Domingo, 24 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

ENTRE ASPAS > AL HURRA

Salah Nasrawi

17/02/2004 na edição 264

‘Antes mesmo de fazer sua primeira transmissão, a estação de TV via satélite financiada pelo governo americano e dirigida a espectadores árabes vem atraindo críticas no Oriente Médio, sendo vista como tentativa americana de destruir os valores islâmicos e fazer lavagem cerebral nos jovens.

A emissora Al Hurra (a livre) deve entrar no ar pela primeira vez amanhã. O presidente americano, George W. Bush, prometeu que a estação, que vai transmitir notícias e entretenimento 24 horas por dia, ‘passará por cima da propaganda odiosa que ocupa as ondas no mundo muçulmano’.

A emissora vai estrear com uma atração que poucas poderiam igualar: uma entrevista com Bush. O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, disse que a entrevista ofereceu a Bush a oportunidade de falar ‘de seu compromisso em difundir a liberdade e a democracia no Oriente Médio’.

Ódio aos EUA

‘Penso que o objetivo principal de abrir um canal como esse é provocar mudanças drásticas em nossos princípios e doutrinas’, disse Jamil Abu Bakr, porta-voz da Frente de Ação Islâmica, o braço político do movimento jordaniano Irmandade Muçulmana. ‘Mas a natureza das sociedades árabes e muçulmanas e o ódio que nutrem pela política americana e os esforços desse país para desafiar nossas crenças, tudo isso vai acabar por limitar seu impacto.’

Jornalistas árabes também vêm criticando a Al Hurra em editoriais e colunas, descrevendo a emissora como propaganda indesejada e até mesmo perigosa.

Rami Khouri, diretor-executivo do mais importante jornal libanês em língua inglesa, o ‘Daily Star’, crê que a Al Hurra venha a ‘exacerbar o abismo entre americanos e árabes, em lugar de lançar uma ponte sobre ele’.

A Al Hurra é a resposta americana às redes árabes de TV via satélite -de grande audiência, como a Al Jazira (Qatar)-, que os EUA acusam de alimentar o sentimento antiamericano. Suas transmissões serão feitas desde Washington, mas ela terá instalações em diversas capitais do Oriente Médio, incluindo Bagdá, e uma equipe formada em sua maioria por profissionais árabes. Tradução de Clara Allain’



AL JAZIRA

Samuel Abt


‘Al-Jazira: campeã de audiência na CNN’, copyright O Estado de S. Paulo / International Herald Tribune, 17/02/04

‘Um cartaz na parede da sede da Al-Jazira, a rede de televisão de língua árabe, exibe um olho gigante e uma pergunta sobreposta:


‘Todo mundo assiste à CNN. A que a CNN assiste?’ Abaixo, uma resposta: ‘A Al-Jazira’.


Para muitos, isso não parece absurdo.


Defendidas por seus chefes de redação como interessantes e equilibradas, as transmissões da Al-Jazira de declarações gravadas de Osama bin Laden são amplamente vistas e analisadas. O canal, que freqüentemente provoca a ira do Pentágono, está no meio de uma proibição de um mês no Iraque, e foi denunciado também na época do regime ditatorial de Saddam Hussein. A Al-Jazira é ainda alvo de boicote publicitário em alguns países árabes, dizem executivos da emissora.


Numa entrevista na sede da TV, em Doha, capital do Catar, os executivos disseram que essa diversidade é um sinal de força. Como afirmou o jordaniano Wadah Khanfar, diretor-gerente: ‘Fomos acusados desde o início de ter sido criados por agências internacionais como o Mossad e a CIA, de ter os americanos por trás, de que este ou aquele regime está por trás de nós, de que Osama bin Laden está por trás de nós. Esse tipo de besteira é, para nós, um sinal de que estamos no caminho certo.’ Outro sinal, segundo a emissora, é que, em seu oitavo ano de funcionamento a Al-Jazira tem 35 milhões de telespectadores por dia ao redor do mundo – a maioria nos países árabes, mas também em lugares tão distantes como a China e o Japão.


A Al-Jazira diz que agora planeja expandir-se para o mundo anglófono.


Depois da introdução de um website em inglês, no ano passado, a emissora espera lançar um canal via satélite nessa língua. ‘Quem sabe já no ano que vem’, disse Khanfar.


A iniciativa viria depois da introdução de um canal dedicado exclusivamente aos esportes, em novembro, e de planos para uma Al-Jazira para crianças.


Haidar Haq, um libanês que chefia o setor de esportes do canal, ressaltou:


‘Os Estados Unidos, a Itália, a França nos mandam o que querem – suas idéias, suas imagens, seus funcionários. Hoje, levamos nossas idéias ao mundo árabe. Talvez no ano que vem haja uma Al-Jazira em inglês para levar idéias árabes aos estrangeiros.’


Khanfar disse que já está recrutando jornalistas e construindo um prédio para o canal em inglês. ‘A maioria das pessoas que vamos contratar’, continuou ele, ‘deverá ter o inglês como língua materna, e não precisará necessariamente ser árabe. A principal qualificação é sua experiência e seu profissionalismo.’


Em Londres, Chris Cramer, diretor administrativo da CNN Internacional, cumprimentou a direção da emissora árabe pelo plano ousado. ‘Quem vai ganhar com isso é o telespectador, que terá uma opção.’


Os editores das várias áreas de notícia e entretenimento da emissora reiteraram o compromisso da Al-Jazira com o profissionalismo. ‘Estamos fazendo tudo para sermos compreensíveis e exatos’, disse Ibrahim Hela, um egípcio que chefia a redação, acrescentando: ‘Exatos e não ideológicos.’


Sobre essa questão, ele lembrou que a emissora faz seu trabalho num momento particularmente sensível no mundo árabe. ‘A região árabe é o foco do noticiário mundial. O que estamos tentando é fazer uma ponte entre dois caminhos para entender os fatos no Oriente e no Ocidente.’’




HARVARD SEM ROUPA
Folha de S. Paulo

‘Harvard vai ter revista com alunas sem roupa’, copyright Folha de S. Paulo, 13/02/04

‘A Universidade Harvard vai ganhar uma publicação que nada tem a ver com as tradições da mais antiga instituição de ensino superior dos EUA. Se não pela qualidade dos textos, que talvez não consigam se equipar aos de T.S. Eliot, e.e. cummings e Norman Mailer -todos ex-alunos da universidade-, ao menos pelo conteúdo a revista ‘H Bomb’ promete ser explosiva: vai trazer artigos sobre arte e sexo e fotos de estudantes sem roupa.

A direção da universidade já aprovou a revista estudantil. ‘Estamos conscientes do fato que alguns segmentos da população irão achar o conteúdo desagradável. No entanto o comitê considerou que se trata de uma questão de liberdade de expressão’, disse Judith Kidd, integrante do comitê que aprova todas as organizações estudantis.

O comitê, composto por representantes de professores, funcionários e alunos, aprovou a revista com 12 votos a favor e duas abstenções. A autorização possibilita que as editoras da ‘H Bomb’ entrem com um pedido de subvenção -a aprovação da ajuda, no entanto, não é automática.

As duas editoras, Katharina Baldegg e Camilla Hrdy, afirmam que ela não será pornográfica. ‘A revista vai fornecer uma discussão descontraída, sem restrições e com uma visão leve sobre algo que não deveria ser um tema delicado nem restrito em Harvard’, disseram, por e-mail, à agência de notícias Reuters.

Apesar da autorização recebida, a revista não poderá produzir suas fotos em locais da universidade -há uma política da instituição que proíbe isso em todas as publicações estudantis.

Essa será a primeira publicação do gênero em Harvard, mas já existem revistas semelhantes nas faculdades Vassar e Swarthmore. Harvard foi criada em 1636, em Cambridge (Massachusetts), e já teve entre seus alunos seis presidentes dos EUA.’



JORNAL DA IMPRENÇA
Moacir Japiassu

‘Broxada sensacional!’, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 12/02/04

‘Bem agarradinhas debaixo do título Afinal, por que estamos transando menos, título que servia, digamos, de uma espécie de edredon do Big Brother, as palavras metiam medo: ‘Querida leitora, deu no Ibope: a vida sexual dos brasileiros não está lá essas coisas. Para você ter uma idéia, até os húngaros estão com mais tesão que a gente(…)’.

O texto, enfiado na coluna intitulada Posso Falar?, última página da revista Uma, é da excitada lavra da escritora e publicitária Gisela Rao e deixou Janistraquis intrigadíssimo: ‘Considerado, eu sabia que os húngaros tinham broxado barbaridade depois da derrota para os alemães, na partida final da Copa do Mundo de 1954; só não imaginava que o trauma já durasse meio século!!!’.

É mesmo, é excesso de trauma por causa de uma simples partida de futebol, né não? Quando li o artigo da Gisela recordei imediatamente meu considerado amigo István Wessel, húngaro apaixonado por carnes nobres e que há alguns anos me presenteou com uma camiseta na qual sorriem os craques daquela equipe inesquecível: Grosiks, Buzanski e Lanthos; Boszik, Lorant e Zacharias: Czibor, Koccis, Hidekguti, Puskas e Budai.

Mostram-se felizes nas reproduções da camiseta. São, certamente, fotos tiradas antes da derrota na final por 3 a 2, resultado incrível e que determinou a broxada nacional e sensacional revelada agora pela experiente Gisela Rao. Pensei também na forma debochada e cínica como nós, brasileiros, encaramos essas tragédias; afinal, perdemos a copa de 1950 para os uruguaios, em pleno Maracanã, e ainda estamos trepando mais do que os húngaros, que jogaram fora de casa, na Suiça. Povo admirável o nosso!!!

Esquisito diário

Celsinho Neto, diretor da sucursal desta coluna em Fortaleza, leu a ‘indispensável’, que ali costuma chegar forte e rija, e despachou o seguinte desabafo:

‘Aqui pras bandas do Ceará, diário significa algo que ocorre todos os dias. Pras bandas da redação da revista Veja, diário possui outro significado. Olhe o que foi publicado numa reportagem sobre stress, em dicas para preveni-lo:

PRATIQUE EXERCÍCIOS FÍSICOS: meia hora diária de ginástica três vezes por semana libera energia, reduz a ansiedade e melhora o humor.

Ginástica diária três vezes por semana? O redator, com certeza, deve estar bastante estressado…’.

É, Celsinho… Janistraquis garante que meia hora diária de ginástica, três vezes por semana, talvez não resolva nada mas, pelo menos, melhora bastante o humor!

Paraíba cultural

Todos os sábados, paraibanos saudosos da agitação intelectual de sua terra, e demais letrados mundo afora, já podem acessar a versão online do Correio das Artes, tradicionalíssimo suplemento cultural do jornal A União, dirigido pelo competente poeta e jornalista Linaldo Guedes. Inscrevam o link na lista de favoritos.

Consumidor chato

Nosso considerado João Carlos de Brito lia placidamente o Estadão, que ele apelidou de Estadaço, quando deparou com surpreendente informação na página B-1:

‘Representantes do varejo prometem resistir às pressões das indústrias (pelo aumento de preços), alegando que o consumidor não tem renda para sancionar os aumentos.’

‘Que tempos, estes!’, assustou-se Brito; ‘o consumidor, que costuma ‘sancionar’ aumentos sempre que lhe pedem, desta vez parece que não quer colaborar…’.

Idéia fixa

Leonardo Alves, que manifesta sua paixão pelo jornalismo no blog http://madruga.blogger.com.br, enviou notinha que saiu nesta quarta-feira na versão digital do Informe O Dia:

Mazela

O Datasus constatou que, ano passado, 51 brasileiras com idade entre 55 e 59 anos derão à luz filhos vivos. Seis delas são fluminenses.

‘Derão? Derão?!?!?’, alarma-se Leonardo, porém Janistraquis tem outro motivo de preocupação, além dessa escrita anterior à reforma ortográfica: ‘Considerado, o diabo é que seis dessas ousadas veteranas são fluminenses e nenhuma vascaína…’.

Sobre escombros

Luciano Martins-Costa, considerado jornalista que entende mesmo de portais, enviou a seguinte manifestação de justificado assombro:

‘Deu assim, no portal www.estadao.com.br, segunda-feira(9), às 14h30:

Yasemin, 24 anos, surge viva depois de 7 dias sobre os escombros. Ela é mais uma sobrevivente do edifício que ruiu em Konya, na Turquia, uma semana atrás.

O que será que a jovem Yasemin ficou fazendo, durante uma semana, em cima do entulho?’.

Boa pergunta, Luciano, boa pergunta!

Bola da vez

Em tempos de convocação extraordinária, quando nosso diretor no Distrito Federal, Roldão Simas Filho, dá um recesso ao Correio Braziliense, quem paga o pato é a Tribuna da Imprensa:

‘Seção de Economia, página 10, dia 3 de fevereiro: Camarão é a ‘bola da vez’ no exterior, garantia o título. Aí, a legenda da foto botou tudo a perder: ‘Segundo produtores, a demanda pelos camarões do Brasil no exterior é maior do que a procura.’

Que coisa! Que confusão! Demanda e procura são sinônimos, como se sabe. O redator quis escrever produção e saiu procura…’

Hilda Luft

O considerado Alexandre Marino, que não larga o radinho de pilha nem quando lê esta coluna, escreveu a Janistraquis:

Você não pode perder essa! Entre no site da CBN e ouça a edição de quarta-feira, 04.02.04, da coluna Liberdade de Expressão, de Carlos Heitor Cony e Artur Xexéo. Eles estão comentando a obra de Hilda Hilst, que morreu ontem, quarta. Os comentários de Xexéo são hilários!! Ele confunde Hilda Hilst com Lya Luft, e faz o obituário de Lya. Inclusive cita o último livro dela, Perdas e Ganhos. Se Hilda ouvisse alguém parabenizá-la por competir nas listas dos mais vendidos com Paulo Coelho e outros best-sellers…

Isso mostra que Artur Xexéo nunca leu um livro de Hilda Hilst, porque essas obras são absolutamente inconfundíveis. E revela que os jornalistas brasileiros continuam com a velha mania de comentar aquilo que não conhecem.

Comentário de Janistraquis, à moda de Celsinho Neto: ‘Arriégua!!!’.

Refresco

Daniel Sottomaior, diretor de nossa sucursal paulistana, mandou ver:

‘O Estadão não deixou de noticiar a gafe de tradução que atingiu Lula na Índia. Segundo o entendimento do tradutor, o ministro da Indústria e Comércio local disse ter ouvido ‘anedotas’ sobre o passado de Lula.

Em inglês, anecdote é o relato de uma história, algo como um ‘causo’. Daí vem a expressão anedoctal evidence, a evidência na forma de um relato de caso.

A tradução seria exata em Portugal, mas dita a um brasileiro, a expressão poderia ter gerado um incidente diplomático. Tradução literal no dos outros é refresco.’

Nota dez!

A melhor notinha da semana saiu na coluna Gente Boa, que o gente fina Joaquim Ferreira dos Santos assina em O Globo:

Compras cariocas

Abre terça-feira, no Rio Sul, a loja-paraíso dos paranóicos por segurança. Venderá ursinho com câmera no nariz, para filmar agressões de babás a bebês: R$ 1.980. Outra: mala de R$ 5 mil que, acionada à distância, dá choque de 80 mil volts no ladrão. Mais: óculos de sol, a R$ 300, com espelho refletor para quem acha que está sendo seguido. E, para destruir provas comprometedoras com segurança, triturador de R$ 550 que transforma papel em confete.

Errei, sim!

‘LEGENDA FATAL – Erramos deveras colossal da Folha de S. Paulo: ‘O psicólogo Paulo Longo, presidente do Núcleo de Orientação em Saúde Social, do Rio de Janeiro, foi identificado erroneamente como garoto de programa em um texto-legenda publicado ontem’. Preocupado, Janistraquis comentou: ‘Considerado, o mais tenebroso dessas falhas é que se torna impossível avaliar a quantidade de pessoas que leram tanto a legenda quanto a correção. Nem imagino a multidão de tarados que procurou Paulo Longo para saber o tamanho do michê…’. É mesmo desagradável, principalmente quando o sobrenome do falso ‘garoto de programa sugere que seja muito, muitíssimo bem dotado.’ (outubro de 1994)’

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