Sexta-feira, 22 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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JORNAL DE DEBATES > OI NA TV

Problemas estruturais da mídia

Por Alberto Dines em 08/11/2006 na edição 406

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.


A imprensa torceu, distorceu ou procurou repetir o desempenho de 2002?


O debate sobre o comportamento da mídia nas eleições ainda terá muitos lances. Mas há um outro debate sobre o mesmo tema começado há alguns anos e que agora, mais do nunca, precisa ser reavivado.


O processo de comunicação de uma sociedade não é retilíneo, está sujeito às circunstâncias, depende dos fatos, sempre mutantes. Mas o que precisa ser discutido é a estrutura comunicativa, que os acadêmicos chamam de sistema midiático – que, em nosso caso, apresenta falhas graves.


Este Observatório vem há anos chamando a atenção para as deficiências estruturais mais gritantes. Uma delas é a concessão de rádios e TVs a parlamentares, uma das maiores aberrações de nossa democracia. A concentração da mídia em poucas empresas é outra deficiência que, em países mais desenvolvidos, já foi bastante atenuada.


Nossa mídia está concentrada empresarialmente, geograficamente e, no caso dos meios eletrônicos, não oferece alternativas, tanto na TV como no rádio. Nosso sistema público de radiodifusão é fragmentado e não consegue funcionar de forma integrada, como contrapeso ao rádio e à TV comerciais.


A questão mais complicada não é o nome que será dado a esta agenda. Complicada será a escolha do fórum em que será travado este debate. No Congresso? Mas, se o Congresso é o pivô das distorções, como confiar nele para sanear o sistema? Seria democrático entregar ao governo a tarefa de aperfeiçoar a mídia? E o que foi feito do Conselho de Comunicação Social, que se evaporou justamente no primeiro mandato do presidente Lula?


Uma coisa é certa: o debate já começou há muito tempo. Precisa continuar.

Todos os comentários

  1. Comentou em 08/11/2006 Marcelo del Questor

    Sr. Dines, já em alguns comentários postados nesse OI, se bem que alguns não foram publicados, apesar de me pautar por ser sólido, incisivo, mas sobretudo respeitoso, venho batendo nessa tecla. A liberdade de imprensa desabou na mão dos Barões da Mídia. E seu empregado, ou seguem os ditames ou ‘pegam a barca’. Seu discurso agora me parece mais do que coerente. Realmente é necessário se buscar um Forum isento. Remodelar o sistema jornalístico é mister. Sem radicalismos, mas de forma contundente. Como sempre disse a função da imprensa é importante para um regime democrático. Mas deve ser feita com isenção e responsabilidade. Ver o comportamento de jornalístas[?] como Mainard achincalham a profissão. A conduta da imprensa deve estar acima dos interesses de seus barões. Deve visar o bem maior que é a sociedade como um todo. Que os barões tenham lucro, mas sem o prejuízo do país e do jornalismo sério, responsável e com credibilidade, que se encontra tão combalido nos últimos dias.

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