apresentar alguns pensamentos próprios acerca da imprensa e do ‘estado’ do conhecimento(saber) nesta charneira do tempo em que vivemos.

    Espero, no entanto, que desta vez tenha conseguido me ajustar às limitações formais e me fazer manifestar. obrigado.

    segue abaixo uma alegoria destas minhas reflexões.

    SEM PAPAS NA LÍNGUA/ CEM LÍNGUAS DE PAPA

    Cousas há’i que passam sem ser cridas
    E cousas cridas há sem ser passadas.
    Mais o melhor de tudo é crer em Cristo.
    Camões

    (ao amigo Dinis)
    Há cerca de dois anos, invisto meu tempo e os recursos da Capes na construção de um modelo teórico-metodológico capaz de representar ou de reproduzir as condições de produção, difusão e validação dos enunciados ditos científicos, ou supostamente com valor de verdade, na fase da história denominada pós-industrial, no intuito de observar e descrever possíveis alterações ocorridas em seus estatutos, em seus regimes de regras. A despeito do que isso possa significar ou não para o leitor médio, pois que ele não existe, e a despeito do modelo teórico-metodológico funcionar ou não, o que não vem mais ao caso, ocorreu-me que, assim como na física quântica, era preciso criar uma metáfora que desse conta, simultaneamente, de responder a todas as questões de ordem prática da pesquisa e de fornecer ao leigo uma espécie de simulacro do fenômeno em questão. Eis a solução, eis o novo problema: que metáfora será capaz de reproduzir as condições de produção, difusão e legitimação de um enunciado com valor de verdade, oferecendo, enquanto o executa, a possibilidade de observar-lhe alguma alteração, alguma mutação digna de nota? Alguns messes se passaram, sem resultados, o que é sempre esperado em pesquisa. Quando me ocorreu, subitamente, assistindo os telejornais da noite, que a contraditória cobertura da agonia, morte e redenção do Pontífice João Paulo II – que inclui, não tão evidentemente assim, o caso do falecimento da mulher símbolo da eutanásia- era o reflexo da imagem que representa estes tempos pós-modernos, pelo menos em sua grande síntese: a ironia de saber que este mundo é feito de coisas cridas que há sem ser passadas e de coisas passadas que há sem ser cridas, e de que na dúvida, é melhor crer no Cristo do que no estado de saúde do Papa. Sobre esta surreal cobertura da improvável saga póstuma de João Paulo –II, que gerou o meu assombro diante de minha própria desconfiança herética, deve ser dito, sob pena de despertar ainda mais o ódio dos observadores da imprensa, que esta se reduz, invariavelmente, para não dizer oportunamente, a meia dúzia de imagens do Papa, que incluem sempre uma cadeira de rodas motorizada, que se move, ao que parece, dirigida por controle remoto, assim como os braços e a cabeça do Santo Padre; num movimento de benção maquinal, que se repete, brusca, imprecisa, gélida, e sobretudo muda. A esta massa pasteurizada de imagens, adiciona-se uma curiosa tomada das costas do Pontífice assistindo a TV, numa espécie de colocação em abismo que denuncia surdamente a verdadeira condição da saúde do Papa: a condição de informação, de discurso, de escritura, enfim, a condição de uma espécie de ficção científica da metalinguagem capaz de abençoar ou de amaldiçoar, para todo o sempre, nas mais de cem línguas do Papa, o insólito destino de mais de bilhão de crentes em todo o mundo. Eis, portanto, a “minha” metáfora, eis, no entanto, a imagem sacrílega que reflete em seu corpo de linguagem as incríveis ficções de um tempo incrivelmente Pós-moderno.

    Por Camillo da Costa , em 1º de abril de 2005.

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