Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1018
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JORNAL DE DEBATES >

Quando a internet não é sinônimo de democratização

20/03/2008 na edição 477

A internet mudou profundamente as práticas jornalísticas nos EUA, mas não do modo previsto há alguns anos. A conclusão é da pesquisa anual ‘State of the News Media’, realizada pelo Project for Excellence in Journalism [Projeto de Excelência em Jornalismo], ligado ao Pew Research Center. A mais recente edição do estudo, divulgada esta semana, revelou que a crença de que a rede democratizaria a mídia, dando amplo espaço a diversas vozes, histórias e perspectivas, caiu por terra.


Atualmente, os sítios continuam reproduzindo notícias que são divulgadas em outras mídias – ou seja, a pauta, de maneira geral, continua idêntica. Para se ter uma idéia, dois temas – a guerra no Iraque e a eleição presidencial americana – representaram mais de ¼ das matérias de jornais, TV e veículos online em 2007. Se não forem levados em consideração assuntos ligados ao Iraque, Irã e Paquistão, a pauta internacional preencheu menos de 6% do noticiário americano.


Fatos novos


Hoje, a notícia está mais próxima de um serviço que deve ser atualizado continuamente do que de um produto final e acabado, preso nas páginas de uma revista ou jornal, defende a pesquisa. O escândalo que levou à renúncia do governador de Nova York, Eliot Spitzer, foi divulgado originalmente no sítio do New York Times e se tornou a pauta dominante da semana passada nos EUA. Há apenas alguns anos, diz Tom Rosenstiel, coordenador da pesquisa, os sítios dos jornais eram considerados uma espécie de ‘necrotério online’ para as notícias do dia, veiculadas primordialmente no papel.


Além disso, sítios jornalísticos e blogs não são vistos pelos internautas como destinos finais para se obter informações. Uma notícia em determinada página serve de caminho para outros links, e outras notícias. Segundo Rosenstiel, é possível até se chegar a uma matéria do New York Times através do sítio do Washington Post, por exemplo.


O coordenador afirma também que, mesmo que a audiência dos veículos impressos ainda consiga se manter, o encolhimento das redações é uma tendência. Os jornalistas passam a atuar em várias frentes: produzem textos acompanhados de vídeos e conteúdo de áudio para serem colocados na internet e escrevem blogs. A redação torna-se, cada vez mais, um local de inovação e experimentação. Veja o relatório na íntegra, em inglês, aqui. Informações de David Bauder [AP, 17/3/08].

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