Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

JORNAL DE DEBATES > THE WASHINGTON POST

Parentesco, crenças políticas e conflitos de interesse

17/07/2007 na edição 442

Em sua coluna de domingo [15/7/07], a ombudsman do Washington Post, Deborah Howell, tratou de um assunto delicado. ‘O quanto o Post deve revelar sobre os possíveis conflitos, crenças políticas ou relações familiares envolvendo aqueles cujo trabalho aparece no jornal?’, questionou ela, após ter recebido recentemente três reclamações sobre o assunto.

A leitora Sally Tyler leu a crítica do novo livro de Lisa See e participou de um bate-papo online sobre ele. ‘Fiquei surpresa ao notar que ninguém sabia que Lisa é filha de Carolyn See, uma das mais conhecidas críticas literárias. Pensei que, segundo a ética jornalística, era necessário revelar esta informação para evitar acusações de conflito de interesses’, argumentou.

Tanto Carolyn quanto Lisa são escritoras conhecidas nos EUA. A editora da seção de crítica literária do Post, Marie Arana, não acha que Carolyn tenha que ser mencionada porque ela não é funcionária do Post – e sim freelancer – e não tem nenhuma ligação com a escolha dos livros resenhados ou dos críticos que o fazem. Segundo Lisa, a filha, a crítica do diário foi uma das mais duras sobre o seu livro, Peony in Love. Já Carolyn, a mãe, alega que resenha apenas os livros que recebe do jornal e nunca pede para revisar algum autor específico.

Para Deborah, a leitora tem razão. Todos têm o direito de pensar que Carolyn faz parte da equipe do Post e, neste caso, ela deveria ter sido identificada como mãe de Lisa. ‘Mas as pessoas têm sempre de ser identificadas como mulher, marido, irmão, irmã, filho ou filha de alguém?’, indaga a ombudsman.

A filha do vice-presidente

Em um contexto diferente, muitos leitores reclamaram que as colunas de opinião publicadas nos dias 23/1 e 12/4, escritas por Elizabeth Cheney, não mencionaram que ela é filha do vice-presidente americano, Dick Cheney. Nas duas ocasiões, Elizabeth foi identificada como subsecretária assistente de Estado para Assuntos do Oriente Próximo e Coordenadora para Amplas Iniciativas no Oriente Médio e Norte da África. ‘Será que ela ocuparia estes cargos se não fosse filha de Cheney? É uma questão apropriada. Mas será que ela tinha que ser identificada como a filha dele em seu artigo de opinião?’, pergunta Deborah, completando que o próprio sobrenome de Elizabeth já diz o suficiente.

O crítico de direita

Em outro exemplo, o crítico Stephen Hunter, que tem fama de conservador e machista, foi criticado pelo leitor Jeff Reed, que não gostou de uma crítica escrita por ele sobre o novo filme do documentarista Michael Moore, Sicko. Moore é reconhecidamente de esquerda, enquanto Hunter apóia a direita.

Por estas razões, Deborah questiona a capacidade de Hunter em fazer uma crítica neutra do filme. O próprio chegou a questionar sua editora, Leslie Yazel, se era apropriado que ele escrevesse a crítica, dadas suas crenças políticas. Mas Leslie afirmou que os leitores do Post queriam saber o que o vencedor de um prêmio Pulitzer tinha achado do documentário de Moore. No entanto, defende a ombudsman, para aqueles que não conheciam o histórico do crítico, era importante que isso ficasse explícito no começo de seu texto.

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