Sábado, 15 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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JORNAL DE DEBATES >

Telejornais apostam em histórias de mulheres desaparecidas

13/04/2004 na edição 272

O desaparecimento da estagiária da Casa Branca Chandra Levy em 2001, em Washington, deu início a uma nova tendência nos telejornais matinais dos EUA: noticiar e acompanhar todos os detalhes de casos de mulheres desaparecidas no país. Além de Chandra, Elizabeth Smart, Laci Peterson, Dru Sjodin e Carly Brucia são nomes conhecidos a qualquer telespectador regular destes programas. Os casos de Chandra, Laci e Carly terminaram tragicamente quando seus corpos foram achados. Dru continua desaparecida e Elizabeth foi encontrada viva nove meses após ser seqüestrada, em 2002.

Segundo Peter Johnson [USA Today, 5/4/04], questiona-se por que é dado tanto destaque a casos de mulheres desaparecidas em um momento de terrorismo, revoltas civis no Iraque, cenário econômico imprevisível e acirrada campanha presidencial nos EUA. A resposta pode ser dada em partes. Primeiro, os noticiários matutinos possuem, em média, duas horas de programação para preencher – os telejornais da noite costumam ter apenas 22 minutos. Segundo, explorar casos de mulheres desaparecidas é uma forma de apelar diretamente para o público-alvo deste tipo de programa, que é formado por mulheres de 25 a 54 anos. ‘Este tipo de história mexe com nossas telespectadoras’, afirma Michael Bass, editor do Early Show, na CBS.

Mas os críticos de mídia têm suas dúvidas quanto à importância desses casos e o mérito dado a eles na televisão. Dizem que produtores de programas de notícias agem sobre o medo dos telespectadores para aumentar a audiência. Há duas semanas, porém, um caso de desaparecimento acompanhado pelos noticiários foi desvendado pela polícia e pode ter dado uma lição nesses produtores. Descobriu-se que a estudante Audrey Seiler, de Madison, no estado de Wisconsin, havia forjado seu próprio seqüestro. Alguns críticos esperam que o exemplo de Audrey leve os produtores a repensar o destaque comumente dado a essas histórias.

Os casos de mulheres desaparecidas não devem ser ignorados, afirma o analista de mídia Andrew Tyndall, que monitora os telejornais matinais e noturnos. Em 2001, dos 428 mil casos de pessoas desaparecidas reportados à polícia, apenas cerca de 3.500 diziam respeito a mulheres de 22 a 29 anos. Tyndall acusa os programas matinais de ‘transformarem histórias de relevância local em grandes destaques nacionais simplesmente porque mexem com a emoção das pessoas’. Além disso, diz o analista, as emissoras fazem discriminação ao escolher que casos desejam cobrir. ‘São sempre mulheres e elas têm que ser bonitas’, denuncia.

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