Sábado, 26 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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JORNAL DE DEBATES > CASO ISABELLA

Que jornalismo é esse?

Por Viviane Macedo em 22/04/2008 na edição 482

Às vezes, tenho vergonha do que leio, do que ouço e do que assisto. O jornalismo no nosso país, e até acredito que de um modo geral, tomou rumos muito superficiais, onde vira notícia o que rende audiência, o que ‘tem sangue’.

O caso da menina Isabella é um exemplo perfeito para o que eu estou falando. O jornalismo está ultrapassando todos os limites, pura e simplesmente, porque tem o dever de informar a população. Mas que população? Quem tem interesse em saber se o pai e a madrasta saíram da casa ou onde estavam às 14h para visitar os filhos, ou quem não poderia viver sem saber que o pai da menina apareceu na janela? Por favor, sejamos mais realistas…

Todos nós continuamos com os mesmos problemas – a corrupção não parou para assistir à repercussão do caso Isabella, os assaltos, os seqüestros, a fome estampada no rosto dos moradores de rua, nada disso congelou, como fez a televisão, os jornais, enfim, toda a imprensa brasileira.

Não sou uma pessoa fria e calculista e concordo que esse foi um caso que abalou toda a população. É horrível imaginar que existem pessoas capazes de fazer mal a uma criança indefesa e inofensiva. Mas não acho que possamos parar agora e esquecer de todo o resto para ver o que acontece… Fazer plantão na frente de uma delegacia ou da casa de pessoas, que podem ou não ser culpadas. E que, caso não sejam, estão vivendo um inferno e, se forem, caberá a polícia descobrir e fazer cumprir a lei.

Duas vezes lamentável

Não tenho uma opinião formada sobre esse caso e não faço a mínima questão de ter, afinal nada tenho para ajudar e prefiro também não atrapalhar com conclusões precipitadas ou tidas a partir de um senso comum – que acredita que tudo que sai na TV é verdade, que se escreveram no jornal podemos acreditar… O que, de fato, não é a realidade!

Acho que essa é a hora de ficar cada um no seu lugar e fazendo o seu trabalho. Como o velho ditado popular: ‘Cada macaco no seu galho.’ Que os jornalistas fiquem nos seus e deixem o caso nas mãos de quem está apto a fazer isso. Que cessem as perguntas para as quais já sabemos as respostas, de como a mãe está se sentindo ou se ela quer justiça, por exemplo. Que comecem a ter mais responsabilidade com o que é veiculado, pois há um público totalmente vulnerável atrás da televisão e lendo as folhas de um jornal, um público que acredita piamente em tudo que está ali.

Lamentável, é assim que eu acabo esse texto, cheio de vergonha e revolta. Revolta com os meios de comunicação, carregados de interesses próprios e pouco preocupados de como isso reflete na vida das pessoas. Meios que conseguem falar o dia inteiro, em mais de três programas diferentes, sobre o mesmo assunto e mostrando as mesmas entrevistas… Enfim, esse caso é duas vezes lamentável!

******

Estudante de Jornalismo, São Paulo, SP

Todos os comentários

  1. Comentou em 23/04/2008 rafael Lima Amador L. Elyseu

    Até que enfim!!!!!!
    Alguém também não aguenta mais este bombardeio ridículo e capitalista que a imprensa esta promovendo!!!!!!
    Chega de catarse, nós brasileiros precisamos é de bom senso

  2. Comentou em 04/10/2006 Silvio da Costa Pereira

    Caríssimos,

    Recebemos hoje, no Sind. Jornalistas SC, e-mail relativamente dizendo que:
    ‘Todos aqueles que tiveram seu REGISTRO PRECÁRIO poderá (sic) continuar a exercer a profissão de jornalista. E mais, poderão EXIGIR da FENAJ e do SINDICATO DO JORNALISTA que lhes conceda o REGISTRO DE JORNALISTA (sic), pois a lei lhes garante este direito.’
    Fora o erro de interpretação que seriam as entidades sindicais responsáveis pela emissão do Registro, o colega acredita no retorno à validade dos registros emitidos para pessoas sem formação universitária em Comunicação Social / Jornalismo. Abaixo do texto que lhes passei, ele copiava um artigo da jornalista Priscyla Costa, do Consultor Jurídico, republicado pelo Observatório da Imprensa.
    Ocorre que o texto de Costa continha uma série de erros. Quando o lemos, em março deste ano, entramos em contato com a assessoria de imprensa do STJ, que nos colocou a par do que estava realmente ocorrendo. De posse das informações, entramos em contato com Priscyla, que corrigiu o texto (vejam em http://conjur.estadao.com.br/static/text/42999,1 o texto mudado, mas com o mesmo título). Entretanto, o OI não procedeu da mesma forma, mantendo a versão com incorreções.
    Sugerimos, assim, que vocês troquem o texto, já que ele contém erros e foi corrijido no site de origem.

    Atenciosamente

    Silvio da Costa Pereira
    Ass. Imprensa SJSC

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