Quinta-feira, 26 de Abril de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº984
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JORNAL DE DEBATES > LULA & ISABELLA

Os números escondidos da pesquisa CNT/Sensus

Por Alberto Dines em 29/04/2008 na edição 482

Na segunda-feira (28/4) a mídia concentrou-se nos novos índices de aprovação do presidente Lula fornecidos pela nova rodada da pesquisa CNT/Sensus. Não houve tempo para examinar outros dados extraordinários do mesmo levantamento.


Exemplo: cerca de 86% dos entrevistados declararam que estão acompanhando ou ouviram falar no assassinato da menina Isabella Nardoni, contra cerca de 57% que têm acompanhado ou ouviram falar na CPI dos Cartões Corporativos.


Mais surpreendente ainda: para cerca de 71% do entrevistados, a mídia tem feito a cobertura do caso Isabella ‘adequadamente, com competência e eficiência’. Somente cerca de 24% desaprovam esta cobertura.


A menina Isabella foi assassinada há exatamente 30 dias e uma das poucas questões onde parecia haver algum consenso era sobre o sensacionalismo da mídia na cobertura do caso. Significa que a sondagem da Sensus está errada nesta questão? Não necessariamente: o grande público vê a mídia de forma acrítica, acredita na mídia, não sabe identificar seus erros. A não ser que alguém os aponte.


E aqui a sondagem CNT/Sensus oferece outra novidade: quase 9% assistem freqüentemente à programação das emissoras públicas e quase 22% declararam que o fazem às vezes. Convém reparar que o número dos que desaprovam a cobertura do caso Isabella (cerca de 24%) não está muito distante dos quase 30% (8,5% + 21,9%) que sintonizam as redes públicas.


O caso Isabella e suas repercussões serão o tema do programa de TV do Observatório da Imprensa de terça-feira (29), às 22h40, ao vivo, pela TV Brasil e TV Cultura.

Todos os comentários

  1. Comentou em 30/04/2008 milton tenorio

    O programa foi excelente. Muito oportuna a discussão.
    De fato a mídia sensacionalista explorou como nunca o episodio Isabella.

  2. Comentou em 29/04/2008 Jedeão Carneiro

    O que leva o Jornal Nacional, principal jornal televisivo do pais, a omitir uma pesquisa que dá recorde de popularidade ao presidente do Brasil? Explique-nos Sr. Dines. Por favor! Quais são os critérios do Kamel, aliás, dos Marinho para liberar a informação para o povo?

  3. Comentou em 17/08/2005 Alcides Marques

    Estranhei a forma e o teor da matéria referente ao doleiro, depoente na CPI dos Correios. Todos sabemos que ele é um criminoso que cumpre 25 anos de pena. Assim, tudo o que ele vier a falar deverá – e todos o sabemos – ser minuciosamente examinado. Então, porque insistir-se no cuidado, atenção, ele é um criminoso, as coisas devem ser recebidas com cuidado extremo. Claro que devem. Vocês não precisam dizer. Aliás, que tal se ele for um novo Jefferson ou um novo Duda. Não seria a glória para nós, pobres brasileiros esfolados?

    E, para colocar um ‘ite missa est’: mas que bobagem é esta de se falar em ingovernalidade caso esse traste beberrão venha a ter o destino que merece. Aliás, ele poderia ter caido do pau de arara e, aí, não viria a ser impichado.

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