Sexta-feira, 20 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

JORNAL DE DEBATES > ITÁLIA

Proibida campanha publicitária com mulher anoréxica

Por Leticia Nunes (edição), com Larriza Thurler em 23/10/2007 na edição 456

O IAP, órgão privado que regula o setor de publicidade na Itália, decidiu proibir a veiculação da campanha de uma marca de roupas que usa uma foto de uma mulher anoréxica nua. O órgão declarou que a imagem, de autoria do polêmico fotógrafo Oliviero Toscani, não se adequa a seu código de conduta.


A foto foi divulgada em jornais e outdoors durante a Semana de Moda de Milão, em setembro, e trazia a mensagem ‘No Anorexia’, junto com o nome da grife Nolita. Grande parte dos outdoors já foi retirada das ruas italianas. A modelo escolhida pesa 31 quilos e sofre de anorexia há 15 anos.


‘Censura’


Toscani, que no passado causou controvérsia ao fotografar um paciente terminal de Aids para uma campanha da Benetton, classificou a decisão do IAP de ‘censura’. ‘Ainda estou vendo se entro com ação por danos morais e financeiros’, afirmou, lembrando que se trata de uma decisão tomada por um órgão privado. O Ministério da Saúde havia apoiado a campanha, alegando que ela promove o senso de responsabilidade sobre o problema da anorexia. ‘A quem devo ouvir – ao Ministério da Saúde ou a uma corporação privada? É tarde demais quando a campanha já foi feita’, reclamou o fotógrafo.


O IAP declarou que a peça da Nolita viola o artigo 1º de seu código, segundo o qual campanhas publicitárias devem ser honestas, precisas e ter compromisso com a verdade; e o artigo 10, que afirma que elas não podem ofender valores morais, civis e religiosos e devem ‘respeitar a dignidade humana em todas as suas formas e expressões’.


Alerta


A grife afirma que o objetivo da polêmica campanha foi ‘usar o corpo nu para mostrar a todos a realidade desta doença, causada, na maior parte das vezes, por estereótipos impostos pelo mundo da moda’. A magreza excessiva de modelos entrou em debate no ano passado, depois que duas jovens profissionais morreram de anorexia – uma delas era a brasileira Ana Carolina Reston, de 21 anos. Críticos afirmam que a obsessão pela magreza leva muitas mulheres jovens a odiar seus corpos. Informações de Marie-Louise Gumuchian [Reuters, 19/10/07].

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