Quarta-feira, 17 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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JORNAL DE DEBATES >

Um dia chegaremos à vitória

Por Augusto Brandão em 01/08/2006 na edição 392

O jornalismo busca a verdade do fato e a transparência da informação no contexto social da notícia, desde que do interesse da empresa e da população. O assessor de comunicação procura a verdade do fato e a transparência da informação, no contexto social da notícia, desde que sejam do interesse da empresa e da população. Isto é o fato. Isto é a verdade. Isto é a realidade.

Tanto no caso do jornalismo, exercido na redação, quanto o jornalismo praticado na assessoria de comunicação, existem interesses convergentes e divergentes. Há, sem dúvida, interesses em jogo que pesam antes da divulgação. Não é verdadeiro o jornalista de redação afirmar que publica tudo que chega a suas mãos, como também não é possível o jornalista trabalhando como assessor de comunicação tornar públicos todos os dados enviados à assessoria. Ambos – saliente-se – têm responsabilidades institucional e profissional, fato esse que os leva a pensar duas vezes antes da divulgação de qualquer assunto.

Acrescente-se que o compromisso dos dois deve ser somente com a verdade dos fatos, a transparência, a justiça, a democracia, a liberdade, a responsabilidade social. Mas, como tudo na vida, a divulgação tem limites que apenas o tempo e a racionalidade podem explicar. No dia em que o jornalista, na qualidade de assessor de comunicação, perder o senso crítico de repórter, fatalmente deixará de ser jornalista-assessor para transformar-se em mero burocrata, ou seja, divulgador de qualquer assunto.

Luta ampla

Reconheça-se ser o campo do jornalista de redação amplo e aberto. Já o do jornalista-assessor, restrito, fechado. Esclareça-se aqui que o caminho é o mesmo, as dificuldades também e os conflitos idem. A medicina, a advocacia, a engenharia e outras ciências têm vários ramos de atividade. Assim é a comunicação social exercida pelo jornalista de redação e pelo jornalista que trabalha em assessoria de comunicação. A bem da verdade, ambos fazem jornalismo, dentro de seus limites e das respectivas áreas, tendo como matéria-prima informações diversas, em formato e linguagem apropriada de acordo com o veículo específico de comunicação, como notícia, reportagem, editorial, artigo, release.

O preconceito e a discriminação no relacionamento entre redações e assessorias de comunicação vêm desde o surgimento das assessorias e da forma como elas foram criadas. Isto, gente, foi passado! Na atualidade, o contexto é outro! A realidade é bem diferente! É cada um na sua arena com o mesmo ideal: a verdade da informação – se bem que a verdade tenha lá suas conveniências e a informação, seus interesses.

Importante destacar que a Ordem dos Advogado do Brasil (OAB) levou 89 anos para ser criada, tendo enfrentado inúmeros e idênticos obstáculos. A Federação Nacional de Jornalista (Fenaj) também, acredito piamente, sairá vencedora nesta luta pela liberdade de pensamento, pela liberdade de expressão, pela dignidade da imprensa, pelo pleno funcionamento da democracia, pela justiça social, pela pregação da igualdade entre os povos, pela paz entre os homens, pela preservação da natureza, pela criação do Conselho Federal de Jornalismo (CFJ).

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Jornalista e assessor de comunicação, Fortaleza (CE)

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