Domingo, 22 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
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ENTRE ASPAS >

Sarney nega censura a jornal

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 04/08/2009 na edição 549


Leia abaixo a seleção de terça-feira para a seção Entre Aspas. 
 


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Folha de S. Paulo


Terça-feira, 4 de agosto de 2009 


 


SARNEY E OESP


Folha de S. Paulo


Sarney nega censura, e jornal vai recorrer


‘O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e o empresário Fernando Sarney, seu filho, divulgaram ontem notas negando fazer censura à imprensa. Fernando obteve na sexta-feira no Tribunal de Justiça do Distrito Federal uma liminar que proíbe o jornal ‘O Estado de S. Paulo’ de publicar informações sobre a Operação Boi Barrica, da Polícia Federal.


Fernando é o principal alvo da operação e foi indiciado no dia 15 passado por formação de quadrilha, gestão de instituição financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Ele nega os crimes.


O diretor de conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour, afirmou que ‘o jornal se considera sob censura’ e criticou a ‘truculência da intenção da ação’ de Sarney.


O advogado do ‘O Estado de S. Paulo’ Manoel Alceu Affonso Ferreira afirmou que recorrerá, ainda nesta semana, da liminar. Ele disse também que pedirá ao desembargador do TJ do DF Dácio Vieira, que deu a liminar, para se declarar impedido de julgar o processo.


A suspeita da falta de isenção de Vieira é porque, segundo o advogado, o desembargador ocupou cargo de confiança na gráfica do Senado antes de ser nomeado no Tribunal.


Sua indicação se deve ao apoio de Sarney e do ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia, de quem é amigo. Quando o desembargador era consultor jurídico da gráfica esse órgão do Senado era comandado por Agaciel, então aliado de Sarney. O líder da bancada do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), ingressou ontem com denúncia no CNJ (Conselho Nacional de Justiça) contra o desembargador Vieira.


A assessoria do Tribunal de Justiça afirmou que o desembargador não daria entrevista porque ainda vai julgar o mérito do processo.


Notas


Sarney afirmou, na nota, que seu filho ‘tem sido vítima de cruel e violenta campanha infamante por parte de ‘O Estado de S. Paulo’..


O presidente do Senado disse não ter sido consultado sobre a ação movida por Fernando. ‘Por isso é uma distorção de má-fé querer me responsabilizar pelo fato’, afirmou.


‘Todo o Brasil é testemunha de minha tolerância e minha posição a respeito da liberdade de imprensa, nunca tendo processado jornalista algum’, disse o presidente do Senado.


Sarney move, porém, três ações em Brasília por reparação de danos contra o ‘Jornal Pequeno’, de São Luís, que publica reportagens críticas a ele.


‘Como empresário da área de comunicação, com atuação permanente no setor há quase 30 anos, sempre defendi a liberdade de imprensa’, disse Fernando Sarney.


Segundo a opinião do empresário, o jornal divulga ‘ilicitamente informações’ em segredo de Justiça.


‘É lamentável, portanto, que uma decisão judicial que simplesmente exige o respeito a garantias constitucionais inerentes a todo cidadão -intimidade, privacidade, honra e imagem- esteja sendo apresentada como forma de censura à imprensa.’’


 


 


RELIGIÃO


Marcos Nobre


Fé na mídia


‘ONDE HÁ pluralismo religioso, a alternativa para a guerra é a tolerância. E, para impedir que uma crença chegue a ocupar a posição de única fé verdadeira e extermine as demais, estabeleceu-se a separação entre Estado e igreja e se atribuiu à religião o espaço da vida privada.


Mas esse espaço estreito do privado nunca foi aceito pacificamente pelas religiões. Principalmente porque ficou ainda mais exíguo com o declínio da família como lugar privilegiado de formação de identidades e de socialização. A competição por fiéis invadiu a esfera pública de uma maneira selvagem.


É claro que, respeitado o princípio da tolerância, a esfera pública deve estar aberta a todo tipo de manifestação de pensamento. A necessária laicidade do Estado não pode e não deve restringir o pluralismo da esfera pública, mesmo sendo muitas vezes fluidos e sutis os limites entre essas duas instâncias.


Só que a tolerância não é lei nem política de Estado. Só arrefece a pretensão de uma religião de se impor sobre as demais se a tolerância passa de fato a fazer parte da prática cotidiana pública. Por via indireta, essa também é uma maneira de medir o grau de democratização de uma sociedade. Por aí se vê o quanto o Brasil anda longe de ser exemplo de tolerância religiosa, apesar da lenda da convivência pacífica.


Há já algum tempo, a esfera pública brasileira se viu tomada por uma disputa midiática entre credos rivais que não se pauta pelo fomento da tolerância, mas simplesmente pela busca do maior número possível de fiéis. É uma disputa desigual. Está em jogo a aquisição de canais de televisão, de emissoras de rádio e de jornais. É o jogo bruto da busca pelo maior poder midiático possível, o que inclui o recurso a crentes famosos, como jogadores de futebol.


Se seitas protestantes costumam ser mais bem-sucedidas na aquisição direta de meios de comunicação de massa, a Igreja Católica responde com seu poder secular. Em 1997, durante o governo FHC, conseguiu aprovar a lei que garante o ensino religioso nas escolas do nível fundamental. Recentemente, o governo Lula firmou um acordo com o Estado do Vaticano que privilegia abertamente a crença católica sobre as demais. É de esperar que a Câmara dos Deputados o rejeite.


A guerra por fiéis tem muita bala perdida. Como fez Juca Kfouri em sua coluna da semana passada, ‘Deixem Jesus em paz’, ainda vai ser preciso que muita gente reclame de ser vítima involuntária dessa guerra para que a tolerância conquiste de fato o seu lugar na vida pública brasileira.’


 


 


GOVERNO


José Aníbal


Compulsão por propaganda


‘EM ARTIGO publicado neste espaço no dia 8 de junho, o ministro da Comunicação Social, jornalista Franklin Martins, afirmou que o governo Lula gasta ‘em torno de R$ 1 bilhão ao ano’ com publicidade e que esse é o mesmo patamar de gasto do governo Fernando Henrique Cardoso.


Teria sido prudente o ministro se, antes de escrever, olhasse o site da secretaria que dirige -e que o desmente. Lá está: em 2009, a soma dos contratos do governo (administração direta e indireta) com agências de publicidade é de R$ 1.374.359.194,90.


E a lista não menciona contratos de publicidade de oito ministérios e muitos órgãos. Pelo menos três deles -Ministério das Cidades (R$ 120 milhões), Ministério da Previdência Social (R$ 26 milhões) e Secretaria Especial da Pesca (R$ 21 milhões)- têm contratos firmados.


O ministro tampouco considerou os aditivos -só o Ministério da Agricultura aditou R$ 10,3 milhões em 2009, revela o Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira). Ele ainda esqueceu de computar os generosos patrocínios culturais e esportivos que o governo Lula distribui, em grande parte, a apaniguados. São R$ 867,3 milhões em 2009, que, somados ao bolo publicitário, elevam a conta para R$ 2,4 bilhões -duas vezes e meia o ‘em torno de R$ 1 bilhão’ alardeado pelo ministro.


Um estudo sobre a evolução da despesa com publicidade da administração direta no período 1996 a 2009, feito pela liderança do PSDB na Câmara com base no Siafi, mostra que o total executado, a preços corrigidos pelo INPC, entre 1996 e 2002 (governo Fernando Henrique Cardoso), foi de R$ 1.270,6 milhões, e, entre 2003 e 2009 (governo Lula), de R$ 2.173,1 milhões. Lula gastou 92,5% a mais.


Com sua compulsão por propaganda, Lula concentrou no Palácio do Planalto os recursos para publicidade institucional. Com isso, a rubrica deu saltos: R$ 188,2 milhões em 2003, R$ 289,5 milhões em 2004, R$ 331,4 milhões em 2005 e R$ 274,3 milhões em 2006. Caiu em 2006 porque a lei limita os gastos publicitários em anos eleitorais à média dos três anos anteriores. Mas, no primeiro semestre do ano eleitoral de 2006, Lula gastou R$ 476.774.103,89, 68% do que a lei permitia no ano todo. Exagero acidental? Os números são eloquentes e revelam que os gastos com publicidade do governo Fernando Henrique Cardoso foram muito menores do que os do governo Lula.


Computando apenas a administração direta, em média, o governo Lula gasta simplesmente o dobro do que gastou o governo Fernando Henrique, atestando a marca maior do seu chefe -a obsessiva compulsão pela propaganda, que é a essência de sua ação política.


O ministro Franklin Martins diz que 70% da publicidade do governo vem de empresas estatais que concorrem no mercado, sugerindo que elas têm foco comercial e não atuam para alavancar a ideologia oficial lulo-petista. Falso. Os Correios e a Petrobras não competem com ninguém.


Ademais, nunca na história deste país a publicidade oficial foi tão controlada pela Presidência. Ninguém aprova uma peça ou um plano de mídia de qualquer setor do governo sem a bênção do ministro Franklin.


O conceito ufanista da propaganda ‘comercial’ das estatais é a chave para combiná-la com efeitos da propaganda oficial, seja de forma direta, seja com reprovável caráter subliminar. A campanha da Petrobras para festejar a suposta autonomia petrolífera, por exemplo, foi conjugada com a intensa ‘comemoração’ do governo, otimizando a duplicidade oficialista. A campanha da Caixa para o programa Minha Casa, Minha Vida foi outro exemplo de ‘mídia casada’, ao usar slogans e chavões lulistas.


Por último, o governo Lula usa dois truques maliciosos. Em 2003, 499 veículos recebiam propaganda do governo. Em 2008, esse total foi para 5.297. Ao redirecionar a publicidade para milhares de pequenos jornais e rádios, Lula mirou na dependência publicitária de boa parte desses pequenos veículos para acertar na escravização dos espaços editoriais -pequenos veículos do interior remoto são mais suscetíveis à pressão política do poder federal do que a imprensa tradicional, que compunha a lista dos 499.


Outro truque foi maximizar as tiragens dos jornais, auditadas ou não, como ‘critério técnico’ para justificar a distribuição de verbas publicitárias a veículos sindicais, como o ‘Jornal da CUT’. Escandalosamente partidarizados, esses ‘jornais’ disputam publicidade com a imprensa independente de forma desigual. Não são imprensa livre, não buscam a pluralidade de fontes, exaltam uma só ideologia -o lulo-petismo-, não auditam suas tiragens e ainda são financiados pelo imposto que você, cidadão, recolhe com o seu suado trabalho.


JOSÉ ANÍBAL PERES DE PONTES , 61, economista, é deputado federal pelo PSDB-SP e líder de seu partido Câmara dos Deputados. Foi presidente nacional do PSDB de 2001 a 2003.’


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


Colômbia isolada


‘A entrevista de Celso Amorim à Folha ecoou no alto da capa e da home do colombiano ‘El Tiempo’, dizendo que ‘nos preocupa a presença militar forte dos EUA’ e pedindo ‘garantias aos vizinhos’. Também em outros jornais da Colômbia e da região, caso do argentino ‘La Nación’, que ressaltou os ‘primeiros atritos entre Brasil e EUA’.


E também nos sites de ‘New York Times’ e ‘Washington Post’, em despacho sublinhando a ‘crítica crescente que ameaça isolar a Colômbia de seus vizinhos’. Ato contínuo, no meio da tarde o mesmo ‘El Tiempo’ abriu uma velha imagem de Álvaro Uribe com Lula e anunciou na manchete on-line que o colombiano vai viajar ao Brasil e outros vizinhos ‘para explicar o acordo com os EUA’.


ZELAYA VEM AÍ


Ao mesmo tempo em que confirmava a visita de Uribe para a quinta-feira, o Itamaraty anunciou na home do UOL e em outros que Manuel Zelaya, o presidente deposto no golpe hondurenho, deve visitar o país uma semana depois, no dia 12, a convite do governo brasileiro.


JIM JONES TAMBÉM


A Associated Press confirmou ontem e ‘NYT’, ‘WP’, ‘Miami Herald’ postaram que o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, desvinculado do Departamento de Estado, chega hoje ao Brasil para ‘conversas’ sobre a ‘situação em Honduras’, mas nada de Colômbia.


GLOBOVISIÓN


Nada de Colômbia, Honduras.. Ontem na escalada global, com vídeo, destaque para ‘Atentado na Venezuela’, onde a Globovisión, ‘que se opõe ao presidente Hugo Chávez, é alvo de ataque’.


DIA DE FORTE OTIMISMO


No Valor Online no fim do dia, ‘Bolsa testa os 56 mil pontos em dia de forte otimismo’. E foi uma segunda-feira em que as manchetes dos outros sites e dos telejornais anunciavam que a ‘indústria brasileira tem o pior desempenho desde 1975’, na Reuters Brasil, ou ‘o pior semestre dos últimos 34 anos’, no ‘Jornal Nacional’.


ATÉ EXPORTAÇÃO


Já o site do ‘Wall Street Journal’ noticiou o mesmo relatório do IBGE sobre a indústria brasileira, ontem, sob o enunciado ‘Recuperação do Brasil está chegando às exportações do país, mostram os dados de junho’.


E a Bloomberg acrescentou que os mercados reagiram também a dados positivos da ‘indústria chinesa’.


BRASIL & CHINA


E o ‘Financial Times’ explicou o dia nos mercados brasileiros e nos emergentes em geral sob o título ‘Fé renovada no descolamento acende onda’. Entrevistou um estrategista do banco Morgan Stanley, para quem ‘desta vez é diferente’, pois ‘Ásia e América Latina’, China e Brasil, estão em melhor situação do que EUA e Europa.


CHINA VAI PASSAR EUA


O ‘WSJ’ destacou, inclusive no WSJ Americas, seu site em português, a longa análise ‘China está para ultrapassar EUA em produção industrial. E daí?’. O texto de Timothy Aeppel avalia que ‘isso não tem importância, em questão de tamanho real’, mas tem como ‘medida da saúde relativa do setor em cada país’.


OBAMA DEMAIS


Na capa da nova edição da revista ‘New York’, ‘A venda (e venda e venda) do presidente’, com longa reportagem mostrando que Barack Obama se excede na exposição de mídia, mas também avaliando que a equipe de ‘mensagem’ que montou vem dando resultado, até o momento.


GLOBO, COLLOR & SARNEY


Senadores de um lado e de outro ‘bateram boca’ ontem no plenário, para as manchetes por toda parte, da Folha Online ao ‘Jornal Nacional’. Na escalada deste último, passadas duas décadas da campanha, destaque para ‘os defensores de José Sarney, Fernando Collor e Renan Calheiros’.’


 


 


CORÉIA DO NORTE


Folha de S. Paulo


Bill Clinton vai à Coreia do Norte para libertar americanas


‘O ex-presidente dos EUA (1993-2001) -e marido da atual secretária de Estado, Hillary Clinton- chegou hoje pela manhã (horário local) à capital Pyongyang para tentar libertar duas jornalistas detidas em março e condenadas a 12 anos de trabalhos forçados, disse a agência sul-coreana Yonhap.’


 


 


INTERNET


Daniela Arrais


Facebook cresce no Brasil e estimula desenvolvedores


‘Não fosse a equipe que o acompanha, seguindo seus passos e cronometrando quanto tempo ele tem para falar, Mark Zuckeberg, de jeans, camiseta e tênis, passaria por um jovem comum de 25 anos. Sua fortuna, estimada pela revista ‘Forbes’ em US$ 1,5 bilhão, não deixa dúvida de que o criador da rede social Facebook é um dos principais nomes da tecnologia e da economia no mundo.


Zuckerberg visita o Brasil pela primeira vez nesta semana para lançar uma competição para desenvolvedores de aplicativos (www.facebook. com/desafiofacebook). Também aproveita para enfatizar a importância do mercado brasileiro, cujo número de usuários dobrou nos últimos três meses, passando a 1,3 milhão -no mundo, a rede conta com 250 milhões de usuários ativos. Em entrevista concedida à Folha, Zuckerberg fala sobre os planos do Facebook.


FOLHA – Quais são os planos do Facebook para o Brasil?


MARK ZUCKERBERG – O Facebook é um projeto mundial, que quer que as pessoas compartilhem informações e fiquem conectadas com a família e com os amigos, tornando o dia a dia mais divertido. Para termos sucesso, nós temos que ter sucesso em todos os países. O Brasil é um grande país, onde o Facebook está crescendo. Obviamente estamos atrás do maior jogador do mercado [o Orkut]. Mesmo que sejamos pequenos e não sejamos a principal rede que as pessoas usam agora, se focarmos em construir o melhor produto, com o tempo, os usuários vão mudar para o melhor.


FOLHA – Como funciona o Facebook Connect [ferramenta que permite acessar conteúdo postado na rede social a partir de qualquer site]?


ZUCKERBERG – Você quer comprar livros, por exemplo, e pode ver que livros seus amigos olharam ou compraram recentemente. Também pode receber recomendações de acordo com o que você coloca na sua seção de livros favoritos. Trata-se de personalização. São informações que se tornam úteis pelo que elas agregam.


FOLHA – E como fica a questão da privacidade?


ZUCKERBERG – O grande ponto do Facebook Connect é que você aperta um botão e escolhe que informações quer compartilhar. O Beacon [criticada plataforma de publicidade] foi, de certa forma, uma versão anterior disso. Fizemos coisas incorretas. Definitivamente, o Facebook cometeu erros em relação a proteções. Mas sempre demos muita importância à privacidade, a dar controle às pessoas. As pessoas acham que o Facebook é um ambiente seguro e confiável, que não conta com muito spam e onde elas fornecem informações reais sobre si mesmas.


FOLHA – Qual a importância da Microsoft para o Facebook?


ZUCKERBERG – No lado direito do Facebook, há banners. A Microsoft tem exclusividade para vender anúncios em banners. Fizemos um acordo em um tempo em que tínhamos 10 milhões de usuários, quando espalhar o Facebook para o mundo era mais fácil. Agora, a maioria dos anúncios estão sendo vendidos pelo próprio Facebook, mas a Microsoft ainda é um parceiro importante.


FOLHA – Falando em Microsoft, qual é a sua opinião sobre o acordo da empresa com o Yahoo!?


ZUCKERBERG – Acho que não tenho uma opinião. Acabei de voltar de uma floresta tropical, não tive tempo de pensar sobre isso (risos).


FOLHA – Quais são os planos do Facebook para os próximos anos?


ZUCKERBERG – A maioria dos usuários está fora dos EUA. O quão grande o Facebook vai se tornar depende do quão grande a internet se tornará. Ela está crescendo rapidamente. Todo mundo que usa computador vai querer se conectar com os amigos. Se nós fizermos o nosso trabalho bem, podemos alcançar ainda mais gente. Se não, outro site fará isso.


FOLHA – A crise econômica afetou algum plano?


ZUCKERBERG – Não muito. Tem sido um ano intenso. Meus mentores em negócios falam que companhias verdadeiramente boas são construídas em tempos de recessão. A razão para isso é que, quando o tempo está bom, há um grande número de competidores. Na recessão, você pensa em fornecer um bom serviço. Podemos crescer um pouco mais lentamente, mas crescemos. Esperamos que 2010 seja melhor.


FOLHA – Como você lida com a pressão de ser um jovem bilionário?


ZUCKERBERG – Muito do que eu foco em fazer agora é bem similar ao que eu fazia quando criei o Facebook. Na universidade, eu fazia várias coisas. Hoje, também. Nunca tive foco em dinheiro. E o Facebook é público, não tenho realmente tanto dinheiro. Pode ser que em algum ponto do futuro eu possa ganhar algum. Acordo de manhã, vou pro escritório, trabalho até tarde, volto para casa, durmo. Nada muito diferente de uma pessoa comum.’


 


 


TELEVISÃO


Daniel Castro


Diretor do SBT insinua que Record pagou por entrevista


‘Diretor do ‘Esquadrão da Moda’, do SBT, Aldrin Mazzei insinuou que a Record pagou para conseguir uma entrevista com Joseph Jackson, pai de Michael Jackson, exibida anteontem no ‘Repórter Record’.


‘Eu queria saber quanto a Record pagou para entrevistar o pai do Michael Jackson’, escreveu Mazzei no Twitter, rede de microblogs, enquanto a entrevista era veiculada.


A Record negou ter pago pelo material. Disse que a entrevista, feita por Roberto Cabrini, foi resultado de uma longa negociação de sua sucursal de Nova York. A Record anunciou ter sido a terceira rede de televisão do mundo a entrevistar Jackson desde a morte do popstar.


Ontem, via assessoria de imprensa do SBT, Mazzei afirmou que expôs no Twitter ‘só uma curiosidade’, porque leu em sites e viu na TV que Joseph Jackson cobraria por entrevistas. No começo de julho, o ‘Fantástico’ exibiu material em que um jornalista inglês pagou US$ 5.000 para se encontrar com o pai de Michael.


O ‘Repórter Record’ de anteontem foi reeditado às pressas. A Record manteve a entrevista feita por Roberto Cabrini, mas tirou o jornalista da apresentação do programa. No lugar, entrou Marcos Hummel.


Cabrini se reuniu sexta-feira com Silvio Santos. À Record, disse que recebeu proposta ‘irrecusável’ para fazer um programa de reportagens no SBT. Como ele não falou pessoalmente com executivos da Record (apenas por telefone), a emissora o excluiu da apresentação do ‘Repórter Record’. Mas, até as 14h de ontem, ele não havia assinado com o SBT.


BOAS-VINDAS


Vereador e apresentador do SBT, Netinho de Paula foi rendido por homens armados ao chegar à favela de Heliópolis (São Paulo), ontem de manhã, para gravar o quadro ‘Dia de Princesa’. Segundo sua assessoria, os bandidos pediram desculpas e deram boas-vindas depois que o reconheceram. Netinho reclamou da produção, mas manteve as gravações.


OLHO DA RUA


A TV Cultura acabou com o ‘Pé na Rua’ porque o considerava caro. A atração tinha respaldo de crítica e dava boa audiência (para os padrões da Cultura). O ombudsman da emissora, Ernesto Rodrigues, relatou ter recebido ‘recorde de e-mails’ -’de protestos de telespectadores perplexos’.


ESPERA


Vítima da gripe A (H1N1), Sandra Annenberg foi trabalhar ontem, mas não se sentiu ‘100%’ para apresentar o ‘Jornal Hoje’. Teve falta de ar.


PACOTE PORNÔ


O ‘Diário Oficial’ de ontem publicou lista de filmes pornôs classificados pelo Ministério da Justiça para a Globo Comunicações e Participações S/A. É a mesma razão social da TV Globo, mas os longas (como ‘Homens Uniformizados 5’) são para canais eróticos do grupo.


VIVA O SOL


O sol do último domingo derrubou a TV. Das 7h à meia-noite, a média de televisores ligados foi de 42,6% em SP, cinco pontos percentuais a menos do que no domingo anterior.’


 


 


Beatriz Peres


Série da HBO investiga a doença de Alzheimer


‘Uma mulher passa por testes para saber se reconhece as placas de trânsito para poder continuar dirigindo. Outra conversa com a sua própria imagem no espelho. Um homem fala com a mulher sobre seu casamento como se ela fosse uma estranha. Outro se esforça para lembrar o nome dos netos e ri dizendo que pode chamá-los apenas de ‘crianças’.


Os personagens reais, em diferentes estágios da doença de Alzheimer, estão na série ‘The Alzheimer’s Project’, que a HBO exibe a partir de hoje (com estreia sempre às terças).


São quatro documentários independentes que abordam vários aspectos do problema que atinge pelo menos 5 milhões de norte-americanos -no Brasil, estima-se que haja 1,2 milhão com a doença.


O primeiro filme (e o melhor da série) é ‘As Lembranças Perdidas da Memória’, de Shari Cookson e Nick Doob, que acompanha sete pessoas em fases distintas do Alzheimer.


São pacientes, familiares e amigos que lidam com os avanços de uma doença para a qual não há cura nem tratamento que impeça sua progressão. E, depois da qual, as pessoas deixam de ser elas mesmas -perdem a memória, as ideias, as referências e as conexões que estabeleciam com o mundo.


Em ‘Vô, Você Sabe Quem Eu Sou?’, de Eamon Harrington e John Watkin, o ponto de vista é o de crianças de seis a 15 anos.


Os depoimentos são amarrados por comentários de Maria Shiver, cujo pai tem Alzheimer e é autora do livro em que o documentário se baseia.


O tom é mais didático, com os fortes testemunhos dos netos servindo de base para uma série de ‘lições’ práticas sobre como lidar com o problema.


O braço científico do projeto está concentrado nas duas partes de ‘Avanços na Ciência’ (dirigidas por Susan Froemke e John Hoffman). O filme entrevista médicos e neurocientistas para investigar o que já se sabe e as principais linhas de pesquisa sobre o Alzheimer.


Histórias de pacientes servem para ilustrar, por exemplo, como costuma ser feito o diagnóstico e o que deve ser considerado como sinais de alerta. Os cientistas se dizem ‘a ponto’ de controlar a segunda doença mais temida pelos norte-americanos, atrás apenas do câncer. E falam dos avanços nas investigações sobre genética, insulina e colesterol na tentativa de descobrir o que pode ser feito para detectar de maneira precisa, retardar sintomas como a perda da memória e até prevenir o Alzheimer.


A série termina com ‘Cuidadores’, de Bill Couturié, que se concentra nas pessoas que cercam os pacientes. Filhos, maridos e mulheres que veem, a cada dia, o paciente um pouco mais ausente e convivem com os impactos financeiros, físicos e emocionais provocados por essas mudanças.


THE ALZHEIMER’S PROJECT


Quando: a partir de hoje, às 22h, na HBO (sempre às ter., às 22h, até 25/8)


Classificação: não indicado a menores de 12 anos’


 


 


 


 


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O Estado de S. Paulo


Terça-feira, 4 de agosto de 2009 


 


CASO SARNEY


Roberto Almeida


SIP protesta contra censura ao jornal


‘Entidades internacionais de defesa da liberdade de expressão, como Sociedad Interamericana de Prensa (SIP), International Federation of Journalists (IFJ) e Artigo 19, classificaram como ‘inconstitucional’ a decisão do desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, que determinou censura prévia ao Estado. Todas condenaram a proibição de divulgar irregularidades referentes à família Sarney.


A SIP, uma das principais entidades de defesa da liberdade de expressão do mundo, fundada em Washington, nos EUA, em 1926, congrega 1.400 publicações. Seu presidente, Enrique Calderón, editor do jornal El Tiempo em Bogotá, na Colômbia, protestou contra a censura ao Estado.


Em nota, ele disse lamentar ‘que a Justiça brasileira se caracterize por proteger excessivamente os direitos das pessoas quando elas estão imiscuídas em temas de interesse público, como nesse caso, e deixe em segundo plano o direito de liberdade de expressão, condenando assim os cidadãos ao ostracismo’.


‘É um caso utópico de censura prévia, não porque afeta os meios de comunicação ao restringir suas reportagens sobre casos e pessoas públicas, mas porque quebra os princípios constitucionais ao negar ao público o seu direito de saber’, criticou o presidente da SIP.


No mesmo tom, o presidente do comitê de Liberdade de Expressão da SIP, Robert Rivard, editor do San Antonio Express-News, nos Estados Unidos, frisou que a censura prévia ‘viola os padrões internacionais para a liberdade de imprensa, aos quais o Brasil aderiu, e as garantias estabelecidas em sua Constituição’.


O coordenador da International Federation of Journalists (IFJ) para a América Latina, Gregorio Salazar, recebeu com indignação, em Caracas, na Venezuela, a notícia de censura ao Estado. ‘Mas isso é um absurdo’, afirmou.


Salazar redigiu o comunicado oficial da IFJ, entidade fundada em 1952 que conta hoje com 600 mil membros em 100 países. O texto de Salazar expressa ‘espanto e preocupação’ ante a decisão judicial que ocasionou a censura.


‘A IFJ exige pronta retificação desta medida, que pretende impedir a imprensa brasileira de informar sobre as irregularidades detectadas pela Justiça Federal, e manifesta sua preocupação porque a decisão obedeceu a conhecidos laços de amizade entre o juiz Vieira e a família Sarney’, atacou a entidade.


Para a IFJ, a medida apresenta uma ‘clara imposição de censura prévia, e viola expressamente a Constituição brasileira e o artigo 13 sobre Liberdade de Pensamento e Expressão da Convenção Americana sobre Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA).’ O artigo 13, redigido em cinco parágrafos, destaca em sua essência que ‘não se pode restringir o direito de expressão por vias ou meios indiretos, tais como o abuso de controles oficiais ou particulares’.


Expressou também ‘preocupação’ a ONG Artigo 19, entidade de defesa de direitos humanos e liberdade de expressão, representada em 80 países. ‘Quando é de interesse público que uma informação seja divulgada, mais do que de interesse privado, ela deve ser divulgada’, anotou a entidade, lembrando que foi ‘desrespeitado um direito fundamental garantido na Constituição.’’


 


 


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Nos anos 70, Camões contra a censura


‘‘As armas e os barões assinalados.’ Camões e seu famoso cântico, Os Lusíadas, que exalta a coragem dos navegadores lusos talvez nunca tenham sido tão populares no Brasil quanto entre março de 1973 e janeiro de 1975, em pleno regime militar. Naquele período o Estado era submetido diariamente à censura prévia e, para denunciar aos leitores e à sociedade a presença de censores em suas oficinas, publicava versos do poeta português no lugar de matérias cortadas.


No total, segundo a pesquisadora Maria Aparecida de Aquino, que tratou do assunto em sua tese de mestrado na USP, a tesoura dos censores atingiu 1.136 textos do Estado – 655 substituídos por versos de Camões – entre março de 1973 e janeiro de 1975.


Antes de recorrer aos versos do escritor português, os editores do Estado publicavam cartas sobre rosas. Nas reproduções ao lado, é possível observar como isso ocorria. Era uma notícia sobre o diretor do jornal, Julio de Mesquita Neto, que, em 1974, ao receber o prêmio Pena de Ouro, da Federação Internacional dos Editores de Jornais em Copenhague, aproveitou para denunciar as arbitrariedades do governo brasileiro.


Na primeira versão, à esquerda, aparece o pronunciamento do diretor no qual afirmava que, ‘para um jornalista, agradecer um prêmio concedido por jornalistas é sempre uma tarefa embaraçosa. Ela se torna mais difícil ainda quando esse prêmio tem como justificativa a atividade desenvolvida numa luta que para todo jornalista independente é inseparável do exercício digno da profissão: a defesa da liberdade de imprensa’. A reportagem foi vetada, restando apenas a manchete. Ao lado, os versos do Canto Primeiro, que a substituíram, denunciando a censura.’


 


 


Mariângela Gallucci e Fausto Macedo


Para ministros do STF, liminar do juiz contraria a Constituição


‘Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), juristas, advogados e promotores do Ministério Público afirmaram ontem que a decisão do desembargador Dácio Vieira, que proibiu o Estado de publicar reportagens sobre a Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, contraria a Constituição e recentes manifestações da corte que garantem a liberdade de imprensa e de expressão.


Confira especial sobre as páginas do ‘Estado’ censuradas no regime militar


Os ministros avaliam que a ordem de Vieira será derrubada pelo próprio Tribunal de Justiça (TJ) do Distrito Federal ou pelas instâncias superiores do Judiciário – o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou o Supremo Tribunal Federal.


Eles consideraram ‘estranho’ o conteúdo da decisão, já que neste ano o STF deu decisões claras no sentido de que não podem ser admitidas restrições à liberdade de imprensa.


Os ministros afirmaram que o desembargador deveria ter se negado a analisar o pedido de Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Vieira fez carreira no Senado. Foto publicada pelo Estado no sábado mostra o desembargador com Sarney na festa de casamento da filha do ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia.


ATENTADO


‘Numa democracia consolidada não podemos admitir censura ou limitação à liberdade de expressão’, alertou Mozart Valadares, presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). ‘Não se pode admitir no Estado Democrático de Direito decisões que censurem ou limitem a liberdade de expressão. É um atentado contra a democracia.’


O promotor de Justiça José Carlos Cosenzo, presidente da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público, disse que pelo ‘princípio da tutela jurisdicional’ todos podem bater às portas da Justiça. ‘Este caso é absurdo. Em plena vigência do Estado democrático, vetar o direito da sociedade de saber o que está acontecendo é inadmissível.’


Para o promotor não se trata de uma questão de ordem privada, mas de ordem pública. ‘O Estadão presta um serviço ao País. O objetivo do jornal é informar e a Constituição assegura a todos o direito à informação. A censura é desserviço. A suspeição (do desembargador) é claríssima. Não se pode impedir que a sociedade saiba dos fatos que são de interesse público. A sociedade tem sim o direito de saber o que está por trás dessa crise política do Senado.’


A assessoria do TJ do Distrito Federal informou que o desembargador, procurado pelo Estado desde sexta-feira, não vai se manifestar sobre o caso.’


 


 


João Domingos


Sarney vê ‘campanha’ contra filho


‘Ao divulgar nota para defender a iniciativa de Fernando Sarney de entrar na Justiça e censurar previamente o Estado, o portal estadao.com.br e todas as empresas do Grupo Estado, proibindo-os de divulgar fatos referentes à Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), disse que o filho ‘tem sido vítima de cruel e violenta campanha infamante por parte de O Estado de S. Paulo’.


Já Fernando Sarney, também por nota, afirmou que, como empresário do ramo de comunicação há 30 anos – ele é presidente do Sistema Mirante de Comunicação, que tem a retransmissora da TV Globo em São Luís e cidades vizinhas, rádio e jornal -, ‘sempre defendeu a liberdade de imprensa, a livre manifestação de opinião, e jamais promoveria ou apoiaria qualquer iniciativa que pudesse ser interpretada como censura’.


No mesmo tom do pai, Fernando Sarney justificou que a decisão judicial que censurou previamente o Estado ‘simplesmente exige o respeito a garantias constitucionais inerentes a todo cidadão – intimidade, privacidade, honra e imagem’. Fernando disse ser ‘lamentável’ que a decisão ‘esteja sendo apresentada como forma de censura à imprensa, que vem divulgando, ilicitamente, informações sob sigilo expressamente imposto pelo Judiciário’.


PROCESSO


Em sua nota, José Sarney afirmou que não foi consultado sobre a iniciativa do filho. Atribuiu-a à exclusiva responsabilidade de Fernando e seus advogados. Sarney disse que não pode ser responsabilizado pela ação. ‘Por isso é uma distorção de má-fé querer me responsabilizar pelo fato’, afirmou. ‘Todo o Brasil é testemunha de minha tolerância e minha posição a respeito à liberdade de imprensa, nunca tendo processado jornalista algum.’


Sarney processou o jornalista João Mellão Neto, conforme atesta o Tribunal de Justiça do Distrito Federal. Ele alegou injúria por parte de Mellão e pretende reparação. Tentou primeiro na 19ª Vara de Reparação de Danos. Perdeu. Não desistiu. Recorreu agora ao Tribunal de Justiça, mesmo órgão no qual seu filho Fernando Sarney conseguiu a decisão liminar que censurou o Estado.


Fernando tenta censurar o Estado desde 2008, quando entrou com ação no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) com três pedidos: mordaça nos promotores, para que não dessem entrevista sobre a Operação Boi Barrica, pela qual foi investigado e indiciado, censura ao Estado e intimação do repórter Ricardo Brandt para que ele contasse quem tinha sido a fonte que lhe informara a respeito da ação da PF.


O CNMP não só negou o pedido de Fernando Sarney, como o considerou inconstitucional. ‘Não se pode confundir observância do segredo de Justiça com censura prévia. A censura prévia é proibida pela Constituição Federal’, argumentou o relator da ação, procurador da República Diaulas Ribeiro.


Na Operação Boi Barrica o empresário Fernando Sarney foi indiciado por lavagem de dinheiro, tráfico de influência e formação de quadrilha.’


 


 


VENEZUELA


Roberto Lameirinhas


Militantes ligados a Chávez atacam TV


‘Numa ação rápida e surpreendente, mais de 30 militantes do partido radical Unidade Popular Venezuelana (UPV), vinculado ao governo de Hugo Chávez, invadiram ontem a sede da emissora antichavista Globovisión, no Distrito Alta Florida, em Caracas, e lançaram pelo menos duas bombas de gás lacrimogêneo.


Duas pessoas – um funcionário da TV e uma mulher grávida – ficaram feridas levemente no incidente, três dias depois de o governo de Chávez ter retirado do ar 34 emissoras de rádio e apresentado à Assembleia um projeto de lei que estabelece pesadas penas de prisão para empresas ou indivíduos que divulgarem notícias que ‘atentem contra a segurança do Estado’.


Os militantes, liderados pela ativista de movimentos sociais Lina Ron – qualificada pela oposição de uma agitadora a serviço de Chávez -, renderam os vigilantes do portão de entrada da sede da emissora ameaçando-os com revólveres e pistolas. As bombas de gás foram lançadas do pátio interno do edifício e explodiram na entrada dos estúdios, de onde se transmitia o noticiário das 13 horas.


A reportagem do Estado chegava à sede da emissora no momento do ataque. Depois de lançar as bombas, os agressores – todos usando boinas vermelhas, camisetas e bandeiras da UPV – deixaram o local de motocicleta e em alta velocidade. Policiais da Guarda Metropolitana de Caracas cercaram as vias próximas da emissora logo após o atentado, mas nenhum ativista da UPV tinha sido detido até a tarde de ontem.


Indignado, o diretor-geral da Globovisión, Alberto Federico Ravell, responsabilizou Chávez diretamente pelo atentado e exigiu punição para seus autores.


‘Esse é mais um atropelo por parte desse governo, que deve ser repudiado por todos os venezuelanos’, declarou Ravell a um grupo de jornalistas. ‘Agora, além do assédio moral e jurídico, o cerco aos meios de comunicação comprometidos com a verdadeira democracia na Venezuela estão sujeitos à agressão de bandos a serviço do governo. Não interessa ao governo que se divulguem seus atropelos, sua ineficiência, sua corrupção. Não lhe interessa a divulgação de seus laços com guerrilheiros das Farc, com o narcotráfico. Por isso querem nos calar.’


Após o ataque, o ministro do Interior e Justiça, Tareck el-Aissami, condenou o atentado, que qualificou de ‘violento e criminoso’. ‘Quem estiver envolvido nessa ação será posto à disposição da Justiça’, afirmou. ‘Não aceitaremos que a violência seja o instrumento pelo qual resolveremos nossas diferenças.’


O governo Chávez, que em 2007 tirou do ar a mais popular emissora, a RCTV, tem apertado o cerco contra a Globovisión, cujo fechamento é considerado iminente. Nos últimos meses, o canal recebeu multas que somam quase US$ 3 milhões. Além disso, o presidente da TV, Gustavo Zuloaga, que também é dono de uma concessionária de veículos, é réu numa ação penal na qual é acusado de esconder mercadorias para fins de especulação.


‘É necessário que a comunidade internacional volte seus olhos para o que está ocorrendo com a liberdade de expressão na Venezuela’, declarou ao Estado Teodoro Petkoff, diretor do jornal Tal Cual. ‘A violência contra a liberdade de imprensa é tao intensa que dispensa qualquer comentário.’’


 


 


Reuters, AFP e AP


Rádio fechada passa a transmitir da rua


‘Várias das 34 emissoras de rádio venezuelanas que tiveram sua programação interrompida pelo governo conseguiram ontem romper o silêncio imposto pela Comissão Nacional de Telecomunicações da Venezuela (Conatel), passando a transmitir pela internet. Outras, como a cadeia CNB, uma das mais populares do país, que perdeu a licença de cinco emissoras, decidiu desafiar o governo e montou alto-falantes na rua.


‘Hoje, a liberdade de imprensa está sendo restringida. Hoje, você tem uma opção a menos. Amanhã, não sabemos quantas teremos’, disse Juan Carlos Rutilo, apresentador esportivo da CNB, que ontem levou seus equipamentos para a Praça Alfredo Sadel, em Caracas. ‘Por enquanto, esta será a nossa conexão com o público para não deixá-lo sozinho em um momento tão difícil como este’, disse J.J. Bartolomeo, vice-presidente de relações institucionais do grupo.


Além dos programas feitos na rua, desde sábado todas as cinco emissoras do grupo CNB – além da de Caracas, as dos Estados de Zulia, Carabobo, Táchira e Falcón – passaram a transmitir também pela internet.


O grupo CNB é dirigido pelo empresário Nelson Belfort, que também é o presidente da Câmara Venezuelana de Radiodifusão. Belfort considerou ‘ilegal’ o processo de fechamento das rádios. ‘Não tivemos direito a defesa’, disse.


EMPREGOS


No entanto, segundo os diretores da rádio, dificilmente a internet conseguirá dar o mesmo retorno financeiro que as empresas tinham antes. ‘Muitas fecharão’, disse Bartolomeo. ‘Estamos fazendo de tudo para manter os 200 empregos diretos que proporcionamos.’’


 


 


EQUADOR


AFP


Correa vai tirar frequências de rádios e tevês


‘O presidente equatoriano, Rafael Correa, anunciou ontem que muitas frequências de rádio e TV passarão para o Estado por causa de supostas irregularidades em suas concessões, o que antecipa um novo conflito com a imprensa. Correa disse que tomará a decisão com base em um relatório apresentado em maio pela Comissão de Auditoria de Frequências de Rádio e TV, criada em novembro.


‘Vamos primeiro sancionar os abusos cometidos e corrigi-los’, afirmou Correa, sem revelar quando as medidas entrarão em vigor e nem quais irregularidades foram cometidas. O presidente também não citou o nome de nenhuma emissora.’


 


 


CORÉIA DO NORTE


Reuters


Clinton tenta libertar jornalistas


‘O ex-presidente dos EUA Bill Clinton partiu ontem para a Coreia do Norte para tentar negociar a libertação de duas jornalistas americanas condenadas por ‘graves crimes’ pelo Estado socialista, informou a agência sul-coreana Yonhap.


Euna Lee e Laura Ling foram condenadas no mês passado a 12 anos de trabalhos forçados. Elas foram presas em março na fronteira entre a China e a Coreia do Norte, acusadas de entrar ilegalmente, quando faziam uma reportagem para a TV do ex-vice de Clinton, Al Gore.


A secretária americana de Estado e ex-primeira-dama, Hillary Clinton, pediu ao governo de Pyongyang que conceda anistia às jornalistas.’


 


 


GAZA


Nidal al-Mughrabi, Reuters


Hamas lança filme sobre militante


‘O público no cinema da Faixa de Gaza bateu palmas e aclamou quando o ator pronunciou as palavras mais memoráveis do filme: ‘Matar soldados israelenses é adorar a Deus!’


Imad Aqel, que estreou no sábado, é o primeiro longa-metragem produzido pelo movimento radical islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza. O título é o nome de um militante palestino a quem Israel responsabilizou pela morte de 13 soldados e colonos.


O filme representa o que o Hamas define como ‘Cinema da Resistência’. Rodado em um set construído no antigo assentamento israelense de Ganei Tai, ele mostra a fundação do Hamas na década de 80, os ataques planejados por Aqel contra militares israelenses na Cisjordânia e na Faixa de Gaza e a assinatura do acordo de paz de Oslo, entre Israel e a Organização para a Libertação da Palestina, em 1993.


A montagem custou US$ 120 mil e o roteiro foi escrito por Mahmoud al-Zahar, um dos principais líderes do grupo, que é considerado terrorista pelo Ocidente.


Aqel foi morto aos 22 anos por soldados israelenses que cercaram seu esconderijo em Gaza, em 1993.


Quatro atores do filme, que levou vários meses para ser concluído, também foram mortos posteriormente, na ofensiva de 22 dias lançada por Israel na Faixa de Gaza, entre dezembro e janeiro, com o objetivo de acabar com os ataques de foguetes lançados pelos militantes do território palestino.


O diretor, Majed Jendeya espera mostrar o filme no Festival de Cannes. O filme constitui a mais recente incursão nos meios de comunicação de massa pelo Hamas, que já possui um canal via satélite, uma estação de rádio e vários jornais.’


 


 


INTERNET


Rodrigo Martins


Facebook enfrenta o Orkut no Brasil


‘O Facebook pode abrir um escritório no Brasil. Com crescimento acelerado no número de usuários locais – mais do que dobrou neste ano -, o dono e criador da maior rede social do mundo, Mark Zuckerberg, admitiu ontem que o País é um dos próximos candidatos a receber representação oficial da companhia, que tem 250 milhões de usuários ao redor do mudo.


Zuckerberg, de apenas 25 anos e dono da empresa com a quarta maior audiência na web hoje, chegou domingo a São Paulo e começou ontem uma série de compromissos com desenvolvedores, blogueiros e estudantes. ‘Viemos visitar o Brasil para explicar quem somos e o que fazemos’, disse. ‘Amanhã (hoje), teremos encontros com estudantes e desenvolvedores. Vamos explicar como funciona nossa plataforma.’


Entre janeiro e maio, o Facebook cresceu 133% no Brasil. Só entre abril e maio, o aumento foi de 40%. De acordo com o Ibope Nielsen Online, são 2,7 milhões de usuários brasileiros hoje. Ainda pouco perto do Orkut, o líder absoluto, com 24,4 milhões. Mas isso já faz Zuckerberg planejar o futuro. ‘Dobramos o número de usuários em três meses. Se dobrarmos de novo em três ou seis e ainda crescermos, definitivamente haverá um escritório no País.’


Na política de expansão do Facebook, primeiro o site é traduzido. Isso é feito pelos próprios internautas. Hoje, a rede social já está em mais de 90 idiomas. Depois, se fizer sucesso no país, chega o escritório. Foi assim no Reino Unido e na França. ‘Uma das metas este ano é aumentarmos o número de escritórios no mundo. Abrimos em países em que há muitos usuários’, diz. ‘Algumas empresas fazem isso em países em que ainda não estão crescendo. Depois não crescem e demitem funcionários para fechar o escritório. Isso é um saco’, disse ele, em referência ao MySpace, que fechou neste ano escritórios no Brasil e na Europa.


O executivo afirma que o site já ‘faz dinheiro’. O modelo é o de anúncios segmentados. Como a rede social possui muitas informações sobre os usuários, como gostos e amigos, é possível exibir publicidade exclusiva para cada perfil de internauta. ‘Para as pessoas é bom, pois elas têm anúncios com maior relevância. E os patrocinadores fazem o melhor investimento.’


Esse tipo de publicidade, diz, ‘ainda está nos primeiros estágios’. ‘Mas irá funcionar muito bem’, garante. ‘Fizemos pesquisas com as pessoas para saber se elas aprovavam. Perguntamos se elas gostariam de anúncios segmentados. O resultado foi bom. O Facebook é um ambiente em que as pessoas confiam. E, quando confiam, elas se mostram mais, compartilham informações de forma segura. E é a melhor forma para a publicidade’, afirma.


Na semana passada, o Google, dono do Orkut, também passou a disponibilizar anúncios segmentados, num projeto semelhante ao apresentado pelo Facebook. A diferença é que são em menor número. Apenas um banner quadrado por página do perfil. Na ocasião, a empresa afirmou que era a melhor forma de atingir os brasileiros, uma vez que ‘75% dos internautas nacionais estão no Orkut’.


‘Em quatro anos de popularidade no Brasil, só na semana passada eles (o Orkut) lançaram isso?’, ironizou a diretora de Comunicação do Facebook, Debbie Frost, que acompanha Zuckerberg.


Segundo Zuckerberg, a sua visita ao Brasil também tem o intuito de prospectar anunciantes para o site. ‘Precisamos de anúncios, como no resto do mundo, para podermos manter gratuitos os serviços do site. Mas a primeira razão de estarmos aqui é para melhorar a experiência do usuário, e não para fazer dinheiro.’


Nesta viagem, o site ainda fechou uma parceria com o Terra. O provedor passará a utilizar o serviço Facebook Connect. A ferramenta permite, por exemplo, aos usuários do Facebook ver os comentários que os amigos fizeram em sites do Terra.’


 


 


***


Aos 25 anos, Zuckerberg lidera empresa de US$ 6,5 bi


‘Mark Zuckerberg tem uma história parecida com a dos criadores da Microsoft, da Apple, do Yahoo e do Google. Tudo começa com uma ideia despretensiosa, mas original, de um jovem desconhecido. Um dia, ela estoura, junta milhões de usuários e rende bilhões de dólares.


Em 2004, ele era só um aluno de Harvard de 19 anos. Mas decidiu criar um site para os amigos da universidade. Segundo ele, queria apenas ‘conectar as pessoas’. Na biografia não autorizada The Accidental Billionaires: The Founding of Facebook, lançada no mês passado – e que deve virar filme -, a criação, na realidade, teria sido para ficar famoso na universidade e conseguir namoradas.


Na época, redes sociais já existiam. O Friendster nasceu em 2002 e fez um certo sucesso. O MySpace, criado em 2003, tornou-se líder mundial rapidamente por sua ênfase em música. O próprio Orkut também é de 2004. O que o Facebook trouxe, principalmente, foi a possibilidade de adicionar aplicativos ao perfil – de leitor de e-mail a joguinhos – e ênfase nas questões de privacidade.


Hoje, aos 25 anos, Zuckerberg ainda traz marcas de espinhas no rosto. Mas tem uma empresa avaliada em US$ 6,5 bilhões. De rede social para alunos de Harvard, o Facebook abriu-se para universitários de outras instituições. Depois, para todos os internautas, ganhando até os mais velhos, que formam hoje grande parte dos usuários. Em 2008, o executivo negociou 1,6% da empresa com a Microsoft pelo valor declarado de US$ 240 milhões, após recusar ofertas para a venda total vindas do Yahoo e do Google.


Neste ano, passou o MySpace como a maior rede social do mundo e avançou a ponto de, hoje, 30% dos internautas mundiais estarem no site, desbancando sites líderes nos EUA, Argentina, Colômbia, França e Itália. Mas não faz tanto sucesso ainda nos Brics. Brasil, Rússia, Índia e China ainda preferem outros sites de relacionamento. ‘Nos países maiores, como no caso do Brasil, o tempo para a migração é maior. Mas achamos que o Facebook tem muita perspectiva de crescer no Brasil. Se queremos fazer sucesso em todos os países grandes, temos de fazer sucesso no Brasil’, diz Zuckerberg.’


 


 


FOTOGRAFIA


Antonio Gonçalves Filho


Babel traz o time da Magnum para o País


‘Fundada em 1947 por Cartier-Bresson e Robert Capa, a Magnum é a agência dos sonhos de qualquer fotógrafo no mundo. E, graças à insistência de uma ex-comissária de bordo, ex-dublê de cinema e ex-funcionária do Palácio de Buckingham, a jovem paulistana Jully Fernandes, as exposições, projetos culturais, publicação de livros e vendas no Brasil da histórica cooperativa de fotógrafos vão passar agora pelas mãos dessa ágil empresária de 35 anos, que em pouco tempo conquistou veteranos da Magnum como o ex-presidente Stuart Franklin, o atual presidente Alex Webb e dois dos maiores fotógrafos contemporâneos, o alemão Thomas Hoepker e o francês Elliott Erwitt, que vive nos EUA.


Hoepker ganhou sua primeira exposição no Brasil no ano passado, quando a irrequieta Jully, após dezenas de e-mails trocados com o fotógrafo, conseguiu convencê-lo a trazer suas imagens para a Feira Internacional de Fotos de São Paulo (SP Arte/Foto). Sua mostra foi um sucesso. Hoepker, que registrou a mais insólita imagem do 11 de setembro – jovens conversando enquanto as torres gêmeas pegam fogo -, ficou surpreso com o interesse dos colecionadores brasileiros por suas fotos (que chegam a custar 65 mil, caso da anteriormente mencionada). E, natural, recomendou Jully aos colegas.


O resultado dessa inesperada associação entre um premiado fotógrafo alemão e uma jovem desconhecida brasileira, proprietária de uma galeria virtual, a Galeria de Babel (www.galeriadebabel.com.br), é que no próximo mês ela vai trazer para a SP Arte/Foto um dos nomes históricos da fotografia publicitária e jornalística, o francês Elliott Erwitt, que acabou de completar 81 anos. Filho de imigrantes russos, ele se mudou com os pais para os EUA quando tinha 10 anos e registrou imagens poderosas que circulam há mais de meio século, da bizarra foto dos pés de uma mulher ao lado de um chihuahua (1946) ao registro-síntese da Guerra Fria, o encontro de Nixon com Kruchev em 1959.


Não contente em trazer Erwitt a São Paulo, Jully convidou o diretor da Maison Europénne de la Photographie, Jean-Luc Monterosso, para dividir com o assistente de Erwitt, Zak Powers, o estande da Galeria de Babel na SP Arte/Foto, que será aberta no dia 9 de setembro. Stuart Franklin, ex-presidente da Magnum, não poderá vir, mas em seu lugar vai estar Mark Lubell, diretor do escritório da Magnum em Nova York, após organizar uma exposição em 33 lugares do mundo com as fotos da tragédia do 11 de setembro, que rendeu mais de US$ 1 milhão, doados a instituições de caridade. Lubell está envolvido em outro projeto gigantesco, o de coordenar o trabalho de um grupo de fotógrafos que vasculha a América da crise econômica em busca de imagens reveladoras, nos mesmos moldes dos profissionais enviados para registrar a Grande Depressão dos EUA na época de Roosevelt.


Como os caminhos de Hoepker, Erwitt, Lubell e Jully se cruzam é uma história que vale a pena contar. Ela começa há cinco anos, quando a empresária, aos 30 anos, decidiu abrir uma galeria de fotografia virtual para vender fotos de profissionais amigos, como Dimitri Lee, Andreas Heiniger e Ricardo van Steen. Já, então, Jully era uma colecionadora com alguma experiência na área de produção – ela trabalhou no Departamento de Fotografia de revistas. Ousada, ela decidiu que iria divulgar a qualquer custo a fotografia brasileira em museus estrangeiros e aproveitou sua fluência no inglês – ela foi casada com um percussionista britânico – para impressionar os diretores de importantes instituições da Inglaterra.


‘Para quem estava acostumada a fazer produção de projetos impossíveis do Channel 4, colocar um portfólio debaixo do braço era até uma tarefa relativamente fácil’, conta Jully, que, além das profissões já citadas, foi atriz e produtora teatral das peças de Miguel Falabella e Wolf Maya. ‘A recepção nos museus não era nem um pouco animadora, mas eu sou positiva e insistente’, comenta, rindo, a zeliguiana empresária. ‘Na Europa, especialmente na Inglaterra, eles dão muito valor ao currículo e a gente no Brasil não é assim’, observa, justificando a abertura de uma galeria virtual para exibir seus fotógrafos e conquistar a confiança dos diretores de museus e colecionadores.


O próximo passo foi abrir um escritório de representação em Notting Hill, Londres. Agora, Jully, filha de uma pedagoga e de um sociólogo, vai dar um salto ainda mais alto. Acaba de alugar uma casa ao lado do escritório de Hector Babenco, no elegante Jardim Europa, onde a Galeria de Babel vai deixar de ser virtual e ganhar um espaço físico. ‘Conto muito com a sorte, mas sou ambiciosa e perfeccionista’, admite a empresária, que já tem representantes na Argentina, México, Chile, Equador e até em Cuba.


Trabalho, pelo jeito, não vai faltar. Pelo contrato com a Magnum, Jully vai supervisionar projetos culturais e exposições da agência no Brasil. No próximo ano, por exemplo, ela vai acompanhar a montagem da retrospectiva que a Pinacoteca do Estado deve dedicar ao fotógrafo Elliott Erwitt, segundo revela a empresária, que anuncia para a mesma época a publicação de um livro com fotos feitas na América Latina – o fotógrafo esteve no Brasil nos anos 1960. ‘Estamos pensando em organizar também uma mostra de seus filmes no Museu da Imagem e do Som, documentários mais pessoais como The Many Faces of Dustin Hoffman (um curta de 15 minutos que mostra as transformações do ator na época em que rodava o filme ?Pequeno Grande Homem?, de Arthur Penn).’


Jully diz que o contrato com a Magnum é experimental. ‘Eles vão avaliar os primeiros resultados antes de fecharmos próximas exposições.’ Paralelamente, ela começa a trabalhar em parceria com galerias paulistas que têm em seus acervos grandes nomes, como a Millan, representante do fotógrafo Miguel Rio Branco, estrela do elenco da Magnum, que já teve entre seus associados Sebastião Salgado.


Numa época em que a fotografia ganha novos colecionadores e as cotações internacionais atingem a estratosfera, a empresária, que tem uma coleção de 400 imagens – ‘grande parte delas sombrias’ -, revela que só agora começa a colher os frutos de seu trabalho. ‘É preciso acreditar e eu acredito muito nos fotógrafos que represento’, diz, citando a série dos vaqueiros de Andreas Heiniger como uma conquista vitoriosa do colecionador estrangeiro. ‘Hoje ele faz um sucesso incrível lá fora, mas foi muito difícil introduzir esse trabalho entre os colecionadores e curadores europeus.’


Ela passou um ano inteiro tentando um contato com Jean-Luc Monterosso, que organiza o Mês da Fotografia na França, e ainda não desistiu de participar da feira internacional Art Basel, que a rejeitou por ser virtual. ‘Mas já consegui a aprovação da feira de Arles, na França.’ E qual será o próximo passo? ‘Ter uma galeria importante como a Saatchi Gallery.’’


 


 


TELEVISÃO


Keila Jimenez


Globo faz estoque Rede grava sem data para ir ao ar


‘A Globo vai estocar atrações. A nova ordem na emissora é produzir alguns programas sem data certa para ir ao ar. Calma, nem tudo será assim. Segundo o diretor-geral de Entretenimento da Globo, Manoel Martins, o objetivo da emissora é agrupar produtos que não pereçam em um prazo maior de tempo, para tê-los como curingas na grade de programação sempre que necessário.


‘Séries mais curtas, musicais e até programas de uma única edição podem ser gravados com antecedência e estocados para entrar na hora mais adequada’, conta Martins. ‘Nem sempre existe aquela urgência de gravar e colocar no ar. Com Som & Fúria foi assim. Gravamos a série muito antes de exibi-la.’


O estoque da Globo conta agora com a nova temporada de Por Toda a Minha Vida, programa musical comandado por Fernanda Lima. Entre as novas edições, já prontinhas, estão homenagens a Cazuza, Cássia Eller e Luiz Gonzaga.


‘Esse é o tipo de programa que pode ter exibição esporádica e em datas mais oportunas’, fala Martins. ‘Mas tudo o que for estocado tem garantia de ir ao ar, nada lá será jogado fora.’’


 


 


 


 


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