Quarta-feira, 18 de Julho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº996
Menu

JORNAL DE DEBATES > FLAGRANTE DE DROGAS

Quando o jornalista é notícia

Por Alberto Dines em 17/04/2008 na edição 481

A prisão do jornalista Roberto Cabrini, da TV Record, por tráfico de drogas, deve ser discutida com seriedade, distanciamento e responsabilidade. Em primeiro lugar, convém levar em consideração que a acusação de tráfico de drogas decorreu da negativa do jornalista em admitir que é usuário. Já que não é usuário, tem que ser obrigatoriamente traficante?


Se um policial à paisana é pego em flagrante com papelotes de cocaína não pode alegar que estaria tentando infiltrar-se no sistema de distribuição da droga? A informação prestada pela Rede Record de que seu funcionário trabalhava numa reportagem não é suficiente para garantir ao profissional o benefício da dúvida? E a informação da ex-namorada do jornalista garantindo que ele consumia drogas não invalida a tese de narcotráfico?


É evidente que a mídia não pode escamotear a informação de que o jornalista foi preso e as circunstâncias em que o fato ocorreu, mas é preciso escapar tanto do viés solidário como das disputas comerciais que envolvem as principais redes de TV.


O bem e o mal


A imprensa brasileira está passando por um dos seus momentos mais difíceis. Por um lado temos certas esferas governamentais incomodadas com a pressão da mídia no caso dos cartões corporativos, além disso certas parcelas da opinião pública estão indignadas com a cobertura do assassinato de Isabella Nardoni, que consideram preconceituosa e sensacionalista. Basta ver os resultados da urn@ eletrônica do site do Observatório da Imprensa com a cifra recorde de quase 16 mil votantes em pouco mais de 24 horas.


E, como se não bastasse, temos conhecidos jornalistas engalfinhados nos respectivos blogs e através da justiça em questões pessoais e morais que acabam inevitavelmente respingando na instituição.


Jornalistas não podem colocar-se acima do bem e do mal. Mas jornalistas não têm o direito de ignorar que podem estar sendo usados para desacreditar o jornalismo.

Todos os comentários

  1. Comentou em 19/10/2010 Iapony Galvão

    Caros amigos do OI. Acompanho o programa na TV desde as primeiras exibições em 1998 e nunca escrevi por acreditar que o programa está sendo bem conduzido. Infelizmente, mais um jornalista nordestino foi assasinado por falar o que pensa, registrar a realidade. O sr. Francisco Gomes, conhecido por ‘F.Gomes’ foi assasinado na frente de sua casa, no municipio de Caicó, a 300 Km de Natal/RN. Gostaria que você citassem algo sobre o assasinado pelo menos no site, afim de alertar contra esses absurdos crimes.
    Veja matéria publicada no portal potiguar nominuto.com:
    O radialista Francisco Gomes de Medeiros, mais conhecido como F. Gomes, foi vítima de um atentado na noite desta segunda-feira (18), em Caicó. Ele foi alvejado por vários tiros, na porta de casa, e morreu no hospital.
    A informação foi confirmada pelo comandante da PM em Caicó, coronel Cipriano. ‘Ele estava em casa quando dois homens se aproximaram em uma motocicleta e efetuaram vários disparos’, disse o oficial.
    Coronel Cipriano informou ainda que o radialista foi socorrido e levado ao hospital da cidade. ‘Ainda estamos com informaões desencontradas, mas ele foi atingido’, revela.
    O portal Nominuto.com conversou com o também radialista Sidney Silva que era amigo de F. Gomes. Ele confirmou a morte. ‘Estou no hospital e ele realmente faleceu’, lamenta.
    Desde já, agradeço a atenção
    Ipaony Galvão

  2. Comentou em 21/04/2008 aureni almeida

    Qual o limite do jornalista e ou o veículo se deixar usar…domingo o que vimos no fantástico? quem usou quem na entrevista do casal suspeito pela morte da Isabella? ficou tão evidente que eles queriam uma forma de confundir a opinião pública que recorreram a maior audiência e fizeram num domingo. Afinal o que aconteceu?????

  3. Comentou em 19/04/2008 Eliane Maria Arruda Silva

    O jornalista, sobretudo consciente e corajoso, incomoda, e tanto que se vêem mundo afora: prisões, expulsões, retaliações e assassinatos de jornalistas. Na certa, o crime organizado viu no jornalista Cabrini uma ameaça às suas ações e planejou convertê-lo em bandido, essa é a minha opinião, espero que esteja certa. As pessoas precisam compreender a importância de um jornalista para a sociedade. Sem eles, como saberíamos dos mensalões da vida, dos cartões corporativos, de tudo o que há “por baixo dos panos”? Ora! Isso só pode incomodar e muito!

  4. Comentou em 19/04/2008 Moisés Mishel Levy

    Epistemologia e Cabrini-
    No ensino tradicional em Faculdades de Jornalismo existem as matérias Jornalismo Informativo, Jornalismo Interpretativo, Jornalismo Opinativo, etc.. A investigação deveria pertencer à Polícia, o julgamento ao Direito e a notícia ao Jornalismo. Um lado
    perverso das atuais interdisciplinaridades e transdisciplinaridades é
    misturar as coisas, uns invadindo as áreas dos outros. Eu tinha um
    professor que dizia que fantasiar-se de melancia para reportar sobre
    melancias, sem ser uma delas, era atividade de altíssimo risco. Quero crer que Cabrini não só pelo ganha-pão mas pela busca da excelência em superar-se a si mesmo, como Tim Lopes e tantos
    outros repórteres, em nível nacional e no exterior são exemplos disso. Aliás, num mundo onde todo mundo tem de ser, maniqueisticamente vencedor ou perdedor e onde não cabem posições intermediárias— como no caso do mecânico que basta ser sóum ‘bom’ mecânico— sentimos tristeza ao tomar conhecimento de coisas como essa…

  5. Comentou em 19/04/2008 Marcus Santana

    Eu acho que Jornalista do calíbre de Cabrini não deve se meter com este tipo de incidente. Agora farei como Lula: Vamos investigar e apurar a verdade dos faros, antes de culpar um inocente. Portanto, deixemos que a justiça mostre se ele é ou não traficante.

    Quanto aos colegas, cabe a solidariedade e respeito pela situação vivida por ele. A verdade é que um acontecimento deste teor fere a sua carreira e a imagem da Record, que luta para ser a primeira emissora do país.

  6. Comentou em 19/04/2008 Alexandre Carlos Aguiar

    A pergunta ainda é: por que Cabrini precisa ser blindado nesse caso? E o Casagrande, por exemplo, que foi exposto de forma cruel? E depois um editor da Placar veio aqui garantir, em outras palavras, que precisava faturar. E acima vem a frase do Dines: ‘jornalistas… podem estar sendo usados para desacreditar o jornalismo’. Aqui tem…, tem sim, senhor. E o palhaço o que é? É ladrão de mulher…

  7. Comentou em 19/04/2008 Alexandre Carlos Aguiar

    A pergunta ainda é: por que Cabrini precisa ser blindado nesse caso? E o Casagrande, por exemplo, que foi exposto de forma cruel? E depois um editor da Placar veio aqui garantir, em outras palavras, que precisava faturar. E acima vem a frase do Dines: ‘jornalistas… podem estar sendo usados para desacreditar o jornalismo’. Aqui tem…, tem sim, senhor. E o palhaço o que é? É ladrão de mulher…

  8. Comentou em 18/04/2008 Adenauer Campos

    O JORNALISTA CABRINI, AUTUADO EM FLAGRANTE DELITO, TEM QUE SER RESPONSABILIZADO PELO SEU ATO INFRACIONAL. PROVAVELMENTE É USUÁRIO DE SUBSTANCIA QUIMICAS NAS HORAS VAGAS, MAS ISSO NÃO O DEIXA MENOS CIDADÃO. CERTAMENTE ELE VAI SUPERAR O OCORRIDO E SER UM PROFISSIONAL MAIS EQUILIBRADO, SERENO E MAGISTRADO NAS SUAS AVALIAÇÕES JORNALISTICAS E NA SUA VIDA PARTICULAR, POSTO QUE PASSOU A OCUPAR OS DOIS LADOS DA NOTICIA, OU SEJA, PEDRA E VIDRAÇA. FAÇO VOTOS DE SUPERAÇÃO E ABOMINO AQUELES QUE QUEREM CULPAR O GOVERNO E OS PPP (pobres, prostitutas e pretos). OBRIGADO PELA OPORTUNIDADE DE EXPRESSÃO.

  9. Comentou em 17/04/2008 Célio Mendes

    Após 19 capitulos finalmente o ‘observador’ Dines resolve mencionar a série do jornalista Nassif, e … ‘E, como se não bastasse, temos conhecidos jornalistas engalfinhados nos respectivos blogs e através da justiça em questões pessoais e morais que acabam inevitavelmente respingando na instituição.’, ora vejam ‘Veja’ é uma instituição e não deve ser tocada em nome da fé no jornalismo, em nome do santo dogma da ‘infalibilidade imprensal’, o uso do veiculo para promoção pessoal, as jogadas empresariais abrigadas em suas paginas, o assassinato de reputações tudo deve ser relevado em nome do imaculado manto sagrado da “instituição jornalismo” que fica ameaçada por essas denuncias. Nesta salada que misturou a prisão do Cabrini, o caso Isabela e uma menção pra lá de sutil do dossiê Veja publicado no Blog do Nassif a única coisa que dá para aproveitar é a frase ‘Jornalistas não podem colocar-se acima do bem e do mal.’ Acrescento que quem não tem coragem de comprar uma briga com um poderoso grupo de midia na defesa da “instituição jornalismo” não deve criticar quem a tem.

  10. Comentou em 17/04/2008 Célio Mendes

    Após 19 capitulos finalmente o ‘observador’ Dines resolve mencionar a série do jornalista Nassif, e … ‘E, como se não bastasse, temos conhecidos jornalistas engalfinhados nos respectivos blogs e através da justiça em questões pessoais e morais que acabam inevitavelmente respingando na instituição.’, ora vejam ‘Veja’ é uma instituição e não deve ser tocada em nome da fé no jornalismo, em nome do santo dogma da ‘infalibilidade imprensal’, o uso do veiculo para promoção pessoal, as jogadas empresariais abrigadas em suas paginas, o assassinato de reputações tudo deve ser relevado em nome do imaculado manto sagrado da “instituição jornalismo” que fica ameaçada por essas denuncias. Nesta salada que misturou a prisão do Cabrini, o caso Isabela e uma menção pra lá de sutil do dossiê Veja publicado no Blog do Nassif a única coisa que dá para aproveitar é a frase ‘Jornalistas não podem colocar-se acima do bem e do mal.’ Acrescento que quem não tem coragem de comprar uma briga com um poderoso grupo de midia na defesa da “instituição jornalismo” não deve criticar quem a tem.

  11. Comentou em 17/04/2008 Odracir Silva

    Haha, caro Stanley B. , essa foi boa… muito boa. Ah, nao equeca da epidemia de dengue em 2001 e 2002, naquela epoca os mosquitos eram todos federais, depois os mosquitos foram municipalizados, por isso a culpa agora ee do Cesar Maia.

  12. Comentou em 17/04/2008 Stanley Burburinho

    Caso Lunus que derrubou a Roseana Sarney das eleições de 2002 ////
    O suposto dossiê dos aloprados ////
    O caso do padre padre Julio Lanceloti
    O suposto dossiê da Dilma ////
    Agora, esse “flagrante” no Cabrini que entrevistou o Marcola e denunciou as falcatruas na polícia de SP na época e agora vem mostrando outras falcatruas da mesma polícia //// Quais os elementos comuns em todos esses casos que citei acima? 1 – O PSDB 2 – e em qualquer dos casos existe um elemento que se liga ao Serra. Até no texto do Dines quando ele fala nos cartões do Lula, mas, omite os cartões do Serra. //// Me falaram que esse caso do Cabrini ainda vai dar muita confusão e muita “gente boa” vai se enrolar.

  13. Comentou em 17/04/2008 Silas Sarmento

    Cabrini não é uma pessoa simpática. Já o vi em algumas situações que beiram a descordialidade e a violência contra intrevistados mais frágeis circunstancialmente. Concluo que deva ter amealhado inimigos ao longo do caminho profissional. Não devemos anular a hipótese de ‘armação’, pois vinganças ocorrem. Mas, como o Dines pensa, jornalista não pode se considerar acima do bem e do mal.
    Em tempo – Relação com piranha nunca é bom negócio !

  14. Comentou em 17/04/2008 Paulo Stucchi

    Sempre admirei o trabalho do Cabrini e tenho comigo que ele é inocente. Contudo, sua presão é um momento interessante para vermos até onde vai o corporativismo da imprensa; a mídia brasileira infelizmente se acostumou com o sensacionalismo ‘a-lá norte-americanos’ e será realmente muito legal assistir de camarote a escolha entre defender um ‘igual’ ou usar do mesmo critério medonho de carregar nas cores que vem sendo constante nos últimos tempos.

  15. Comentou em 17/04/2008 Alberto Santana

    Mr. Dines rides again. Pressão da mídia nos cartões corporativos do Lula (nenhuma linha sobre o do Serra, muito maior e mais grave do que o do governo federal), o Sr. Dines que ensina os congressistas a votar, cadê o mensalão ‘mineiro’?, o ódio da mídia contra o presidente metalúrgico, a crise nossa de cada dia fabricada pela imprensa, Eliane Tucanhede, PIG, O caso IGxPaulo Henrique Amorim, o Ombudsman da Folha e ele diz que a mídia está passando por momentos difíceis? A mídia brasileira está agonizando pelo próprio veneno que destila. A truculência da imprensa beira às raias do ridículo. Jornais e jornalistas fabricantes de notícias e crises, distribuidores da dose diária de ódio, principalmente contra os governos de esquerda. A imprensa perdeu a noção do papel que representa perante a sociedade.
    Com relação ao grande repórter Roberto Cabrini: Está mais do que na cara que o presente flagrante decorre do furo de reportagem do Cabrini no caso Isabella. É a reedição da fogueira da vaidades. O referido repórter, um dos melhores que esse país já produziu, conseguiu a proeza de entrar no edifício, onde ocorreu a tragédia da menina Isabella, mostrou o apartamento, o quarto da menina e tudo o mais que se podia esperar de um profissional investigativo e respeitado. Isso deve ter incomodado alguns setores da mídia, da polícia, daí…

  16. Comentou em 17/04/2008 Carlos Cassaro

    O Waltair dos Santos já julgou e já condenou. Viram como a justiça no Brasil é rápida?

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem