Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

JORNAL DE DEBATES > INTERNET

Para atrair a juventude, uma BBC moderna

28/04/2006 na edição 378

A rede britânica BBC está adaptando sua página online para aproveitar melhor conteúdo produzido por internautas, como blogs e vídeos muito comuns no sítio de relacionamentos MySpace a fim de atrair a atenção das gerações mais jovens. A rede também tem planos para criar, a longo prazo, portais em áreas como esportes, música, saúde e ciência. A iniciativa, no entanto, não agradou nada a Rupert Murdoch, proprietário da News Corporation – da qual faz parte o MySpace –, pois a BBC pode vir a se tornar uma forte concorrente para o popular sítio de redes sociais.


James MacManus, diretor-executivo da News International – subsidiária da News Corporation –, acusou a BBC de ‘ambições comerciais precárias, que só vão prejudicar o desenvolvimento da mídia digital’. MacManus alegou que a BBC, que recebe cerca de US$ 5,3 bilhões por ano em financiamento público, está tentando ‘construir um império digital’.


O MySpace, comunidade virtual similar ao Orkut, mas bastante voltada para o lançamento de bandas independentes, é um dos sítios mais acessados da internet, ultrapassando até mesmo o sítio de buscas Google. A maior parte dos 74 milhões de usuários registrados no MySpace é dos EUA, embora a empresa alegue que a audiência é muito grande também no Reino Unido e na Austrália, onde a News Corporation tem presença significante.


Investimento em mídias digitais


Enquanto a News Corporation reclama, a BBC afirma esperar que seu novo sítio atraia bandas amadoras dispostas a mostrar sua música – serviço que, coincidentemente, também faz muito sucesso entre os usuários do MySpace. O sítio é apenas parte de um pacote de mudanças que serão implantadas pela BBC até 2012. ‘Temos um dos melhores sítios do mundo, mas precisamos reinventá-lo, colocar conteúdo audiovisual dinâmico, personalizá-lo e abri-lo para material produzido por internautas’, afirmou o diretor-geral da rede britânica, Mark Thompson. ‘A BBC não deve se considerar apenas emissora de TV e rádio. Nós devemos ter como objetivo entregar conteúdo de serviço público para nossa audiência em qualquer mídia e em qualquer dispositivo que seja melhor para ela, quando estiver em casa ou na rua’, afirma Thompson.


O BBC iPlayer, que reproduzirá programas da emissora, está em fase de testes. ‘A qualquer hora, você poderá baixar qualquer programa dos oito canais da BBC e então assisti-lo no seu computador. Esperamos também que seja possível passá-lo para sua televisão ou para seu celular, para assistir quando quiser’, explica Ashley Highfield, diretora de nova mídia e tecnologia.


Anúncios no sítio


A BBC também tem pensado em maneiras de lucrar com a popularidade de seu material online no resto do mundo. Atualmente, o sítio da BBC News não tem anúncios. ‘O sítio da BBC tornou-se uma fonte importante de notícias e informações para usuários do exterior e para os que moram no Reino Unido. No entanto, ele é mantido inteiramente pela taxa anual paga pelos telespectadores do país e pelo financiamento governamental’, lembra Richard Sambrook, diretor de notícias da BBC.


Recentemente, foi lançada uma pesquisa online para saber se a emissora deve colocar anúncios nas versões internacionais de seu sítio – tanto na página principal quanto na de notícias. A pesquisa pode ser vista apenas por pessoas que acessarem o sítio da rede de fora do Reino Unido. Espera-se que mais de 100 mil internautas respondam ao questionário. Os internautas do Reino Unido não serão entrevistados, pois o sítio no país não receberá nenhum anúncio.


Já foram preparados modelos para demonstrar como os banners e outros anúncios poderão ser disponibilizados no sítio da BBC e da BBC News. Dos 3,5 milhões de usuários que visitam diariamente o sítio da BBC News, aproximadamente 1/3 é de fora do Reino Unido. Qualquer proposta para introduzir anúncios no sítio de notícias terá de passar por um rigoroso processo interno de aprovação antes de ser implementada. Informações de Jill Lawless [Associated Press, 26/4/06], da Reuters [25/4/06] e da BBC News [25/4/06].

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