Domingo, 21 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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JORNAL DE DEBATES >

Reclamar contra a excomunhão é defender o “arbítrio laicista”

Por Alberto Dines em 24/03/2009 na edição 530

É perfeito o artigo de Carlos Alberto Di Franco no Estado de S.Paulo (23/3, pág. A-2). Perfeito e inquietante. Como reflexo do pensamento do Vaticano e flagrante da sua conexão com a Universidade de Navarra e o programa Master em Jornalismo, ambos profundamente implantados na mídia brasileira (ver ‘Jornais, Igreja e Estado‘).


Nessas duas laudas escritas com a arrogância dos sermões dos Autos da Fé estão explicitados sem camuflagens e eufemismos a doutrina, valores e estratégias que se filtram e infiltram no processo decisório dos mais importantes veículos brasileiros.


O raciocínio do eminente teológo-comunicador baseia-se no sofisma de que se a Igreja fosse de fato anacrônica, poucos se dariam ao trabalho de discuti-la. Quem recusa este simplismo é niilista, ‘gente sem norte e sem rumo’.


Quem tem fé não pode ser chamado de fanático, ao contrário, tem ‘apreço pela liberdade’. Quem tem fé (religiosa, de preferência católica) não é sectário. O laicismo é antidemocrático porque impede que a Igreja transite pelo espaço público. O laicismo é um dogmatismo secular tão pernicioso quanto o clericalismo do passado.


Com clareza


Entusiasmado com a sua encíclica, Di Franco vai adiante e afirma que as tentativas de expulsar a Igreja do debate em defesa da vida é arbítrio laicista. Em outras palavras: a Igreja tem o direito de excomungar aqueles não seguem os seus ensinamentos e ninguém pode reclamar. Percebendo que foi longe demais, apela para os ‘independentes’ que não pretendem rupturas ‘e, muito menos, virar as costas para o Brasil real, uma nação de raízes culturais cristãs’.


Porção obscura, mas não irrelevante está no título: ‘Jornais, Igreja e Estado’. O que é que o Estado tem a ver com isso? Di Franco, porventura, não gostou da manifestação do presidente Lula contra a excomunhão proclamada pelo arcebispo de Olinda? Deveria dizê-lo com clareza. Afinal, quando não trata das questões da fé só pensa em destratar o governo.

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