Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 24 E 25/02

Terra Magazine

26/02/2007 na edição 421


TELEVISÃO
Márcio Alemão


Quanto riso, quanta alegria, 21/02/07


‘Confesso: fracassei.


Não suportei permanecer todo o tempo diante da TV durante as transmissões da
‘maior festa do Brasil’. Temi por um dano maior. Ainda assim, foram horas,
muitas horas que não me serviram para absolutamente nada. Tudo poderia ter sido
condensado em 10 minutos.


De longe, com vários e vários corpos de vantagem, Nelson Rubens, na RedeTV!,
como seu ‘Bastidores do Carnaval’, fica com o troféu do pior programa.


Nelson ok ok tem o sorriso mais falso do mundo. Minto. Talvez não seja falso.
É o sorriso repleto de aleivosia, típico do fofoqueiro, do personagem que ele
decidiu viver. E é um sorriso que se desarma sempre meio segundo antes da câmera
sair, deixando claro que não está feliz, não está compartilhando nada com
ninguém.


A ‘equipe de reportagem’ não conseguia ir muito além das frases: ‘E aí? Muita
emoção?’ E o final que se repetiu 795 vezes: ‘Agora mostra pra gente que você
tem o samba no pé’. Uma cena espetacular: falando sobre a tal da emoção, a
passista nos conta que, quando entra na avenida, sente um friozinho na barriga.
Pois acreditem, o câmera corrigiu para a barriga da moça. Comentário de um
amigo: ‘Tá fácil ser repórter hoje em dia, não tá?’


O Carnaval pela Band, o Folia na Band, admito que estava bem mais rico que
das outras vezes. Tenho problemas com Otaviano Costa. Na minha opinião ele
poderia fazer uma dupla com Celso Portioli para rodarem pelo interior
apresentando baile de debutantes. Tento explicar o incômodo, o estranhamento que
senti ao ver durante horas o Folia na Band. Deixou de ser uma transmissão do
carnaval da Bahia. Transformou-se em um programa de auditório. O auditório, no
caso, era formado por trios e bandas, além do povo pulante. E pela falta de
espaço, o povo pulante era pequeno. Povo caminhante com dificuldade via-se mais.


Imagino que, segundo acordo firmado entre emissora e participantes do
Carnaval, todos deveriam parar em frente ao palco e bater aquele papinho gostoso
com Betinho e Otaviano. Deveriam ainda enaltecer a Band, seu trabalho
maravilhoso, mostrar que gozavam de intimidade com os apresentadores e
vice-versa. E foram muitas as vezes que esses mestres de cerimônia atravessaram
o ‘samba’. Marcio, da banda Psirico, decide rodar um som tecno. Otaviano se
anima e começa fazer seu beatbox – sons com a boca colada ao microfone. E faltou
a noção do tempo. E sobrou entusiasmo. E a cena foi ficando constrangedora.


Sempre no quesito constrangimento, a drag Léo Aquila, no Bastidores do
Carnaval, volta e meia pedia ao câmera: ‘Começa aqui em baixo. Agora vai
subindo. Olha isso, que maravilha, gente. Que deusa!’ Vi essa cena se repetir
umas 5 vezes. Em todas as vezes meus olhos foram agredidos. Deusas de um reino
perdido que, espero francamente, jamais seja descoberto e revelado.


Mas nenhum, nenhum constrangimento foi maior que o provocado pela Mangueira
ao expulsar Beth Carvalho de seu desfile.


Semana que vem volto ao assunto.’


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