Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

JORNAL DE DEBATES > O POVO

Plínio Bortolotti

17/04/2006 na edição 377

‘Dos jornais de Fortaleza, somente O Povo mantém uma coluna fixa para correção de erros por ventura publicados. A seção, editada na página 6 com o título ‘Erramos’, é um inequívoco sinal de transparência e respeito ao leitor. O assunto é oficializado no Guia de Redação e Estilo do jornal, advertindo que devem ser corrigidos os erros de informação, créditos e erros graves de português, especialmente os publicados em títulos e resumos das matérias. ‘Crédito’, no jargão dos jornais é a indicação da autoria de uma fotografia, texto ou ilustração. Nas fotos, por exemplo, o nome do autor (o ‘crédito’), normalmente está no alto da fotografia, do lado direito. ‘Resumo’ é o texto destacado que antecede a matéria, com as informações mais importantes; assim, lendo-o e ao título e a legenda, o leitor tem uma visão geral do que encontrará na notícia.

Nos comentários internos, alerto que a pronta correção é importante para fazer justiça quando alguém se sente prejudicado pela informação incorreta, para situar o leitor e para cumprir a norma interna e os códigos de ética da categoria, que pregam a reparação tempestiva dos erros.

Se a teoria é assim, na prática a coisa tem sido um pouco diferente. Diariamente, aponto alguns erros na edição, muitos indicados pelos leitores. Nesta semana, acumulou-se quase uma vintena de erros não corrigidos nas edições, desde 29 de março. Havia de tudo: fotos com identificação errada dos personagens, datas incorretas, erros de informação e de português, entre outros. Depois de alguma insistência, alguns erros foram corrigidos, mas, pelo menos em três casos, a emenda ficou pior do que o soneto: errou-se na correção, gerando o ‘erramos do erramos’.

Nos comentários internos à Redação tenho insistido no assunto; em um deles escrevi que erros são admissíveis, é quase impossível produzir um jornal sem cometê-los, mas achava incompreensível a relutância das editorias em corrigi-los, o que parecia descaso com os leitores e descompromisso com a exatidão da notícia. As observações provocaram uma reunião, convocada pela diretora-executiva da Redação Fátima Sudário com os editores, na qual fui convidado a participar: houve concordância de que era necessário apertar o controle das pendências. Como resultado, na sexta-feira e no sábado, já foram publicadas várias correções pendentes na seção ‘Erramos’.

Ele não estava lá

Outro problema freqüente, e sobre o qual tenho feito críticas constantes, é a publicação de fotografias sem se anotar as circunstâncias em que foram tomadas. Às vezes, são usadas como adornos das matérias, sem se informar qual a pertinência com o tema tratado; também é comum a utilização de fotos antigas para ilustrar a edição do dia: o leitor não é informado a data em que foram feitos os registros e nem fica sabendo que a fotografia não têm relação com o assunto abordado. Se a foto é de um personagem isolado, isso pode não ter conseqüências graves, mas se envolver outras pessoas ou um contexto diferente daquele exposto na notícia, problemas podem advir.

Foi o que aconteceu com a notícia ‘Em crise, tucanos buscam novos nomes’, publicada na editoria de Política (edição de 5/4). Além do debate interno no PSDB sobre a sucessão estadual, a matéria também relata que o governador Lúcio Alcântara efetivara Júlio César Batista como titular da Secretaria de Governo, umas das mais importantes na estrutura administrativa governamental. Na foto que acompanha a matéria está Júlio César e, ao seu lado, Marcelo Silva, presidente do Partido Verde (PV) no Ceará.

Recebo uma correspondência de Marcelo Silva dizendo o seguinte: ‘Na ocasião (em que os fatos reportados aconteceram), eu estava viajando a Brasília. Trata-se de uma foto antiga, da época em que eu participava, junto com Júlio César Batista, da diretoria da Associação dos Municípios e Prefeitos do Estado do Ceará (Aprece), mas não há nenhuma referência à data em que o registro fotográfico foi feito. A legenda ‘Júlio César foi oficializado ontem pelo governador Lúcio Alcântara como novo secretário do Governo’, reforça a idéia de que a fotografia teria sido feita na data da citada reunião, como se eu estivesse presente, quando estava em Brasília. O episódio vem me causando transtornos, uma vez que sou presidente do Partido Verde, que mantém posição de independência no Ceará’. O presidente do PV conclui com estas palavras: ‘Acredito que não houve intenção do jornal em confundir os leitores ou distorcer as informações; a utilização da foto de arquivo, sem menção à data, deve ter acontecido por mero descuido’.

Verifiquei no Banco de Dados, a fotografia tem quase três anos, é de 8/8/2003, feita durante uma reunião da Aprece, como lembrou Marcelo Silva.

Mais uma coisa: de fato, o jornal não teve o objetivo de confundir os leitores nem de causar problemas ao presidente do PV ou ao seu partido, mas a fotografia não foi publicada dessa forma por ‘mero descuido’. É uma prática recorrente que o jornal tem de solucionar ou terá de se haver com mais problemas à frente.

Secretária e fax

Durante algum tempo, por problemas técnicos, o fax e a secretária eletrônica do ombudsman ficaram sem funcionar, o que fez com que alguns contatos se perdessem. Agora, com tudo normalizado, os leitores poderão voltar a utilizá-los.’

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VOZ DOS OUVIDORES > O POVO

Plínio Bortolotti

17/04/2006 na edição 377

‘Dos jornais de Fortaleza, somente O Povo mantém uma coluna fixa para correção de erros por ventura publicados. A seção, editada na página 6 com o título ‘Erramos’, é um inequívoco sinal de transparência e respeito ao leitor. O assunto é oficializado no Guia de Redação e Estilo do jornal, advertindo que devem ser corrigidos os erros de informação, créditos e erros graves de português, especialmente os publicados em títulos e resumos das matérias. ‘Crédito’, no jargão dos jornais é a indicação da autoria de uma fotografia, texto ou ilustração. Nas fotos, por exemplo, o nome do autor (o ‘crédito’), normalmente está no alto da fotografia, do lado direito. ‘Resumo’ é o texto destacado que antecede a matéria, com as informações mais importantes; assim, lendo-o e ao título e a legenda, o leitor tem uma visão geral do que encontrará na notícia.

Nos comentários internos, alerto que a pronta correção é importante para fazer justiça quando alguém se sente prejudicado pela informação incorreta, para situar o leitor e para cumprir a norma interna e os códigos de ética da categoria, que pregam a reparação tempestiva dos erros.

Se a teoria é assim, na prática a coisa tem sido um pouco diferente. Diariamente, aponto alguns erros na edição, muitos indicados pelos leitores. Nesta semana, acumulou-se quase uma vintena de erros não corrigidos nas edições, desde 29 de março. Havia de tudo: fotos com identificação errada dos personagens, datas incorretas, erros de informação e de português, entre outros. Depois de alguma insistência, alguns erros foram corrigidos, mas, pelo menos em três casos, a emenda ficou pior do que o soneto: errou-se na correção, gerando o ‘erramos do erramos’.

Nos comentários internos à Redação tenho insistido no assunto; em um deles escrevi que erros são admissíveis, é quase impossível produzir um jornal sem cometê-los, mas achava incompreensível a relutância das editorias em corrigi-los, o que parecia descaso com os leitores e descompromisso com a exatidão da notícia. As observações provocaram uma reunião, convocada pela diretora-executiva da Redação Fátima Sudário com os editores, na qual fui convidado a participar: houve concordância de que era necessário apertar o controle das pendências. Como resultado, na sexta-feira e no sábado, já foram publicadas várias correções pendentes na seção ‘Erramos’.

Ele não estava lá

Outro problema freqüente, e sobre o qual tenho feito críticas constantes, é a publicação de fotografias sem se anotar as circunstâncias em que foram tomadas. Às vezes, são usadas como adornos das matérias, sem se informar qual a pertinência com o tema tratado; também é comum a utilização de fotos antigas para ilustrar a edição do dia: o leitor não é informado a data em que foram feitos os registros e nem fica sabendo que a fotografia não têm relação com o assunto abordado. Se a foto é de um personagem isolado, isso pode não ter conseqüências graves, mas se envolver outras pessoas ou um contexto diferente daquele exposto na notícia, problemas podem advir.

Foi o que aconteceu com a notícia ‘Em crise, tucanos buscam novos nomes’, publicada na editoria de Política (edição de 5/4). Além do debate interno no PSDB sobre a sucessão estadual, a matéria também relata que o governador Lúcio Alcântara efetivara Júlio César Batista como titular da Secretaria de Governo, umas das mais importantes na estrutura administrativa governamental. Na foto que acompanha a matéria está Júlio César e, ao seu lado, Marcelo Silva, presidente do Partido Verde (PV) no Ceará.

Recebo uma correspondência de Marcelo Silva dizendo o seguinte: ‘Na ocasião (em que os fatos reportados aconteceram), eu estava viajando a Brasília. Trata-se de uma foto antiga, da época em que eu participava, junto com Júlio César Batista, da diretoria da Associação dos Municípios e Prefeitos do Estado do Ceará (Aprece), mas não há nenhuma referência à data em que o registro fotográfico foi feito. A legenda ‘Júlio César foi oficializado ontem pelo governador Lúcio Alcântara como novo secretário do Governo’, reforça a idéia de que a fotografia teria sido feita na data da citada reunião, como se eu estivesse presente, quando estava em Brasília. O episódio vem me causando transtornos, uma vez que sou presidente do Partido Verde, que mantém posição de independência no Ceará’. O presidente do PV conclui com estas palavras: ‘Acredito que não houve intenção do jornal em confundir os leitores ou distorcer as informações; a utilização da foto de arquivo, sem menção à data, deve ter acontecido por mero descuido’.

Verifiquei no Banco de Dados, a fotografia tem quase três anos, é de 8/8/2003, feita durante uma reunião da Aprece, como lembrou Marcelo Silva.

Mais uma coisa: de fato, o jornal não teve o objetivo de confundir os leitores nem de causar problemas ao presidente do PV ou ao seu partido, mas a fotografia não foi publicada dessa forma por ‘mero descuido’. É uma prática recorrente que o jornal tem de solucionar ou terá de se haver com mais problemas à frente.

Secretária e fax

Durante algum tempo, por problemas técnicos, o fax e a secretária eletrônica do ombudsman ficaram sem funcionar, o que fez com que alguns contatos se perdessem. Agora, com tudo normalizado, os leitores poderão voltar a utilizá-los.’

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