Sábado, 25 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1038
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Quem duvida da imprensa?

21/04/2009 na edição 534

Meu trabalho para fazer o dossiê que pede a Unificação dos Títulos Brasileiros a Partir de 1959 – entregue nesta segunda-feira (20/4) a João Havelange, presidente de honra da Fifa – tem deixado claro que uma parte da imprensa esportiva duvida do que seus colegas de meio século atrás diziam e escreviam.


Pois ninguém que trabalhasse no jornalismo esportivo há 50 anos teria qualquer dúvida de que o vencedor da Taça Brasil era o campeão brasileiro de futebol. Todos os veículos da época, incluindo o lendário telejornal Canal 100, diziam e repetiam essa informação às 80 milhões de pessoas que viviam neste país.


Por que será que essa verdade foi sendo, gradativamente, ‘esquecida’? Provavelmente pela indolência dos próprios clubes campeões; por negligência da Confederação Brasileira de Futebol, que não tratou com cuidado da história do esporte; por ignorância do torcedor comum e pela incompetência da imprensa.


Será, entretanto, que foi apenas incompetência? Pois se fosse apenas isso, o simples fato de reviver os acontecimentos, de comprová-los através da recuperação das matérias de jornais e revistas, como é feito no dossiê, seria suficiente para convencer a todos de que a Taça Brasil foi o Campeonato Brasileiro de Futebol do Brasil – e em uma fase de ouro, em que três Copas do Mundo foram conquistadas com todos os jogadores em atividade no país.


Choque dos mais sugestivos


No entanto, apesar da farta documentação, alguns ainda teimam em negar as evidências, colocando em dúvida ou tentando desmentir o que brilhantes jornalistas esportivos escreveram – entre eles, verdadeiras lendas, como Nelson Rodrigues, João Saldanha, Ney Bianchi (o único a ganhar três vezes o Prêmio Esso de Informação Esportiva), Armando Nogueira, Thomaz Mazzoni, Mauro Pinheiro e tantos outros.


Por que se quer negar o passado? Que interesse pode haver por trás dessa resistência? Será apenas paixão por um clube que não teve a sorte de ser um dos campeões daquele período?


Bem, que o julgamento fique para o público. Para isso, reproduzo, a seguir, algumas matérias da imprensa esportiva que cobriu a Taça Brasil, comprovando que era a competição que dava ao vencedor o título de campeão brasileiro e o direito de representar o país na Taça Libertadores da América:




‘Taça Brasil na fase decisiva. Santos x Grêmio hoje na Vila. Chega, afinal, à sua fase de maior interesse, a Taça Brasil, destinada a apontar o campeão nacional interclubes. E o Santos, na qualidade de campeão paulista de 1958, terá a responsabilidade de enfrentar o Grêmio portoalegrense, que é tricampeão do Rio Grande do Sul’ (A Gazeta Esportiva, chamada de capa, 17 de novembro de 1959).


‘Bahia, depois de vencer o Vasco, terá de enfrentar amanhã o Santos. Em plena luta pelo Campeonato Paulista, do qual é líder absoluto, o Santos, amanhã, será obrigado a se empenhar em um compromisso diferente, este valendo pelo título de campeão do Brasil. Para esta noite, com início às 21 horas, está marcada a partida entre o Santos F. C. e o E. C. Bahia, iniciando a série final relativa à Taça Brasil. Trata-se de um choque dos mais sugestivos, desde que reunirá dois esquadrões em situação de singular prestígio’ (A Gazeta Esportiva, título de página, 8 de novembro de 1959).


Título inédito do Bahia




‘Luta pelo título de campeão do Brasil: Santos x Bahia. Hoje à noite, em Salvador, Santos e Bahia estarão lutando pela segunda vez na série final de jogos da Taça Brasil. O objetivo único é tornar-se o primeiro campeão do país. O embate na capital baiana está atraindo a atenção do público esportivo brasileiro’ (A Gazeta Esportiva, título de página, 30 de dezembro de 1959).


‘Santos. Bahia. Decisão hoje à noite da Taça Brasil. Será conhecida no Maracanã a equipe campeã brasileira entre clubes’ (Capa de A Gazeta Esportiva de 29 de março de 1959).


‘O E. C. Bahia conseguiu esta noite, no Estádio do Maracanã, o título inédito no futebol brasileiro, qual seja o de campeão brasileiro por equipes, garantindo sua participação no próximo Campeonato Sul-americano de Clubes Campeões’ (A Gazeta Esportiva, 30 de março de 1959).


‘O futebol do Norte do país voltou a brilhar. Depois da atuação da Seleção de Pernambuco no Campeonato Brasileiro, ficando em segundo lugar, foi a vez do E. C. Bahia vencer a Taça Brasil, o primeiro campeonato brasileiro de clubes’ (A Gazeta Esportiva, 30 de março de 1959).


‘Bahia é o campeão. O E. C. Bahia sagrou-se ontem à noite campeão da Taça Brasil ao derrotar o Santos, no Maracanã, por 3 a 1. O título, que equivale ao de primeiro campeão brasileiro interclubes, foi obtido em partida acidentada, na qual foram expulsos três jogadores santistas’ (Folha da Tarde, última página, 30 de março de 1960).


‘Grande atuação do campeão baiano, sagrando-se campeão brasileiro de futebol por equipes’ (A Gazeta Esportiva, 30 de março de 1960).


‘E. C. Bahia venceu a Taça Brasil!… O campeão baiano não teve a mínima culpa nos acontecimentos verificados entre o juiz e os jogadores santistas. É o primeiro campeão brasileiro por equipes e será o representante nacional no próximo Campeonato Sul-americano de Clubes Campeões’ (A Gazeta Esportiva Ilustrada, matéria de duas páginas, abril de 1960).


‘Esporte Clube Bahia conseguiu um título inédito no futebol brasileiro. Sagrou-se Campeão Brasileiro por equipes’ (A Gazeta Esportiva Ilustrada, legenda de foto de meia página com o time posado do Bahia, abril de 1960).


Santos no céu




‘É possível que não estivesse nos cálculos dos catedráticos. Mas a realidade é que o Esporte Clube Bahia detém o primeiro título máximo brasileiro… Aí está, portanto, o desfecho da Taça Brasil. Todos acreditavam no Santos. Mas o Esporte Clube Bahia contrariou a todas as previsões. Agora, de acordo com o que ficou assentado, caberá ao campeão representar o futebol brasileiro no Campeonato Sul-americano de Campeões que será disputado em maio próximo’ (A Gazeta Esportiva Ilustrada, matéria de duas páginas, abril de 1960).


‘Entrevista com Lula. Pretendemos iniciar a temporada com um título. Tricampeonato brasileiro é o objetivo’ (A Gazeta Esportiva, títulos de uma entrevista com o técnico Lula, do Santos, 3 de janeiro de 1964).


Santos está mais próximo do tri. 6 x 0. V Taça Brasil (A Gazeta Esportiva, títulos de capa, 26 de janeiro de 1964).


‘Santos mostrou à Bahia o que é que Pelé tem. Salvador, 29 (de Orlando Duarte, enviado especial de A Gazeta Esportiva). O Santos é tri do Brasil. Com méritos incontestáveis. Marcou oito gols no Bahia, seu adversário na final, contra nenhum, em duas partidas’ (A Gazeta Esportiva, 30 de janeiro de 1964).


‘Tricampeão do Brasil segue hoje para a Argentina. Santos no céu mais uma vez. Com o título de tricampeão brasileiro na bagagem, os santistas seguirão esta manhã para Buenos Aires, onde deverão enfrentar, amanhã, o conjunto do Independiente (A Gazeta Esportiva, título de capa, 31 de janeiro de 1964).


Recorde de tiragem




‘Santos vem a São Paulo pelo Brasil. Tentará o Santos amanhã à noite, no Pacaembu, a primeira vitória, que o credenciará a conquistar, pela quarta vez consecutiva, o título de campeão do Brasil. Desta feita, o clube da Vila Belmiro terá como adversário o Flamengo, campeão carioca do ano passado, que eliminou o Ceará Sporting na semifinal. O alvinegro praiano eliminou o Atlético Mineiro e o Palmeiras’ (A Gazeta Esportiva, 16 de dezembro de 1064).


‘Santos é tetracampeão brasileiro: jogo com o Flamengo fica em zero’ (A Gazeta Esportiva, título de capa e título de página, edição de 20 de dezembro de 1964).


‘Santos é pentacampeão do Brasil com gol de Pelé’ (A Gazeta Esportiva, título de página, edição de 9 de dezembro de 1965).


‘Palmeiras com muito orgulho Campeão do Brasil. A Taça Brasil de clubes campeões do Estado, disputada desde 1959, elegeu a Sociedade Esportiva Palmeiras, pela segunda vez, o quadro campeão brasileiro de futebol, título conquistado ontem diante do Náutico (pôster publicado por A Gazeta Esportiva, 30 de dezembro de 1967).


‘Brasil é Palmeiras. A Taça Brasil é do Palmeiras. Os esmeraldinos derrotaram o Náutico, no Maracanã, com gols de César e Ademir da Guia. Com este resultado o Palmeiras vai para a Taça Libertadores, o mesmo acontecendo com o Náutico, já que na disputa do certame continental o campeão e o vice de cada país entram no torneio, que será iniciado a 15 de janeiro’ (A Gazeta Esportiva, capa, 30 de dezembro de 1967).


Antes de prosseguir com a reprodução de reportagens da época que atestam o título de campeão brasileiro ao vencedor da Taça Brasil, é necessário destacar a importância do jornal A Gazeta Esportiva como formador de opinião entre os aficionados do futebol no Brasil.


Surgido em 1928 como encarte esportivo do jornal A Gazeta, da Fundação Casper Líbero, A Gazeta Esportiva tornou-se um veículo próprio, com circulação independente, em 10 de outubro de 1947. Em pouco tempo, consolidou-se como o grande jornal de futebol no país, com tiragens que ultrapassavam 200 mil exemplares diários e que, em julho de 1970, durante a Copa do Mundo do México, atingiram o recorde nacional de 534.530 exemplares.


Temporal e público adverso


Por sua redação passaram figuras notáveis da crônica esportiva, como Thomaz Mazzoni, Solange Bibas e Mauro Pinheiro. No final dos anos 50, quando se iniciaram as disputas da Taça Brasil, o jornal havia lançado uma revista bastante concorrida, intitulada A Gazeta Esportiva Ilustrada.


Até meados dos anos 70, A Gazeta Esportiva ainda se mantinha forte, com uma edição de 72 páginas às segundas-feiras (50 delas só de anúncios classificados). Sua última edição foi às bancas no dia 20 de novembro de 2001, com uma tiragem de 40 mil exemplares. Hoje, A Gazeta Esportiva é um site com cerca de 100 mil visitas diárias.


‘Bahia, campeão do Brasil’ (A Tarde, de Salvador, título de capa, 1º de abril de 1960)


Fundado em 15 de outubro de 1912 por Ernesto Simões Filho (1886-1957), o jornal A Tarde é o mais antigo da Bahia e o maior e mais influente do Norte-Nordeste do Brasil.




‘O que mais ninguém pode negar, é a força técnica do Bahia. É um quadro que joga pra frente mas sabe se portar na defesa. Objetivo, sabe a hora certa de ferir o seu adversário. O Bahia é uma força positiva, soube dar brilho ao futebol do Norte e detém com orgulho, para o resto da vida o título de `primeiro campeão do Brasil´.’ (Jornal dos Sports, matéria assinada por Luiz Bayer, 1º de abril de 1960).


‘Cruzeiro é o campeão. O Cruzeiro é o novo campeão do Brasil, campeão épico e digno, capaz de feito como o de ontem, quando depois de estar perdendo por 2 a 0 para o Santos, no primeiro tempo, reagiu para vencer por 3 a 2. No gramado enlameado do Pacaembu, sob forte temporal e ante o público adverso, o Cruzeiro afirmou-se, em definitivo, como a maior força do futebol brasileiro da atualidade (Jornal dos Sports, capa, 8 de dezembro de 1966).


Jogadores chegaram às lágrimas




‘Carnaval chega em Belo Horizonte com o Cruzeiro. Chegada do Cruzeiro foi festa até de manhã. Cidade em festa. Do alto dos edifícios a população mineira jogava confetes, serpentinas, papéis picados, jornais rasgados, além de agitar freneticamente os lenços brancos do sucesso. Gritos de `Viva o Cruzeiro´ ecoavam do alto dos prédios repletos de pessoas e totalmente acesos. Até nas repartições públicas, embora não tenha havido expediente, viam-se pessoas jogando papel picado. O povo comemorou com grande carnaval a chegada do campeão do Brasil, tributando-lhe a maior homenagem e toda a sua vida. Pode-se garantir que nenhum clube mineiro teve tão elevado acolhida como o Cruzeiro, ontem à noite, ao chegar de São Paulo, às 19h45m, em um Viscount, da Vasp. Foram precisos mais de 100 policiais para impedir a aproximação do público do avião’ (Jornal dos Sports, matéria de página inteira, 8 de dezembro de 1966).


‘No Mundo. O Cruzeiro – que veio em silêncio – tornou-se, hoje, a maior expressão do futebol brasileiro. As agências noticiosas do exterior já divulgam para todo o mundo o feito extraordinário do mais novo campeão da Taça Brasil. Elas escrevem: `Cruzeiro, o time que derrotou o Santos…´ Hoje o Cruzeiro é o time que derrotou o Santos. Mas não está longe o dia em que o Cruzeiro será o `Cruzeiro expressão do futebol brasileiro´, conhecido em todo o mundo, sem necessidade de comparações. Assim é que, já campeão da VIII Taça Brasil, e bicampeão do campeonato mineiro de 1966, por antecipação, o Cruzeiro entrará no campo do estádio Magalhães Pinto com duas faixas: a de bicampeão e a de campeão brasileiro’ (Jornal dos Sports, matéria de página, 8 de dezembro de 1966).


‘Belo Horizonte toda se engalanou para receber o Cruzeiro, campeão da VIII Taça Brasil e o mais novo herói nacional. Foi a maior recepção já dada a qualquer pessoa ou clube, em Belo Horizonte. Tão grande era o número de veículos que se dirigiu ao Aeroporto da Pampulha, que o tráfego ficou congestionado, como se fosse haver a realização de um grande clássico… Durante 15 minutos todos ficaram dentro do avião, esperando que fosse feito um cerco de proteção e se pusesse um cordão de isolamento em torno do aparelho… Os jogadores chegaram às lágrimas de tanta emoção. Tostão, conhecido como jogador calculista e que dificilmente se emociona, não as conteve e disse: `Puxa! Nunca pensei que teria recepção tão grande em minha vida. Sou calmo por natureza, mas estou emocionado com tamanho carinho de todos. Minha satisfação é completa. A vitória foi uma grande conquista para o futebol de Minas´‘ (Jornal dos Sports, cobertura da chegada do Cruzeiro em Belo Horizonte, 8 de dezembro de 1966).


Odisséia fantástica




‘…O Cruzeiro chegou com chuva em Belo Horizonte, mas a alegria da vitória foi maior que o tempo: Minas vibrou e chorou pelo sucesso do campeão brasileiro, com o maior tributo já dado a qualquer time… Já usando as faixas de campeões com as quais desceram do avião, os jogadores do Cruzeiro foram recebidos pelo Governador Israel Pinheiro em um jornal de Belo Horizonte. Nessa hora, o governador falou com um por um, cumprimentando-os e dizendo que Minas sentia-se orgulhosa de contar com elementos tão valorosos que projetavam o nome do Estado em todo o mundo. À saída, a multidão voltou novamente aos gritos e vivas’ (Jornal dos Sports, 8 de dezembro de 1966).


‘… Neco – Um marcador implacável. Agüentou a carga física de Amauri no primeiro tempo e a vivacidade dispersiva de Dorval no segundo, saindo sempre do lance para jogar. É uma peça sóbria e eficiente do campeão brasileiro de clubes’ (Jornal dos Sports, 8 de dezembro de 1966).


Aqui, novos parênteses para se falar do Jornal dos Sports, o mais antigo diário esportivo a circular no Brasil. Fundado em 13 de março de 1931, o Jornal dos Sports foi adquirido no final de 1936 pelo renomado jornalista e escritor Mário Filho, o mesmo que dá nome ao Maracanã, tornando-se por muitos anos o mais importante jornal de esportes do país, posição que gradativamente cedeu para A Gazeta Esportiva. Famoso por suas páginas cor-de-rosa, inspiradas no jornal italiano La Gazzetta dello Sport, o Jornal dos Sports foi um importante formador de opinião até o final dos anos 70 e ainda circula diariamente no Rio de Janeiro.




‘Todos os mestres na arte de calcular o futebol podem rasgar seus apontamentos, pois o primeiro campeão do Brasil é o Esporte Clube Bahia e não será sem motivos, pois venceu a melhor equipe do país e um das melhores do mundo’ (O Globo, matéria assinada por Ricardo Serran, 1º de abril de 1960).


‘Bahia, primeiro campeão do Brasil de todos os tempos, um título único e inédito de uma importância sem igual. Uma odisséia fantástica do Esporte Clube Bahia, quase desacreditado depois da derrota em Salvador, vitorioso e inconstante no Rio de Janeiro, no templo do futebol, o Maracanã, contra o maior time do mundo’ (O Globo, matéria assinada por Ricardo Serran, 1º de abril de 1960).


Estadão, Folha e Jornal da Tarde


Um dos mais importantes jornais do país, O Globo foi fundado em 29 de julho de 1925 pelo jornalista Irineu Marinho, proprietário do vespertino A Noite. Como Irineu faleceu semanas após a fundação do jornal, O Globo foi herdado por seu filho Roberto Marinho, que criou um conglomerado de empresas de comunicação denominado Organizações Globo.


A informação de que o campeão da Taça Brasil era também o campeão brasileiro jamais foi contestada pela imprensa ou pelo público, muito menos pela entidade organizadora. Até o cerimonial produzido pela Confederação Brasileira de Desportos reforçava o aspecto oficial do campeonato. Já na primeira edição da Taça Brasil, em 1959, o próprio presidente da CBD, João Havelange, entregou o troféu a Beto, o capitão do Bahia. A imprensa simplesmente constatava essa oficialidade.


Não só jornais especializados na cobertura futebolística, como A Gazeta Esportiva e o Jornal dos Sports, davam ao vencedor da Taça Brasil o título de campeão brasileiro, mas também publicações diárias tradicionais, entre elas O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo, como veremos a seguir.




‘Santos é bi do Brasil. Goleado o Botafogo: 5 a 0. Realizando uma de suas grandes exibições, o Santos conquistou ontem à noite, pela segunda vez, a Taça Brasil, obtendo conseqüentemente o título de bicampeão brasileiro de futebol…‘ (Folha de S.Paulo, título de página, 3 de abril de 1963).


‘Santos foi tetracampeão. Sábado à noite, no Maracanã, com o empate a zero diante do Flamengo, o Santos FC conquistou pela quarta vez consecutiva a Taça Brasil, tornando-se dessa forma tetracampeão brasileiro de clubes’ (Folha de S.Paulo, título de página, 21 de dezembro de 1964).


‘Santos vence e é campeão. Em partida válida pela Taça Brasil, e na qual sete jogadores foram expulsos de campo, o Santos derrotou o Vasco da Gama por 1 a 0, ontem à noite, no Maracanã, sagrando-se pentacampeão brasileiro’ (O Estado de S. Paulo, 9 de dezembro de 1965).


Ideais republicanos




‘Cruzeiro vence o Santos e ganha a Taça. Com brilhante reação, que transformou uma derrota de 0 a 2 em vitória por 3 a 2, o Cruzeiro, de Belo Horizonte, derrotou novamente o Santos em partida realizada ontem à noite no Pacaembu. Com essa segunda vitória, o campeão mineiro ganhou o título de campeão brasileiro de clubes e a posse da Taça Brasil, disputada pela oitava vez’ (Folha de S.Paulo, primeira página, 8 de dezembro de 1966).


‘Taça Brasil é do Cruzeiro. O Santos foi derrotado novamente pelo Cruzeiro na noite de ontem, no Pacaembu, e o título de campeão brasileiro e a Taça Brasil pertencem agora ao campeão mineiro’ (Folha de S.Paulo, página de esportes, 8 de dezembro de 1966).


Hoje o jornal brasileiro de maior tiragem (acima de 300 mil exemplares diários), a Folha de S.Paulo já estava entre os veículos de comunicação mais influentes nos anos 1960. Fundada em 19 de fevereiro de 1921 por Olival Costa e Pedro Cunha com o nome de Folha da Noite, ela foi comprada na década de 1960 pelos empresários Octavio Frias de Oliveira e Carlos Caldeira Filho.


Segundo jornal em vendas de São Paulo, o tradicional O Estado de S. Paulo, fundado dentro dos ideais republicanos em 4 de janeiro de 1875 com o nome de A Província de São Paulo, é um dos mais influentes do país, com tiragem superior a 200 mil exemplares (em fevereiro de 1967 alcançou a marca de 340 mil exemplares).


Cinco vezes o Prêmio Esso




‘O Cruzeiro é o novo campeão brasileiro. Tostão, de Taça Brasil na cabeça, ficou no lugar do Rei Pelé, ontem à noite, no Pacaembu. Marcou um gol, fez tudo para o da vitória, marcado por natal e comandou a virada contra o Santos, que venceu o primeiro tempo por 2 a 0 e saiu de campo derrotado por 3 a 2. Pelé e Toninho fizeram os gols do Santos. Tostão, Dirceu Lopes e Natal fizeram os três do Cruzeiro… Cruzeiro, campeão brasileiro, e Palmeiras, quase campeão paulista, são dois times que começaram com o nome de Palestra. Esportes, nas páginas 14, 15 e 16’ (Jornal da Tarde/O Estado de S. Paulo, primeira página, 8 de dezembro de 1966).


‘O que me deixou contente mesmo foi ver meu irmão Airton pular lá no banco de reservas com o terceiro gol, de Natal. Seu time com aquele gol ficou campeão brasileiro, não é pra menos…’ (Depoimento de Zezé Moreira, página de esportes do Jornal da Tarde/O Estado de S. Paulo, 8 de dezembro de 1966).


O Jornal da Tarde, cuja primeira edição foi às bancas em 4 de janeiro de 1966, surgiu com propostas inovadoras: a de seguir o estilo quase literário do new journalism norte-americano estrelado por Gay Talese e Truman Capote; de manter um visual moderno, com abertura de grandes fotos e de ir às bancas mais tarde do que os outros, o que lhe dava mais tempo para trabalhar as matérias. Menina dos olhos do grupo Estado, o JT, como ficou conhecido, era dirigido por Mino Carta e reuniu a equipe de jornalistas esportivos mais prestigiada do país, a ponto de conquistar a maioria dos prêmios da categoria, entre eles cinco vezes o Esso de Informação Esportiva. Nos anos 60 e 70, foi o jornal mais vendido nas bancas da cidade de São Paulo. Tudo isso refletia em sua credibilidade.


A insuperável revista O Cruzeiro




‘Santos pentacampeão brasileiro’ (título de capa da revista O Cruzeiro de 1º de janeiro de 1966).


‘Cruzeiro: o novo rei do futebol no Brasil’ (matéria de capa, em oito páginas, da revista O Cruzeiro, ano XXXIX, nº 13, de 24 de dezembro de 1966).


‘Com o gesto olímpico de vitória, Piazza, o jovem capitão da equipe do Cruzeiro, de Minas gerais, traz grandes esperanças ao coração de todos os torcedores brasileiros. Uma nova geração de craques está florescendo. O nosso futebol mostra que o seu poder de renovação ainda existe, e disso o time de Tostão deu uma prova das mais convincentes nas duas categóricas partidas que disputou contra o todo-poderoso esquadrão de Pelé, nas finais da Taça Brasil. Os estádios voltam a fremir, no clamor das multidões empolgadas diante da fibra e do malabarismo dos antigos e dos recentes ídolos. O grande título que o time mineiro conquistou tem, assim, uma significação mais ampla e um sabor de renascimento. Demonstra, mais do que tudo, que o nosso maior esporte não se estagnou nem se abateu. E justifica, plenamente, a recepção triunfal que os campeões brasileiros de 66 receberam na volta a Belo Horizonte e que divulgamos na detalhada reportagem que fecha esta edição. São os novos valores que despontam, para que, junto aos astros já consagrados, o nosso futebol volte a ocupar o lugar que lhe pertence no esporte mundial. João Martins (editorial da revista O Cruzeiro ano XXXIX, nº 13, de 24 de dezembro de 1966).


‘Milhares de mineiros de todas as idades festejaram o desembarque dos novos campeões, que percorreram as ruas da capital numa viatura dos bombeiros’ (legenda de várias fotos que mostram a multidão recepcionando o time do Cruzeiro, revista O Cruzeiro, ano XXXIX, nº 13, de 24 de dezembro de 1966).


‘Ainda no vestiário, quando o presidente Athiè Jorge Cury, do Santos, entregou a Taça Brasil ao presidente Felício Brandi, do Cruzeiro, todos os jogadores celestes beijaram o troféu e choraram de alegria nos ombros do presidente cruzeirense. A imprensa paulista, muito fria quando da chegada do time do Cruzeiro a São Paulo, não deixou a delegação estrelada após a conquista da Taça Brasil. Repórteres, fotógrafos, cinegrafistas se confundiam nos salões do Hotel Normandy, querendo sempre uma declaração dos novos campeões brasileiros‘ (cobertura da revista O Cruzeiro, ano XXXIX, nº 13, de 24 de dezembro de 1966).


Um time de estrelas




‘O ex-governador Magalhães Pinto foi o primeiro a se congratular com a brilhante vitória do Cruzeiro. Um telegrama urgente foi expedido logo após o jogo no Pacaembu… Dirceu Lopes classificou a reação do Cruzeiro de ‘espetacular e emocionante’. Ele foi um dos grandes artífices da vitória estrelada em campos paulistas. Foi o que mais chorou no vestiário celeste após terminada a peleja contra o Santos… `Com 2 a 0 a nosso favor´ – disse Pelé – `acreditávamos na vitória porque conseguimos envolver o Cruzeiro. Mas, no segundo tempo, os jogadores reagiram com muita disposição e fibra, e acabaram, com inteira justiça, nos vencendo. O que me resta dizer é que o título está com quem o mereceu mais…´ O `bicho´ foi de dois milhões de cruzeiros. Mas alguns diretores do campeão brasileiro estão se cotizando para aumentar essa soma’ (cobertura da revista O Cruzeiro, ano XXXIX, nº 13, de 24 de dezembro de 1966).


‘O avião atrasou meia hora e o primeiro a desembarcar foi Wilson Piazza, conduzindo a Taça Brasil. Ao pé da escada, ergueu-a no gesto característico, sendo saudado pela massa humana concentrada no aeroporto da Pampulha. Logo atrás, vieram os outros jogadores, muito assustados com a recepção. Serpentinas, confetes e lágrimas eram as coisas mais vistas no desembarque do time campeão… O Cruzeiro, campeão mineiro e campeão do Brasil, se prepara, agora, para a Taça Libertadores da América, no início do próximo ano. Se ganhar, irá disputar na Europa o título de campeão do mundo. E, como disse Pelé, `agora ninguém segura mais esse time´, é bem provável que Minas possa fazer o renascimento do futebol brasileiro, nos mesmos gramados onde perdemos a Copa de 66’ (cobertura da revista O Cruzeiro, ano XXXIX, nº 13, de 24 de dezembro de 1966).


Editada pelos Diários Associados, de Assis Chateaubriand, O Cruzeiro foi a principal revista ilustrada brasileira do século 20. Publicada ininterruptamente de 10 de novembro de 1928 a julho de 1975, contou com um time de estrelas – em que se destacavam Millôr Fernandes, Péricles de Andrade Maranhão (criador de ‘O amigo da onça’) e Rachel de Queiroz – e até hoje detém recordes não superados, como edições com mais de 750 mil exemplares e sua longevidade (47 anos). De grande influência na opinião pública, suas coberturas destacadas da Taça Brasil deixam claro a importância da competição, o campeonato brasileiro da época.


A revista Fatos & Fotos


Os grandes jornalistas esportivos do país consagraram a Taça Brasil como a competição mais relevante do futebol nacional e valorizaram seus campeões de maneira incontestável. A vitória do Cruzeiro sobre o Santos, que ampliou os horizontes do futebol brasileiro, pois provou que havia um time espetacular além dos limites de Rio de Janeiro e São Paulo, mereceu comentários impagáveis e definitivos de Armando Nogueira e Nelson Rodrigues, dois dos maiores jornalistas esportivos do país:




‘O campo enlameado do Pacaembu consagrou, ontem à noite, o grande campeão do Brasil, o Cruzeiro de Tostão, Dirceu Lopes, Natal e Raul, isto para citar apenas quatro jogadores de uma das melhores equipes que o futebol brasileiro já viu nascer e crescer’ (Armando Nogueira, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 8 de dezembro de 1966).


‘Depois da vergonha e da frustração da Copa do Mundo, nenhum acontecimento teve a importância e a transcendência da vitória de anteontem. Por outro lado, não foi só a beleza da partida, ou seu dramatismo incomparável. É preciso destacar o nobre feito épico que torna inesquecível o feito do Cruzeiro. Não tenhamos medo de fazer a sóbria justiça: aí está, repito, o maior time do mundo’ (Nelson Rodrigues, Jornal dos Sports, Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1966).


O jornalista Ney Bianchi, o único do país a ser agraciado três vezes com o Prêmio Esso de Informação Esportiva (em 1964 e 1965, pela revista Fatos & Fotos, e em 1970 pela revista Manchete), simplesmente chamou a final da Taça Brasil de 1962, entre Santos e Botafogo, como ‘O maior jogo do mundo’ – título da matéria de oito páginas publicada pela revista Fatos & Fotos. Bianchi inicia a matéria dizendo: ‘O Maracanã ainda não tinha visto tamanha exibição de futebol-arte, até quando, terça-feira, o Santos provou ser o maior time do mundo, aniquilando, por 5×0, o Botafogo, com Pelé abusando da condição de gênio…. É preciso repetir que jamais o Maracanã viu espetáculo igual. Foi tão perfeita a exibição que, ao terminar, a partida pareceu a todos a mais curta da história do futebol’ (Fatos & Fotos, Brasília, edição de 13 de abril de 1963).


Quebrar uma longa hegemonia


Fundado em 1891 por Rodolfo Epifânio de Sousa Dantas, o Jornal do Brasil é um dos principais jornais do país. Nos anos 60 e 70 teve uma tiragem média de 150 mil exemplares nos dias úteis e 230 mil nos domingos. A revista Fatos & Fotos, produzida pela Bloch Editores, teve o seu auge na década de 1960.




‘Ao vencer ontem à noite o Vasco da Gama por 2 a 1, o Santos F. C. sagrou-se campeão do Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1968. Não há dúvida alguma quanto à justiça da conquista do time praiano, que provou ser o melhor do Brasil através deste torneio de caráter nacional’ (O Dia, última página, 11 de dezembro de 1968).


O Dia, fundado em 5 de junho de 1951 pelo então deputado Chagas Freitas, futuro governador dos estados da Guanabara e Rio de Janeiro, é um jornal que nos anos 60 tinha forte apelo popular, com notícias policiais e de esporte. Em 1983, O Dia foi comprado pelo jornalista e empresário Ary Carvalho e no início da década de 1990 passou por reforma para tentar competir com os tradicionais Jornal do Brasil e O Globo.




‘Busca da Taça Brasil. Santos treinou e está preparado para o tetra… Mengo chega hoje: Evaristo na armação é chave para vencer’ (Última Hora, Rio de Janeiro, títulos de matérias da seção de esportes, 15 de dezembro de 1964).


‘Máquina é tetra com um empate: Fla crê na torcida. O carioca está mais alegre ainda, porque hoje à noite ele vai ver Pelé..’. (Última Hora, Rio de Janeiro, seção de esportes, 19 de dezembro de 1964).


Jornal diário e vespertino fundado no Rio de Janeiro em 12 de junho de 1951 por Samuel Wainer, em 1961 o jornal Última Hora passou a ser impresso no Rio e complementado em outras cidades e grandes regiões urbanas brasileiras. Pioneiro na utilização de grandes fotos, o jornal representou uma revolução estética e temática para o jornalismo brasileiro. De caráter popular, cobriu com destaque o futebol e abriu grandes matérias para a Taça Brasil. Em 1971 a UH foi vendida por Wainer a um grupo empresarial liderado por Maurício Nunes de Alencar, que havia arrendado igualmente o Correio da Manhã. O jornal encerrou definitivamente suas atividades em 26 de julho de 1991, quando já pertencia ao empresário José Nunes Filho.




‘Depois de vencer a primeira partida, por 6 x 2, em Belo Horizonte, o Cruzeiro precisa apenas de um empate para quebrar a longa hegemonia do Santos na Taça Brasil e conquistar o título de campeão brasileiro pela primeira vez em sua história. Cruzeiro, bicampeão mineiro, e Santos, pentacampeão brasileiro, disputarão hoje à noite – 21,30 horas – no Estádio Municipal do Pacaembu, a segunda partida decisiva pela VIII Taça Brasil’ (matéria de capa do Estado de Minas, 7 de dezembro de 1966).


O mais perfeito do país




‘…O técnico do Uberlândia, Danilo Alvim, teve as seguintes palavras sobre o jogo em São Paulo: `A experiência internacional do Santos não impedirá que o Cruzeiro consiga o título de campeão brasileiro´’ (matéria na editoria de esportes, Estado de Minas, 7 de dezembro de 1966).


‘Até o primeiro tento do Cruzeiro, o ambiente em Belo Horizonte era de desolação. A cidade parecia quase desapontada, embora ainda esperançosa de uma reação da equipe em que deposita sua confiança. E a explosão de alegria teve início com o tiro de Tostão direto ás redes de Cláudio. As ruas ganharam vida. A sede do Cruzeiro, onde se concentrou o maior número de torcedores, vibrou de emoção com o espetacular empate pelos pés de Dirceu Lopes. E o espocar de fogos de artifício anunciou às montanhas que o emocionante gol de Natal consagrava a equipe estrelada como campeã brasileira’ (Matéria de capa, jornal Estado de Minas, 8 de dezembro de 1966).


‘O Cruzeiro conquistou com méritos indiscutíveis o título máximo da Taça Brasil, quebrando a hegemonia de cinco anos do santos nesse torneio. O time mineiro, depois de estar inferiorizado por 2 x 0, reagiu e assinalou três tentos. No flagrante, a equipe cruzeirense, campeã brasileira, formada ao lado das autoridades que dirigiram o embate, quando do Hino Nacional’ (legenda de foto do time do Cruzeiro posado, Estado de Minas, 8 de dezembro de 1966).


‘Emoção e alegria. Na sede celeste a emoção tomou conta de todo mundo…E a alegria continuou até alta madrugada. Aí então, já roucos e cansados de tanto torcer, o que se viu predominar foi uma ansiedade geral, com todos em grande expectativa, aguardando as 18 horas de hoje, quando o novo campeão brasileiro chegará á Pampulha trazendo a Taça Brasil’ (página de esportes, Estado de Minas, 8 de dezembro de 1966).


‘Triunfo épico do futebol mineiro. Conquistou ontem o Cruzeiro o maior troféu do futebol nacional, ao derrotar de maneira espetacular a famosa esquadra do Santos, detentora, por cinco anos consecutivos, da Taça Brasil, agora em poder do time mineiro, que acaba de sagrar-se como realmente o mais perfeito do país… Ao final do emocionante confronto, lá estava o marcador que consagrava definitivamente o onze montanhês como campeão brasileiro’ (Primeira página do jornal Estado de Minas, edição de 8 de dezembro de 1966).


Prorrogação causou prejuízo




‘Cruzeiro campeão. Depois de estar perdendo por 2×0 no primeiro tempo, o Cruzeiro sofreu forte assédio do adversário nos dez minutos iniciais do segundo tempo, mas reagiu, em seguida, para acabar vencendo por 3×2, sagrando-se campeão brasileiro, num título inédito para o futebol mineiro’ (Estado de Minas, página de esportes, 8 de dezembro de 1966).


‘Faixas para os campeões. Durante as cerimônias no Palácio do Rádio, o governador Israel Pinheiro fará a entrega da faixa de campeão do Brasil a cada um dos jogadores do Cruzeiro. Em seguida, o prefeito Osvaldo Pieruccetti entregará a chave da cidade ao capitão do time, o zagueiro Procópio’ (Estado de Minas, página de esportes, 8 de dezembro de 1966).


‘…O Cruzeiro é o campeão do Brasil e vai tentar mais um tricampeonato mineiro em 67… O time campeão brasileiro de 1966 dispensa qualquer lembrança do passado… A reedição do derby hoje na Pampulha apresenta um aspecto inédito: a apresentação do Cruzeiro frente ao seu mais sério rival ostentando o título de campeão brasileiro… O bicampeão mineiro e campeão nacional – o Cruzeiro, apresentará ao público sua equipe completa…’ (Estado de Minas, página de esportes, 11 de dezembro de 1966).


‘1 a 1 no último clássico de 66. O Atlético deixou fugir anteontem uma vitória que seria a maior dos últimos tempos. Por pouco o alvinegro estaria, a estas horas, comemorando a façanha de ser o primeiro a bater o novo campeão brasileiro… o Cruzeiro parecia estar em campo apenas para mostrar ao público sua equipe campeã brasileira… Mas ia bem o Atlético até que fez o seu tento. Depois, talvez assustado pelo fato de estar vencendo o campeão brasileiro, retraiu-se… E o Cruzeiro? Jogou para o gasto. Poupando energias, revelando os reflexos de um desgaste muito natural advindo da dura jornada que empreendeu e que culminou com as conquistas dos títulos mineiro e brasileiro… Os atleticanos estão reclamando que a prorrogação de dois minutos causou-lhes o prejuízo do empate com o Cruzeiro. Acusam o juiz de parcial e de dar mais tempo para o campeão brasileiro igualar o escore…’ (Estado de Minas, página de esportes, 13 de dezembro de 1966).


Um gol de raiva, outro de pura arte




‘Quando Piazza entrou em campo abrindo o desfile dos campeões brasileiros de 66, ostentando a Taça Brasil, a torcida cruzeirense explodiu nas arquibancadas e nas gerais da Pampulha. O troféu máximo do futebol brasileiro e que vem para Minas Gerais pela primeira vez emoldurou o cenário do Gigante da Pampulha no clássico de domingo’ (Estado de Minas, página de esportes, 13 de dezembro de 1966).


‘Cruzeiro liberou 22 milhões para os campeões da Taça. Nem todos os jogadores compareceram. Notou-se a ausência de Tostão, Cláudio e Piazza. Estavam participando de um programa em uma emissora da capital. Os demais campeões brasileiros lá estavam, e também os campeões mineiros de profissionais e de aspirantes… Conhecida casa lotérica da cidade ofereceu prêmio aos campeões brasileiros de futebol… O Cruzeiro continua interessado em Oldair. O craque vascaíno demonstrou, também desejos de vir para Minas e o campeão brasileiro já iniciou entendimentos com o Vasco da Gama’ (Estado de Minas, página de esportes, 13 de dezembro de 1966).


O jornal Estado de Minas, fundado em 7 de março de 1928 – portanto, com mais de 80 anos de atividade contínua – pertence ao Grupo Diários Associados e é o mais tradicional jornal de Minas Gerais, intitulando-se ‘o grande jornal dos mineiros’.




‘Com o time completo, o Cruzeiro, bicampeão mineiro, enfrentará o Santos, pentacampeão brasileiro, hoje à noite – 21,30 horas – no Estádio Municipal do Pacaembu, na segunda partida que poderá decidir o título da VIII Taça Brasil. O Cruzeiro precisa apenas do empate para sagrar-se campeão brasileiro’ (Diário da Tarde, 7 de dezembro de 1966).


‘Um gol de raiva, outro de pura arte e o último veio por acréscimo, pois o Cruzeiro já era campeão do Brasil’ (Diário da Tarde, legenda de cinco fotos grandes tomando toda a página, 8 de dezembro de 1966).


Governador ficou na chuva




‘…Choravam os jogadores, não continham suas lágrimas também os dirigentes, torcedores eram retirados do gramado carregados pelos companheiros mais fortes de espírito. E quando Piazza recebeu a Taça Brasil das mãos de Mozart de Giorgio, da CBD, o delírio aumentou. O capitão da equipe campeã brasileira não se contentava em suspender o troféu para a torcida, abraçava-se à Taça, chorando, e seus companheiros o imitavam’ (Diário da Tarde, 8 de dezembro de 1966).


‘Campeão do Brasil enfrenta Atlético com força máxima. Com o título de campeão brasileiro, principal atrativo para o seu jogo de amanhã, contra o Atlético, o Cruzeiro jogará completo, com uma única alteração, verificando-se a entrada de Vavá no lugar de Procópio (Diário da Tarde, 10 de dezembro de 1966).


‘Cruzeiro fixa cota de 25 milhões. O vice-presidente Carmine Furletti revelou que o Cruzeiro pedirá a quantia de Cr$ 25 milhões por jogo em qualquer parte do País, dizendo que `esta será a cota mínima que o campeão brasileiro aceitará para jogar no Brasil, fora as despesas de viagem e hospedagem´. O Anápolis deseja exibição do Cruzeiro em janeiro próximo, tendo enviado um convite ao campeão brasileiro’ (Diário da Tarde, 10 de dezembro de 1966).


‘Cidade em delírio recebeu Cruzeiro forte com a taça. A chegada. Quarenta policiais da Guarda Civil, mais 20 policiais da Base Aérea isolaram os locais de passagem dos jogadores, tendo de agir, muitas vezes, para impedir a invasão do público, que desejava abraçar os campeões brasileiros’ (Diário da Tarde, 9 de dezembro de 1966).


‘Governador ficou na chuva para entregar faixas aos campeões. No Palácio do Rádio, os novos campeões brasileiros foram recebidos, além do governador Israel Pinheiro, pelo dr. Paulo Cabral, diretor dos Diários Associados e pelo dr. José de Oliveira Vaz, diretor da TV Itacolomi… O governador Israel Pinheiro esperou cerca de meia hora pelos campeões brasileiros… `o futebol mineiro conseguiu uma grande façanha e ficou ainda mais engrandecido com a conquista do Cruzeiro, sagrando-se campeão brasileiro´… `o Cruzeiro está de parabéns ao alcançar o título de campeão brasileiro´… A cerimônia oferecida aos jogadores terminou quando o governador Israel Pinheiro entregou ao capitão do Cruzeiro, Wilson Piazza, a sua faixa de campeão brasileiro’ (Diário da Tarde, 9 de dezembro de 1966).


Homenageados pelo povo mineiro


Leitura obrigatória para os amantes do futebol, o Diário da Tarde consagrou-se como um vespertino de leitura fácil e diagramação que privilegiava fotos e ilustrações. Foi o mais vendido nas bancas da Grande Belo Horizonte, principalmente na segunda-feira, quando trazia uma cobertura completa do futebol do fim de semana além de notícias policiais e suplementos semanais. Integrante dos Diários e Emissoras Associados, mesma empresa de o Estado de Minas, o Diário circulou pela última vez no dia 30 de julho de 2007, após 77 anos de vida.




‘Cruzeiro campeão do Brasil. Depois de estar perdendo para o Santos por 2 a 0 no primeiro tempo e ter perdido um pênalti aos 14 do segundo, o Cruzeiro teve fibra e futebol para marcar três gols e conquistar o título de campeão da VIII Taça Brasil, que a torcida mineira comemorou duplamente – no Pacaembu e em Belo Horizonte… Os novos campeões do Brasil chegam a Belo Horizonte às 19:30 horas, e uma grande recepção foi programada, com a presença do governador do estado, do prefeito Oswaldo Pieruccetti e de outras autoridades’ (Diário de Minas, matéria de capa, 8 de dezembro de 1966).


‘Os campeões de Minas e do Brasil’ (Diário de Minas, matéria apresentando cada um dos jogadores do Cruzeiro, 8 de dezembro de 1966).


‘Campeões do Brasil jogam amanhã contra o Atlético. O Cruzeiro vai lançar amanhã, contra o Atlético, todos os jogadores que participaram do jogo contra o Santos, quarta-feira, no Pacaembu, menos Procópio, que não pode fazer jogos de campeonato, e os dirigentes esperam, com isso, renda superior a Cr$ 100 milhões, numa festa em que os campeões do Brasil serão homenageados pelo povo mineiro’ (Diário de Minas, principal matéria da seção de esportes, 10 de dezembro de 1966).


Canal 100, um cinejornal cult


O extinto Diário de Minas, fundado em 1866 em Vila Rica, hoje Ouro Preto, foi um dos mais respeitados em Minas Gerais, onde teve atuação destacada na campanha pela proclamação da República. Foi o primeiro jornal impresso em tamanho standard, o mesmo utilizado hoje, e um dos primeiros do Brasil a adotar o jornalismo informativo.


Todo brasileiro que foi ao cinema de 1959 a 1986 conheceu o Canal 100, o cinejornal mais bem produzido e criativo do país, que se especializou na cobertura do futebol. Criado por Carlos Niemeyer em 1958, o Canal 100 produziu, em seus cinejornais semanais, cerca de 70 mil minutos de imagens da época, boa parte delas de grandes jogos do futebol brasileiro disputados no Maracanã.


Em uma época em que a luz dos estádios não ajudava e os negativos eram menos sensíveis, quatro cameramen, entre os quais se destacava Walter Torturra, conseguiam segurar o foco da bola com lentes telescópicas de 600 milímetros. As imagens, revolucionárias, mostravam as jogadas com uma proximidade nunca vista, torcedores em close e a novidade da câmera lenta. Tudo isso ao som de trilhas sonoras compostas especialmente para o jornal, entre elas uma de Tom Jobim. Para as reportagens do futebol, após muitas tentativas, descobriu-se o samba Na cadência do samba, de Luis Bandeira, que virou hino e trilha sonora do futebol brasileiro.


Sobre o cinejornal que virou cult, assim falou o jornalista e escritor Nelson Rodrigues: ‘Foi a equipe do Canal 100 que inventou uma nova distância entre o torcedor e o craque, entre o torcedor e o jogo, grandes mitos do nosso futebol, em dimensão miguelangelesca, em plena cólera do gol. Suas coxas plásticas, elásticas enchendo a tela. Tudo o que o futebol brasileiro possa ter de lírico, dramático, patético, delirante…’


Placar, opiniões controversas


O espantoso sucesso do Canal 100, porém, não impediu que em 1985, cedendo a pressões de setores ligados ao cinema norte-americano, o Ministério da Cultura do governo Figueiredo passasse a proibir a propaganda comercial em cinejornais. A medida decretou o fim do Canal 100, o cinejornal que mais informou e formou a opinião pública brasileira, pois chegou a muitas cidades antes mesmo do jornal impresso e da televisão.


E para o Canal 100 nunca houve qualquer dúvida de que a Taça Brasil era o mesmo que campeonato brasileiro. Em seu acervo, há inúmeras provas disso. Uma delas pode ser admirada por todos através do YouTube, aqui.


Neste filme, sobre a decisão da Taça Brasil de 1965, o locutor Cid Moreira, que depois se consagraria na Rede Globo de Televisão, inicia a matéria do segundo jogo entre Vasco e Santos, no Maracanã, com a seguinte frase: ‘O Santos é o pentacampeão brasileiro de futebol’. E depois de descrever os lances da partida, a reportagem é encerrada citando-se a ‘festa do pentacampeonato santista‘.


Lançada pouco antes da Copa do México, em 1970, pela Editora Abril, a revista Placar já mudou de opinião algumas vezes, ao longo de sua existência, com relação ao que vale e o que não vale como campeonato brasileiro. Como ela foi fundada após o término da Taça Brasil – e provavelmente seus jornalistas não tenham se inteirado da importância da competição –, a revista tem uma tendência a achar que o futebol brasileiro nasceu com ela.


Mesmo assim, até 1982 a revista considerava o Torneio Roberto Gomes Pedrosa no mesmo nível do Campeonato Nacional que surgiu a partir de 1971. E mesmo ignorando a Taça Brasil, a revista já deu aos vencedores desta competição, em edições especiais, o título de campeões nacionais. É mesmo difícil compreender, mas aqui estão algumas matérias publicadas em Placar.




‘O Flu é campeão do Brasil! Acabou o Torneio da Bola de Prata. Palmeiras na Taça Libertadores! (títulos de capa da revista Placar saudando a conquista da Taça de Prata pelo Fluminense em 1970).


‘1962 O maior do mundo. Primeiro, veio o bicampeonato nacional, com vitória sobre o Botafogo de Garrincha na final da Taça Brasil, por 5 x 0, em pleno Maracanã. Depois, a Libertadores, conquistada em cima do Peñarol do Uruguai com um 3 x 0. Por fim, O Mundial Interclubes, com dupla vitória sobre o Benfica de Portugal (3 x 2 no Maracanã, 5 x 2 em Lisboa). O Santos se transformava no maior do mundo’ (revista Placar, edição 1156, publicada em 1999).


‘1º Ranking do Futebol Brasileiro’




‘1963 Vestido para ganhar. O Santos entra em campo para decidir a Taça Brasil de 1963 vestindo camisas brancas com finíssimas linhas pretas, um uniforme poucas vezes reutilizado na história do clube. Final: Santos 2 x Bahia 0. Era o tricampeonato nacional e a garantia da presença alvinegra em mais uma Libertadores, a de 1964’ (revista Placar, edição 1156, publicada em 1999).


‘1965 De bom a melhor. Duplo passeio na decisão da Taça Brasil de 1965, contra o Vasco: 5 x 1 no Pacaembu e 1 x 0 no Rio. O Santos se sagrava o melhor time do País pela quinta vez seguida. No Paulistão, o bi veio com duas rodadas de antecedência. Na defasa, estreavam o lateral Carlos Alberto Torres e o zagueiro Orlando. No ataque, Abel aos poucos ia substituindo o ídolo Pepe’ (revista Placar, edição 1156, publicada em 1999).


‘A Taça Brasil foi extinta em 1968 porque o ampliado Roberto Gomes Pedrosa – o Robertão – jogado a partir de 1967, no início com 15 clubes, passou a concentrar as atenções das torcidas e a ocupar o calendário esportivo. No Campeonato Brasileiro – assim considerado a partir de 1967, com o Robertão, ou Taça de Prata – , estamos valorizando, além do título de campeão, os vice-campeonatos, coerentes com a posição de que deixar de ganhar um título não deve ser encarado necessariamente como uma tragédia’ (exclusivo. O 1º Ranking do Futebol Brasileiro. Ranking do Cinqüentenário. Matéria de capa, de 10 páginas, publicada na edição 658 da revista Placar, em 31 de dezembro de 1982).


É curioso que em 1982, doze anos após a quarta e última edição do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (que só se chamou Taça de Prata em 1970), a revista Placar tenha lançado com estardalhaço o ‘1º Ranking do Futebol Brasileiro’ considerando o Robertão no mesmo nível do Campeonato Nacional a partir de 1971. O que pode ter acontecido para que hoje a revista inclua no seu ranking apenas as competições nacionais de 1971 para cá?


Quatro depoimentos


O conceito de que se deve considerar os campeões brasileiros a partir da primeira Taça Brasil, em 1959, já é praticado por importantes veículos de comunicação e tem sido bastante difundido pela internet – não só em sites e blogs especializados em futebol, mas também pela reprodução de reportagens e filmes que confirmam esse fato.


Em 2006, na comemoração dos 40 anos do título brasileiro de 1966, os jogadores do Cruzeiro que atuaram na lendária decisão com o Santos foram convidados para vários programas especiais na TV. Tostão, Dirceu Lopes, Natal, Zé Carlos, Raul, Evaldo, Procópio, Willian e Neto foram entrevistados em emissoras de Minas Gerais, na ESPN, no Sportv e na TV Cultura. Alguns depoimentos:




Tostão: ‘Todo mundo achava que, em São Paulo, o Santos, com raiva, iria dar uma goleada no Cruzeiro. E o Cruzeiro ganhou merecidamente. O Cruzeiro passou a ser um time querido em todo o Brasil depois desses dois jogos. A maior importância é que aquele time provocou uma revolução no futebol mineiro. Coincidiu com a inauguração do Mineirão. Minas Gerais passou a ter um time de prestígio nacional. Um time que não só ganhou do Santos, mas ganhou dois jogos de maneira espetacular. O Cruzeiro ganhou do melhor time do mundo na época. A partir dali houve uma descentralização do futebol, quer dizer, antes era só Rio e São Paulo. Daí, com o Cruzeiro e o Mineirão, passou a ser comum jogadores mineiros jogarem na seleção brasileira.’


Natal: ‘Tive a felicidade de fazer o terceiro gol. Já estavam faltando três minutos. O empate já daria o título. Graças a Deus conseguimos vencer para consagrar o Cruzeiro. Nós fizemos nove gols no time do Pelé em dois jogos. Não era para qualquer equipe, não era para qualquer ataque. Sempre me recordo, pego a revista, leio, vejo os lances com relação a isso. Uma coisa que realmente a gente se emociona.’


Dirceu Lopes: ‘Quando terminou o primeiro tempo, 5 a 0, parecia que nós estávamos sonhando. Nem mesmo nós acreditávamos. A própria torcida, 100 mil pessoas, estava calada: será que estamos sonhando?… Realmente, pela sua importância, creio que tenham sido os dois maiores jogos da vida do Cruzeiro.’


Willian: ‘Foi o momento marcante da minha carreira.’


Restaurar a credibilidade


Duas das entrevistas podem ser vistas nos seguintes endereços da internet:


http://www.youtube.com/watch?v=gA75Ju_IAQo


http://www.youtube.com/watch?v=mFTGERCc7AQ&feature=related


A Folha OnLine, site do jornal de maior circulação do Brasil, considera os campeonatos nacionais a partir de 1959, como se pode conferir no endereço:


http://www1.folha.uol.com.br/folha/especial/2002/campeonatobrasileiro/campeoes.shtml


O site globo.com, da empresa de comunicações mais poderosa do País, nas matérias históricas sobre os clubes brasileiros também coloca no mesmo nível os títulos da Taça Brasil, do Roberto Gomes Pedrosa e do Campeonato Nacional a partir de 1971.


Em matéria especial sobre o Esporte Clube Bahia publicada neste mês de janeiro de 2009, quando o clube completou 78 anos, no item ‘títulos nacionais’ estão lá: 1959 e 1988. O mesmo aconteceu em matéria sobre o Cruzeiro, quando o time de Minas Gerais fez o seu 88º aniversário. Seus títulos nacionais, segundo globo.com, são dois: 1966 e 2003. A informação pode ser conferida no endereço: http://globominas.globo.com/GloboMinas/Esportes/0,,MUL941396-9141,00-ANIVERSARIO+CRUZEIRO+COMPLETA+ANOS.html


Enfim, mesmo que a imprensa tradicional não divulgue que os campeonatos nacionais de clubes de futebol começaram no Brasil em 1959, o crescente e irreprimível mercado da Internet já o está fazendo. Este dossiê prova que há um farto material de pesquisa e consulta espalhado por centenas de arquivos no país. Matérias, fotos e depoimentos que comprovam os fatos e confirmam a história do nosso futebol.


Há, ainda, os livros, vários, contando a história de cada clube, dos grandes jogadores e dos eventos mais importantes do nosso futebol. É inevitável que a verdadeira e detalhada história da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa venham à tona, tornando inútil qualquer tentativa de reescrever o passado.


Diante de todas as matérias jornalísticas expostas neste capítulo, é possível, em sã consciência, acreditar que havia algum aficionado do futebol naquele Brasil de 1959 a 1970 que não soubesse que o campeão da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa era, também, o campeão brasileiro?


Como se trata de uma verdade exaustivamente comprovada pela imprensa da época, admiti-la oficialmente significa restaurar a credibilidade da instituição futebol brasileiro e dar um motivo de júbilo – e alívio – aos muitos milhões de torcedores de seis importantes clubes nacionais que, qualquer que seja o resultado no jogo dos gabinetes, nunca duvidarão do mérito destes títulos conquistados no campo.

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Jornalista e escritor

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