Sexta-feira, 21 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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JORNAL DE DEBATES > CRIANÇA NA MÍDIA

Sem direito à inocência

Por Artur Delamare em 27/04/2004 na edição 274

Na qualidade de coronel PM, presidente da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Polícia Militar (AdesPM), órgão de estudos e trabalhos doutrinários sobre ordem e segurança públicas, como advogado militante, inscrição OAB/RJ 62.585, jornalista formado pela Faculdade de Comunicação Hélio Alonso, MT 32.429 e, em especial, cidadão de massa crítica e atuação responsável, sou defensor do capitalismo, da democracia e da liberdade de expressão, onde se inclui a liberdade de imprensa. No entanto, tenho sérios reparos a fazer tanto ao capitalismo, ex vi o vigente entre nós, do mal uso da democracia pelos políticos demagogos e do abuso da liberdade de imprensa pela maioria dos órgãos de comunicação social, a chamada mídia.

Para não me alongar, fixo-me na mídia.

In limine, os jornalistas, em geral, assim ordenam o universo: lá em cima, Deus; aqui embaixo, o jornalista. Dessa forma, a maioria se considera ungida pela mão de Deus, logo, infalíveis e incriticáveis, vale dizer, intocáveis pela mão do homem; logo, acima de qualquer controle, inclusive o da lei, pois consideram uma aberração qualquer regra de limites. Pouco importa que os preceitos constitucionais disponham de forma diferente; pouco importa que artigos da Constituição da República, a lei do povo, condicione o uso da liberdade de expressão à inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das pessoas, à promoção da cultura e ao respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.

Atoleiro social

Essa deformação cultural, aliada ao abissal poder dos recursos científicos e tecnológicos do mundo moderno, postos a serviço da mídia, estão maculando as regalias concedidas à mídia e o direito inalienável do povo à informação, por degradar mentes e vocações, desde a mais infante idade, com programações violentas, degeneradas e profundamente nocivas à formação da nossa juventude (por si, já tão sem esperança).

A mídia, hoje, nega à criança o direito à inocência. Muito daquilo que se escreve, fala e mostra na mídia, é impensável e intolerável a qualquer pessoa que freqüente nossos lares. No entanto, qualquer desequilibrado da mídia sente-se no sagrado direito de violar, impunemente, como desejado e defendido, os mais profundos valores éticos e sociais. Tragédia maior quando se sabe ser a mídia o canal cultural e democrático por excelência.

Essa deformação está incentivando a prostituição, em especial, a infantil; encorajando a marginalidade de todos os tipos, pelo enfraquecimento das reservas morais, dando péssimo exemplo e contribuindo para o aceleramento da marcha-batida na qual nos encontramos para o estabelecimento de uma verdadeira cloaca social.

Nós da AdesPM não vemos como poderemos sair desse atoleiro social, político e econômico, que a todos desespera e amedronta, sem uma justa e devida reflexão da mídia nacional sobre seu verdadeiro papel neste mundo de Deus.

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Coronel PM, advogado e jornalista

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