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Quarta-feira, 15 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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JORNAL DE DEBATES > AMÉRICA LATINA

Reclamações levam SIP a adiar código de ética

17/10/2007 na edição 455

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) adiou por pelo menos um ano a adoção de um novo código de ética jornalístico depois da reclamação de organizações de mídia latino americanas de que ele poderia ser usado contra elas por inimigos da imprensa.


O rascunho do código circulou, na terça-feira (16/10), em reunião na 63º Assembléia Geral da SIP, em Miami. Jack Fuller, ex-presidente da Tribune Publishing Company, declarou que o código tinha como objetivo ser ‘uma afirmação de nossos valores, daquilo que defendemos’. Os oito parágrafos do texto lembravam que os jornais devem ser ‘transparentes’ e ‘honestos’ com os leitores, e devem fornecer notícias e opiniões que ajudem as pessoas a ‘ficar informadas para tomar decisões sobre qualquer coisa, desde assuntos do governo a melhor maneira de se ter uma vida saudável e feliz’. Estas afirmações acabaram causando controvérsia na reunião.


Sem condições


Claudio Polillo, diretor do jornal uruguaio Busqueda, afirmou que se tratava de um documento muito perigoso. ‘Nas mãos dos inimigos da imprensa, isso é uma arma poderosa a ser usada precisamente contra a liberdade de expressão’. Para ele, cláusulas sobre ‘transparência’ poderiam ser usadas contra uma organização de imprensa por um governo autoritário irritado com sua cobertura. ‘Seria uma vitória para os Chávez, os Ortegas, os Morales, os Correas’, afirmou, citando os presidentes da Venezuela, Nicarágua, Bolívia e Equador.


Polillo e outros que se opuseram ao código de ética foram amplamente aplaudidos. Eles alegavam que um documento como este pode funcionar em países como os EUA, mas que ‘o jornalismo na América Latina não é praticado sob condições ideais’.


Autoritarismo


Raul Kraiselburd, diretor do jornal argentino El Dia e co-autor do código, zombou da idéia de que líderes autoritários levem em consideração documentos da SIP para justificar suas ações contra a imprensa. Já Fuller afirmou que sugeriu a atualização do código de 57 anos da organização como uma maneira de combater o ceticismo sobre a mídia, ‘a questão sobre se ainda temos algum valor’.


Por fim, após votações, ficou decidido que a proposta de novo código seria adiada por um ano, e não seria reconsiderada até o próximo encontro anual, em Madri. Informações de Mark Fitzgerald [Editor & Publisher, 16/10/07].

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