Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > DIREITOS HUMANOS

Os fanáticos ensandecidos

Por Alberto Dines em 11/01/2010 na edição 571

Mais uma vez a mídia se afoba, se atrapalha e acaba passando para a sociedade informações enganosas.


Quando o governo apresentou o 3º Programa de Defesa dos Direitos Humanos, em 21 de dezembro, a grande imprensa comportou-se com naturalidade: não fechou a questão nem investiu contra a instalação de um grupo de trabalho que criará a Comissão da Verdade para investigar episódios de tortura, morte e desaparecimento ocorridos durante o regime militar.


Jornalões deram cobertura à posição do ministro da Defesa, Nelson Jobim, que fecha com os militares, mas também acolheu protestos e manifestações individuais e coletivas contra a tentativa de sepultar o passado.


Tudo levava a crer que se tratava de um debate democrático e responsável.


A grande imprensa, apesar das atuações geralmente conservadoras, é sensível às denúncias a respeito das violências nos Anos de Chumbo. Talvez para aliviar consciências culpadas, de qualquer forma como prova de sua maturidade. Exemplo foi a publicação na página de opinião do Globo, na sexta-feira (8/1), do veemente protesto do cineasta Sílvio Tendler contra as atuais posições do ministro Jobim.


Ano novo


De repente, entra em cena a famigerada ANJ – Associação Nacional de Jornais, que foi pinçar no novo programa de direitos humanos uma antiga reivindicação que relaciona direitos humanos com qualidade de programação da mídia eletrônica. Sua parceira, a Opus Dei, aproveitou para fazer onda contra o item que reforça o Estado laico e proíbe símbolos religiosos dentro – repito dentro – de prédios públicos.


De repente, o que parecia um debate racional converteu-se em cruzada ensandecida e fanática. A mídia deixou de lado a sua função de mediar e partiu para uma escancarada pressão lobista. Nesta transmutação esqueceu que o 3º PNDH de Lula é uma continuação dos anteriores apresentados nos mandatos de Fernando Henrique Cardoso, em 1996 e 2002. E ambos tinham a mesma abrangência do programa de Lula.


Quando José Gregori ocupava a Secretaria de Direitos Humanos do Ministério da Justiça, participou de diversas edições do Observatório da Imprensa na TV, quando se tratou pela primeira vez de estabelecer uma conexão entre a baixaria televisiva e os atentados aos direitos humanos  (ver aqui).


O ano novo já começou, porém as corporações da mídia comportam-se como no ano passado. De triste memória.

Todos os comentários

  1. Comentou em 11/01/2010 Philis T

    Pára de falar bobagens, Dines. Faça como o Reinaldo Azevedo e pelo menos leia o maldito programa.

  2. Comentou em 11/01/2010 Venício A. de Lima

    Sob o título “Ardil totalitário” o jornal “O Popular” da OJC, sócia da Globo em GO e TO, publicou o seguinte editorial no sábado, dia 9/1: “(…) o decreto do presidente da República sobre direitos humanos parece ser um ardiloso ensaio totalitário, pois contém, embutidas, intenções graves que afrontam a democracia e as liberdades. Se já não bastasse o constrangimento da liberdade de imprensa, o conteúdo do decreto atropela a Constituição e o sistema jurídico e, por desdobramento, o estado de direito. A sociedade tem de reagir, sob pena de estar indiferente à causa de defesa da democracia. Outros exemplos de tendência totalitária dados por setores do governo mostram a existência de uma já quase escalada na direção de objetivos sombrios, como os projetos do Conselho de Jornalismo, a reação à exigência do diploma para o exercício profissional e o desrespeito a princípios éticos. Iniciativas oficiais que contêm evidente retorno a práticas anacrônicas superadas, na contramão do processo de modernização do País, precisam ser refutadas pela sociedade com um sonoro não. O Brasil já atravessou os terríveis obstáculos para a retomada do estado de direito e para a reconquista das liberdades. Não pode, portanto, aceitar esse ensaio totalitário nem se conformar com o retrocesso. (…) (cf. http://www.opopular.com.br/anteriores/09jan2010/opiniao/). Sem comentários.

  3. Comentou em 11/01/2010 Venício A. de Lima

    Sob o título “Ardil totalitário” o jornal “O Popular” da OJC, sócia da Globo em GO e TO, publicou o seguinte editorial no sábado, dia 9/1: “(…) o decreto do presidente da República sobre direitos humanos parece ser um ardiloso ensaio totalitário, pois contém, embutidas, intenções graves que afrontam a democracia e as liberdades. Se já não bastasse o constrangimento da liberdade de imprensa, o conteúdo do decreto atropela a Constituição e o sistema jurídico e, por desdobramento, o estado de direito. A sociedade tem de reagir, sob pena de estar indiferente à causa de defesa da democracia. Outros exemplos de tendência totalitária dados por setores do governo mostram a existência de uma já quase escalada na direção de objetivos sombrios, como os projetos do Conselho de Jornalismo, a reação à exigência do diploma para o exercício profissional e o desrespeito a princípios éticos. Iniciativas oficiais que contêm evidente retorno a práticas anacrônicas superadas, na contramão do processo de modernização do País, precisam ser refutadas pela sociedade com um sonoro não. O Brasil já atravessou os terríveis obstáculos para a retomada do estado de direito e para a reconquista das liberdades. Não pode, portanto, aceitar esse ensaio totalitário nem se conformar com o retrocesso. (…) (cf. http://www.opopular.com.br/anteriores/09jan2010/opiniao/). Sem comentários.

  4. Comentou em 11/01/2010 Flávio Marques Guerra Flávio

    Prezado Júlio Prático. Posso até agradecer ao OI, aliás, fica aqui o agradecimento. Porém, não exija do leitor uma posição omissa, contemplativa, como se não fosse estranho o silêncio do Dines sobre o caso Boris. Durante todos estes dias acompanhei a manifestação dos leitores e não observei, diferentemente de você, qualquer “sentimento vil”. Felicidades.

  5. Comentou em 11/01/2010 Wendel Anastacio

    Sr. Dinis; Continuo aguardando seus mui respeitáveis comentários sobre o ‘ ISTO É UMA VERGONHA’. É dito a boca pequena que o brasileiro tem memória fraca, mas posso garantir-lhe que não é o meu caso!Em todas suas matérias postadas no OI, daquí por diante, declinarei em comentar, tendo em vista sua recusa em omitir sua opinião sobre o ocorrido, apesar dos nossos apelos. A menos que seja censurado por seu moderador, ficarei em guarda para sempre solicitar seu comentário e, saiba que, a partir de agora, embora o admirando muito, e lamentando sua omissão até o momento, peço-lhe: não deixe que este fato faça parte de sua biografia! No aguardo.
    Obs.: Comentário transcrito de outro artigo no dia 10 do corrente.

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