Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

ENTRE ASPAS > QUINTA-FEIRA, 13/12

PT quer criar jornal de circulação nacional

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 13/12/2007 na edição 463

Leia abaixo a seleção de quinta-feira para a seção Entre Aspas.


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Folha de S. Paulo


Quinta-feira, 13 de dezembro de 2007


POLÍTICA & MÍDIA
Letícia Sander


PT quer ter seu próprio jornal em 2008


‘Favorito na disputa pela presidência do PT, o deputado Ricardo Berzoini (SP) disse ontem que o partido planeja ter um jornal próprio com distribuição nacional a partir de 2008. Tanto ele quanto seu concorrente na disputa, o também deputado Jilmar Tatto (SP), defenderam que o PT crie um ‘sistema de comunicação de massas’ para divulgar as idéias do partido.


As estratégias de comunicação foram explicitadas durante debate entre os dois candidatos, realizado na manhã de ontem na sede do PT em Brasília. O evento despertou pequena atenção da militância. A conversa começou com apenas 36 presentes e o número de ouvintes não passou de 50 até o final do debate, que versou majoritariamente sobre a candidatura própria em 2010 e a relação com aliados. O segundo turno da disputa pela direção do PT será no domingo.


A idéia do jornal, segundo Berzoini, tem inspiração na Europa. ‘Seria um jornal mesmo, como vários partidos na Europa têm, desde o século 19. Lá tem jornais vendidos em banca e com boa tiragem. Acho que pode ser algo importante, obviamente tem custo elevado, sabemos disso, e não é fácil implementar. Mas vamos trabalhar para implementar’, explicou o dirigente, após o debate. ‘A idéia é construir processo de organização nos Estados que permita produzir nacionalmente e reproduzir localmente’, disse, acrescentando que o projeto começará com periodicidade semanal e a ambição de reduzi-la.


‘Um jornal partidário é claramente posicionado. O PT precisa ter o seu meio de comunicação e buscar fazer chegar as suas opiniões de uma maneira mais ampla à sociedade’, acrescentou Berzoini, que concorre à reeleição.


Tatto também defendeu a idéia, mas foi mais reticente sobre sua viabilidade. Disse que ‘tende’ a achar que é melhor fortalecer publicações com viés de esquerda já existentes. Ainda dentro dessa linha, os dois defenderam a criação de uma escola de formação partidária.


Durante o debate, a imprensa não teve oportunidade de fazer perguntas. Os dois candidatos fizeram perguntas entre si e responderam a seis intervenções de petistas.


Tatto, que tem o apoio de correntes mais à esquerda, foi mais incisivo em relação à postura do PT em 2010. Chamou de ‘traição para o povo’ a hipótese de a legenda não ter candidato próprio – nem que precise de prévias – e conclamou o partido a ‘hegemonizar’ as alianças. ‘No processo de negociação, com todo respeito à base, vale na mesa de negociação quem tem força’, disse.


Ele reclamou da relação com o governo: ‘A impressão que dá é que nós ganhamos as eleições e que não levamos. E uma das razões tem a ver com a força do PT. O PT está acanhado. Ou às vezes o partido serve como correia de transmissão do governo ou fica sem elaborar política para o próprio governo’.’


 


TESTEMUNHAS OCULARES
Carlos Heitor Cony


Momentos fundamentais


‘RIO DE JANEIRO – Mestre do rigor histórico, Ruy Castro listou três episódios formidáveis que foram presenciados por milhões de pessoas no justo momento em que aconteciam. Ele citou o show do Police no Maracanãzinho, em 1982; o primeiro treino de Garrincha no Botafogo, em 1953; e a final da Copa do Mundo de 1950, no Maracanã.


Não cultuando o rigor da história com o mesmo entusiasmo, tenho uma lista mais suculenta em matéria de episódios universais que caíram em domínio público e hoje pertencem a todos.


O mais antigo aconteceu na rua Toneleros, aqui no Rio, na noite de 5 de agosto de 1954, quando tentaram assassinar o jornalista Carlos Lacerda. Mataram um oficial da Aeronáutica e, dias depois, Getúlio Vargas suicidou-se, na maior crise política de nossa história. Durante o inquérito policial, havia apenas o testemunho de três jornalistas que estavam num bar próximo. Armando Nogueira, Deodato Maia e Octavio Bonfim prestaram depoimento, mas em seguida apareceram mais de 5.000 testemunhas oculares da história que estava sendo feita.


Outro acontecimento fundamental da vida carioca foi na noite dos anos 70. O restaurante da moda era o Antonio’s, e sofreu o assalto de ladrões. Os freqüentadores, que eram a gente boa da época, ficaram todos presos no banheiro, espaço que nem tinha um metro quadrado de superfície.


Metade do ‘beautifull people’ daquele tempo, mil e tantos ricos e famosos, esteve espremida naquele sagrado espaço. Volta e meia ainda encontro um sobrevivente daqueles tempos que me conta o assalto como façanha biográfica.


São fatos que deixaram memória na vida carioca, só superados pela imensa turba de figurantes escolhidos a dedo por Glauber Rocha para uma das cenas externas de ‘Terra em Transe’.’


 


EUA E VENEZUELA
Kenneth Maxwell


Lições desaprendidas


‘É SEMPRE salutar, para aqueles entre nós que consideram a América Latina importante, acompanhar a maneira pela qual um pequeno terremoto regional, como a derrota de Hugo Chávez no referendo da Venezuela, é coberto pela grande imprensa dos Estados Unidos. O assunto conquistou manchetes no dia seguinte, mas, pelo final de semana, já não estava nem mesmo sendo mencionado nos programas de debates em que jornalistas discutem os principais assuntos da semana.


É verdade que duas outras histórias importantes surgiram nos últimos dias: o relatório nacional de inteligência sobre o Irã -e sua conclusão de que o atual inimigo número um dos Estados Unidos havia de fato suspendido seus esforços de construção de uma bomba nuclear, em 2003. E, mais tarde na semana, a admissão pela Agência Central de Inteligência (CIA) de que vídeos de interrogatórios haviam sido deliberadamente destruídos. Mesmo assim, é surpreendente que a história sobre Chávez tenha saído tão completamente de circulação.


Os equívocos de interpretação de alguns observadores externos sobre o referendo são dignos de menção. As edições na internet de ‘O Estado de S. Paulo’ e do ‘Guardian’, de Londres, na manhã da segunda-feira posterior ao referendo, apontavam em manchete uma ‘vitória’ de Chávez! -o que diz muito sobre as inclinações ideológicas, ou ao menos os medos e as esperanças, de ambos os lados do espectro. Mas essas reações também ajudam a explicar por que a esquerda está sofrendo sua habitual cisão, com uma das alas argumentando que a democracia social e econômica importa mais que a democracia política em momentos de crise e desafio. Sob essa linha de argumentação, os direitos civis e políticos representam obstáculos à mudança progressista e podem ser dispensados, caso isso se prove necessário em nome do bem comum.


A derrota de Chávez em uma votação democrática é um grande revés para essa linha de raciocínio. Mas o fato de que ela tenha sido retomada faz com que se torne necessário questionar se a amarga lição do século 20 foi de fato aprendida -a de que visões utópicas impostas podem conduzir ao totalitarismo, de direita e esquerda; e que os direitos humanos e civis individuais, e sua proteção sob o Estado de Direito, realmente importam. O ‘por ahora’ que Chávez empregou em seu discurso de TV depois da derrota, portanto, é bastante ominoso. A primeira ocasião em que ele usou a expressão foi quando sua tentativa de tomar o poder em um golpe militar fracassou, em fevereiro de 1992.’


 


DOM LUIZ CAPPIO
Eduardo Scolese


Greve de fome de bispo não vai parar obras, avisa Lula


‘Ao receber ontem no Palácio do Planalto o comando da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse aos bispos que não irá interromper as obras de transposição das águas do rio São Francisco e que a greve de fome de d. Luiz Cappio é um problema exclusivo da Igreja Católica.


Lula afirmou que um eventual recuo do governo neste momento serviria de exemplo para que outras pessoas tomassem atitudes extremas à espera de atendimento. A CNBB admitiu em entrevista estar de mãos atadas e disse que torce para que amigos e familiares do bispo de Barra (BA) o convençam a interromper o protesto.


Na audiência, o recado de Lula à CNBB foi dado ao citar o jejum de seis dias que fez em 1980, quando ficou 31 dias preso pelo regime militar. No episódio, disse Lula segundo relatos de presentes ao encontro, d. Cláudio Hummes e outros bispos tiveram que convencê-lo a parar a greve de fome. No encontro de ontem, ainda segundo participantes, Lula disse que greve de fome é ‘coisa de desespero’, mas deixou claro que não deve interromper as obras.


Uma liminar da Justiça Federal embargou anteontem a obra. O governo deve recorrer até amanhã ao STF.


Ontem, participaram do encontro o presidente da CNBB, d. Geraldo Lyrio, e o secretário-geral, d. Dimas Lara Barbosa. Do governo, além de Lula, estavam os ministros Geddel Vieira Lima e Luiz Dulci. A audiência foi pedida pela CNBB para que os bispos pudessem expor a preocupação com o prolongamento do jejum de d. Luiz Cappio, que hoje completa 16 dias.


‘A reunião mostrou mais uma vez que o governo não está fechado ao diálogo e à contribuição de quem queira aperfeiçoar esse ou qualquer outro projeto’, disse Geddel.


Os bispos entregaram a Lula uma carta na qual se colocam ‘à disposição para a retomada do diálogo’ entre governo e d. Luiz e sugerem a criação de um grupo para analisar propostas. Questionado sobre eventual intervenção da igreja no jejum, d. Dimas afirmou: ‘A CNBB não está autorizada. Os próprios amigos dele e os familiares é que devem tomar essa decisão’.’


 


Fábio Guibu


Governo é uma ditadura, afirma bispo Luiz Cappio


‘O bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio, 61, classificou ontem o governo Luiz Inácio Lula da Silva de ‘ditadura declarada’ por ainda não ter cumprido decisão judicial que determinou a suspensão imediata das obras de transposição das águas do rio São Francisco.


‘Quando não se obedece mais o Judiciário, isso se caracteriza como uma ditadura declarada’, afirmou o religioso, em Sobradinho (540 km de Salvador), onde jejua há 16 dias.


D. Luiz disse que há total desprezo à ordem judicial. ‘Isso denota que estamos à beira da ditadura.’ A liminar foi concedida anteontem e, as obras ainda prosseguiam ontem.


O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, disse à Folha que não havia sido notificado. ‘Assim que acontecer, imediatamente o comando do Exército será notificado’, disse. ‘Este é um governo legalista e decisão da Justiça não se discute, se recorre.’


O bispo disse que a reunião entre Lula e a cúpula da CNBB não encerrará seu protesto. ‘Não muda nada.’


‘Meu estado de saúde se coloca em quarto, quinto lugar. A grande prioridade é perguntarmos como vai o estado de saúde da democracia brasileira.’


O bispo afirmou que se sente fraco e com a cabeça ‘pesada’ devido ao longo período de jejum. Apesar disso, mantém a lucidez e a aparência saudável. Recebe romeiros diariamente.’


 


IMPRENSA NA JUSTIÇA
Folha de S. Paulo


Dono de jornal em Taubaté é condenado a um ano de prisão


‘O dono do jornal ‘Matéria-Prima’, de Taubaté (SP), José Diniz Jr., foi condenado a um ano e um mês de detenção em regime semi-aberto por injúria e difamação. Ele cumpre pena desde a semana passada em Tremembé (SP).


O processo foi movido pelo advogado Antonio Luís Ravani, de Taubaté, que o acusou de difamá-lo em suas notas. Numa delas, de janeiro, Diniz diz que Ravani ‘passou todo o serviço para o colega que foi contratado pela parte contrária num processo’. Ravani disse que a prisão foi ‘mais do que justa’. Ele quer que ‘o jornal seja fechado’.


A mulher de Diniz, Selma Maria Ribeiro, afirmou que ‘essa detenção é muito injusta’: ‘Espero conseguir reverter na Justiça a pena e que ele seja solto em breve’.


A advogada de Diniz, Ana Lúcia Martins, disse que ele já foi condenado outras vezes pela mesma razão e, por ser reincidente, não pôde substituir a detenção por pena alternativa: ‘Mas vou tentar libertá-lo porque não tem cabimento você colocar [alguém] por crime de imprensa na cadeia com marginais’.’


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


‘Uma loucura’


‘Os sujeitos dos enunciados on-line saltavam sem parar de Lula aos senadores e governadores tucanos -e de volta a Lula. Que cedeu e cedeu, com todos os recursos para a saúde, a prorrogação só por um ano, depois carta, como noticiou o blog de Josias de Souza. Mas a barafunda prosseguia no campo tucano, ‘uma loucura’, postou Ricardo Noblat, minuto a minuto. O blog de Lauro Jardim deu bate-boca entre José Serra e Arthur Virgílio, pelo telefone. Serra e Aécio Neves abriram o ‘Jornal Nacional’, contrapostos a Virgílio.


Os portais e canais de notícias entravam e saíam da sessão ao vivo. O ‘último capítulo’, expressão do iG, entrou pela noite. Depois de discursos sem fim e até tentativa de adiamento, caiu a CPMF e Virgílio sorriu.


É A ECONOMIA…


Sob as manchetes on-line para o vaivém da CPMF, ontem, enunciados como ‘Aprovação do governo Lula atinge maior nível de 2007’, na Folha Online, e ‘PIB supera expectativas’, no Globo Online.


No comentário da Veja On-line, ‘é a economia… o crescimento do PIB e a avaliação positiva do governo Lula foram anunciadas há pouco, com minutos de diferença’.


PIB E O ‘LÍDER’


O PIB ecoou de imediato no exterior, da Bloomberg ao site do ‘Wall Street Journal’ dizendo que ‘cresceu muito mais do que o esperado’.


Enquanto seguem os anúncios de investimento ano que vem, do fundo de Harvard, na Folha Online, à Wal-Mart, na Reuters, a agência alemã DPA já soltou longa análise de fim de ano, ‘Lula, do Brasil, emerge como líder internacional’.


O TITÃ SEGUE TRABALHANDO


O ‘Fantástico’ entrevistou Oscar Niemeyer e focou a ‘idéia’, da própria Globo, de ‘construir um estádio com a beleza inconfundível de seus traços’ para a Copa de 2014.


Longe dos interesses globais, o ‘Times’ ouviu ontem o arquiteto e focou o próprio, que aniversaria no sábado e para quem ‘o tempo não é importante’. O jornal diz que, perto dos 100, ‘o titã da arquitetura segue trabalhando’. Chama-o de ‘rei das curvas’ e ‘uma lenda’, compara-o a Rodin e Picasso. Também o escocês ‘Scotsman’ já iniciou sua celebração chamando-o de ‘Picasso da arquitetura’.


ABUSOS


O ‘New York Times’ demorou, mas deu ontem na página A3 que ‘Estupro de garota, 15, expõe abusos no sistema prisional’. Contrastou com a entrada do país na lista do melhor IDH -e encerrou que a família está no programa de proteção, após receber ‘ameaças de morte da polícia’


GOOGLE BRASIL


Na Veja On-line, ‘o Google avança’ e em 2007, como em 2006, ‘cresceu três dígitos e projeta igual crescimento para 2008’. Em buscas, tem 86% do mercado brasileiro.


Enquanto isso, o blog de Pedro Dória deu passagem de um conto de Cory Doctorow, um dos fundadores do Boing Boing, sobre o dia em que o Google se torna instrumento de um futuro Estado policial. ‘Não tinha custado muito ao Google colocar webcams por toda a cidade’, diz trecho.


TERCEIRIZAÇÃO BRIC


Google, com AFP, e sites de tecnologia dão a nova lista dos destinos da terceirização de serviços de tecnologia da informação. ‘Os Brics dominam.’ Pela ‘língua’, a Índia segue líder, ‘mas China, Rússia e Brasil estão se mostrando alternativas confiáveis’.


TELEFONIA BRIC


BBC e Reuters dão outro estudo, da agência britânica do setor, avaliando que ‘os usuários de celular na China, Brasil, Índia e Rússia comandam o ‘boom’ global de telecomunicações’. Os chineses lideram em mensagens de texto. Os indianos, em assinantes’


 


TECNOLOGIA
Folha de S. Paulo


Telefônica transmitirá TV via satélite


‘Companhia recebeu aval do governo e vai exibir programas de emissoras abertas; assinante A Telefônica anunciou ontem um serviço que soma acesso à internet rápida, serviços de voz e programas de televisão via satélite. O produto ainda não tem um nome e será lançado no início de 2008 a um preço mensal de cerca de R$ 500.


O lançamento só foi possível porque a Telefônica obteve uma licença da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para transmitir a programas de televisão via satélite. ‘Somos os primeiros a conseguir essa autorização’, afirma Antonio Carlos Valente, presidente da Telefônica.


Segundo Stael Prata Filho, diretor-geral da companhia, esse serviço já conta com 450 mil assinantes na Espanha.


A programação da Telefônica contará com todas as emissoras da televisão aberta, incluindo a Rede Globo. ‘É a primeira vez que uma empresa fora do grupo Globo transmitirá o sinal via satélite,’ diz Valente.


A televisão por satélite da Telefônica deverá ter ainda um tipo de serviço que permitirá o acesso aos programas após sua exibição. ‘Será possível assistir, por exemplo, aos filmes e novelas quando você quiser’, afirma Fernando Freitas, assessor da presidência.


Para isso, a Telefônica passou meses negociando com a emissora. ‘Foram exatos cinco meses e um dia’, afirma Valente. ‘É um passo definitivo no segmento de entretenimento.’


Pelo acordo com a Globo, que terá validade de oito anos, a Telefônica terá direito a exibir os canais SporTV, Multishow, GNT e Globo News, mais o sinal aberto da TV Globo e os canais ‘pay per view’. Assinantes do Rio de Janeiro e de São Paulo terão acesso às produções locais, como os jornais regionais.


Estúdios de cinema também fornecerão seus conteúdos. ‘Isso permitirá baixar para a sua televisão filmes como se estivesse alugando um DVD na locadora’, diz Freitas.


Antes desse produto, a Telefônica já oferecia a Você TV, um serviço similar em parceria com a empresa DTHI. Mas, segundo apurou a Folha, ela não deverá transmitir os canais da Globo. A Você TV manterá a operação até porque os assinantes utilizam os serviços de voz e dados da Telefônica.


O acordo previa ainda que a TVA, empresa do grupo Abril em que os espanhóis têm participação, transmitirá os canais da Globo apenas em MMDS (sistema que transmite os sinais por radiofreqüência).’


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


TV paga finalmente chega aos 5 milhões


‘O mercado brasileiro de TV paga finalmente atingiu a casa dos 5 milhões de assinantes. O setor deve fechar 2007 com 5,140 milhões de domicílios atendidos, com um crescimento de 15% sobre 2006, de acordo com projeção da Globosat, a maior programadora do país.


A marca dos 5 milhões é significativa porque vem sendo perseguida há uma década. As primeiras estimativas indicavam que o país teria 5 milhões de assinantes no final dos anos 90. Mas sucessivas crises, a partir de 1997, adiaram o ‘sonho’.


Segundo Alberto Pecegueiro, diretor-geral da Globosat, a TV paga cresceu 26% desde janeiro de 2006, um desempenho inédito na história do setor.


Pecegueiro acredita que em 2008 o setor ‘manterá um crescimento significativo’, acima do PIB (Produto Interno Bruto). Diz que todas ‘as bases para isso estão lançadas’: a economia do país continua em alta e as operadoras já superaram suas crises financeiras.


Apesar do bom momento, Pecegueiro diz que a Globo não lançará novos canais básicos. ‘Não vejo espaço nas operadoras. Elas já têm suas freqüências e orçamentos ocupados.’


Pecegueiro conta que o Telecine Premium e o SporTV serão seus primeiros canais em HDTV. Mas só fará isso quando ‘houver condições econômicas’, ou seja, uma base significativa de usuários de alta definição e remuneração por parte das operadoras.


VERDE 1 O Discovery Channel terá pelo menos duas produções brasileiras em sua grade de 2008. Uma delas, no final do ano, será um documentário sobre os 20 anos da morte do ecologista Chico Mendes. ‘A idéia é contar o que mudou e até que ponto a morte de Chico Mendes contribuiu para a causa verde no Brasil e no mundo’, afirma André Rossi, gerente de programação para o Brasil.


VERDE 2 A outra produção nacional do Discovery será ‘Soluções para o Trânsito’ (de São Paulo), com gravações também na Cidade do México. A programadora terá ainda ‘Deep Blue’ (um ‘Planeta Terra’ das profundezas do mar) e ‘Peixonauta’, sua primeira co-produção de animação no país, a ser exibida pelo Discovery Kids.


PRIMA O programa diário de Xuxa Meneghel deixará de existir em 2008, como esta coluna antecipou há duas semanas. Em janeiro, o ‘TV Xuxa’ será substituído pela ‘TV Globinho’.


AZIA A Globo anuncia que, em abril, Xuxa ‘apresentará um programa vespertino, aos sábados, com muita interatividade e dedicado às crianças e à família’. Justifica que isso faz parte de um ‘processo de evolução da carreira’ de Xuxa. Ou seja, nada a ver com decadência.


BRINDE Na negociação para deixar a grade diária, Xuxa exigiu ser dirigida por alguém que goste de criança e, principalmente, dela. Os eleitos foram Luís Gleiser (atualmente no ‘Som Brasil’) e Carlos Magalhães (ex-’Sítio’).’


 


Mônica Bergamo


E Alzira dançou


‘‘Quem não viu, não vai ver mais’, avisa o novelista Aguinaldo Silva sobre a dança sensual de Alzira, personagem da atriz Flávia Alessandra em ‘Duas Caras’. ‘Vão falar que a Globo me censurou, mas não é verdade. É que ela vai ter um romance com o Juvenal Antena. Então não dá para ela dançar daquele jeito, né?’, afirma. O Ministério da Justiça tentava reclassificar o horário da novela para depois das 22h, caso a dança não saísse do ar.’


 


DOCUMENTÁRIO
José Geraldo Couto


Carvalho radiografa vida e obra de Zé Lins


‘‘O Engenho de Zé Lins’ é um título perfeito para o documentário que o cineasta Vladimir Carvalho, 72, lança amanhã em salas de cinema de São Paulo, do Rio e de Brasília.


No duplo sentido da palavra ‘engenho’ estão contidas as duas linhas de força do filme: de um lado, o contexto de decadência dos engenhos de açúcar do Nordeste, engolidos pelas usinas; de outro, a força criativa de José Lins do Rego (1901-1957), autor de ‘Menino de Engenho’, que plasmou em literatura esse processo social.


Paraibano de Itabaiana, cidade vizinha à Pilar natal de Lins do Rego, Carvalho diz que o filme tem aspecto autobiográfico, pois a figura do escritor foi importante na sua formação.


‘Meu pai era fanático por Zé Lins e eu comecei a ler os livros dele logo depois de me alfabetizar’, conta o diretor, que na infância foi punido com a palmatória pela mesma Dona Marieta, então já velhinha, que aparece moça no livro ‘Meus Verdes Anos’, de Lins do Rego.


Carvalho levou cinco anos para concluir seu documentário. A demora se deveu à falta de recursos (o Fundo de Ajuda à Cultura, de Brasília, só entrou no final da produção) e à incessante descoberta de novos documentos sobre o escritor.


‘Às vésperas de mixar o filme, uma das filhas de Zé Lins, Maria Cristina, achou a fita da entrevista que ele deu a uma rádio de Lisboa em 1956’, diz o diretor, que reorganizou o material para utilizar esse depoimento como fio condutor.


Paixão rubro-negra


Vladimir Carvalho fez a maior parte da sua pesquisa no Rio, onde vasculhou os arquivos fotográficos da Academia Brasileira de Letras, do Arquivo Nacional e da editora José Olympio, além de consultar o acervo rico e disperso das três filhas do escritor.


Encontrou coisas preciosas, como registros cinematográficos de José Lins do Rego nos casamentos de duas filhas e cantando em um banquete do Flamengo, seu clube de coração, do qual foi dirigente.


A paixão rubro-negra do escritor, aliás, ocupa boa parte do documentário, que chega a exibir trechos de um fatídico Botafogo 2 x 1 Flamengo no Maracanã. O escritor e amigo Carlos Heitor Cony chama a atenção para uma foto em que Lins do Rego aparece ‘convulsionado pelo pranto’, abraçado a uma bandeira do Flamengo, depois de uma derrota do time, possivelmente a mesma mostrada no documentário.


Morte acidental


O ponto nevrálgico do filme é um fato trágico ocorrido na infância do escritor e mantido em segredo pela família durante um século: quando menino, Zé Lins matou acidentalmente um amigo com um tiro.


Para vários dos entrevistados no documentário, essa obscura tragédia teria moldado a personalidade de Lins do Rego, ao lado da perda da mãe aos seis meses de idade e da asma que o acompanhou na infância.


Outro tema central é a amizade íntima entre Lins do Rego e Gilberto Freyre, comentada por entrevistados como Carlos Heitor Cony e Ariano Suassuna e ilustrada por lindas fotos. Numa delas, Freyre aparece nu, tomando banho de cachoeira.


Para Carvalho, o sentimento pessoal de perda que marcou a vida do escritor ecoa o processo de decadência dos engenhos. Dessa simbiose entre o íntimo e o histórico, Lins do Rego forjou clássicos como ‘Menino de Engenho’ e ‘Fogo Morto’.


Por falar em perda, melancolia e esquecimento: no filme, o diretor entrevista crianças da escola pública José Lins do Rego, em Pilar. Nenhuma delas sabe quem foi o escritor.’


 


Cássio Starling Carlos


Diretor restaura ‘engenhos’ físico e emocional do autor


‘‘A nostalgia é a saudade daquilo que a gente teve e que acabou. A melancolia é a saudade daquilo que a gente não teve.’ A bela definição, expressa por Carlos Heitor Cony em um depoimento a Vladimir Carvalho, é uma entre as várias iluminações que o documentarista paraibano lança sobre seu conterrâneo José Lins do Rego em ‘O Engenho de Zé Lins’.


Trata-se, de fato, de um trabalho de memória, no qual o ponto de partida é a constatação de um esquecimento: na cidade natal do escritor, nenhum dos alunos de uma escola que leva seu nome sabe responder quem foi José Lins, muito menos leu alguma de suas obras. Será então função das imagens mas também dos depoimentos (de familiares, amigos e contemporâneos) reconstruir o personagem. Como estamos no domínio particular da forma documentário de Vladimir Carvalho, não é o caso de esperar um retrato oficial, biográfico, de seu objeto.


Como já deixa claro o título, é o ‘engenho’ de José Lins que Carvalho vai restaurar aos nossos olhos. O engenho físico, espaço social e econômico de produção do açúcar no Nordeste, do qual o escritor gravou para sempre a forma, o sentimento e a decadência em clássicos como ‘Menino de Engenho’ e ‘Fogo Morto’. E o engenho mental, domínio estético e emocional que garantiram a José Lins um lugar excepcional na literatura brasileira.


Nesta duplicidade de sentido, Carvalho avança pela história de seu personagem, recupera suas peculiaridades e paixões e, ao mesmo tempo, reencontra uma mitologia (a do Nordeste rural, com suas belezas escondidas e suas injustiças) que assombra seu próprio trabalho, desde ‘A Bolandeira’ (1967), passando pelo essencial ‘O País de São Saruê’ (1971), até ‘O Homem de Areia’ (1982) e ‘O Evangelho Segundo Teotônio’ (1984). Mais que personagem importante, portanto, este Zé Lins é um retorno a um espaço (a Paraíba), que Carvalho nos mostra com nostalgia. O impacto maior, contudo, é quando ele nos leva a ver um tempo, hoje superado, enterrado e arruinado, para o qual só reserva a pura melancolia.


O ENGENHO DE ZÉ LINS


Produção: Brasil, 2006


Direção: Vladimir Carvalho


Quando: estréia amanhã no cine Reserva Cultural


Avaliação: ótimo’


 


Luiz Fernando Vianna


Filme retrata tristeza e utopia de Callado


‘Junto à imagem famosa do ‘doce radical’, o escritor Antonio Callado ganha uma outra contrastante no documentário ‘A Paixão Segundo Callado’, realizado neste ano em que se completam dez de sua morte e 90 de seu nascimento: a do utópico que desencantou.


‘Ele dizia: ‘O tempo está passando. Não somos mais uma nação jovem. Somos mais velhos do que os Estados Unidos, o Canadá, a Austrália. Será que dará tempo de chegarmos com eles na linha do pênalti?’. Ele pensava que devíamos ser uma nação mestiça da pesada. Quando morreu, estava triste’, conta a primogênita Tessy Callado, 57, idealizadora do filme ao lado do irmão, Paulo.


Para conduzir o documentário, eles convidaram José Joffily, que lançou duas idéias: a de que o próprio Callado, por meio das entrevistas que deu, fosse uma espécie de narrador; e a de que dois netos do escritor, João e Júlio, funcionassem como um contraponto ao avô. ‘Embora ele tenha terminado a vida cético, nostálgico, os netos não herdaram esse desencanto. Pode consolar um pouco saber que, talvez, sua utopia seja alcançada por seus netos’, diz Joffily (‘Quem Matou Pixote?’).


O documentário será lançado no sábado, às 11h, no Armazém Digital (av. Ataulfo de Paiva, 270/104, Leblon, tel. 0/xx/21/2274-5999), no Rio. Com 57 minutos, poderá ser exibido em TVs e será distribuído para escolas e universidades, mas não tem ambições comerciais.


Para Tessy e Joffily, independentemente do desencanto final, a história de Callado semeia esperança. Foi grande jornalista (atuou, entre outros, no ‘Correio da Manhã’, em ‘O Globo’ e na Folha); cobriu a Segunda Guerra para a BBC de Londres; voltou disposto a conhecer os grotões do Brasil; mergulhou na vida dos índios e produziu ‘Quarup’, seu principal romance; e superou barreiras para, em 1969, ir ao Vietnã e contar como o país resistia ao poderio militar americano.


‘É interessante notar como, uma geração antes da minha, acreditava-se realmente na transformação do mundo’, diz Joffily, 62. O filme tem depoimentos de Ana Arruda Callado, Carlos Heitor Cony, Ferreira Gullar, Fernanda Montenegro, João Ubaldo Ribeiro e outros, muitos em tom emocionado.’


 


EDUCAÇÃO
Mônica Bergamo


Quadro-negro


‘A MTV lança esta semana uma campanha para protestar contra a classificação do Brasil no Programa Internacional de Avaliação de Alunos, que colocou os estudantes brasileiros entre os dez piores do mundo em várias matérias escolares. A vinheta vai pedir que os jovens exijam dos professores melhor qualidade de ensino.’


 


MÚSICA
Marcos Augusto Gonçalves


O som da rede


‘QUEM na indústria fonográfica não gostaria de ter acesso aos dados da venda de downloads do álbum ‘In Rainbows’, do Radiohead? Embora não seja uma pioneira da web, a banda transformou-se -como gostam de escrever jornalistas do mundo pop- numa espécie de ‘ícone’ da migração do negócio de música para a internet. Patrocinou um dos lances mais ruidosos -e simples- do ano, só comparável à decisão de Prince de distribuir gratuitamente seu CD numa edição dominical do ‘Daily Mail’.


O Radiohead, como se sabe, anunciou em seu site que o novo disco estaria disponível para download, cabendo ao freguês pagar o que achasse conveniente.


Cerca de 1,2 milhão de pessoas teriam visitado o site. Mas quantas baixaram o álbum? A que preço médio? Qual a distribuição geográfica dos compradores?


Os dados são mantidos em sigilo. Uma companhia de pesquisas on-line, chamada ComScore, apresentou algumas estimativas.


O valor médio pago por download teria sido de US$ 2,26, cerca de R$ 4 -dado que foi rejeitado pela banda. Mas a ComScore não diz quantas pessoas compraram. Teria sido um número ‘considerável’. Numa conta simples, a acreditar nas estimativas apresentadas, se 1 milhão de fãs baixassem ‘In Rainbows’, o faturamento seria de R$ 4 milhões.


Comentando esses dados no ‘New York Times’, o crítico Jon Pareles observa que as grandes gravadoras -as difamadas ‘majors’- oferecem normalmente aos artistas royalties de 15% sobre o total das vendas, descontadas as despesas. Como o Radiohead não tem contrato com ‘majors’ e as despesas para essa venda on-line aparentemente foram mínimas, não haveria do que se queixar. ‘Para não falar da publicidade mundo afora’, lembra Pareles. Publicidade que ajuda a vender o CD normal, já que a banda, convenhamos, não rasga dinheiro. E ainda vem a turnê por aí.


Ontem, em entrevista à Folha, o baterista Phil Selway definiu a venda de downloads como ‘uma agradável surpresa’ e explicou que ‘se não lançarmos ‘In Rainbows’ em CD, muita gente não conseguirá ouvir o disco’. É verdade. Ou ainda é verdade, já que a marcha musical para a rede parece incontível. Neste ano, a loja virtual iTunes tornou-se a terceira maior vendedora de música nos EUA.


Houve um tempo em que a vertigem da revolução tecnológica e dos superlucros financeiros criou a imagem de que o mundo real seria absorvido por um duplo virtual chamado internet -dimensão paralela para a qual se transfeririam as mais corriqueiras atividades do homem moderno, tais como encomendar uma pizza. Profetas da net vaticinaram a extinção de diversas atividades ‘físicas’.


Com o tempo, os exageros cederam ao peso da realidade -e você continua lendo o jornal que, a crer em alguns, já deveria ter acabado. Mas o fato é que, depois do devido ajuste de contas com as finanças e o bom senso, a web, ao menos no terreno da circulação de música, está próxima de dar sentido a algumas daquelas profecias.’


 


Folha de S. Paulo


Morre o trompetista Márcio Montarroyos


‘A casa de shows carioca Mistura Fina reabriu no último dia 19 de novembro com uma noite beneficente para Márcio Montarroyos, 58. Mas não houve muito tempo para que a renda obtida contribuísse para o tratamento do trompetista contra um câncer. Ele morreu às 5h de ontem e seria enterrado à tarde (após o fechamento desta edição) no cemitério São João Batista, zona sul do Rio.


Montarroyos surgiu na cena musical no final dos anos 60 e, a partir da década seguinte, tornou-se um dos trompetistas mais requisitados por cantores brasileiros. Acompanhou Ney Matogrosso, Milton Nascimento e Edu Lobo, dentre muitos outros. E atuou em discos de estrelas internacionais como Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan e Stevie Wonder.


Também tocou com grandes instrumentistas, como Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti e Sergio Mendes. E participou de grupos como o Cama de Gato.


No show de novembro, o ‘general’ -como era chamado por muitos amigos -foi homenageado por Ney, Edu, Leila Pinheiro, Marcos Valle, João Donato, Celso Fonseca, Fafá de Belém e outros. Fragilizado fisicamente, o músico se emocionou muito.


O trompetista também foi band-leader. Entre os discos que fez com o seu nome estão ‘Stone Alliance’ (1977), ‘Magic Moment’ (1982), ‘Carioca’ (1984), ‘Terra Mater’ (1989) e ‘The Congado Celebration’ (1995).


Como agitador cultural, ajudou a fundar o Mistura Fina e foi diretor artístico da casa Giraldia Up Jazz, no Rio, entre outras atividades.’


 


POLÍTICA CULTURAL
Folha de S. Paulo


Ancine fecha acordo com governo do Rio


‘A Ancine (Agência Nacional do Cinema) firmou ontem seu primeiro convênio com um governo estadual. O diretor-presidente da agência, Manoel Rangel, e o governador do Rio, Sérgio Cabral, assinaram um acordo de cooperação no desenvolvimento do audiovisual local.


Feito com a participação da secretária estadual de Cultura, Adriana Rattes, oriunda do cinema, o acordo não prevê repasse de verbas: a Ancine fará estudos e promoverá a integração entre os segmentos do setor. Seu corpo técnico apoiará o Estado na ampliação do número de salas de cinema.’


 


LITERATURA
Leneide Duarte-Plon


Biblioteca da França abre seu ‘inferno’


‘A Biblioteca Nacional da França abriu as portas do inferno e convidou os parisienses a ver, a ouvir e a ler obras secretas. Uma ida à BNF já valeria o passeio pela arquitetura magnífica e pela visita a um bairro construído nas últimas décadas. Uma descida ao inferno junta, pois, o útil ao agradável.


As obras da mostra ‘L’Enfer de la Bibliothèque, Eros au Secret’ (o inferno da biblioteca, Eros em segredo) são raríssimas e congregam um acervo proibido, escondido há séculos. Esse ‘inferno’ está ao alcance de todos os moradores da capital francesa desde 4/12; na verdade, de quase todos, menores de 16 anos não entram.


O dicionário ‘Larousse’ de 1870 define ‘inferno’: ‘Termo que designa o lugar fechado de uma biblioteca onde são guardados livros cuja leitura se considera perigosa’. Diz ainda que, na BNF, há um lugar vedado ao público, com volumes ‘de todos os excessos da luxúria que já foram escritos e desenhados, livros de obscenidade revoltante que não devem ser divulgados sob nenhum pretexto’.


Uma das 11 edições do ‘Kama Sutra’ da coleção do ‘inferno’ recomenda no ‘aviso aos livreiros’: ‘Este volume não deve ser posto à venda ou exposto em lugares públicos’.


O ‘inferno’ tem 2.000 obras raras de erotismo e pornografia que escaparam à fogueira ou à censura. Normalmente, a essa coleção só têm acesso pesquisadores com permissão especial. Segundo o poeta Guillaume Apollinaire, que organizou, em 1913, o volume ‘L’Enfer de la Bibliothèque Nationale’, ele foi criado sob Napoleão e teria por modelo o ‘inferno’ da Biblioteca do Vaticano.


Na exposição, há 350 obras expostas ao olhar, ao toque, ao ouvido, à leitura. A coleção de gravuras japonesas do século 18 e desenhos de artistas como André Masson ou Jean Cocteau estão ali com a preocupação de elucidar a evolução das obras eróticas desde a criação da imprensa.


Religião e obscenidade


‘O que a exposição mostra são autores, polemistas e caricaturistas que abordaram questões políticas ou religiosas em termos considerados obscenos, o que fez que suas obras fossem colocadas no inferno’, diz Marie-Françoise Quignard, uma das curadoras.


‘Therèse Philosophe’, de autor anônimo, publicado em 1748, fez tanto sucesso que alarmou as autoridades, que apreenderam várias edições. Foi por meio século o paradigma do livro pornográfico.


Antes da Revolução Francesa, Maria Antonieta foi alvo de panfletos em que era mostrada como depravada, adúltera e lésbica. ‘Les Fureurs Utérines de Marie Antoinette, Femme de Louis 16’ (Os furores uterinos de Maria Antonieta, mulher de Luís 16) é um livro de poemas com desenhos delicados.


Obviamente, Sade, o divino marquês, que passou mais de 30 anos na prisão acusado de atentar contra a moral e os bons costumes, tem lugar de honra na exposição, com ‘Os 120 Dias de Sodoma’, ‘Justine’ e ‘A Filosofia na Alcova’, além do panfleto ‘Franceses, Mais um Esforço Se Quiserdes Ser Republicanos’, que prega a total ruptura com o cristianismo.


No século 18, o dos libertinos, o espaço da narrativa erótica ou pornográfica eram o convento, a alcova e o bordel. A prisão era o espaço para onde eram mandados os que escreviam, editavam ou ilustravam esses livros. Foi graças a bibliófilos que arriscaram a pele que as obras do ‘inferno’ foram preservadas.


No século 20, Jean Genet recupera a prisão como espaço erótico. No seu livro ‘Le Captif Amoureux’ (o preso apaixonado), escreve: ‘As prisões me foram acolhedoras como mães, mais que as ruas quentes de Amsterdã, Paris, Berlim ou Barcelona’. A prisão foi o lugar em que ele pôde exercer e reivindicar a homossexualidade.


Por três meses, até 2 de março de 2008, fotos, estampas, gravuras e livros raros do ‘inferno’ estarão expostos a todos os olhares. ‘Os olhos não se fartam de ver’, diz a Bíblia, no livro de Eclesiastes.’


 


EUA 2008
Contardo Calligaris


Os novos janízaros


‘A REVISTA ‘Foreign Affairs’ está publicando os programas de política estrangeira dos candidatos à presidência dos EUA (no número de novembro/dezembro 2007, foi a vez de Hillary Clinton e John McCain).


Os candidatos têm idéias diferentes sobre o futuro do Iraque, a condução da guerra contra o terror etc., mas todos compartilham uma preocupação com a ‘idéia americana’.


Por exemplo, Hillary Clinton cita um discurso famoso de Daniel Webster, que, em 1825, assinalava que os EUA deveriam cuidar não de seu poder, mas do poder da ‘idéia americana’, segundo a qual ‘com sabedoria e conhecimento, os homens podem governar a si mesmos’ (resumo perfeito do que há de melhor na modernidade ocidental).


Em suma, os presidenciáveis discordam na avaliação das políticas que enfraqueceram a autoridade moral dos EUA. Mas todos querem restaurar o caráter exemplar da experiência norte-americana.


A lógica atrás dessa urgência é esta: ‘eles’ nos odeiam porque nos julgam por alguns atos errados e não pelo que somos; é preciso lembrar que, aos trancos e barrancos, continuamos os mesmos que inventaram e defenderam a democracia e a liberdade do indivíduo, contra inimigos externos e internos. É preciso lembrar que somos os mesmos que inventaram narrativas que alimentam os sonhos do mundo inteiro.


Parece uma boa estratégia para captar simpatia, mas é fundada numa ingenuidade da razão. Explico.


Em geral, diante de qualquer outro que tenha valor de exemplo para nós, somos, no mínimo, ambivalentes. Ou seja, podemos endereçar a esse outro pedidos de ajuda e até de adoção, mas também queremos derrubá-lo. Por quê? Porque a sedução que o exemplo exerce sobre nós é vivida como uma violência que nos incita a ‘trair’ nosso jeito habitual de ser, nossa inércia. De fato, odiamos, no exemplo, nossa própria vontade de igualá-lo.


A todos (não só aos presidenciáveis americanos), recomendo a leitura de um maravilhoso pequeno romance, ‘O Fundamentalista Relutante’, de Mohsin Hamid (ed. Alfaguara). O autor (assim como o protagonista do livro) é muçulmano paquistanês, estudou nas melhores universidades americanas e foi consultor em Nova York.


O romance (em forma de monólogo endereçado a um americano, numa cidade paquistanesa) joga uma luz singular sobre o enfrentamento entre o Islã e o Ocidente e, bem além disso, sobre o conflito que surge DENTRO de cada cultura e de cada sujeito quando seduzidos e conquistados pela modernidade ocidental.


Num trecho do livro, o protagonista lembra a história dos janízaros, corpo de elite do exército do sultão, composto de crianças cristãs levadas como escravas e educadas na lei islâmica.


O que teria sido da legendária fidelidade dos janízaros se eles tivessem sido capturados quando já adolescentes ou adultos? Ou se fossem criados mantendo um contato constante com suas famílias e sua cultura de origem?


O sultão não faria uma besteira dessas. Mas é o que o Ocidente faz a cada dia, integrando (alistando) indivíduos pelo mundo afora. O Ocidente aposta na idéia ‘razoável’ de que o charme da liberdade individual e as vantagens materiais do ‘progresso’ amenizem ou compensem, em seus ‘novos janízaros’, qualquer sensação de que, ao integrar-se, eles trairiam suas origens. É uma aposta perdedora.


O novo janízaro pode desejar ardentemente sua ‘conversão’ cultural, mas o modelo segundo o qual ele entenderá e justificará sua mudança é o do escravo arrancado à força de sua terra, de seus costumes e de sua família. O ódio contra a cultura que assimila será tanto mais violento quanto mais a assimilação for fruto de uma escolha e de uma ambição do próprio sujeito que se integra (a tropa de elite dos terroristas, desde o 11 de setembro até os últimos atentados de Londres ou da Escócia, é composta por sujeitos bem integrados na sociedade ocidental).


Nota aos presidenciáveis americanos: na era da globalização, ser símbolo e exemplo da cultura dominante significa também, inevitavelmente, constituir-se como objeto de ódio. A expansão do individualismo ocidental é provavelmente sem volta, mas continuará produzindo, durante um bom tempo, novos janízaros raivosos -revoltados contra a integração que eles mesmos desejam e que, justamente por isso, parece-lhes constituir uma traição dos seus e de si mesmos.’


 


CINEMA
Folha de S. Paulo


Mais brasileiros são finalistas do Sundance 2008


‘Os cineastas Juliana Rojas e Marco Dutra estão entre os 12 selecionados na categoria novos projetos de diretores estreantes do festival de cinema independente. Foi selecionado o trabalho ‘Trabalhar Cansa’. Entre outros, concorrem Radu Jude (Romênia), Paz Fabrega (Costa Rica), Braden King (EUA) e Akira Ichinose (Japão). Quatro vencedores serão anunciados em janeiro.’


 


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O Estado de S. Paulo


Quinta-feira, 13 de dezembro de 2007


GOVERNO
Marcelo de Moraes e Ana Paula Scinocca


Senado derruba CPMF e Lula perde R$ 40 bilhões


‘Ao completar cinco anos de governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sofreu ontem sua maior derrota e perdeu no Senado a votação da emenda que prorrogava até 2011 a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Foram 45 votos pela prorrogação e 34 contra – e o governo precisava de pelo menos 49 para manter a cobrança do imposto do cheque. Agora vai ver seu cofre emagrecer R$ 40 bilhões por ano. O máximo que o Palácio do Planalto arrancou da oposição foi o compromisso de negociar, ano que vem, a proposta, formalizada apenas à noite, de investir na saúde todo o dinheiro de um novo projeto de ressurreição da CPMF.


Na mesma sessão, que durou mais de sete horas, os senadores aprovaram por 60 votos a 18 a prorrogação a Desvinculação de Receitas da União (DRU). A DRU é mecanismo que permite ao governo dispor livremente de 20% das receitas do Orçamento.


Passava das 22h30 – mais de quatro horas depois do início da sessão de encaminhamento da matéria -, quando o líder do governo na Casa, senador Romero Jucá (PMDB-RR), subiu à tribuna e leu duas cartas-compromisso do governo, uma delas assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foi o mais claro sinal de desespero do Planalto para tentar evitar, a qualquer preço, a derrota. Nas cartas, o governo se comprometeu – uma vez aprovada a proposta de emenda constitucional nº 50/2007 – a repassar integralmente os recursos da CPMF à área da saúde já a partir de 2008, de forma progressiva até 2010, à exceção dos recursos abrangidos pela DRU.


No mesmo texto, assinado pelos ministros da Fazenda, Guido Mantega, e das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, ficava claro que os novos recursos seriam acrescidos aos atuais. ‘Os novos recursos oriundos da CPMF serão acrescidos aos atuais e não substituirão as outras fontes atuais e a admissão da proposta em questão significa que os gastos referentes a inativos sejam incluídos como despesas da saúde.’


Feita a proposta, Jucá ainda solicitou que a votação fosse adiada, então, de ontem para hoje. Não adiantou. Tão logo o líder governista terminou seu discurso, o líder do DEM, José Agripino Maia (RN), e o do PSDB, Arthur Virgílio (AM), recusaram-se a adiar a apreciação da prorrogação da CPMF. ‘Respeito e vejo simpatia, e não pouca simpatia, mas muita simpatia, e levo muito a sério a carta do presidente Lula. Essa carta é o marco inicial da negociação. Mas o processo está avançado e não caberia agora. Vamos votar e tão logo os votos sejam publicados no painel abrimos a negociação’, disse Virgílio, ressaltando que a partir de agora os tucanos estariam prontos para debater o tema com o Planalto. ‘A esta altura meu partido não tem como recuar’, enfatizou Agripino.


DISCURSO DO MEDO


O encaminhamento da proposta considerada mais vital para o governo começou às 17h58. Vários senadores – mais de 40 – se inscreveram para falar. Foram diferentes argumentos favoráveis e contrários à manutenção do imposto do cheque. Os senadores da base optaram pelo ‘discurso do medo’. Ressaltaram que a reprovação da prorrogação da CPMF significaria corte de recursos para a saúde e incerteza econômica. Na contramão, os oposicionistas tentaram mostrar a contradição dos governistas, lembrando que, quando estavam na oposição, petistas eram contra o imposto criado no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.


Durante toda a sessão, os governadores do PSDB – principalmente os de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves – monitoraram os senadores do partido e tentaram convencê-los a mudar de idéia e votar a favor da prorrogação da CPMF. Não adiantou. Por volta das 23h15, com a derrota desenhada, Jucá admitindo que o governo tinha uns 45 votos, o senador aliado Delcídio Amaral (PT-MS) subiu à tribuna para dizer que o debate no plenário se assemelhava a uma ‘marcha da insensatez’.


Surpreendentemente endossando o apelo de Jucá, Pedro Simon (PMDB) pediu que os parlamentares deixassem a votação para hoje, a fim de analisarem com calma a proposta apresentada pelo governo. Foi inútil. À 1h15, a derrota do Planalto apareceu no painel do Senado. O ministro Múcio disse que o governo não pretende encaminhar uma nova emenda restabelecendo a CPMF.’


 


TV PÚBLICA
Wilson Tosta


TV Brasil vai expandir canal internacional a outros países


‘A TV Brasil expandirá para todo o mundo – em parte com nova programação, ainda a ser desenvolvida – o Brasil Integración, canal internacional antes operado pela Radiobrás e herdado pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Atualmente ele é visto apenas no Brasil e em países vizinhos.


O diretor-geral da TV Brasil, Orlando Senna, disse ao Estado esperar que até março novos programas, com mais espaço para assuntos brasileiros, possam estrear na emissora que transmite para o exterior. Ele admitiu que, diante da extensa pauta que tem a enfrentar na nova TV pública, somente dentro de um mês terá noção mais exata do que mudará. A decisão de levar o Brasil Integración para outros continentes, contudo, já está tomada.


‘Queremos desenvolver um canal internacional’, afirmou ele. ‘Irá para o mundo inteiro. Não vamos nos restringir à América do Sul.’ Com a mudança, em tese, a programação poderá também ser exibida na Europa, na América do Norte, na África e na Ásia, mas esses detalhes ainda serão acertados. Emissoras públicas de outros países, como a britânica BBC, considerada um modelo pelos idealizadores da TV Brasil, também têm canais internacionais.


COMITÊ


O canal Brasil Integración está em operação desde o segundo semestre de 2005. Sua administração é feita por um comitê gestor, com representantes do Senado, da Câmara dos Deputados, do Supremo Tribunal Federal (STF), da Subsecretaria de Comunicação Institucional da Secretaria-Geral da Presidência, do Ministério das Relações Exteriores e da EBC.


O Brasil Integración mantém parcerias com várias emissoras de outros países, como o canal 7 da Argentina, o 13 e o Capital da Colômbia e o Atel da Venezuela, e entidades, como a Associación de Televisión Educativa Iberoamericana, da Espanha. Sua programação inclui desde material da TV Justiça a coberturas especiais, como a do Fórum Social Mundial.


‘Vamos fazer mudanças bastante fortes’, prometeu Orlando Senna. ‘A idéia geral é que, como esse é um canal chamado Brasil, as pessoas que o sintonizam queiram ver o Brasil, embora tenha de manter a integração exibindo também material produzido em outros países da América do Sul.’


A Radiobrás, estatal que tinha, entre suas atribuições, a de operar o Canal Brasil Integración, está sendo fundida com a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp), organização social que comandava a TV Educativa do Rio de Janeiro (TVE Brasil) e a TV Educativa do Maranhão. Elas passaram a formar a EBC, com canais no Distrito Federal (antiga TV Nacional), Rio, Maranhão e São Paulo. A EBC também agrupa uma rede de rádios estatais e um serviço de notícias via internet.


 


VALERIE PLAME
O Estado de S. Paulo


Bush não indulta ‘Scooter’ Libby


O presidente americano, George W. Bush, não indultou I. Lewis ?Scooter? Libby, envolvido no vazamento da identidade da agente da CIA Valerie Plame, em 2003. Ex-assessor do vice-presidente, Dick Cheney, Libby é o único condenado no caso. No tradicional anúncio de indultos de fim de ano, Bush perdoou 29 presos, entre eles assaltantes e traficantes de droga. Desde 2001, o presidente americano indultou 142 presos. Em julho, Bush comutou a pena de 2 anos e meio de Libby, que ainda foi obrigado a pagar uma multa de US$ 250 mil e terá de cumprir 2 anos de liberdade condicional. O ex-assessor desistiu de apelar da pena.


 


CINEMA
Luiz Carlos Merten


‘O gosto pelo fazer me conduz’


‘Acaso, coincidência, destino? Fernanda Montenegro prefere acreditar que se trata de um dos pequenos milagres da vida. Quando leu o romance O Amor nos Tempos do Cólera, de Gabriel García Márquez, ela se comoveu com a intensidade da história de amor, mas nunca pensou que um dia estaria na Colômbia, participando do esforço internacional para levar à tela essa trama tão arrebatadora. Da mesma forma, quando jovem, após a 2ª Guerra, Fernanda lia Simone de Beauvoir e vibrava com a pensadora que esculpia uma nova consciência para a mulher do século 20. Agora, com Sérgio Brito, Fernanda prepara um espetáculo sobre Simone e, claro, Jean-Paul Sartre, já que as vidas de ambos, como ela diz, ‘são indesligáveis’.


Cinema, teatro. E a TV? Fernanda Montenegro grava nas próximas semanas sua participação na nova minissérie de Maria Adelaide Amaral – Meus Queridos Amigos. Será uma história da geração que foi revolucionária nos anos 60 e que avalia o que restou de seus sonhos (e amores). Fernanda faz a mãe de uma combatente da ditadura militar. A filha é interpretada por Denise Fraga. ‘A minissérie reúne os maiores talentos da geração que está hoje nos 30/40 anos’, diz Fernanda, feliz de estar de volta à televisão num trabalho que vai ao ar em fevereiro, e que ela antecipa que poderá ser muito bom. ‘Maria Adelaide (Amaral) é uma autora rara. Na televisão e no cinema brasileiros, as pessoas falam muito. Somos verborrágicos, muitas vezes para dizer pouca coisa. Maria Adelaide controla as palavras, escreve o diálogo exato.’


A TV em fevereiro, o teatro no segundo semestre de 2008, pois é importante que seja no ano que vem, quando se comemora o centenário de nascimento de Simone de Beauvoir. Como Sartre, ela foi uma das personalidades políticas mais influentes do século 20. Se depender de Fernanda e Brito, a data não passará em branco. A peça será redigida por Geraldo Carneiro. Fernanda e Brito pesquisam, lêem livros. Fazem leituras dramáticas privadas, em voz alta, a dois. A assessora de Fernanda, Carmem, conta que foi um privilégio assistir à leitura de A Cerimônia do Adeus, o adeus de Simone a Sartre e à sua geração. ‘Nós estamos vivendo uma era de adeuses’, diz Fernanda. ‘Só no teatro, perdemos (Gianfrancesco) Guarnieri, Paulo Autran, Raul Cortez. E não são só essas perdas. O mundo mudou, ficou muito diferente dos sonhos da minha geração. Nós queríamos mudar o mundo. Mas não lamento. Estamos vivos, e só isso já é uma grande vitória, um grande milagre.’


O fim de ano é sempre uma fase de muita correria. ‘Não sei se para vocês, homens, é assim, mas para nós, as mulheres, é.’ Grandes e pequenos personagens, Fernanda abraça todos, roubando tempo à família, ao marido, aos netos. O que a move? ‘É a adrenalina. E também o fazer – o gosto pelo fazer.’ Sua presença em São Paulo, nesta segunda-feira, deveu-se ao trabalho. Fernanda veio dar algumas entrevistas sobre O Amor nos Tempos do Cólera, que estréia no dia 28. Ela ainda não sabia das reações da crítica norte-americana ao filme que o inglês Mike Newell adaptou de García Márquez. O crítico do L.A. Weeekly, jornal de distribuição gratuita em Los Angeles que tem, talvez, a crítica mais interessante – até porque alternativa – dos EUA, bateu pesado. Disse que Newell fez a pior adaptação de qualquer livro, de qualquer vencedor do Prêmio Nobel, em qualquer época. Uma avaliação arrasadora, da qual Fernanda não participa. ‘O livro do García Márquez narra uma história de amor como aquelas que o cinema não apresenta mais.’ Ela sempre teve dúvidas se o público conseguiria entrar no clima dessa história que atravessa o tempo. Um homem ama uma mulher que conhece na juventude. Perde-a para outro, ou para os preconceitos da sociedade de sua época, que não aceita o casamento de uma herdeira, mesmo de uma família decadente, com um poeta sem eira nem beira. Passam-se décadas antes que o herói, velhinho, consiga realizar seu desejo.’


‘É um sentimento visceral, mas que, infelizmente, ficou antigo’, define Fernanda, que identifica em O Amor nos Tempos do Cólera a mesma intensidade de obras como Esposamante, de Marco Vicario, ou O Inocente, de Luchino Visconti. Não por acaso, são dois diretores italianos – latinos, portanto. Compartilham com García Márquez a verdadeira pororoca de sentimentos que carrega como um turbilhão os personagens do escritor. ‘O filme é uma grande produção de Hollywood, um filme caro, mas admiro o esforço e a dedicação do Newell, que rodou na Colômbia, com uma equipe predominantemente latina.’ Fernanda não poupa elogios a Javier Bardem, que faz seu filho. ‘Sou uma grande admiradora do trabalho dele. Acho que Javier não é só um fenômeno como ator, mas também é um homem cuja presença física atua de forma muito forte no imaginário erótico das mulheres. Ele parece um daqueles touros do Picasso.’


Newell é um diretor eclético, que fez filmes muito diferentes entre si (de Harry Potter e a Ordem do Fênix a O Sorriso de Mona Lisa, de Dançando no Escuro a Quatro Casamentos e Um Funeral e Donnie Brasco). ‘Mas ele é um homem de cultura, um grande diretor de atores e, se você for olhar, tem um recorte de temas que percorre seu cinema. São filmes que falam de amor, de morte, de tempo.’ Tudo isso se encontra em O Amor nos Tempos do Cólera e, se for possível reprovar alguma coisa em Newell, será sua prudência. O repórter cita a melhor cena – Javier Bardem, cujo personagem, no filme, é considerado homossexual, mas na verdade é um garanhão que substitui uma mulher levando todas as outras para a cama. Ele está na cama com essa amante ocasional que chupa, olhem o detalhe, não o dedo, mas uma chupeta de bebê. Fernanda é sábia – ‘Se o filme tivesse mais disso seria alternativo, não mainstream.’’


 


Uma história de amor como Hollywood já não faz


‘Após o sucesso de Central do Brasil, que lhe deu prêmios importantes em todo o mundo – e a colocou entre as finalistas para o Oscar da Academia de Hollywood -, Fernanda Montenegro foi tão assediada por produtores de fora que, como diz, um dia teria de tentar. Ela admite que fez O Amor nos Tempos do Cólera um pouco por curiosidade. ‘O Mike (o diretor Newell) me ligou dizendo que o papel era pequeno, mas importante e ele gostaria muito que eu fizesse. Até para poder dizer não, li o roteiro (de Ronald Harwood, vencedor do Oscar por O Pianista, de Roman Polanski) e achei bem adaptado. O filme seria uma grande produção de Hollywood, mas filmado na Colômbia, com uma equipe predominantemente latina. Só de brasileiros, éramos sete, incluindo o fotógrafo Afonso Beato e o compositor Antônio Pinto. Entre idas e vindas, trabalhei durante um mês. Foi uma grande experiência.’


Fernanda admite que uma coisa pesava contra – ‘É muito difícil representar em outra língua.’ Mas ela assumiu o fazer sua personagem, que significativamente se chama Trânsito, em inglês. Uma cena no roteiro foi decisiva para que ela dissesse sim. Trânsito enlouquece de solidão, de medo pelo futuro do filho. ‘No livro, isso é muito mais detalhado, mas no filme havia aquela cena da Trânsito em casa, uma velha maquiada como se fosse uma boneca.’ Era preciso achar o tom certo. Não ser exagerada nem caricatural. Mike ajudou muito para que Fernanda achasse o equilíbrio.


Boa parte da equipe técnica vinha do México, o elenco de apoio era predominantemente colombiano, Afonso Beato levou seus assistentes de câmera. Uma grande confraternização latino-americana e sob o comando de um diretor que tinha grande respeito, não só pelo material, mas pela cultura latina. ‘O Mike disse, quando veio ao Festival do Rio, que não conhecia nada da cultura latina. O filme foi uma descoberta para ele.’ Uma coisa Fernanda não deixa por menos e considera genial – é a trilha de Antônio Pinto, que já havia feito Central do Brasil. ‘Antônio fez um trabalho maravilhoso’, ela diz.’


 


Luiz Zanin Oricchio


Para rever o ano do Brasil nas telas


‘O cinema brasileiro vai bem ou mal? Depende de como e para onde se olha. Produz cerca de 70 longas por ano, mas eles ocupam pouco mais de 11% do mercado interno, em média. Isso em termos quantitativos. E em termos qualitativos? Bem, há filmes para todos os gostos, de comédias a dramas sociais, e, claro, a qualidade também varia bastante. Enfim, quem quiser ter idéia do que foi 2007 para os filmes nacionais poderá acompanhar a Retrospectiva de Cinema Brasileiro que se realiza de hoje a 27 no CineSesc. São 59 filmes, cobrindo quase todo o espectro das estréias do ano até agora. Só ficou de fora Mutum, de Sandra Kogut, ainda em cartaz e com poucas cópias disponíveis. O restante estará lá, na tela do Cine Sesc.


Hoje mesmo podem ser vistos alguns exemplos da propalada diversidade da produção atual. Você pode conferir o drama político Batismo de Sangue, de Helvécio Ratton, que fala da tortura e sacrifício de frei Tito nos tempos da ditadura militar. Ou pode ver /ouvir o musical Cartola, inventiva cinebiografia do mestre da Mangueira dirigida por Lírio Ferreira. Pode também curtir PodeCrer!, simpático e inspirado retrato da juventude dos anos 80, de Arthur Fontes.


As atrações se sucedem a cada dia. Amanhã, por certo, será a vez de quem deseja ver, ou rever, o filme que produziu o maior tititi da temporada – Tropa de Elite. A exibição do longa-metragem de Padilha reveste-se de atrativo especial pois foi selecionado para Berlim, em fevereiro de 2008, na mostra competitiva de um dos três festivais de cinema mais importantes do mundo.


Até pela natureza da proposta, a Retrospectiva é abrangente, includente e democrática. Procura ampliar-se a cada ano. Em 2006 foram 43 longas; neste ano, 59, quase a totalidade do que foi lançado até agora. Cabem filmes de empenho artístico como Cão sem Dono, de Beto Brant,ou A Casa de Alice, de Chico Teixeira, aliás duas obras aparentadas em projeto e linguagem. Entram também opções populares como A Grande Família ou A Turma da Mônica – Uma Aventura no Tempo. A separação entre ‘artístico x comercial’ é muito discutível, mas é hipocrisia (ou demagogia) dizer que tudo é cinema e ponto. Mas, por exemplo, a melhor bilheteria do ano foi de Tropa de Elite, filme popular porém de boa qualidade, em opinião quase unânime. No entanto, é notório que produtos televisivos que se estendem ao cinema, como é o caso de A Grande Família, não têm nada de novo a propor que já não o tivessem feito em seu formato original. Mas cabem na radiografia anual proposta pelo Cine Sesc.


Analisar essa produção em conjunto serve, também, para notar que, apesar a diversidade temática e de gêneros, as opções de linguagem cinematográfica são menores. Por um lado, há a dominância da linguagem televisiva em filmes que se julga destinados ao público amplo. Por outro, o realismo, em suas variantes, domina em obras que se propõem a algum tipo de crítica social, como por exemplo o brutalismo de Baixio das Bestas, um dos mais contundentes do ano. Há pouco espaço para a fantasia e também para a comédia.


Esse panorama contempla também outra tendência marcante do cinema brasileiro contemporâneo – o crescente número de documentários, alguns de alta qualidade. Também entre eles prevalece a diversidade, pelo menos temática. Algumas recorrências: vários abordam temas ou personagens musicais, como Cartola, Brasileirinho, Sambando nas Brasas, Morô?, Maria Bethânia – Pedrinha de Aruanda e Fabricando Tom Zé. Não é que o Brasil redescubra a sua música, porque ela nunca deixou de estar em evidência. É o cinema que embarca (de novo) nessa vocação musical do País.


Mas existem também as vocações políticas, como a de Silvio Da-Rin e seu Hércules 56, extraordinária recriação de um fato dos anos da ditadura, o seqüestro do embaixador norte-americano trocado por presos políticos. Em linha semelhante, Caparaó, memórias da ‘guerrilha do Brizola’, relembra a primeira contestação armada ao regime de 1964. Encontro com Milton Santos é retrato de um intelectual e também um comentário político sobre a história do Brasil e sua posição no mundo globalizado.


No entanto, talvez tenha sido no âmbito da intimidade, das relações pessoais, que o cinema de 2007 obteve suas melhores realizações. Uma ficção sensível como A Via Láctea, de Lina Chamie, é representante dessa tendência. Como também o são os documentários Santiago, de João Moreira Salles, e Jogo de Cena, de Eduardo Coutinho, ambos no ápice do que foi produzido por aqui neste ano. Feitas as contas, o balanço é amplamente positivo.


Serviço


Retrospectiva de Cinema Brasileiro. CineSesc (R. Augusta, 2.075, 3082-0213).HojeMeteoro, 15 hPodeCrer!, 17h20Cartola, 19h20Batismo de Sangue, 21h20


R$ 4 (estudantes e idosos R$ 2, comerciários R$ 1). Passaporte para todos filmes: R$ 30 (estud. e idosos 15, comerciários R$ 7,50)’


 


MÚSICA
Jotabê Medeiros


TCE aponta gasto irregular com Osesp


‘Decisão do Tribunal de Contas do Estado, de outubro, considerou irregular a prestação de contas dos recursos destinados à Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) durante os anos de 2002 a 2004. A manutenção da orquestra, naquele período, foi feita por intermédio da Fundação Padre Anchieta (TV Cultura), e o dinheiro era proveniente da Secretaria de Estado da Cultura.


O responsável pelo convênio foi o então secretário de Cultura, Marcos Mendonça, que criou com a TV Cultura (então presidida por Jorge Cunha Lima) o Programa de Integração Música-TV, assinado em 16 de abril de 2002, e cuja vigência foi até 15 de dezembro de 2004.


O TCE considerou que a prestação de contas daqueles gastos reuniu ‘‘anêmica e incompleta documentação’ e que não houve efetiva comprovação do dinheiro aplicado. Por conta disso, e do ‘apático silêncio dos interessados’, segundo a decisão do tribunal, foi determinado que a Secretaria e a TV Cultura devolvam aos cofres públicos R$ 16.391.851,76 (atualizados).


O ex-secretário Marcos Mendonça, que também presidiu a TV Cultura entre julho de 2004 e maio de 2007, disse anteontem que ‘é evidente que o dinheiro foi aplicado no projeto, porque a orquestra está aí, funcionando’. Segundo Mendonça, o que pode ter havido é uma ‘falha burocrática’ na prestação de contas, mas acredita ser possível comprovar o gasto do dinheiro com a manutenção da orquestra.


Segundo Mendonça, a entidade responsável pela prestação de contas seria a Fundação Padre Anchieta, que ele presidiu. ‘Mas eu assumi em julho de 2004, o repasse já tinha acabado nessa época’, justificou. ‘Mas é claro que a fundação pode comprovar o gasto desse dinheiro.’


Jorge Cunha Lima, que foi presidente da Fundação Padre Anchieta no período, disse que a TV Cultura foi usada apenas como um ‘instrumento prático’ para a gestão da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, enquanto esta não se tornava uma Organização Social (instrumento jurídico que lhe dá autonomia gerencial). ‘Não há condenação (do TCE)’, disse Cunha Lima. ‘Tem um problema formal. O que ficou faltando é a secretaria passar para o tribunal as informações que já foram dadas.’


Segundo Cunha Lima, ‘a orquestra taí, o serviço todo mundo conhece’, e o que está faltando é apenas ‘informação jurídico-contábil’ da prestação de contas. Não faria sentido, segundo ele, pagar por algo que está funcionando, a Osesp.


O caso acabou caindo no colo do atual secretário de Cultura, João Sayad. Em mensagem à reportagem do Estado, Sayad disse que o problema, de fato, existe, e decorre do fato de a Fundação Padre Anchieta não ter prestado contas de forma adequada sobre a utilização dos recursos. O caso será levado a julgamento no tribunal, e pode ser imposta multa aos responsáveis, Mendonça e Cunha Lima.


Só depois desse procedimento, diz Sayad, é que a secretaria instalará comissão para saber se houve prejuízo ao erário. ‘Se positivo, os responsáveis são chamados a devolver os recursos. Se negativo, fica-se na multa’, ele considerou. Outra decorrência seria que a a procuradoria-geral do Estado de São Paulo poderia, a seu juízo, acionar os responsáveis para ressarcimento dos cofres públicos.


A Fundação Padre Anchieta informou que foi notificada pelo TCE no dia 22 de novembro e tem até 22 de dezembro para prestar esclarecimentos adicionais. Para a fundação, trata-se de procedimento burocrático normal da análise de contas da instituição.’


 


TELEVISÃO
Etienne Jacintho


Discovery tem novos parceiros


‘O grupo Discovery traça seus planos para 2008 e, entre as novidades, está a parceria com a família Schurmann. A primeira ação do acordo será a exibição do documentário Mundo em Duas Voltas no Discovery Channel em fevereiro, dentro da faixa Verde e Amarelo. A estratégia do grupo é aumentar a produção local para alimentar essa faixa das sextas-feiras. Afinal, a criação do Verde e Amarelo rendeu um aumento de 86% da audiência do canal no horário.


Além desse acordo, o grupo fechou parceria com a Mixer para a produção de dois programas. Um deles vai mostrar soluções para o trânsito em São Paulo e será exibido no Discovery Channel. A segunda co-produção está sendo feita para o Discovery Home & Health e listará destinos brasileiros para passar a lua-de-mel.


‘Queremos dar um sabor brasileiro à programação dos canais Discovery’, conta Fernando Medin, gerente-geral e vice-presidente da Discovery no Brasil. ‘O Discovery quer trazer o mundo para o Brasil e também levar o Brasil ao mundo.’ As produções locais são exibidas em toda a América Latina e também no canal americano Discovery en Español.


Outra ação do grupo para 2008 poderá ser vista no canal People + Arts que, durante as férias, vai poupar o público dos intervalos comerciais duas vezes por semana, no primetime.


ALTA DEFINIÇÃO


Segundo Medin, o grupo Discovery já tem tudo pronto para transmitir ao Brasil sinal de programação em HD. ‘Estamos preparados para lançar o HD quando o mercado quiser’, fala o vice-presidente. ‘Temos um dos maiores acervos do mundo em programação em alta definição, mas temos de ver como se comportará a economia, o mercado e aguardar até as operadoras estarem prontas.’’


 


ARTE
O Estado de S. Paulo


APCA elege os melhores de 2007


‘Reunidos na noite de terça-feira, na sede do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, cerca de 50 críticos da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA) elegeram os melhores do ano em nove categorias: artes visuais, cinema, dança, literatura, música popular, rádio, teatro, teatro infantil e televisão. Os prêmios serão entregues em festa no Teatro Sérgio Cardoso, em 25 de março. A entidade (sem fins lucrativos, patrimônio ou contratos de remuneração) está em busca de patrocínio. O endereço eletrônico é: www.apca.org.br. Não houve quórum de críticos para votação em música erudita.


ARTES VISUAIS


Grande Prêmio da Crítica: Cinéticos/Instituto Tomie Ohtake


Retrospectiva: Vieira da Silva/MAM-SP


Exposição Internacional: Kurt Schwitter- 1887-1948 – O Artista Merz/Pinacoteca do Estado


Exposição: Marc Ferrez/Instituto Moreira Salles


Obra Gráfica: Guto Lacaz/Centro Cultural S.Paulo


Fotografia: Vicente de Mello/Pinacoteca do Estado


Iniciativa Cultural: Fundação Ema Gordon Klabin


Votaram: Antonio Santoro Jr., Dalva de Abrantes, Luiz Ernesto Machado Kawall, José Henrique Fabre Rolim, Nathalia Lavigne e Rubens Fernandes Jr.


CINEMA


Filme: Jogo de Cena (Eduardo Coutinho)


Diretor: José Padilha/Tropa de Elite


Fotografia: Baixio das Bestas/Walter Carvalho


Roteiro: Cão Sem Dono/Beto Brant-Renato Ciasca/Marçal Aquino


Montagem: Tropa de Elite/Daniel Rezende


Ator: Selton Mello/O Cheiro do Ralo


Atriz: Carla Ribas/Casa de Alice


Votaram: Neusa Barbosa, Walter Cezar Addeo, Flávia Guerra, Marcos Pinho, Luiz Carlos Merten, Érico Fuks e Franthiesco Ballerini


DANÇA


Espetáculo: Experimentações Inevitáveis + Antropofágica3 /Cia. Nova Dança 4


Criação/Intérpretes: Vapor – Helena Bastos/Raul Rachou


Concepção em Dança: Gustavo Ciríaco/Still Sob o Estado das Coisas


Bailarino: Dielson Pessoa/Balé da Cidade de São Paulo


Produção em Dança: Dora Leão/Platô Produções


Pesquisa em Dança: Cena 11 – Pequenas Frestas de Ficção Sobre Realidade Insistente


Votaram: Christine Greiner, Helena Katz e Marcos Bragato


LITERATURA


Ficção: O Filho Eterno/Cristóvão Tezza


Não-Ficção: O Príncipe Maldito/Mary del Priore


Contos: A Copista de Kafka/Wilson Bueno


Memórias: Conspiração de Nuvens/Lygia Fagundes Telles


Reportagem: O Chão de Graciliano/Audálio Dantas e Tiago Santana


Poesia: Belvedere/Chacal


Votaram: Dirce Lorimier Fernandes, Marcelo Pen, Ricardo Nicola, Ubiratan Brasil e Luiz Costa Pereira Jr.


MÚSICA POPULAR


Disco: Onde Brilhem os Olhos Seus/Fernanda Takai


Cantora: Roberta Sá


Cantor: Paulinho da Viola


Grupo: Orquestra Imperial


Revelação Feminina: Marina de La Riva


Revelação Masculina: Edu Krieger


Grupo Revelação: Fino Coletivo


Votaram: Inês Correia, Pedro Alexandre Sanches e José Norberto Flesch


RÁDIO


Grande Prêmio da Crítica: Rádio Eldorado AM – Ingresso no setor esportivo em parceria com a ESPN Brasil


Musical: Sala de Professores/Eldorado FM


Variedades: Fim de Expediente/CBN


Cultura: Noites Paulistanas/CBN


Internet: Podcast Muqueca de Siri/www.muquecadesiri.podomatic.com


Humor: Energia na Véia/Radio Energia 97


Programa: Plug Eldorado/Eldorado AM


Votaram: Marcos Lauro, Marco A. Ribeiro e Sílvio Di Nardo


TEATRO


Grande Prêmio da Crítica: Bibi Ferreira


Espetáculo: My Fair Lady


Diretor: Gabriel Villela/Salmo 91


Atriz: Renata Zhaneta/A Grande Imprecação Diante dos Muros da Cidade e Macbeth – A Peça Escocesa


Ator: Guilherme Weber/Educação Sentimental do Vampiro


Autor: Fauzi Arap/Chorinho


Prêmio Especial da Crítica: Satyrianas – Uma Saudação à Primavera


Votaram: Afonso Gentil, Antonio Sergio Pachoal, Celso Curi, Érika Riedel, Evaristo Martins de Azevedo, Mauro Fernando, Maria Lúcia Candeias e Michel Fernandes


TEATRO INFANTIL


Espetáculo: O Tesouro do Balacobaco


Texto: O Cadarço Laranja/Milton Morales Filho


Texto Adaptado: Othelito/Ângelo Brandini


Direção: Fábulas/Fernando Yamamoto


Ator: Rogério Ferraz/Fábulas


Atriz: Alexandra Golik/Peter Pan e Wendy


Cenário: O Menino Teresa/Marisa Bentivegna


Votaram: Dib Carneiro Neto, Gabriela Romeu,Marcelo Ventura, Fernanda Araújo e Helena Galante


TELEVISÃO


Novela: Paraíso Tropical/Gilberto Braga (Globo)


Atriz: Camila Pitanga/Paraíso Tropical (Globo); e Jussara Freire (Vidas Opostas /Record)


Ator: Wagner Moura/Paraíso Tropical (Globo); e Marcelo Serrado/Vidas Opostas (Record) e Mandrake (HBO)


Programa de Entrevistas: Irritando Fernanda Young/GNT Programa Feminino: Hoje em Dia/Record


Votaram: Edianez Parente, Etienne Jacintho e Leila Reis’


 


ARQUITETURA
Felipe Werneck


A França e o comendador Niemeyer


‘A três dias de completar 100 anos, o arquiteto Oscar Niemeyer bebeu champanhe ontem de manhã com o embaixador da França no Brasil, Antoine Pouillieute, no escritório onde trabalha numa cobertura na Praia de Copacabana, zona sul do Rio. Citado como ‘lenda, gênio e mestre’ pelo embaixador, o arquiteto recebeu insígnias e foi nomeado Comendador da Legião de Honra, a mais alta distinção civil e militar francesa.


Os dois brindaram e conversaram em francês. Depois, o embaixador explicou que Niemeyer lhe contou que foi uma decisão pessoal do general Charles de Gaulle conceder uma autorização especial para que ele trabalhasse na França durante o período em que viveu naquele país exilado pela ditadura militar.


‘Isso é uma comprovação do que a França foi para mim. Eles foram solidários desde o primeiro dia que cheguei lá. É um povo que admiro, um povo inteligente, pronto para qualquer movimento de defesa do país. Um país fantástico, estou muito satisfeito com uma homenagem de um país como este’, agradeceu Niemeyer, para quem a entrega da comenda é especial. ‘Vem justamente do país onde no momento em que eu mais precisava de apoio isso não me faltou, ao contrário.’


O arquiteto disse ao embaixador e depois em entrevista que considera sua obra mais importante na França a sede do Partido Comunista francês, em Paris. Porém, ele lembrou que o exílio foi também um período difícil porque pensava muito nos brasileiros que estavam no Brasil ‘sujeitos a toda sorte de ameaças’. Niemeyer voltou a dizer que comemorar 100 anos ‘é bobagem’. ‘Depois de 70 a gente começa a se despedir dos amigos. O que vale é a vida inteira’, afirmou. Ele acrescentou que dá ‘certa tranqüilidade’ olhar para trás e ver que não fez concessões e seguiu bom caminho.


Em discurso, o embaixador da França disse que o presidente francês Nicolas Sarkozy fez questão de homenagear o arquiteto brasileiro. ‘Mestre, saiba que os franceses que não conhecem o Brasil admiram-no primeiramente pelas obras que lhes ofereceu, como a Casa da Cultura do Havre ou a Bolsa do Trabalho de Bobigny. Eles têm, em seguida, um grande respeito por seu engajamento político quando a ditadura impôs-lhe um exílio que o levou à França. A sede do Partido Comunista francês em Paris ou a do jornal L’Humanité, em Saint-Denis, são o testemunho de suas convicções de sempre’, declarou Pouillieute.


‘Por fim, eles leram seus livros, especialmente Minha Arquitetura, publicado em 2004, no qual o senhor explica o quanto a curva inspirada na mulher e na natureza, força a poesia poderosa e sensual do concreto’, acrescentou o embaixador. O diplomata contou que tem admiração particular pela escultura intitulada A Mão Oferecendo uma Flor, que ornamenta o Parque de Bercy, em Paris, perto da Passarela Simone de Beauvoir, enquanto que, do outro lado do Rio Sena, destaca-se a Biblioteca Nacional da França.


O engenheiro e parceiro de Niemeyer, José Carlos Sussekind, lembrou que Niemeyer viveu praticamente dez anos na França e foi acolhido como um francês. ‘Talvez das homenagens que ele recebeu essa seja a mais bonita’, classificou.’


 


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