Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

JORNAL DE DEBATES > MAIORIDADE PENAL

Sociedade é adultocêntrica e hipócrita

Por Alveni Lisboa em 06/03/2007 na edição 423

Onde está a ‘comoção nacional’? E a mídia sensacionalista [ver abaixo]? Quando a violência é cometida por um adolescente, a população indigna-se. Mas quando a violência é praticada contra a criança ou um adolescente nada acontece. Nenhum parlamentar envia PL (Projeto de Lei) para votação, nenhum jornalista publica textos exaltados, nenhum governador se manifesta. Nem sequer é divulgada a notícia.

Atualmente, morrem 250 jovens para cada 100 mil habitantes e não há emoção por parte da sociedade. O massacre dos jovens acabou sendo absorvido e transformando-se em um fato comum.

‘Comoção nacional’

O adolescente tornou-se o bode expiatório da violência. Todos os casos que acontecem envolvendo-os, que não são a regra, mas a exceção, tomam proporções desnecessárias. Vale ressaltar que apenas 150, dentre os mais de 15.500 adolescentes infratores, cometeram crimes hediondos, ou seja, menos de 1%. A violência é um grito de liberdade do adolescente para reconhecimento e valorização. É a sua forma de expor a situação na qual está inserido.

A nossa sociedade é adultocêntrica e hipócrita. Em vez de cobrar melhorias na infra-estrutura do país para proporcionar chance igualitária, prefere apontar a punição como forma de resolver todos os problemas.

A chamada ‘comoção nacional’ tem muitos interesses por trás. E isso é triste e preocupante.

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Menina morre baleada

Danilo Almeida # copyright Folha de S.Paulo, 27/2/2007

A menina Vitória Gabrielly Silva de Carvalho, de três anos, foi morta com um tiro no peito durante uma tentativa de assalto quando estava no colo do avô, José Solange da Silva, 55, na porta de casa, em Mauá (Grande São Paulo).

Embora a bala tenha perfurado a criança, não atingiu o avô, que saiu ileso. O crime aconteceu por volta da 0h de ontem.

O filho de José, Paulo André dos Santos Silva, 26, tinha acabado de chegar à casa que divide com os pais, no Jardim Salgueiro, após encerrar o expediente na pizzaria da qual é dono, em sociedade com o pai, em um bairro vizinho.

Ao abrir o portão para guardar seu Pointer, foi abordado por dois desconhecidos que o chamaram gritando ‘Ô, rapaz’. Paulo, que tinha sido assaltado no mesmo local no dia 17, se jogou no chão.

‘Ela não agüentou’

Os criminosos então fizeram um disparo. Segundos antes, ao ouvir o carro, o pai do comerciante havia aberto a porta da sala, que dá acesso à garagem. No colo, carregava a neta. O tiro perfurou o peito da criança, que é sobrinha de Paulo – filha de sua irmã Adriana, 28.

Separada do marido, Adriana mora na casa dos pais com a filha e o irmão. Ela estava dentro de casa quando o crime ocorreu. ‘Eu ouvi o barulho do tiro e depois ouvi minha filha gritando. Corri até ela, que já estava toda ensangüentada. Corremos para levar Vitória ao hospital, mas ela não agüentou’, contou.

Menino de 4 anos baleado

No desespero para levar a sobrinha ao hospital, o comerciante chegou a arrancar o portão da garagem com o carro. A menina chegou viva ao hospital, mas morreu minutos depois. Foi enterrada ontem à tarde num cemitério de Mauá.

Os criminosos fugiram, aparentemente a pé, sem levar nada. Paulo disse não ter visto o rosto deles, devido à escuridão.

A família desconfia que os ladrões sejam os mesmos autores do roubo sofrido por Paulo no dia 17. Naquela noite, uma dupla encapuzada rendeu o comerciante na garagem de casa e levou R$ 1.200 (o movimento da pizzaria) e um celular.

Poucas horas antes desse crime, houve outro assalto na vizinhança. A polícia civil não se manifestou sobre o caso.

Na noite de sábado, um menino de quatro anos morreu depois de ter sido baleado na cabeça, durante a perseguição do vigia de um posto de gasolina a um ladrão. O tiroteio ocorreu em Santo André (ABC).

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Estagiário na Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República e estudante do 2º semestre de Jornalismo, Brasília, DF

Todos os comentários

  1. Comentou em 07/03/2007 Paulo Bandarra

    Caro jovem Alveni Lisboa , Brasília-DF – Jornalista. É perigoso usar argumentos ad homini! Tome cuidado, que para um estudante de jornalismo, é muito fácil virar para você. Saber que os adultos mantém a economia e criam o mundo que faz as crianças sobreviverem, pode acreditar, é uma realidade, e não um preconceito! Por isto mesmo que os casos comentados sobre as marginalidade juvenil tem como pano de fundo a ausência dos adultos que o geraram e não lhe deram o amor e o sustento. Por isto que pessoas idosas devem ter, e em muitos países orientais são venerados, pois eles que criaram este mundo que os hoje adultos, quando crianças, ganharam. Não caiu do céu, mas os velhos, quando adultos trabalharam, proveram seus filhos, criaram progressos e benefícios para os que chegavam sem nada nas mãos a não ser necessidades e vontades. O único lugar em que velho foi descartado foi na ex-URSS que não recebiam amparo por não produzirem. Este assunto não me afetaria, pois não sou parente do João e nem dos adolescentes mortos pelo Chambinho! Mas com o direito de quem já trabalhou mais que você, de quem já viveu muito mais que você, que possui experiência profissional muito maior do que você, de quem conhece muito mais dramas do que você, e contando com a liberdade de pensamento e opinião, que não foi conquistado pela sua geração que a recém chegou, expresso as minhas idéias mais abalizada!

  2. Comentou em 07/03/2007 Paulo Bandarra

    Caro jovem Alveni Lisboa , Brasília-DF – Jornalista. É perigoso usar argumentos ad homini! Tome cuidado, que para um estudante de jornalismo, é muito fácil virar para você. Saber que os adultos mantém a economia e criam o mundo que faz as crianças sobreviverem, pode acreditar, é uma realidade, e não um preconceito! Por isto mesmo que os casos comentados sobre as marginalidade juvenil tem como pano de fundo a ausência dos adultos que o geraram e não lhe deram o amor e o sustento. Por isto que pessoas idosas devem ter, e em muitos países orientais são venerados, pois eles que criaram este mundo que os hoje adultos, quando crianças, ganharam. Não caiu do céu, mas os velhos, quando adultos trabalharam, proveram seus filhos, criaram progressos e benefícios para os que chegavam sem nada nas mãos a não ser necessidades e vontades. O único lugar em que velho foi descartado foi na ex-URSS que não recebiam amparo por não produzirem. Este assunto não me afetaria, pois não sou parente do João e nem dos adolescentes mortos pelo Chambinho! Mas com o direito de quem já trabalhou mais que você, de quem já viveu muito mais que você, que possui experiência profissional muito maior do que você, de quem conhece muito mais dramas do que você, e contando com a liberdade de pensamento e opinião, que não foi conquistado pela sua geração que a recém chegou, expresso as minhas idéias mais abalizada!

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