Quarta-feira, 20 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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JORNAL DE DEBATES > MÉXICO

Repórter investigativo assassinado em Veracruz

28/11/2006 na edição 409

O repórter Roberto Marcos Garcia, da revista semanal Testimonio, de Veracruz, foi morto a tiros em uma estrada, na semana passada (21/11). Garcia, de 50 anos, foi derrubado de sua moto, atropelado e depois levou quatro tiros. Segundo a polícia local, os criminosos não foram identificados.

O subpromotor Marco Antonio Aguilar afirmou que pelo menos duas pessoas estavam envolvidas no crime, mas que não era possível especular o motivo do assassinato. O jornalista havia escrito reportagens investigativas sobre crimes que iam de tráfico de drogas a roubo de carros, passando pela suposta corrupção de autoridades locais.

Garcia foi o terceiro jornalista morto em novembro no México. Antes dele, José Manuel Nava, do jornal Excelsior, foi morto a facadas, e o corpo de Misael Tamayo Hernandez, editor de um diário em Zihuatanejo, foi encontrado em um quarto de hotel. Nava havia acabado de publicar um livro onde criticava o governo federal, a comunidade empresarial e os funcionários do Excelsior, enquanto Hernandez foi assassinado um dia após publicar artigos sobre o crime organizado e corrupção no governo local. Nenhum motivo oficial, entretanto, foi estabelecido para nenhuma das mortes. Informações da AP [21/11/06].



Narcotraficantes publicam anúncio em jornal

Em uma ação pouco usual, uma violenta gangue de narcotraficantes mexicanos pagou por um anúncio de meia página em jornais do país. No texto, o grupo diz ser formado por vigias anti-crime que querem acabar com assassinatos, roubos e a venda de metanfetamina no estado de Michoacan. Acredita-se que a obscura gangue, conhecida como A Família, seja ligada ao cartel de drogas no Golfo do México.

Os jornais El Sol de Morelia e La Voz de Michoacan confirmaram a publicação do anúncio na edição de quarta-feira passada (22/11). ‘Nossa única razão de ser é o amor por nosso estado, e nós não iremos permitir que a dignidade de nosso povo seja massacrada’, dizia o texto, assinado pela ‘Família Michoacan’. ‘Esta organização foi formada com a firme intenção de combater o crime organizado em nosso estado’, completava a nota, que citava também o nome de outras gangues como sendo responsáveis pela violência local. ‘Talvez, hoje, as pessoas não nos entendam, mas nós sabemos que, nas regiões mais afetadas, elas compreendem nossas ações’, afirmava, ressaltando que ‘pessoas que trabalham em qualquer atividade decente não têm razão para se preocupar’.

Esta não é a primeira vez que o grupo usa retórica deste tipo para se retratar como ‘do bem’. Em setembro deste ano, em um chocante ataque, cabeças humanas foram jogadas dentro de um bar na cidade de Uruapan. A Família assumiu a autoria do crime, mas deixou um bilhete: ‘A Família não mata por dinheiro. Não mata mulheres. Não mata inocentes, mata apenas aqueles que merecem morrer’. Informações de Mark Stevenson [AP, 23/11/06].



Morre o veterano jornalista Jesus Blancornelas

O jornalista mexicano Jesus Blancornelas, que ficou famoso por fazer campanha contra a violência dos narcotraficantes na fronteira com os EUA, morreu na semana passada (23/11) de causas naturais. Blancornelas, que tinha 70 anos, co-fundou o jornal semanal Zeta na violenta cidade de Tijuana.

Em 1997, o jornalista quase morreu em um ataque em que membros de uma gangue atiraram nele por diversas vezes. Após o atentado, Blancornelas passou a andar acompanhado de guarda-costas armados. Segundo informações do Zeta, ele sofria de câncer no estômago e diabetes, e sua saúde piorou consideravelmente após o ataque de 97.

Em 2005, Blancornelas recebeu o Prêmio Daniel Pearl por coragem no jornalismo. Ele costumava denunciar as atividades dos chefes do tráfico e suas ligações com políticos em uma coluna semanal. O jornalista convivia de perto com a violência: viu amigos próximos e colegas assassinados por membros de gangues. O co-editor do Zeta, Francisco Ortiz, foi morto a tiros em 2004 na frente de seus dois filhos pequenos.

Desanimado, Blancornelas disse à Reuters, no ano passado, que se arrependia de ter fundado o jornal. ‘Nós continuamos com nossas investigações para solucionar as mortes de nossos colegas. Mas, se não fosse por isso, eu estaria em minha casa, descansando’, teria afirmado na ocasião. Informações da Reuters [23/11/06].

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