Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CADERNO DO LEITOR > DIREITA EM TELA

Sarah Palin e a Fox News

Por Kenneth Maxwell em 15/01/2010 na edição 572

Na segunda-feira (11/1), em Nova York, a rede de TV a cabo Fox News anunciou que Sarah Palin passaria a ser colaboradora regular de sua programação.


Palin declarou em comunicado que trabalhar com a Fox é uma ‘emoção’ e que é ‘maravilhoso estar em um lugar que tanto valoriza o jornalismo justo e imparcial’.


Sarah Palin foi governadora do Alasca, e John McCain escolheu-a como companheira de chapa na eleição presidencial de 2008.


McCain e Palin foram derrotados por Barack Obama e Joe Biden. Na metade do ano passado, ela renunciou inesperadamente ao governo do Alasca e, em seguida, lançou suas memórias, Going Rogue. O livro se tornou um best seller instantâneo. Agora, ela participará regularmente de diversos programas da Fox News e será apresentadora de uma série ocasional que terá o título ‘Real American Stories’. O programa oferecerá relatos ‘inspiradores’ sobre as dificuldades dos ‘cidadãos comuns’.


A despeito da reação negativa de muitos comentaristas da mídia, e de ex-assessores de campanha de John McCain, à mais recente decisão de Palin, a combinação entre ela e a Fox News é formidável. A Fox News, estabelecida em 1996, tornou-se a principal fonte de receita para o conglomerado de mídia de Rupert Murdoch e deverá ter lucro de US$ 700 milhões neste ano, o que supera os lucros combinados das operações jornalísticas de NBC, ABC, CBS e das redes de notícias a cabo CNN e MSNBC.


Fenômeno antigo


O sucesso espantoso da Fox News é realização de Roger Ailes, natural do Ohio e antigo estrategista político do Partido Republicano que trabalhou com Richard Nixon.


Ailes agora é o executivo mais bem pago do império de mídia de Murdoch. Ele aparentemente ameaçou se demitir quando descobriu que Murdoch estava a ponto de expressar apoio à candidatura de Barack Obama durante a campanha presidencial. Murdoch recuou.


O ano passado viu a ascensão de um movimento iracundo e incoerente de oposição às elites nos EUA. Batizado em referência aos manifestantes de Boston que, antes da revolução americana, lançaram ao mar uma carga de chá vinda da Índia para não pagar impostos à coroa inglesa, os ativistas de base do movimento ‘Tea Party’ são um eleitorado natural para Palin. E a ingenuidade aparente da ex-governadora só reforça seus encantos.


Diante de um desemprego que continua alto e do desdém generalizado pelos políticos, agora dotado de uma voz na mídia, está ressurgindo um velho fenômeno que Richard Hoftstadter, historiador da Universidade Columbia já morto, descreveu como ‘o estilo paranoico de política norte-americana’.


Esse movimento conservador reanimado não deve ser subestimado.

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Historiador, colunista da Folha de S.Paulo

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