Terça-feira, 13 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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JORNAL DE DEBATES >

Por que Ahmadinejad não vai à Argentina?

Por Alberto Dines em 24/11/2009 na edição 565

A turnê do presidente do Irã ao Brasil inclui duas escalas: Bolívia e Venezuela. Mahmoud Ahmadinejad já esteve com Hugo Chávez onze vezes desde 1999, sete delas em Teerã. No ano passado, conseguiu arrastar dois outros líderes bolivarianos, Evo Morales e Rafael Correa, a visitar o seu país.


Como explicar a ausência da Argentina neste circo de seduções? Essa é uma pergunta que a mídia brasileira recusou-se a fazer. O único a lembrar a questão foi o governador paulista José Serra (Folha de S.Paulo, 23/11, pág. A-3).


Os Kirchner mantêm fortíssimos laços políticos e econômicos com o caudilho Chávez, porém jamais admitiram qualquer tipo de aproximação com a sua alma-gêmea no império persa.


Na longa lista de objeções à visita de Ahmadinejad, a mídia brasileira não consegue enxergar nem incluir o justo ressentimento dos argentinos com a ação terrorista promovida pelo Irã em seu território em 18 de julho de 1994. Além da falta de solidariedade com nossos vizinhos, a omissão da nossa mídia demonstra a sua incontrolável preferência pelo óbvio ululante e o descaso por questões graves e incômodas: agentes iranianos a serviço do Hezbollah e da Guarda Revolucionária iraniana explodiram uma picape-bomba em frente ao edifício de uma organização beneficente judaica em Buenos Aires, a AMIA, matando 85 pessoas e ferindo 300. Foi o maior atentado terrorista ocorrido na América do Sul.


Falta de foco


A explosão sacudiu a Argentina, abalou a sensação de segurança que tomava conta do país e revelou de forma abrupta os resquícios da ditadura que permaneciam intactos no esquema policial. Durante os mandatos do presidente Carlos Menem as autoridades policiais e a justiça argentina conseguiram impedir o curso das investigações.


Os Kirchner foram em frente e finalmente em 2007 foi expedida uma ordem de prisão através da Interpol contra quatro altos funcionários iranianos. Um deles, Ahmad Vahidi, era o chefe da Guarda Revolucionária ao tempo do massacre de Buenos Aires. Para demonstrar o seu profundo desprezo pelos organismos internacionais e pelos direitos humanos, Mahmoud Ahmadinejad o nomeou, em agosto, para um dos principais cargos da equipe que o ajudará no segundo mandato: o ministério da Defesa.


A Argentina protestou furiosamente. Vahidi, o criminoso procurado pela Interpol, foi mantido no cargo. Quem o acoberta foi recebido em Brasília com honras de chefe de Estado.


Todos os crimes cometidos por Ahmadinejad foram e estão sendo cometidos no Irã. O massacre da AMIA ocorreu na América do Sul. Nossa mídia que nunca foi muito sensível à história parece que também não dá muita bola para a geografia.

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