Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

ENTRE ASPAS > FIM DE SEMANA, 21 E 22/1

Último Segundo

24/01/2006 na edição 365

JORNALISTAS DE GUERRA
Último Segundo

Ameaças à imprensa obscurecem a compreensão do Iraque nos EUA, 22/1/06

‘NOVA YORK (Reuters) – Os sequestros são o maior pesadelo de todo jornalista ocidental no Iraque, mas tanto os repórteres estrangeiros como iraquianos enfrentam muitos outros obstáculos que dificultam a compreensão da guerra pelos norte-americanos.

Jill Carroll, jornalista free-lance norte-americana que está desaparecida no Iraque, foi a 36a. jornalista a ser sequestrada desde abril de 2004, segundo a Committee to Protect Journalists (CPJ, Comissão para Proteger Jornalistas), com sede em Nova York. Seis deles foram mortos.

‘Esta tem sido a nossa ameaça número um e o nosso pior pesadelo há quase dois anos’, disse à Reuters Jackie Spinner, repórter do Washington Post, que escapou a um sequestro em frente à prisão de Abu Ghraib em junho de 2004.

‘Eles me agarraram quando eu saía’, disse ela. ‘Eu usava um lenço de cabeça e um abaya (manto da cabeça aos pés). Um homem agarrou meu pulso e outro a minha cintura e começaram a me arrastar.’

Felizmente, fuzileiros navais norte-americanos notaram e vieram socorrê-la.

Spinner conta esse incidente em seu livro, ‘Tell Them I Didn’t Cry’ (Diga a Eles que eu não Chorei), que deve sair em 1 de fevereiro. O livro descreve a experiência dela ao relatar os acontecimentos, como o cerco de Falluja, em 2004. Mas grande parte do livro é sobre seus colegas iraquianos, de motoristas e cozinheiros, passando por guardas e tradutores, e sobre o quanto ela dependia deles.

A maior parte dos jornalistas vive e trabalha fora da ‘Zona Verde’ controlada pelos Estados Unidos, mas em geral eles operam dentro de conjuntos protegidos, com muros à prova de explosões e guardas armados.

IRAQUIANOS SÃO OS OLHOS E ORELAS

Grandes organizações, como The Washington Post, The New York Times e Reuters, pelo menos têm os recursos para depender de redes de iraquianos, que são seus olhos e ouvidos num terreno que é perigoso demais para os estrangeiros.

‘Provavelmente conseguimos cerca de 80 a 90 por cento das reportagens porque podemos usar os iraquianos para nos ajudar’, disse Spinner.

Os iraquianos podem correr menos perigo do que ocidentais na mesma situação, mas enfrentam perigos enormes e um número muito maior deles morreu.

Dezenas de bombas explodem todos os dias, matando indiscriminadamente, e os guardas dos postos de verificação trabalham sob tensão e abrem fogo à menor suspeita. Pelo menos 60 jornalistas morreram no trabalho no Iraque desde a invasão liderada pelos EUA, em março de 2003. Desses, whom 41 eram iraquianos. A ação dos insurgentes foi a causa de 36 mortes, e o fogo dos EUA matou 13, segundo dados da CPJ.

As forças norte-americanas admitem ter matado três jornalistas da Reuters, mas dizem que os soldados tinham justificativa para abrir fogo.

Alguns repórteres se tornaram alvos dos insurgentes por trabalharem para empresas norte-americanas. Pelo menos 12 foram detidos pelas forças dos EUA, por suspeita sobre suas atividades ou até das imagens de suas câmeras, diz a CPJ. ‘Permaneceram detidos por meses e nunca foram indiciados’, diz a diretora da CPJ, Ann Cooper.

Um cinegrafista da Reuters foi libertado neste domingo, depois de ficar detido por quase oito meses, sem acusação formal. Uma semana antes, dois outros iraquianos que trabalhavam para a Reuters foram libertados depois de passarem meses na prisão.

A difícil situação de segurança combinada com a má vontade dos editores norte-americanos de dar espaço para matérias profundas resultam em grandes lacunas no cenário percebido pelo público norte-americano, diz Orville Schell, da escola de jornalismo de Berkeley.

‘Não acho que já tenha havido uma situação tão difícil, com as exceções possíveis de Moscou e Pequim durante o auge da Guerra Fria’, disse Schell.

Segundo Greg Mitchell, editor do jornal setorial Editor & Publisher, os norte-americanos não estão recebendo respostas para importantes perguntas, como até que ponto existe apoio local para os insurgentes, particularmente para os combatentes estrangeiros ligados à al Qaeda.

‘O que os repórteres não podem ou se recusam a fazer é chegar perto o suficiente para realmente ter uma noção sobre o que o iraquiano médio sente ou sobre como a insurgência opera. Vemos os resultados dramáticos, mas simplesmente não sabemos como funciona’, disse Mitchell.

Acrescentou que, com exceção dos maiores jornais dos Estados Unidos, a imprensa depende quase totalmente de agências de notícias como a Reuters e a Associated Press, porque têm muito poucos correspondentes no Iraque.

‘Não há realmente muita reportagem independente como a que Jill Carroll tentava fazer quando foi sequestrada.’’

 

ROCK NA REDE
Último Segundo

Candidatos a roqueiro usam Internet para ganhar fama, 20/1/06

‘LONDRES (Reuters) – Um grande número de candidatos a estrelas do rock está se lançando online, usando as amostras grátis, o burburinho da Internet e os patrulheiros cibernéticos para conseguir que suas músicas sejam ouvidas.

E, embora o acordo tradicional com uma gravadora continue reverenciado como o cálice sagrado no mundo da música, a habilidade da Internet de erguer uma base de fãs dá mais poder aos artistas, além de mudar o modo como os selos fazem negócios.

Na segunda-feira, o grupo britânico Arctic Monkeys lançou seu álbum de estréia ‘Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not’. Vista como uma das primeiras bandas a se expandir sem o apoio de um agente ou selo, a gravação do quarteto deve entrar na lista de maiores sucessos.

Mas destacando o nível de dificuldade de ter sucesso apenas via Web, o quarteto assinou com o selo independente Domino Records em junho do ano passado.

‘A Internet significa que as gravadoras têm de lutar mais’, disse Laurence Bell, chefe do Domino que contratou o Arctic Monkeys, acrescentando que foram os fãs da banda, mais do que a própria banda, que criaram a moda da Internet.

‘Acho que as bandas provavelmente estão em uma posição mais forte, já que não estão tão desesperadas para que a gravadora encante o público’, disse ele à Reuters. ‘Elas já chegam com um público.’

Para Rob Wells, diretor de nova mídia da Universal Music, a maior gravadora do mundo, ‘a Internet dá aos artistas a capacidade de se abastecer com mais de uma história antes de fechar um contrato’.

‘Mas, se eles quiserem ultrapassar (as fronteiras da) Grã-Bretanha e vender milhões de discos no mundo todo, vão precisar da infra-estrutura que um contrato com uma grande gravadora dá, porque é caro’, completou.

Fazer gravações, turnês, promover o disco e obter todos os acessos importantes nas rádios custa dinheiro e exige contatos.

O Arctic Monkeys não está sozinho.

O Nizlopi vendeu mais de 400 mil cópias de ‘JCB Song’ apenas com a força de seu site na Internet e de seu vídeo animado.

O grupo britânico Marillion foi possivelmente o primeiro a se conectar diretamente com os fãs pela Internet. Desde o fim dos anos 1990, fez várias campanhas de sucesso para levantar fundos e vender discos online, reduzindo a necessidade de uma gravadora.

Outros grupos estão tentando seguir esse caminho, embora não seja fácil.

‘É muito tentador dizer que não precisamos da indústria musical’, disse ‘Dobs’ Vye, da banda londrina Public Symphony, que está usando seu site (www.publicsymphony.com) e certa dose de boa vontade para deslanchar.

‘Mas a realidade é que, a fim de realmente obter sucesso, precisamos da imprensa escrita, jornais, revistas, rádio e da TV’, ressalvou.’

 

AMÉRICA DO SUL
Alberto Dines

O G-3 Mosqueteiros, 20/1/06

‘Os parceiros têm grandes afinidades, a conjuntura internacional reclama um novo vetor na América Latina, o projeto é oportuno mas o Gasoduto do Sul apresentado na quinta-feira em Brasília pela trinca Lula- Kirchener-Chávez, não pode ser tocado sem a participação de Evo Morales e Michelle Bachelet, novos presidentes da Bolívia e do Chile.

Não é uma questão de cortesia e boa-vizinhança, mas de realismo geopolítico e viabilidade econômica. A Bolívia está sentada em cima de reservas fabulosas de gás natural e, no momento, a única forma de escoar esta dádiva divina é através do gasoduto brasileiro. Temos sede de energia embora essa não seja a mais recomendável sob o ponto de vista ambiental, mas os bolivianos não poderiam ficar eternamente dependendo do nosso mercado, recursos e boa-vontade.

O projeto boliviano de diversificação das exportações de gás foi brecado há quase três anos (outubro de 2003), justamente pelo líder cocalero Evo Morales que exigiu a renúncia do então presidente Gustavo Sanchez de Losada. A idéia era buscar novos compradores na zona do Pacífico, inicialmente México e EUA, depois na Ásia. Para isso seria necessário obter a autorização do Chile, que na guerra de 1883 tirou da Bolívia a sua saída para o mar e os ressentimentos posteriores consagraram como principal inimigo do país. Projeto engavetado, o Brasil tornou-se uma espécie de porteiro dos sonhos bolivianos.

Agora, com a eleição da brava socialista Michelle Bachelet para presidir o Chile criam-se as condições para uma mediação capaz de dirimir uma das mais dramáticas disputas territoriais que flagelam a América do Sul. O Gasoduto do Sul, desenhado para levar o gás do Caribe para o Brasil, Uruguai e Paraguai, asfixia a Bolívia ainda mais. Tira-lhe o sedento mercado brasileiro e não a estimula a buscar uma saída honrosa para o litígio com o Chile.

O G-3 esboçado entre abraços em Brasília (só faltou uma pelada) não levou em conta que um dos gigantes mundiais, a União Européia, começou há mais de 50 anos a partir de um acordo básico entre a França e Alemanha para explorar eqüitativamente o Carvão e o Aço, motivo de três guerras entre os dois países nos últimos 100 anos, duas delas de proporções mundiais.

Diplomatas sabem disso, mas políticos precisam aparecer nas manchetes. Sobretudo quando um deles chama-se Hugo Chávez, é militar, tem vocação para o caudilhismo e não esconde sua obsessão em incomodar diariamente os EUA. Tem razões de sobra: o embargo americano à venda de aviões brasileiros à força aérea da Venezuela escancara o retorno da política do ‘big-stick’ praticada pelo Departamento de Estado no antigo quintal do hemisfério sul.

Obsessões, no entanto, podem ser fatais na vida de nações e criaturas: Napoleão, Hitler e Stalin são exemplos de fixações neuróticas fatais.Nosso estilo é mais maneiroso basta recordar como Getúlio Vargas conseguiu esgueirar-se através das pressões do Eixo e dos Aliados até entrar na guerra em 1942. Com todas as vantagens. Ao contrário dos argentinos que só se decidiram quando a Alemanha estava batida e eles entregues ao peronismo do qual jamais se livraram.

Os Super-Tucanos da Embraer podem ser equipados com eletrônica e balística de outras fontes que não americanas. O Gasoduto do Sul é uma belíssima empreitada integradora capaz de vitalizar o combalido Mercosul-Mercosud. Mas antes de colocar os marqueteiros em campo – sobretudo no verão quando até o sensacionalismo parece murcho – seria de bom alvitre abrir os olhos para o Pacífico. O bolivarianismo de Chavez não pode esquecer o sofrimento boliviano.

Os Três Mosqueteiros de Alexandre Dumas eram, na realidade, quatro. Na sua versão moderna podem ser cinco, seis, dez. Ou 21.’

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