Domingo, 16 de Junho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1041
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JORNAL DE DEBATES >

Paraisópolis: uma reportagem à altura

Por Lisandro Giraldez em 10/02/2009 na edição 524

Devo confessar que em quase todas as oportunidades que pretendo formar uma opinião pessoal sobre algum tema de importância utilizando a TV, fico com um grande sentimento de frustração. Neste início de semana não foi diferente.

Pode-se dizer que a cobertura da TV referente aos fatos que aconteceram na favela paulista de Paraisópolis (agora seria melhor dizer’Infernópolis’) carecem dos princípios básicos que toda transmissão de notícias deveria ter: objetividade, pesquisa e contraste de opiniões dos atores envolvidos nos fatos.

A principal emissora de TV do país, a Rede Globo, limitou-se a apresentar a revolta em uma reportagem à altura, para melhor dizer, através de um helicóptero. As reportagens não apresentaram qualquer opinião dos moradores da favela, mas sim, todas as comunicações das autoridades policiais e da Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo.

Frases politicamente corretas

Como espectador, desejaria saber o que pensa, o que sente, como vive ou sobrevive realmente o cidadão da favela, ironicamente localizada em bairro nobre da cidade: favela nobre? Conceito inovador.

Algumas vezes – poucas, frente ao que deveria ser – se critica a falta de conhecimento sobre as realidades ruins do país por parte de nossos empregados: vereadores, deputados, senadores, governadores, prefeitos etc. Não é estranho que assim seja, já que, normalmente, nossos empregados viajam de carro blindado, de avião, os filhos estudam em escolas privadas e, obviamente, não sabem onde fica o hospital público, se houver algum em seu bairro.

Se a mídia copia o jeito de ser de nossos representantes, fazendo as abordagens dos distintos problemas das cidades desde 200 metros de altura, muito longe estará das frases politicamente corretas que aludem ao fomento da cidadania.

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Químico, doutor em Fisiologia pela Universidad de Buenos Aires, Argentina, pós-doutor em Neurociência pela Universidad Complutense de Madrid, Espanha e Universidade Federal da Bahia

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